sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ILUMINISMO

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

ILUMINISMO – 23/10/2020

Alguns animais gostam de estar em grupos, manadas ou em pares para toda a vida, enquanto que outros preferem a solidão, a tranquilidade e o fato de estar em companhia exclusivamente de si mesmos. Não são animais tristes, melancólicos ou deprimidos. Simplesmente, existem criaturas que são assim, são felizes desta forma e têm uma vida perfeita assim, em solitário. A maioria desses animais procuram companhia apenas no momento da reprodução.

O homem é um animal político e não apenas social. Esta parece ser a intenção de Aristóteles ao afirmar o zoon politikon, muitos outros animais também são sociais, mas sem serem políticos. As abelhas e sua fascinante organização social, a partir da intrincada e elaborada colmeia, provoca fascínio há milênios. O gado de forma geral é composto de animais sociais quando vivem agrupados, porém sem que tenham qualquer outro princípio organizativo, sem sequer de se defender organizadamente, coletivamente.

Há muitos anos atrás, para se protegerem dos perigos naturais – terremotos, vulcões, glaciações, ataques de grandes animais, de outras hordas de humanos e também para facilitar a obtenção de alimentos, os humanos sentiram a necessidade de se juntarem em grupos. Segundo as pesquisas, isso teria acontecido entre 1 e 2 milhões de anos atrás. Com a convivência direta entre pessoas e famílias durante milênios, esses grupos desenvolveram sistemas e organizações sociais complexas, cujos objetivos finais são a manutenção da unidade do próprio grupo, sua autonomia política e a autossuficiência alimentar ou “econômica”. Esses grupos autônomos foram genericamente denominados de “tribos”.

O tempo decorrido permitiu que a humanidade se desenvolvesse e o número de pessoas crescesse de tal maneira que o sistema tribal se revelou insuficiente. Cidades estabeleceram domínios sobre regiões – Esparta, Atenas, Troia, etc. Impérios se formaram, sistemas complexos de governos se tornaram um fato e surgiram diversas formas de governo.

O autoritarismo – imperadores, reis, líderes religiosos e nobreza. Esta, uma aristocracia herdada ou doada pelo soberano com ascendência absoluta sobre a plebe. Os escravos sem direitos, apenas deveres de obediência cega sobre a vida e sobre a morte inclusive.                  

A democracia ateniense foi uma forma de governo que surgiu na Grécia em meados do século V a.C. Foi o raiar, pode-se dizer, da civilização humanista, contudo envolvia apenas uma parte da população, era também uma terra de escravidão. Nela havia o paradoxo da coexistência paralela da liberdade e da falta total de liberdade; do cidadão e do homem mercadoria; do que pensa e do que apenas executa, privado de se tornar um “ser” pleno.

A democracia atual é uma evolução da democracia grega e direitos que atualmente consideramos óbvios foram dura e paulatinamente conquistados. Atualmente todo o cidadão pode votar, as mulheres conquistaram este direito em períodos mais recentes.

A civilização nos trouxe direitos e benesses que sequer nos apercebemos por vezes. Saudosistas suspiram pelo estilo de vida de antepassados. Simplórios, esquecem de como era a vida antes dos antibióticos, insulina, VACINAS, anestesia; comunicação via telefone, radio internet; viagens rápidas e seguras; comércio à porta; lazer e entretenimento.

Se você acha que o mundo está chegando ao fim, pense novamente. Os dados indicam que, com o avanço do conhecimento, as pessoas estão vivendo mais e melhor. Sem negar que os tempos são atribulados. O “Novo Iluminismo”, obra de Steven Pinker, do qual extraí conceitos não hesita em apontar o caminho para a solução: reforçar o ideal iluminista de usar a razão e a ciência para auxiliar na resolução de problemas. “A ciência sozinha não é suficiente para promover o progresso. Tudo o que não é proibido pelas leis da natureza é realizável”. O problema que “tudo” significa “tudo”: vacinas para prevenir doenças e armas biológicas para promover morticínios. Há que separar o joio do trigo e... preservar o trigo. Alguma coisa além da ciência assegura que as vacinas sejam usadas e as armas biológicas proibidas. O ILUMINISMO, que nos conduz na direção correta através do cipoal de atalhos tortuosos preconiza: OS QUE SÃO GOVERNADOS PELA RAZÃO NÃO DESEJAM PARA SI NADA QUE NÃO DESEJEM PARA O RESTO DA HUMANIDADE. O objetivo de maximizar o desenvolvimento humano – vida, saúde, felicidade, liberdade conhecimento, amor, riqueza de experiência – pode ser chamado de humanismo. Distingue o verdadeiro progresso do mero domínio do conhecimento.  

 

 

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


LEI & JUSTIÇA

 


\PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

LEI&JUSTIÇA – 17/10/2020

A humanidade, para subsistir de maneira digna, deve se submeter a leis e estas obedecidas, não importa por quem. A jurisprudência deve estabelecer garantias, impor direitos e deveres equivalentes, apesar das diferenças existentes. Os “mais iguais” que se consideram acima da lei são uma nódoa que sempre existiu e é nosso dever lutar para que seja cada vez menos evidente. Sem isso o caos reina e impera a lei do mais forte; a lei do mais rico; a lei do mais poderoso; o império de quem considera a lei um empecilho para os seus objetivos.

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, em mensagem ao novo presidente do STF, Luiz Fux, ressaltou que há necessidade premente de realizar julgamentos com parâmetros iguais para todos os réus:

 O sistema é injusto e desigual para a parcela menos abonada da população e leniente com os poderosos às voltas com práticas criminosas.

Endinheirados e poderosos têm privilégios para burlar a lei sem serem incomodados ou, quando julgados, os advogados recorrem a instâncias que muitas vezes protelam a condenação até ocorrer decurso de prazo. Edson Fachin argumenta que o trabalho de combate à corrupção desenvolvido pela Lava Jato deve ser visto como o aprimoramento da jurisprudência por mais eficiência na Justiça e qualidade na prestação de serviços públicos.

Para desespero dos “mais iguais” a Lava Jato assestou seus holofotes para este setor até então impune. Polícia Federal, Ministério Público, Juízes Federais, Tribunais de Primeira Instância e Segunda Instância semearam o pânico. Figurões políticos, empresas poderosas, construtoras de âmbito internacional e outras megaempresas sentiram o braço longo da lei apontar para seus desmandos.

A reação estrugiu de pronto e os resultados não se fizeram esperar. Medidas de contra-ataque foram lucubradas partindo dos mais altos escalões, inclusive do Poder Legislativo tentando, e de certo modo conseguindo neutralizar a ação moralizadora. Surgiram em sequência:

STF DECIDE QUE CUMPRIMENTO DA PENA DEVE COMEÇAR APÓS ESGOTAMENTO DE RECURSOS. A decisão tomada em 07/01/2019 não afasta a possibilidade de prisão antes do trânsito em julgado, desde que sejam preenchidos os requisitos do Código de Processo Penal para a prisão preventiva.                   Em fevereiro de 2016 o STF havia decidido, por 7 votos a 4 e mantido em nova decisão em outubro 2016, por 6 votos a 5, a prisão após condenação criminal em segunda instância.

LEI Nº 13.869, DE 5 DE SETEMBRO DE 2019 – Dispõe sobre os crimes de abuso de autoridade; altera a Lei nº 7.960, de 21 de dezembro de l989. Inibe a Polícia, o Ministério Público e juízes.

JUIZ DE GARANTIAS, proposto na chamada Lei Anticrime seria uma função exercida no processo criminal por um Juiz de Direito encarregado de atuar como garantidor da eficácia do sistema de direitos e garantias fundamentais do acusado no processo penal e, especialmente de dispor sobre a prisão provisória de uma pessoa investigada e seus respectivos pedidos de liberdade provisória. Também seria responsável por analisar os pedidos de medidas cautelares formulados durante o inquérito; disporia sobre pedidos de prorrogação de internação psiquiátrica compulsória, previsto por lei para ser instituído no Brasil.

A LAVA JATO, apesar dos percalços que lhe foram antepostos, não se intimidou nem recuou, poderososs foram investigados e sofreram punições severas em razão das providências tomadas pelo Ministério Público, Juízes Federais de Primeira e Segunda Instância, apesar da leniência com que foram tratados. O resultado dessa dualidade contribui para manter a pecha de ser o Brasil o país da impunidade aos “mais iguais” e rigoroso com os três pês: pretos, pobres e prostitutas.

Mais recentemente, o Ministro do STF Marco Aurélio de Mello aplicou a regra dos 90 dias do Código de Processo Penal para determinar a soltura de André do Rap. De posse da decisão de Marco Aurélio, André do Rap deixou a penitenciária, no município de Presidente Venceslau (SP), na manhã de sábado (10/10/2020). Informou à Justiça que iria para sua casa no Guarujá, no litoral de São Paulo, mas não o fez. O traficante teria seguido de carro até Maringá (PR), onde os investigadores suspeitam que tenha pego um voo particular para o Paraguai. O paradeiro dele é agora ignorado.

A soltura de André do Rap — apontado como um dos principais líderes do PCC — provocou um embate verbal entre os ministros Marco Aurélio de Mello e Luiz Fux. O presidente do STF cassou na liminar de Marco Aurélio de Mello e causou constrangimento na Corte. Em reunião plenária, no dia 15/10/2020, O STF decidiu manter a decisão de Fux e também fixar a tese de que o descumprimento do artigo que baseou a liminar não gera soltura automática dos presos.

 

 Juízes ditos garantistas acreditam que a regra é mais importante que o homem. Uma vez estabelecida uma norma é preciso cumpri-la, mesmo que isso possa prejudicar a sociedade. Cumpre deixar bem claro que renunciar à presença humana na interpretação das leis é uma falácia e pode nos conduzir à supremacia da frieza tecnológica sobre a justiça. Os advogados de defesa e promotores apresentariam seus argumentos e, sem riscos de erros, personalismos ou influências dos “mais iguais”, as sentenças seriam prolatadas ignorando quaisquer gravames, precedentes ou situações atenuantes.

 

A liminar acima relatada representa o quanto se pode beneficiar um criminoso quando deixamos de considerar significantes circunstâncias que podem dar liberdade a pessoas que, provavelmente, continuarão a praticar atos inaceitáveis pela sociedade.  

 

Por outro lado, delinquentes de menor porte, mesmo os que praticam delitos de menor gravame poderiam ser punidos como o foi Jean Valjean, o homem que por ter furtado um pão, foi condenado a 19 anos de prisão. Lembro a portentosa obra “Os Miseráveis” de Vitor Hugo, uma poderosa denúncia a todos os tipos de injustiça efetuada quando se segue a letra fria da lei.

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


sábado, 10 de outubro de 2020

NÃO AGUENTO MAIS

 

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

NÃO AGUENTO MAIS

Quando, em 26 de fevereiro de 2020, surgiu de inopino esta pandemia que não distingue classe social, fortuna, pobreza, religião ou qualquer outro parâmetro que se queira usar, apregoava-se que após três meses chegaria ao ápice e iniciaria a volta à normalidade. Tomava-se como parâmetro a gripe H1N1, as pesquisas forneciam a vacina específica e no ano seguinte, para compensar as mutações do vírus, um ajuste resolvia o problema. E assim sucessivamente.

 A Covid-19 se revelou muito, muito mais resistente, até agora a solução se vislumbra distante, na fímbria do horizonte e não dá sinais de poder ser resolvida em curto prazo.

Recomenda-se, e quem tiver a cabeça no lugar segue à risca: distanciamento social, o uso de máscara, higienização compulsória, etc. Para os recalcitrantes as autoridades podem aplicar penalidades tanto mais severas quanto maior for a resistência às normas. A segurança e a proteção à sociedade se sobrepõe ao direito individual. É um fato que não pode ser contestado. Agravando a situação, a incerteza de resultados remete a uma inconformidade natural, mas não admissível. Nem mesmo a perda de vidas em ritmo crescente – há muito ultrapassou a cifra de cem mil óbitos – convence os mais rebeldes que persistem em repudiar o regime de rigor ao qual não estavam habituados. Ressurge esporadicamente, no início ajuntamentos em bares, ruas, praias e parques; as máscaras, incômodas, são relegadas, a desobediência civil toma corpo e é difícil senão impossível sua contenção.

E quando autoridades que deveriam zelar pela obediência são vistas desobedecendo acintosamente, e pior, recomendando que todos o façam, que se abracem e socializem, é o início do fim do bom senso e “a vaca vai para o brejo”.

Como suportar o desconforto por longo período se nem o líder máximo o faz? E se for requerido um comportamento restritivo por toda a vida? Como suportar uma mudança tão radical?

IMPOSSÍVEL!

SERÁ?

José Carlos Calich, psicanalista, presidente da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre e coordenador do Programa de Atendimento Solidário à Saúde Mental do RS nos dá sua palavra abalizada e indica a saída:                                                                                                                                  “Como fazem as pessoas que têm uma doença crônica, que impõe limitações à “vida normal”? Como fazem os diabéticos, pessoas com insuficiência renal ou cardíaca grave? Os que têm paralisias, os que perderam a visão, a audição, entre um sem número de outras condições que tornam a vida muito difícil? Se “não aguento mais” fosse solução, nenhum faria tratamento dando continuidade a suas vidas e contribuindo com suas famílias e a sociedade. Nenhum poderia ser feliz e muitos conseguem ser. Aceitação passiva? Conformidade? Resignação? Talvez não seja por aí. Talvez baste tolerar um pouco de dor e de tristeza, alguma humildade e continuar com esperança, lutando a favor de si e de todos.”

Mas nem tudo está perdido, o governador do RS, Eduardo Leite, encaminhou à Assembleia um projeto de lei para descontar do salário o auxílio emergencial recebido irregularmente por servidores. A proposta, protocolada no dia 7 de outubro, prevê ainda que o valor descontado seja restituído à União. De acordo com a Controladoria–Geral da União, cerca de 3,5 mil funcionários, aposentados e pensionistas, civis e militares do Estado teriam recebido o auxílio emergencial de maneira irregular. O valor de R$ 600,00, é pago para trabalhadores informais, microempreendedores, autônomos e desempregados, em razão da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. O governador Eduardo Leite justificou a decisão de encaminhar o projeto e ressaltou que a corrupção também começa pela prática ilícita de pequenos delitos.                                        

E quem admite pequenos delitos não tem autoridade moral para reclamar dos grandes, pensem nisso os deputados a quem cabe decidir pela aprovação ou não da lei moralizadora.

Aumenta o apreço que sinto pelo nosso governador ao comparar sua atitude com:

"É um orgulho, uma satisfação que eu tenho de dizer a essa imprensa maravilhosa nossa, que eu não quero acabar com a Lava Jato... Eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo", disse o presidente Jair Bolsonaro, sendo aplaudido por autoridades presentes no local. "Eu sei que isso não é virtude, é obrigação. Para nós, fazemos um governo de peito aberto", acrescentou, em seguida.

 Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/10/07/acabei-com-lava-jato-porque-nao-tem-corrupcao-no-governo-diz-bolsonaro.htm?cmpid=copiaecola

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


domingo, 4 de outubro de 2020

CONFISCO DE BENS DOS CRIMINOSOS



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

CONFISCO DE BENS DE CRIMINOSOS – 03/10/2020

Um tema recorrente no judiciário brasileiro é o que aborda a possibilidade-legalidade do confisco de bens adquiridos por meio de atos criminosos. Propriedades de traficantes, por exemplo, têm sido leiloados e o resultado destinado a ser utilizado nas campanhas de combate a esta modalidade de atos delituosos.                                                                                                                            

O Art. 91-A da Lei 13.964, sancionada em 24 de dezembro de 2019 diz: Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima superior a seis anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto em proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito”.

A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim) ajuizou ação direta de inconstitucionalidade no STF contra o dispositivo do pacote anticrime que prevê o confisco amplo do patrimônio do condenado. O documento acusa a regra de “criar uma pena de confisco de bens travestida de efeito de condenação”.

Interesses gigantescos orbitam ao redor da decisão que o STF terá de tomar. Um espectro tão amplo de possibilidades abrangerá com certeza e profundamente os bens auferidos através de atos de corrupção tão aventados nos últimos anos – não se diga que anteriormente fossem desconhecidos – catapultaram inclusive a dívida brasileira para R$ 4,25 trilhões (Zero Hora, 28/02/2020).  As partes ameaçadas, como ocorreu nas ações da Lava-Jato, usarão de todos os artifícios, legais ou nem tanto, para torpedear mais essa “ameaça” de repercussões inimagináveis. Fechar as torneiras pelas quais jorram quantidades astronômicas de dinheiro mal havido não será uma tarefa fácil, talvez mais difícil que os “12 trabalhos de Hércules” da Mitologia Grega. É evidente que advogados se oponham a leis que dificultem sua atuação quando abalam as disponibilidades financeiras dos que lhes compete defender, inclusive o pagamento dos honorários é posta em xeque.

A Lava-Jato aprofundou as investidas no setor que abrange inclusive políticos que lutam pela sobrevivência política, financeira e pela liberdade ameaçada. Não admira que tenha sido alvo de pertinaz combate.

Cabe aqui refletirmos sobre o que na realidade ocorre. Como se dizia na apresentação de lutadores no ringue:                                                                                                                                                “À minha direita o Ministério Público representando a população ordeira do país, à minha esquerda os advogados que defendem os acusados de infrações penais. Arbitrando o litígio, o Poder Judiciário”. Inicia o processo judicial, a comunidade na expectativa que se faça justiça. Que se condenem os culpados, que se absolvam os inocentes. Sem expedientes espúrios de nenhum lado.

 Querem saber a opinião pública? Realizem um plebiscito (prática de propor à votação do eleitorado, para aprovação ou rejeição de medidas a serem propostas por um órgão legislativo). Alguém acredita que o resultado seria favorável aos meliantes? Alguém duvida que o referendo aprovaria o confisco dos bens mal havidos? Este o motivo do alarido contra o Art. 91-A da Lei nº 13.964.

Figuras proeminentes dos mais altos escalões tremerão nas bases se for implementada – SEM EXCEÇÕES – a lei.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

  

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

DROGAS PSICOATIVAS

 



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

DROGAS PSICOATIVAS

Drogas psicoativas entram em ação com efeitos positivos extraordinários para corrigir ou amenizar situações que precisam ser normalizadas. São substâncias químicas que agem principalmente no sistema nervoso central, onde alteram as funções cerebrais e temporariamente mudam a percepção, o humor, o comportamento e a consciência.

Em meados da década de 1970, o laboratório Elli Lilly desenvolveu um antidepressivo que conhecemos com o nome de PROZAC, tinha poucos efeitos colaterais indesejados. Em pouco tempo passou a ser usado por alguns com o objetivo de melhorar o humor e a disposição mental. Essa forma de emprego, que não visa tratar qualquer doença ou desordem mental, visa elevar os padrões da vida normal, teve seu destino desvirtuado, infelizmente.                                                                                                                                 A RITALINA foi sintetizada em 1944 para controlar a Hipotensão Ortostática (vulgarmente conhecida como “pressão baixa”). Na década de 60 passou a ser utilizada para a Perturbação por Déficit de Atenção (PDA). Como se mostrou eficiente para melhorar a atenção e a memória começou a ser utilizada como estimulante mesmo em pessoas que não sofrem de PDA.

O Prozac e a Ritalina são exemplos de medicamentos originariamente desenvolvidos para fins médicos e passaram a ser utilizados para fins não médicos. Alguns psicoestimulantes como o MODAFIL inclusive já foram utilizados com a intenção de aumentar o desempenho físico e podem ser rotulados como dopping. Nesses casos é evidente que não são indicações estritamente médicas.

Num ponto conflitam os defensores do “imperativo moral para o melhoramento humano” com os que temem que a proliferação dessas práticas possa colidir com valores que prezamos como seres dotados de humanidade, não seriam moralmente admissíveis. Inclusive – os que não admitem freios ao desenvolvimento técnico - entram em rota de colisão com lideranças religiosas. Lembremos que no dia 22 de junho de 1633, o cientista italiano Galileu Galilei, cujos conceitos científicos mudaram a Física, Matemática e Astronomia, foi condenado pela Igreja Católica. A condenação foi motivada pelas descobertas que fizera e, segundo o Tribunal da Santa Inquisição, contrariavam as crenças filosóficas e religiosas da época baseadas nos ensinamentos de Aristóteles. Devemos ter um cuidado extremado para não seguir conceitos que não se sustentam quando analisados em profundidade. Lembremos os postulados do nazismo que tentou implantar a supremacia ariana e acabou deflagrando a II Guerra Mundial.

Como vemos, os fundamentos filosóficos propugnam convicções antagônicas. Uns resistem a inovações revolucionárias nos conceitos tradicionais e outros almejam melhorar a sociedade com conceitos até então desconhecidos que, literalmente, pretendem avançar por caminhos não convencionais e de imprevisível resultado. Um debate que não tem data para acabar, ao menos no horizonte visível atualmente.

Crescendo na escalada, a possibilidade de modificar a estrutura dos seres vivos com a manipulação dos genes do DNA acerbou o debate a um nível extremo.                                    Se, por um lado podemos criar drogas transgênicas que evitam doenças ou facilitam a cura, vacinas como a H1N1, contra a gripe e a Insulina, por exemplo, também está aberta a perspectiva para a manipulação de inexistentes agentes patológicos que não possuem antídotos e dos quais se desconhecem processos de cura. Um passo para a guerra biológica, um alento para terroristas e um pesadelo para a humanidade.

Se o arianismo se revelou uma quimera, transgênicos estão sendo elaborados diuturnamente nos laboratórios. Para o bem ou para o mal, como sempre ocorreu. Novos cultivares aditivados como vitaminas e nutrientes – o arroz dourado é um exemplo – podem no futuro próximo amenizar a fome endêmica no mundo e debelar doenças atualmente de difícil ou mesmo impossível cura (lembremos a AIDS). Por outro lado, manipular micro-organismos de modo a transformá-los numa “Espada de Dâmocles” suspensa sobre nós, um pesadelo possível e aterrorizante. Como possuímos o livre arbítrio, cabe a nós a escolha entre utilizar a ciência para elevar o padrão de vida ou degradá-lo a níveis inadmissíveis.

Oxalá Pandora abra pela derradeira vez sua caixa e liberte a Esperança nela aprisionada. Será o início de novos e alvissareiros tempos.

 


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

 


segunda-feira, 14 de setembro de 2020

O CANTO DAS SEREIAS

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

CANTO DAS SEREIAS

Benjamim Franklin, inventor, cientista, diplomata, entre outros atributos que o alçaram à condição de um dos mais ilustres cidadãos estadunidenses foi autor de fases lapidares que perseveram no tempo. Para nos alertar dos perigos de nos deixarmos induzir por conceitos incorretos usou uma metáfora: “Quem dorme com cães acorda com pulgas”.

A Bíblia também dedica um espaço para prevenir os cristãos alertando que devemos evitar, além do pecado, a proximidade das oportunidades. Quantas almas lá no inferno se lastimam: “Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria aqui agora!”

Muitas vezes caímos no “canto das sereias” relatado na Odisseia. Ulisses, retornando da Guerra de Troia rumo à Ilha de Ítaca onde o aguardava sua fiel esposa Penélope, para resistir ao canto das sereias ordenou aos marinheiros que o amarrassem ao mastro do navio, sem esta providência não resistiria.

O metafórico “canto das sereias” na atualidade pode ser representado pelas palavras de pessoas nas quais depositamos irrestrita confiança, imerecida em muitos casos. Líderes religiosos, políticos influentes, companheiros chegados, influenciam nossas atitudes e conceitos. Cuidado! Separemos o joio do trigo e nos mantenhamos distantes das aleivosias, podem nos levar a “acordar com pulgas”.

A Covid-19 causou não apenas dor, sofrimento e mortes, confusão generalizada também. Em meio a tantas maneiras de preservar a vida, resistir ao uso de máscaras e insistir em aglomerações são, com certeza, atitudes nada recomendáveis.

John Stuart Mill, filósofo inglês, foi um dos mais influentes pensadores do século XIX. Em seus escritos políticos defende que cada um é guardião e si mesmo e, portanto, para viver do jeito que bem quiser. O limite dessa liberdade é a liberdade do outro quando vivemos em sociedade. “Ainda que as circunstâncias influam muito sobre o nosso caráter, a vontade pode modificar as circunstâncias a nosso favor”. Trocando em miúdos: somos influenciados a todo o instante por pessoas com as quais convivemos e quanto mais ascendência possuem sobre a comunidade maior o impacto de suas palavras e atos. Isso não impede de tirarmos nossas próprias conclusões e tomarmos decisões pessoais. O livre arbítrio nos permite optar e ao fazermos estabelecemos limites do quanto e quando devemos seguir o curso que pretendem nos determinar. Podemos e devemos nos insurgir contra aquilo que nos pretendem impingir apesar de as circunstâncias, os fatos e a ciência nos indicarem um rumo oposto. Sabemos que para evitar contágio o uso de máscaras e o distanciamento social são providências fundamentais? Então, não demos ouvidos aos que nos tentam induzir caminho oposto. Lembrando mais uma vez John Stuart Mill: “O único propósito pelo qual o poder pode ser exercido com razão sobre qualquer membro da comunidade, é evitar dano a outros”.

E não é só no Brasil que se pretende induzir à desobediência a população, a fazê-la se insurgir contra a lógica e a ciência, o bom-senso. Milhares de pessoas protestaram no dia 5 de setembro de 2020, no centro de Roma contra a vacinação preventiva ao coronavírus em crianças na idade escolar e pelo uso de máscaras em público. Segundo a ONG Avaaz, 25% dos brasileiros desdenham essas medidas simples, fundamentais para nosso bem estar e proteção aos cidadãos.

 


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


quinta-feira, 3 de setembro de 2020

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO

 



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO – 03/09/2020

Profissionais da Saúde costumam combater vírus com vacinas e antivirais. Mas haverá o dia em que, por um tempo, os vírus vencerão esta batalha e muitos seres humanos morrerão numa pandemia”. (Prof. May Pereira em palestra a alunos de Odontologia da UFRGS na década de 80 do século passado).

O homo sapiens jamais se dá por vencido. JAMAIS!

Na antiguidade as doenças eram consideradas castigo dos deuses pelos nossos “pecados”, se suplicava seu perdão para receber a cura. Sacerdotes, pajés, xamãs eram os intermediários.

E o tempo rolou...

A Natureza forneceu os primeiros medicamentos e a ciência os depurou, atualmente os sintetiza. Não paramos de evoluir.

A Louis Pasteur devemos o soro e a vacina contra a hidrofobia mortal. Outras vieram. A Covid-19 nos desafia e também será vencida. Lembremos que a vacina é o ÚNICO recurso para prevenir e evitar que a hecatombe prossiga ceifando vidas aos milhares... dezenas de milhares... centenas de milhares mundo afora.

Há um mas, sempre há um mas... a ignorância é um obstáculo imenso a ser vencido. Paulo Coelho adverte: “Nunca discuta com pessoas que acreditam nas próprias mentiras”.

Surgiu uma diretriz nefanda para nos assombrar e partiu de onde deveríamos encontrar socorro, esperança. Em 31/08/2020, em resposta a uma apoiadora, o Presidente Jair Messias Bolsonaro disse: “Ninguém pode ser obrigado a tomar vacina”. O Vírus sorriu e a Morte afiou sua foice antevendo o trabalho que teria pela frente.

Liberar da vacina é multiplicar as sepulturas. LITERALMENTE! As pessoas responsáveis serão  levadas de roldão pelos inconsequentes que só esperavam esta brecha para continuar em seu insano modo de viver.

Liberar o uso de máscaras, permitir aglomerações, etc. e agora dar as costas à solução que todo o mundo afanosamente procura?

OREMOS!

E não é de hoje, não só aqui e não apenas leigos no assunto defenderam teses absurdas e tratamentos inócuos. Inócuos? Muito pior, com efeitos colaterais avassaladores.

Em 26 de fevereiro de 1998 o médico britânico Andrew Wakefield apesentou, na conceituada revista “The Lancet”, uma tese que debitava à vacina conjunta contra rubéola, caxumba e sarampo, conhecida como tríplice viral (MMR) uma das causas do autismo. O caso teve grande repercussão, aliás repercute até hoje no mundo.

Ao ser comprovada pela comunidade científica que a metodologia usara má conduta, conduzido a um resultado fraudulento, a licença do médico foi cassada e ele foi impedido de exercer a profissão.

Tarde demais, o estrago foi grande. Como consequência, o sarampo, doença praticamente erradicada ressurgiu e as taxas e vacinação nunca mais voltaram a atingir os índices anteriores. Muitos ainda acreditam nessa informação apesar de não ter nenhum embasamento para ser levada a sério.  Repito, infelizmente o mal continua a produzir efeitos deletérios

Pensem, pensem, apenas pensem. A poliomielite, a varíola, o tifo, a hepatite, o tétano, a gripe, a tuberculose e um sem número de outras doenças estariam sob controle sem a vacinação em massa?

Incongruência total: o Presidente Jair Messias Bolsonaro sancionou a Lei nº 13.979/20, chamada Lei do Coronavírus, diz que, na situação atual de pandemia, as autoridades podem obrigar a população a ser vacinada.

A lei, publicada em 6 de fevereiro, vem do PL 23/2020 de iniciativa do próprio Governo Bolsonaro quando Luiz Henrique Mandetta, que assina a peça, era Ministro da Saúde. A proposta, no seu artigo 3º colocou a vacinação como uma das possibilidades a serem determinadas compulsoriamente pelas autoridades.

Posfácio – Entre a identificação de uma doença e a descoberta da vacina que a previna, o tempo decorrido diminuiu no decorrer da História, A vacina da Poliomielite, após 3.348 anos. Estamos prestes a estabelecer um recorde para a vacina Covid-19 se materializada ainda este ano.

ESPERAMOS!



 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado