quinta-feira, 8 de junho de 2023

CÍCERO

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

CÍCERO.

Considerado um dos maiores oradores da Roma Antiga, Marco Túlio Cícero nasceu em Arpino, Itália, no dia 3 de janeiro do ano 107 a.C.,  filho de um rico equestre, a mais baixa das duas classes da ordem senatorial. A ordem equestre era formada por plebeus enriquecidos principalmente pela ampliação do comércio Mediterrâneo.

Recebeu fina educação, estudou grego latim e oratória. Recebeu ensinamentos dos mais insignes filósofos, poetas e historiadores gregos. Deixou-nos um legado de liberdade e ética cuja principal base é a HONESTIDADE. É dele o pensamento: “O poder propicia a um homem inúmeros privilégios, mas um par de mãos limpas raramente está entre eles”. Nem Cícero manteve-se imaculado, imagine os contemporâneos.

Devemos situar no contexto social da época quando nos referimos à LIBERDADE, devemos nos conscientizar que havia escravidão no Império Romano, como em todo o mundo contemporâneo. Seu escrivão, Marcos Túlio Tiro era um escravo que foi posteriormente libertado por Cícero. Criou o primeiro sistema organizado de taquigrafia, eram abreviaturas chamadas Notas Tironianas que foram usadas durante séculos.

Robert Harris, escritor inglês, pesquisando arquivos que relatam a época produziu uma trilogia; “IMPERIUM”, “LUSTRUM” e “DITACTOR” que reportam importantes episódios da vida de Cícero.

Quando alguém ousava dizer que a política era chata, tirava Cícero do sério. – Que coisa mais idiota que dizer “A política é chata, se a política é a História em movimento!” Que outra atividade humana mexe com o que há de mais nobre nas almas dos homens e com tudo que há de mais baixo? Ou que seja tão excitante? Ou oque mais vividamente expõe nossas forças e nossas fraquezas? Chata? Seria mais apropriado dizer que a vida é chata! (pg. 218)´ - IMPERIUM, primeiro volume da trilogia)

Após uma proposta desonrosa de Pompeu: -Talvez eu devesse ter saído de lá de imediato Cícero me confidenciou mais tarde. Isso é que o pobre e honesto teria me aconselhado a fazer. Mas Pompeu iria em frente, comigo ou não, e com isso eu só conseguiria sua inimizade, o que destruiria qualquer chance de eu vir a me tornar pretor no futuro. TUDO O QUE EU FAÇO ATUALMENTE DEVE SER ANALISADO PELO PRISMA DESSA ELEIÇÃO.

“Militares não são políticos, é uma conspiração criminosa usar o artifício das ações dos piratas para assumir o poder absoluto” – disse Cícero balançando desesperadamente a cabeça – pior: uma conspiração criminosa burra. Esse é o problema quando soldados resolvem fazer política. Imaginam que a única que precisam fazer é sair dando ordens e todo o mundo vai obedecer. Não conseguem perceber que a única coisa que em princípio os torna atraentes é o fato de serem supostamente grandes patriotas, acima da imundície da politica, é, no final, o que pode derrota-los porque ou eles permanecem acima da política, e nesse caso não vão a lugar nenhum, ou entram de cabeça na lama junto com todos os demais, e aí se mostram tão venais quanto qualquer mortal”. (pg. 230)

Imagino que deve ser duro para ele gastar tanta energia com um chefe que não admirava e com uma causa que acreditava ser fundamentalmente equivocada. Uma jornada ao topo da política muitas vezes obriga um homem a conviver com determinados companheiros de viagem incompatíveis e revela estranhos cenários, e ele sabia perfeitamente que agora não havia mais retorno. (pg. 249)

Os jogos de Apolo, no sexto dia de julho, marcavam tradicionalmente o início da temporada de eleições, ainda que, na verdade, aqueles dias sempre pareceram ser dias de eleições. Nem bem terminava uma campanha e os candidatos já começavam a preparar a seguinte. Cícero brincava dizendo que o negócio de governar o Estado era algo meramente para ocupar o tempo entre os dias de votação. E talvez essa seja uma das coisas que levara à morte da república: ela se empanturrou de eleições até morrer.

Almejo o cargo de cônsul, que significa a imortalidade, uma recompensa pela qual vale a pena lutar. Roma é uma cidade gloriosa construída sobre um rio de lama. Portanto, sim, eu defenderei Catilina, se for necessário,  e depois romperei com ele o mais rápido que puder. Ele faria o mesmo em relação a mim. Este é o mundo em que vivemos (lembro que Catilina ficou célebre por ter tentado posteriormente derrubar a República Romana). Cícero, então já desafeto, pronunciou uma série de quatro discursos, as “Catilinárias, onde a palavra não poderia ser mais torpe:  “Quousque tandem abutere Catilina patientia nostra?” (Até quando Catilina abusarás da nossa paciência?) E, também: “Hoc locus sacrus est, puer, extra mingite”. (Este lugar é sagrado guri, vá urinar lá fora). Pg. 302

Comentário do colunista: Atualmente também se constroem alianças pragmáticas, com finalidades puramente eleitoreiras e que logo se rompem, ao primeiro desentendimento.

Nas palavras de Cícero, um apanhado de qualidades paradoxais inerentes a um político mais interessado na próxima eleição que aos destinos da nação: “Fazer muitas amizades e mantê-las por devoção; dividir o que possui com todos e pôr à disposição de todos os amigos, nas horas de necessidade, dinheiro, influência, denodo e, se preciso, a ação criminosa mais inconsequente; controlar o temperamento conforme a ocasião e moldá-lo dessa ou daquela maneira; mostrar-se austero com os rígidos, flexível com os liberais, circunspecto perante os velhos, amável com os jovens, corajoso com os criminosos, dissoluto em meio aos depravados...” pg. 310.

Pasmem, Cícero acabou recusando-se a defender Catilina, com isso, adquiriu um inimigo mortal. Em coluna(s) posterior(es) veremos como terminou este triste “imbróglio” da História Romana.  De qualquer modo podemos refletir de como, passados vinte e quatro séculos, pode-se aferir que os políticos continuam usando os mais torpes estratagemas para garantir eleições.

A qualquer custo, repito.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


quinta-feira, 4 de maio de 2023

VACINAS, A ÚNICA SAÍDA

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

VACINAS, A ÚNICA SAÍDA

Um crescente número de brasileiros está sendo exposto a doenças que já tinham sido erradicadas por campanhas maciças de vacinação, exemplos: a poliomielite (paralisia infantil), sarampo, varíola, etc. e outras recentes como a Covid, perigosas, mas contornáveis pelas vacinas já ao nosso dispor. Essas doenças estão sendo disseminadas através dos medos plantados solertemente (causam autismo, endocardite, etc.), fake news, percepções equivocadas e, inclusive, o desgoverno no Plano Nacional de Imunizações (PNI).

Após a campanha catastrófica propagada pelo Governo Federal aconselhando o Kit Covid por motivações políticas no passado, agora ocorre um recrudescimento das campanhas antivacina que julgávamos sepultadas após os famigerados cinco dias de fúria durante a Revolta da Vacina ocorrida em 1904, liderada pelo senador Lauro Sodré e os deputados Barbosa Lima e Alfredo Varella que insuflaram os rebeldes contra o presidente Rodrigues Alves. A revolta foi motivada pela insatisfação da população rejeitando a campanha da vacinação obrigatória contra a febre amarela e a peste bubônica.

Após o saldo de 945 prisões, 461 deportações, 110 feridos e 30 mortos, Rodrigues Alves se viu obrigado a desistir da vacina obrigatória. Todos saíram perdendo, os revoltosos foram castigados pelo governo e a população pela interrupção de uma medida que poderia evitar a propagação da febre amarela e da peste bubônica que ceifaram milhares de vidas anualmente.

É inconcebível que, desta vez, uma nova ocorrência despropositada repita a insensatez após mais de um século, desta vez estimulada pelo governo, o contrário da Revolta da Vacina de 1904. Inconcebível, repito, que o governo federal tenha patrocinado uma campanha de desinformação e combate às vacinas, única maneira de combater a pandemia. A gente só sobrevive e vive bem nos dias atuais graças às vacinas.

Uma calamidade, a OMS ressalta que o Brasil – que já foi citado como exemplo de vacinação em massa – está entre os dez países         com mais crianças sem nenhuma dose de vacinas de rotina, ao lado de nações com históricas dificuldades como o Congo, Índia e Paquistão. “Despencamos de orgulho a pária”, comenta a infectologista Cristiane Toscano, da Universidade Federal de Goiás, que integra o grupo de experts em imunização da OMS.

O movimento anticiência hoje mata mais do que as armas e os acidentes de trânsito nos Estados Unidos, mas ainda há muitos que não consideram esta insanidade uma ferramenta letal. E isso vem se expandindo para o resto do mundo, inclusive o Brasil. Os porta-vozes dos antivacina são a bem da verdade poucos, perdendo o engajamento que tinham com o governo federal, mas ainda fazem barulho e estão bem organizados. A epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente da Sabin Vacine Institute se preocupa com a possibilidade que o movimento contamine a confiança que temos nas outras vacinas. Seria um desastre de proporções inimagináveis, na pior das hipóteses pode fazer retornar doenças já consideradas extintas, com o a poliomielite. A OMS coloca a hesitação vacinal como uma das maiores ameaças à saúde da humanidade.

Quando fatos incontestáveis, como a realidade que vacinas prolongam e melhoram a vida não mudam opiniões, talvez seja a hora de reconquistar a confiança por outras vias, poder-se-ia legislar no sentido de exigir o certificado de vacinação para conseguir acesso a determinados benefícios, atualmente universais.

Uma campanha persistente apoiada em estatísticas realizadas por órgãos livres de qualquer suspeita que insistam serem as vacinas que viabilizam um futuro melhor num planeta onde as pessoas vivem mais e com saúde,  diminuirá inclusive o risco da persistência da desigualdade social. Bater com insistência no fato incontestável que, depois da vacinação em massa a média de vida aumentou em 30 anos, da mesma forma que o advento dos antibióticos viabilizou a cura das infecções até há pouco incuráveis. Insistir que a mesma estratégia de saúde pública que salva crianças é uma das chaves da longevidade.                                                                          Ninguém pode duvidar e é preciso insistir na divulgação desse FATO: a prevenção sempre tem o melhor resultado final.

E surge no horizonte uma nova pandemia, aterradora: a H5N1. Entenda qual é o risco para a humanidade a perspectiva do alastramento da “gripe aviária” que está em vias de ser transmitida para os vertebrados, inclusive o homem. Para tentar conter a disseminação do vírus H5N1, 193 milhões de frangos, galinhas e outras aves foram sacrificados. E ele continua pipocando pelo mundo. E, agora, parece ter sofrido uma mutação preocupante: a capacidade de se propagar entre os mamíferos por contágio, tal qual a Covid.

Em 2021, cientistas canadenses calcularam a partir de testes que a morte pode advir entre 14% a 33% dos infectados. Uma pandemia causada pelo H5N1 seria uma CATÁSTROFE. Já existem vacinas, o problema será a necessidade de um número suficiente difícil de ser alcançado na quantidade e velocidade necessárias. As vacinas são fabricadas a partir de ovos de galinhas fecundadas por galos e cada ovo produz apenas uma vacina.

É o ÚNICO REMÉDIO que existe para conter a nova pandemia.

PENSEM NISSO antes de combatê-lo.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


quinta-feira, 27 de abril de 2023

FURTOS IMPUNES OU QUASE

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

FURTOS IMPUNES, OU QUASE

FATOS:

De janeiro a abril de 2023, em Porto Alegre, foram furtados 11,4 mil metros de fiação de cobre da rede elétrica, quantidade maior que em todo o ano passado (8,4 mil metros), Considerando que em 2001 foram 3,2 mil metros verifica-se que a intensidade cresceu de maneira avassaladora. É um FATO comprovado: nas últimas semanas ações integradas do DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e delegacias distritais da Polícia Civil junto às secretarias municipais de Porto Alegre e Gravataí resultaram em prisões em flagrante de receptadores e apreensão de mais de cinco toneladas de cabos telefônicos. Os policiais consideram que estão “enxugando gelo” porque os meliantes logo voltam às suas atividades criminosas. Temos a considerar que o fato se repete em todo o território nacional, os furtos cresceram 14% em 2022 conforme dados recolhidos pelo Conexis Brasil Digital, sindicato das empresas de telefonia e conectividade, 7 milhões de clientes ficaram sem acesso a serviços de comunicação sem contato com serviços essenciais como polícia, bombeiros e assistência médica.

O cobre é o produto mais visado, se antes da pandemia era revendido a R$17 o quilo agora já alcança R$ 60 o quilo. A receptação é feita em ferros-velhos e daí vai para fundições.

Usuários de crack são os principais autores dos furtos. Facções criminosas receptam diretamente dos viciados em troca de crack, assim o vício e o comércio criminoso estão umbilicalmente associados. “De grão em grão a galinha enche o papo”, diz o refrão popular. Usuários de drogas roubam pequenas quantidades de fios, 30 a 40 metros cada vez, mas de forma contínua e a repressão não consegue controlar. No Litoral Norte os furtos são de proporções maiores com a subtração de três a quatro quilômetros de fios por investida que se repetem até cinco vezes por dia. Em 2022 foram registrados 1.763 casos na região com um total de 145 quilômetros, 53,7 toneladas, causando um prejuízo de R$ 3,35 milhões.

Sendo considerados crimes não violentos, grande parte dos juízes reluta em decretar prisões e quando elas são consubstanciadas os criminosos ficam detidos por períodos diminutos. Um comerciante de São Leopoldo foi preso em fevereiro com 475 quilos de cabos furtados da RGE e ficou menos de uma semana detido.

Caso seja reincidente, o receptador pode pegar até quatro anos, mas cumprirá em regime aberto, trabalhando de dia e recolhido a um albergue prisional à noite. Como existem poucas vagas nos albergues, geralmente cumprem a pena em casa, no máximo com tornozeleiras eletrônicas.

Uma tentativa para coibir de maneira mais efetiva a compra e venda irregular de sucata e de peças de veículos automotores, estocagem e reciclagem em Porto Alegre resultou, no dia 14 de junho de 2022, no sancionamento da lei que regulamenta a instalação, reinstalação e funcionamento das atividades dedicadas ao desmanche de veículos automotores e atividades correlatas. A vereadora Comandante Nádia (PP) e o vereador José Freitas (Republicanos) foram os autores. Os comerciantes terão o prazo máximo de 50 dias para escriturar e registrar os materiais do seu estoque. Quando flagrados com material não legalizado serão interditados cautelarmente e, após procedimento administrativo, respeitado o direito do contraditório e à ampla defesa, terão sua licença cassada. Também serão sujeitos á penalidade de multa no valor de 5 mil UFMs (Unidade Financeira Municipal).

A Constituição atualmente em vigor no Brasil, no afã de eliminar o autoritarismo da legislação vigente durante a Revolução de 1964 exagerou na dose e agora a autoridade, base da segurança dos cidadãos, se tornou de tal modo cerceada que os criminosos dificilmente são penalizados da forma devida.

A ocorrência de furtos de fiação de cobre é um exemplo paradigmático, analisemos as consequências da leniência que ocorre:

A falta de comunicação impede o cidadão de apelar para os serviços dos órgãos policiais, bombeiros, assistência médica, etc.

O consequente corte da energia elétrica tem como consequência a inutilização de vacinas e remédios de uso contínuo, que requerem refrigeração, essenciais à saúde de doentes crônicos (diabete, osteoporose, tumores malignos, etc.) causando graves consequências, inclusive a possibilidade de sobrevir a morte. Apenas esse pormenor seria suficiente para invalidar o solerte argumento de “crime de menor poder ofensivo”. Haverá maior poder ofensivo que o óbito decorrente? É URGENTE criminalizar esses delitos com o devido rigor.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


quinta-feira, 20 de abril de 2023

RECURSOS PÚBLICOS PARA POLÍTICOS

 

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

RECURSOS PÚBLICOS PARA POLÍTICOS

É chocante a revelação que, finalmente veio a público, embora a conta gotas, por iniciativa de entidades da sociedade civil que acompanham o debate no Congresso sobre a necessidade de alterar o atual sistema de prestação de contas.

É chocante a revelação de que o Tribunal Superior Eleitoral recém concluiu a análise das despesas de SETE ANOS ATRÁS. Constatou-se que parte dos recursos públicos têm sido destinados a itens de luxo, festas, viagens injustificadas. Irregularidades que tendem a ser repetidas no futuro. E, a cada ano aumenta a pressão dos partidos por mais recursos. Para 2022 foram destinados R$ 4,9 bilhões, mais que o dobro do pleito passado (R$ 2,1 bilhões). Antes da presidente Dilma: R$ 289 milhões, que foram aumentados para R$ 867,5 milhões no seu governo e, após, catapultou.

“O TSE demonstra que o presidente de um partido usou parte da verba para financiar viagens a seu reduto eleitoral, outra agremiação gastou no pagamento de advogados em causas desvinculadas da atividade partidária e um terceiro colocou recursos nas benfeitorias de um sítio”. (Zero Hora, 19/01/2022)                                                                                                Não restam dúvidas, são casos paradigmáticos de desvios de recursos públicos.

Quando a sociedade denuncia corrupção e desvios sucessivos não pretende criminalizar a política, como alegam alguns partidos, mas exigir que os recursos destinados originariamente para permitir a atividade política ampla – evitando que os Partidos mais ricos sufoquem os menos abonados – e exigir que haja transparência e controle sobre o dinheiro que é na realidade oriundo dos contribuintes e destinado a movimentar a política e não ser esbanjado por políticos em atividades espúrias.

“O dinheiro só compra pessoas baratas. Gente de valor se banca sozinha”. (Rodrigo de Abreu)

Ken Follet escreveu o romance “O Crepúsculo da Aurora”, que retrata o modo de vida na Inglaterra no século X. É desta obra que retiro:

“Duas coisas o deixavam feliz: dinheiro e poder. E, na verdade, os dois eram a mesma coisa. Ele adorava ter poder sobre os outros, e o dinheiro lhe proporcionava isso. Não era capaz de imaginar uma quantidade de poder e dinheiro que estivesse acima do que poderia querer. Era bispo, mas queria ser arcebispo, e quando conseguisse isso, se esforçaria para se tornar chanceler do rei, ou quem sabe o próprio rei. E mesmo então iria querer mais poder e mais dinheiro. Mas a vida era isso, pensem: uma pessoa podia ir dormir saciada e mesmo assim acordar com fome”. (pag. 352)

Referia-se ao bispo Winstan que no romance era uma pessoa ambiciosa, sem escrúpulos e que, para satisfazer a sua cobiça instigava o joalheiro Cutbert a cunhar moedas falsas. Um crime que, se descoberto, julgado e condenado tinha como pena prevista decepar a mão ou mesmo a morte.

É um romance que retrata como era a vida na Inglaterra no ano 997 d.C. Personagens de todos os tipos de caráter, desde aqueles que se mantinham honestos, coerentes com os princípios altaneiros, justos quando encarregados a julgar atitudes dos súditos, até os mais subservientes, indignos e cruéis.                                                                                                  Quando confrontados com a descoberta de seus crimes, pessoas importantes – pela sua fortuna, posição social ou hierarquia religiosa – não se constrangiam em usar todos os artifícios para coagir quem pudesse vir a ser um obstáculo para seus desatinos, inclusive recorrendo a ameaças, corrupção no sentido mais amplo do termo, tendo sempre o cuidado de reservar parte do dinheiro ilegal para aumentar seu patrimônio.

Decorreu mais de um milênio e a situação não se modificou de maneira substancial. Para atingir seus objetivos inescrupulosos há os que não tergiversam nem se constrangem. Podem ser encontrados em todas as classes sociais, o diferencial entre uma pessoa digna e outra sem escrúpulos está no seu interior, na forma intrínseca de reagir perante, como diria a Igreja: “das condições próximas do pecado”.  E como está bem especificado no texto que reproduzo, não há limites para consumar os atos nem um teto que satisfaça os apetites insaciáveis.

Quando vários pretendentes disputam o mesmo galardão, regras inexistem, é um ”pega-pra-capar” insano, os golpes mais baixos são considerados “carícias” e geram reciprocidade.

Mantenhamos a Esperança, chegará o dia em que psicopatas e tiranetes serão defenestrados pela população nas urnas, para tanto, os “convictos”  deverão ser superados em número pelos cidadãos conscientes. Confiem, chegaremos lá, para desespero desses “líderes carismáticos” que só pensam no próprio umbigo e os dos áulicos (puxa-sacos).

 

 Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


VACINAÇÃO, UMA DOSE DE PAIXÃO

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

VACINAÇÃO, UMA DOSE DE PAIXÃO

“A gente pode tentar ser o mais racional possível, mas tem muita coisa nessa vida que é movida a paixão”. (Diogo Spanchioto, redator-chefe da revista VEJA-SAÚDE)

Tem gente que tem tesão pelo que faz.

Na Covid o Brasil inteiro (com exceções que nos envergonham) se juntou na missão de defender a ciência e as medidas em prol da saúde coletiva. Chegamos a sermos xingados e criticados por isso pelos que, por interesse político ou pessoal espalharam fake-news que propagavam os famigerados Kits-Covid e menosprezavam as vacinas, procedimentos que -  se não se não eliminam 100% os problemas,  internações hospitalares, sofrimentos e mortes – são os únicos capazes de minimizar os malefícios. Infelizmente as taxas de vacinação que já foram exponenciais no contexto mundial – com elas controlamos a poliomielite, a varíola, o sarampo, etc., e agora, por desinteresse da população, impulsionado por autoridades irresponsáveis, estamos ameaçados de ter nossas crianças afetadas por doenças que julgávamos relegadas ao esquecimento.

Um médico inglês, Andrew Wakefield publicou estudo com conclusões equivocadas em 1998. Relacionou a vacina contra sarampo-papeira-rubéola (CMR) ao autismo em pesquisas comprovadamente adulteradas e, em consequência, perdeu seu registro depois de ser condenado por má conduta profissional. O Conselho Geral de Medicina (GMC) considerou que Andrew Wakefield, 53 anos, agiu de forma desonesta, enganosa e irresponsável enquanto fazia uma pesquisa sobre uma possível ligação entre a vacina com doenças intestinais e o autismo.

A revista especializada “The Lancet” gerou grandes controvérsias e apesar de especialistas do governo que a vacina era segura a discussão causou enorme queda nos índices da vacinação.

O fato de um médico de suposta autoridade e conhecimentos técnicos se prestar a uma desfaçatez tamanha pode ser comparada com a campanha sórdida que, no Brasil, causou consequências desastrosas, inclusive muitas mortes por Covid podem ser  a ela atribuídas.

Errar é humano, persistir no erro é burrice. Não podemos, sob nenhuma hipótese, permitir que erros cometidos há tão pouco tempo nos levem a rejeitar vacinas. Na atualidade e no futuro. A 5ª dose da Covid, a vacina contra a gripe (já à disposição, A vacina contra o sarampo, a BCG e todas que nos forem disponibilizadas devem ser maciçamente aplicadas.

TODAS, SEM EXCEÇÃO.

Como deixa evidente o esforço de Chloé Pinheiro, jornalista ligada à revista veja saúde, a cobertura vacinal e o cinquentenário do Programa Nacional de Imunizações (PNI) nos estimula a continuar salvando vidas e com isso promover o bem-estar social. Essa é uma batalha na qual todos, ombro-a-ombro, devemos participar. Uma batalha que reúne ciência e paixão tem chances redobradas de nos conduzir com êxito à meta desejada.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


sexta-feira, 7 de abril de 2023

É DE TIRAR O SONO

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

É DE TIRAR O SONO

Incrível! É de tirar o sono! Figuras da política, carimbadas nos últimos anos por prevaricações e denúncias investigadas, comprovadas, julgadas e tendo condenações prolatadas em diversas instâncias, quais Fênix redivivas ressurgem dos escombros e zombam das tragédias que provocaram. Quais vestais virginais e impolutas se consideram acima do bem e do mal.

Não temem a Justiça e quando necessário seus advogados, agenciados a peso de ouro, valem-se dos inúmeros recursos que a Constituição oferece para adiar ad aeternum as condenações que relegariam essas tristes figuras ao ostracismo merecido.

Após se locupletarem foram condenados a ressarcir o erário com vultosas quantias e, agora, valendo-se de recursos solicitados ao judiciário, procuram a devolução do que havia sido pago como retorno dos seus desmandos. A perspectiva da devolução do dinheiro surrupiado da Petrobras, de outras estatais e de fundos de pensões onde os segurados foram acionados para cobrir os rombos é uma realidade nauseante e tudo isso com o aval do STF que “descondenou” dezenas de implicados que agora requerem indultos para os seus crimes.

Os esforços da Lava-Jato em escoimar da realidade brasileira esses desatinos se esboroam ante os esforços conjugados dos delinquentes de todos os matizes. A leniência recorrente no Brasil, amparada numa Constituição que privilegia os delinquentes e não a sociedade, desconsidera fatos escandalosos e os malfeitores riem a bandeiras despregadas como se nada de desabonador houvesse ocorrido.

Sem escrúpulos, malfeitores elaboram novos e escabrosos planos, confiantes na impunidade escandalosa.

Aberta a Caixa de Pandora, a Lava-Jato, a maior operação saneadora que tentou higienizar o país das mazelas foi derrotada, não apenas como algo ser apagado da memória e da realidade brasileira. PASMEM, joga-se com afinco para condenar os que tiveram o topete de enfrentar os eternos “mais iguais” e, cúmulo dos cúmulos, atreveram-se a expor os investigados à execração pública.                                                                                 Inacreditável, há um esforço hercúleo no sentido de coibir as ações dos facínoras, os que tentam escoimar da sociedade pessoas abjetas deverão ser severamente punidos, os corruptos endeusados e possivelmente eleitos.

Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando o homem tem medo da luz”. (Platão)

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


GENES, A RAZÃO DA VIDA

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

GENES, A RAZÃO DA VIDA

O homo sapiens, orgulhoso, prepotente, se considera a razão principal da vida no planeta Terra, nada nem ninguém pode se ombrear com ele quanto mais estar situado em nível superior.

O antropocentrismo é a teoria que se baseia neste fulcro, considera que a espécie humana, possuidora da inteligência, reina absoluta sobre a Natureza e que a Natureza foi criada para servir o homem. Deste modo, qualquer existência que não seja humana acaba ocupando um lugar de menor importância na escala biológica. Ledo engano, assim como o geocentrismo considerava a Terra o centro do Universo um Universo que pretensamente orbitava ao redor deste minúsculo planeta, isso antes que Nicolau Copérnico (1473-1543) e seguidores, Galileu Galilei o mais conhecido, provocarem uma revolução ao afirmarem ser o Sol o centro. Progressivamente o círculo foi se ampliando e, hoje, a Terra não assa de um minúsculo planeta orbitando uma estrela entre inúmeros astros.

Voltando ao fulcro: os organismos vivos, o homo sapiens inclusive, não são o que o antropocentrismo apregoa, como a Terra não é o centro do Universo. Vamos por partes, dispamo-nos da empáfia para início de conversa. Em 1976 o biólogo britânico Clinton Richard Drawkins atualizou a teoria de Charles Darwin, elevando os GENES à condição básica da vida e da evolução. No livro “O Gene Egoísta” afirma que são os genes a razão da vida e o que eles querem é se propagar e perpetuar, passando por cima, se for o caso, dos interesses dos indivíduos e das espécies. Pode ser chocante para o nosso orgulho, mas é assim que caminha a evolução. Isso não quer dizer que não podemos criar ferramentas para inspecioná-los e até modifica-los, a ciência está promovendo uma revolução ao possibilitar a manipulação dos genes, anunciando a teoria da transgenia em 1990, na China.  Nos Estados Unidos, a primeira aprovação de uso comercial de uma planta transgênica ocorreu em 1994, quando a empresa Calgene lançou um tomate com elevada resistência ao armazenamento.

Não é brincar de Deus, mas intervir no DNA e no RNA, para prevenir doenças, salvar vidas e aperfeiçoar os genes e com eles as espécies. DNA e RNA são ácidos nucleicos que possuem diferentes estruturas e funções. Enquanto o DNA é responsável por armazenar as informações genéticas dos seres vivos, o RNA atua na produção de proteínas.

Em meio a uma epidemia como a Covid-19 a genômica decifrou os detalhes do coronavírus e criou uma nova geração de vacinas baseadas na manipulação dos genes, ampliando as nossas expectativas de perpetuá-los e aprimorá-los

Surgem as terapias gênicas capazes de tratar doenças consideradas incuráveis como o câncer, entre outras. As terapias gênicas abrem uma perspectiva infinita de erradicar doenças que são propagadas aos descendentes por hereditariedade.

Os genes sofrem mutações, inclusive provocadas por mudanças no meio ambiente. Por exemplo, em climas tropicais provocam o aumento da carga de melanina que resulta no bronzeamento progressivo, o resultado ansiado pelos que se dirigem às praias no verão. Com a sucessão de gerações (muitas), mutações acabam se introjetando nos genes, se propagando aos descendentes e induzem à pele mais escura nos países tropicais, nas zonas frias ocorre o inverso.

Doenças transmissíveis de geração em geração: hemofilia, anemia falciforme, diabetes, fenilcetonúria, etc, estão na alça de mira da ciência e terapias genéticas pipocam.

Se a vida depende dos genes, a medicina está encontrando nesse microscópico universo uma evolução que evoluirá constantemente.

Concluindo, somos o veículo para a perpetuação dos genes e, também, artífices da evolução desses microtransmissores da vida. Podemos nos orgulhar de, ao contrário dos microorganismos, vegetais e animais, termos a capacidade de provocar evoluções proativas no curso da evolução.         

O Criador deve sorrir ao constatar o sucesso do plano que iniciou no Gênesis e está avançando a passos largos.

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado