domingo, 16 de agosto de 2020

PERIGOS EM CONFRONTOS

 



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

PERIGOS EM CONFRONTOS

Não são poucos os que ao fugirem de uma abordagem policial, culpados ou inocentes de algum delito, sofrem agressões injustificáveis. É de se notar que a disseminação de telefones com câmeras acopladas permite que esses desmandos sejam registrados e divulgados pelas redes sociais. As repercussões se disseminam como ondas e mais rápidos que rastilhos de pólvora. George Floyd virou ícone internacional e as consequências se avolumaram de maneira estrondosa. Todos concordam que há maneiras mais civilizadas para deter um possível contraventor e ninguém se conforma com arbitrariedades, partam donde partirem.

Ponto.

Abordemos – deter delinquentes – também sob um ângulo diverso e igualmente verdadeiro e trágico: policiais mortos em ações legítimas. Igualmente deplorável.

Demos a palavra a Humberto Trezzi (Humberto.trezzi@zerohora.com.br), jornalista qualificado e que se dedica a assuntos que muitos preferem ignorar por comodismo ou com receio de ferir susceptibilidades: “Mas quando o policial é vítima no momento em que faz a abordagem? Já cobri três casos no RS em que agentes da lei foram mortos ao render suspeitos – dois foram em Porto Alegre e um em Canoas -, os detidos eram bandidos e não estavam dispostos a voltar para trás das grades, reagiram à bala matando os agentes”.

Haverá espetacularização semelhante ao caso Floyd?

Agora aconteceu de novo, só que em São Paulo. Na madrugado do sábado, 8 de agosto, três PMs foram assassinados após abordar uma dupla que se passava por  policiais para praticar delitos. Abordados pelos PMs, um dos facínoras se identificou como policial civil, com distintivo e carteira. Entregou uma pistola e, ao se verificar que a identidade era falsa, sacou outra arma, atirou e matou dois dos verdadeiros policiais, foi ferido e matou o terceiro. Acabou vindo a óbito também. O parceiro “tirou o corpo fora” e afirmou que o parceiro “enlouqueceu”.

O episódio desnuda o quanto é perigosa, difícil, a vida de um policial. Se atuar com rigidez corre o risco de ser acusado por abuso e até ser processado. Se abordar com a delicadeza tão reclamada... corre risco de ser assassinado.

Costumo afirmar que não temos a menor dificuldade em emitir julgamentos definitivos quando nos defrontamos com circunstancias indiscutíveis: um lado tem razão enquanto o outro incorre em erro. Quando, porém, transitamos por ambientes limítrofes, onde há possibilidade de alegar fatos ou opiniões contraditórias, de optar por um dos partícipes, “a porca torce o rabo”. Vista a pele de um policial, prestes a abordar um suspeito potencialmente perigoso – por vezes reconhecidamente perigoso -, com os nervos à flor da pele e temeroso pela própria sobrevivência. Admitirás que não é difícil interpretar qualquer gesto brusco como uma ameaça mortal e daí a uma reação extremada, o tempo e as circunstâncias se inclinam para um desfecho trágico. Para qualquer dos lados, ou para ambos como no episódio de São Paulo acima referido.

Ponha a mão na consciência, repito, não condene com tanta convicção quem vive para te proteger, aos teus afetos e teu patrimônio, nem considere todo delinquente um injustiçado, uma pobre vítima da sociedade.

“É difícil ser brasileiro e nunca ter ouvido a seguinte afirmação: bandidos são vítimas da sociedade” (Martel Alexandre Colle)

E, não esqueça: “É uma experiência bem ruim ir ao enterro de um policial”.

E, também não esqueça: “Os direitos humanos não estão na defesa dos bandidos”.

E, também não esqueça: “Somos humanos, falíveis, inclusive em nossos julgamentos, só admitamos convicções inabaláveis quando não houver qualquer resquício de dúvida”.

E, finalmente: “Antes de julgar, ponha-se no lugar dos protagonistas”.

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

VOX POPULI, VOX DEI

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

VOX POPULI, VOX DEI – 09/08/2020

Esta alegoria já era conhecida pelos gregos antes da era cristã. Tito Livio (59 a.C. – 17 d.C.), historiador romano, em sua obra “Ab Urbe Condita”, a História de Roma a citava.                                                 Nicolau Machiavelli de Florença em sua obra mais famosa, “O Príncipe”, aconselhava os poderosos como ganhar e preservar o poder. Etc.

É uma falácia e, num debate com quem usava o argumento para coonestar despautérios de governos recentes contestei:
“Se a voz do povo é a voz de Deus Pilatos agiu corretamente ao libertar Barrabás e mandar crucificar Jesus”.    Esta falácia é paradigmática, um enunciado falso que, entretanto, simula a verdade. Um sofisma.

Em 2002 a dívida externa+interna do Brasil (federal, estadual e municipal) era de R$ 852 bilhões, acumulada em 180 anos, desde a Independência do Brasil. Em 2018, catapultou para R$ 4,25 trilhões, (Zero Hora, 28/02/2020). O AUMENTO EXTRAPOLADO SE VERIFICOU EM 16 ANOS. Se “vox populi, vox Dei” exprimisse o correto este fato que remete às futuras gerações um ônus exorbitante seria admitido sem tergiversações nem revolta. O recrudescimento da inflação (que tanto tempo nos esgoelou) está à vista logo adiante, será um efeito secundário e terrível da irresponsabilidade nefasta.

Bolsonaro, o presidente atual, afirmou (um dia após apoiar as manifestações pedindo o retorno do AI-5) ter sido eleito pelo povo e, portanto, representa a Constituição (???).

Vire a página e reflita comigo sob um ângulo peculiar: “A maior dificuldade em decidir ocorre quando ambos os lados têm razões indiscutíveis”. Lembro uma passagem de um livro de Paulo Coelho “Na Busca da Verdade” (não sou fã dele):

Andavam pelo deserto Maomé e um discípulo quando avistaram, ao longe, um vulto largar algo na beira do caminho. Curioso o discípulo perguntou:

- Mestre, quem é e o que está fazendo?                                                                                                                    - É o diabo e espalha fragmentos da verdade.                                                                                                    - Então ele não é tão mau assim.                                                                                                                         - Engano seu, é o que ele quer sugerir. Largando esparsos fragmentos da verdade, cada vez que alguém encontrar um deles ficará convicto que possui o todo e defenderá com empenho a sua VERDADE, repelindo e combatendo os que recolheram outros fragmentos. O contraponto será rejeitado com intensidade e não haverá acordo possível. Cada um defenderá seu fragmento e não haverá acordo possível, o caos se estabelecerá.

Mutatis mutandis, é o que ocorre no Brasil no momento atual.

Primeiro fragmento da verdade: a Economia não pode parar senão o país soçobra.                                   Segundo: o isolamento social é necessário para impedir a propagação da catástrofe provocada pelo vírus.                                                                                                                                                                     Com quem ficamos? A quem dar ouvidos e fé?

Os latinos já tinham a resposta: “in médio stat virtus”, no meio está a virtude. Não podemos paralisar todas as atividades, seria determinar o caos econômico, muito menos permitir aglomerações irresponsáveis... a vida é o bem maior.

A AUTORIDADE (assim mesmo, com letras maiúsculas) com a “caneta”, discernimento e inteligência saberá dosar as providências. E, para ser justo, imparcial, coerente, estabelecerá a quantia certa para cada caso. O mesmo critério não poderá ser aplicado para São Paulo e para municípios de baixa população e sem recursos. Os parâmetros de população com risco de contágio, comportamento dos populares, etc., são díspares. Portanto... É neste momento que se conhece “quem tem farinha no saco”, sabedoria e, acima de tudo, coragem para adotar providências, mesmo que amargas e impopulares.

“Um político pensa na próxima eleição; um estadista, na próxima geração”- James Clarke

 Jayme José de Oliveira
Cirurgião-dentista aposentado

cdjaymejo@gmail.com


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

FUSÃO NUCLEAR



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

FUSÃO NUCLEAR - 03/08/2020

O homo sapiens dependeu da obtenção de energia para sobreviver num ambiente hostil povoado por feras incomparavelmente mais fortes, ágeis e que se comportavam apenas seguindo seus instintos. SEMPRE.

A descoberta do fogo foi fundamental para a sobrevivência. No início para afastar o ataque de feras e também para aquecer nos rigores climáticos e assar seus alimentos permitindo seu melhor aproveitamento e conservação para uso futuro. Domesticou animais para usar como meio de transporte e auxílio na agricultura.

Séculos e milênios decorreram e a indispensável energia foi sendo obtida das mais diversas formas. A industrialização foi possível com o invento das máquinas. Atualmente estamos entrando na era do aproveitamento da energia nuclear, incomparavelmente mais eficiente. A bomba que destruiu Hiroshima evoluiu para as usinas termonucleares. O urânio 235 gera resíduos radioativos com uma meia-vida de 703,8 milhões de anos e, por conseguinte é uma ameaça permanente como o demonstraram Chernobyl na Rússia e Fukushima no Japão.

Em 14/07/2015 escrevi a coluna “Tokamak”, na qual abordei a esperança que representava a energia obtida através de fusão substituindo a fissão.
Fusão Nuclear é a junção de átomos que têm núcleos leves. Da junção desses átomos, resulta um átomo com núcleo mais pesado.

Submetidos a uma temperatura extremamente elevada o deutério (H2) e o trítio (H3), que são isótopos de hidrogênio (H), se unem. Dessa união resulta a liberação de uma grande quantidade de energia e são formados núcleos de hélio.


O processo de fusão nuclear dá origem ao funcionamento das bombas de hidrogênio, as bombas atômicas mais destrutivas que existem. Da fusão decorre também a produção de energia através de Reatores de Fusão Nuclear. A fusão nuclear libera energia em quantidade incrível pelos padrões atuais, por esse motivo há um compromisso muito grande da comunidade científica em tornar possível a energia nuclear como uma opção energética a partir do processo de fusão. Tokamak é o nome que se dá aos reatores que estão sendo desenvolvidos em vários locais do mundo.

Há 60 anos surgiu a ideia de dar um salto gigantesco: a fusão do hidrogênio, a energia que emana do Sol há 5 bilhões de anos. Sem poluentes mortíferos, praticamente inesgotável. Um empecilho aparentemente insuperável: a obtenção do plasma resultante da fusão dos átomos de deutério e trítio exige uma temperatura superior a 100 milhões de graus centígrados, dez vezes superior ao núcleo do Sol. Nada poderia a suportar sem se transformar em plasma também. NADA?

Desde 1961, a partir dos estudos do físico russo Andreevich Atsinovich visando utilização da fusão nuclear não poluente, livre de resíduos radioativos e com possibilidade infinita de produzir energia a partir de isótopos do hidrogênio (deutério e trítio) tem sido acelerados e se desenvolveu o tokamak que usa o mesmo princípio do Sol para transformar matéria em energia, seguindo a lei da equivalência matéria-energia, descoberta por Albert Einstein. O plasma fica confinado em campos magnéticos retorcidos que podem resistir à temperatura de 150 milhões de graus centígrados sem colapsar.

O projeto internacional Iter, no qual 35 países tentam desenvolver a fusão do hidrogênio para produzir energia limpa deu um novo passo com a montagem de um reator nuclear no sul da França, em Saint-Paul-les-Durance. Com a fusão se obterá energia limpa, descarbonizada, segura e sem resíduos radioativos como ocorre nas usinas de fissão.

O projeto foi iniciado por um tratado, em 2006 e envolve países de toda a União Europeia, Reino Unido, Suíça, Japão, Rússia, China, Coreia do Sul e Estados Unidos. Os combustíveis necessários, deutério e trítio, estão disponíveis e, segundo o CEO da Iter Bernard Bigot, “um grama de combustível usado na fusão libera tanta energia como 8 toneladas de petróleo”. O projeto iniciou sua fase de montagem em 28/07/2020 e a previsão é que o primeiro plasma seja gerado em 2025.


Apesar de terem decorrido 60 anos de pesquisa, ainda há desafios técnicos importantes para se conseguir aproveitar quantidades tão extremas de energia. Milhões de componentes serão usados para montar o reator gigante que pesará 23.000 mil toneladas, é o projeto mais complexo da História, quase 3.000 toneladas de ímãs supercondutores serão conectados por 200 km de cabos supercondutores (supercondutores conduzem a eletricidade com perda zero de valor e sem aquecimento). Exigem uma temperatura de -269ºCélsius, próximo do zero absoluto para seu funcionamento, temperatura essa obtida pela maior usina criogênica do mundo.

O presidente francês Emmanuel Macron lançou a fase de montagem ao lado de personalidades dos países que integram o programa. Shinzo Abe, Primeiro-Ministro japonês disse que a inovação desempenhará um papel fundamental na abordagem de questões globais incluindo mudanças climáticas, devido ao gradativo abandono de combustíveis fósseis altamente poluentes.

A partir da energia a fusão e outras renováveis será universalizado o uso de energia elétrica e o resultado mais impactante será a despoluição do ar que respiramos e a interrupção do processo de aquecimento global. Uma melhora no índice de vida saudável virá de acréscimo.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

 


segunda-feira, 27 de julho de 2020

QUOUSQUE TANDEM





PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

QUOUSQUE TANDEM
“Quousque tandem abutere, Catilina, patientia mostra”? (Marcus Tullius Cicero)                                       “Até quando, ó Catilina, abusarás a nossa paciência? Por quanto tempo ainda há de zombar de nós tua loucura? A que extremos há de precipitar tua audácia sem freio”?                                                         Cícero foi um advogado, escritor, orador, filósofo e cônsul da República Romana, eleito em 63 a.C. Lucius Sergius Catilina foi um militar e senador, contemporâneo de Cícero, célebre por ter tentado derrubar a República. Denunciado por Cícero em quatro discursos – as Catilinárias – foi condenado à morte. Recusou se entregar e promoveu uma sedição. Foi morto em combate contra as forças do Senado.
Até hoje as Catilinárias representam o protesto de homens probos, patriotas, contra os desmandos de chefes corruptos e sediciosos que tramam contra a lei, a ordem e a paz, seja onde e quando for.
A censura, seja à imprensa, às artes ou à voz do povo é um dos maiores crimes cometidos por eventuais donos do poder.
O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) foi um órgão criado no Brasil em dezembro de 1939, por decreto do presidente Getúlio Vargas, serviu como instrumento de censura e propaganda durante o Estado Novo.                                                                           Por seis anos foi um poderoso instrumento e deu origem ao futuro Serviço Nacional de informações (SNI). As máquinas de propaganda foram muito usadas na época pelo fascismo italiano e pelo nazismo de Hitler.                                                                                                            Jorge Amado, o grande escritor baiano, foi deputado federal pelo Partido Comunista e, perseguido, exilou-se em Paris onde escreveu “Subterrâneos da liberdade”, uma trilogia em que desnuda as atrocidades da ditadura Vargas. “Ásperos Tempos”, “Agonia da Noite” e “A Luz no Túnel” são um documentário de quem viveu os ásperos tempos.
A censura foi formalmente extinta na ditadura militar, no seu final, pela “Anistia AmplaGeral e Irrestrita”, coordenada por um comitê formado por intelectuais, artistas, jornalistas, políticos progressistas, religiosos de vários credos, sindicalistas e estudantes, no final dos anos 70, pelo denominado Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA). Restam, contudo, fortes traços dela no controle da expressão e criação artística.
A Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (ANSINAV), um projeto de lei enviado ao Congresso no governo Lula em abril de 2004 pelo Ministro da Cultura Gilberto Gil, foi engavetado pela Câmara no final de 2006. O cerceamento à liberdade de expressão das mídias estimulou uma desaprovação pela população na época.
Agora, o mesmo autoritarismo ressurge com Bolsonaro, polo ideológico oposto ao PT, mas com o mesmo objetivo de censurar. Se com o PT a intenção era “democratizar” a produção artística, dando voz às minorias, agora se justifica pela “defesa dos valores cristãos”. Os argumentos são diversos, porém, os fins similares.  A censura àquilo que não agrada os governantes de ocasião.
Nada muito diferente do DIP de Getúlio Vargas, embora sem os rasgos de violência explícita da época do Estado Novo, quando o simples falar em alemão ou italiano era motivo suficiente para prisão sem julgamento.
Voltemos aos dias atuais. “Apoiar ou defender um governo não é crime. Ao contrário. Mas, quando isso se transforma em burrice, aí temos um problema. O fenômeno não é novo, aconteceu em diversos governos, nos tempos de Lula e também muito antes disso. Colaram rótulos em milhões de brasileiros, de artistas, de empresários, etc. Sou de esquerda. Sou de direta. Dane-se o bom senso e a razão”.  (Túlio Milman, Zero Hora – 12/03/20)
Admitamos sem contestação: desacreditar a democracia é um caminho perigoso. Corrigi-la quando claudica é necessário. Hoje, críticas ao governo são recebidas com uma intolerância que, cada vez mais, se concentra na imprensa investigativa.
Convenhamos, o que realmente necessitamos urgente é concretizarmos um ambiente em que cidadãos possam conviver com rivalidades, divergências, sim, porém nunca considerando adversários como inimigos, são simplesmente adversários.
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

domingo, 19 de julho de 2020

URSOS FAMINTOS IMPLORAM POR COMIDA




http://www.litoralmania.com.br/ursos-famintos-imploram-por-comida-jayme-jose-de-oliveira/



                                                     ponto e contraponto - por jayme josé de oliveira
“por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

URSOS FAMINTOS IMPLORAM POR COMIDA
Quando acessei os links que reproduzo abaixo lembrei-me do Gênesis ao descrever a criação do homem e como Deus nos diferenciou, deu-nos o livre arbítrio e com ele a RESPONSABILIDADE POR NOSSOS ATOS. Sim, ao contrário de todos os animais, que se regem pelo instinto e não podem agir fora dos padrões estabelecidos, nós podemos sublimar com ações virtuosas ou descambar para atos indignos e pérfidos, merecendo o báratro (precipício onde os atenienses jogavam os criminosos), local certamente merecido pelos seres que se consideram humanos e praticam atos vergonhosos como os explicitados nos links a seguir:
GÊNESIS:
E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.
E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.
E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã do dia sexto.
Gênesis 1:25-31
LIVRE ARBÍTRIO É PRATICA DE VIDA
O Criador é livre e exerce a sua liberdade em si mesmo. E quando pôs no homem a sua imagem e semelhança, Deus o presenteou com a liberdade. Essa é uma benção sem par, pois se somos o pó da terra, recebemos em nós o "sopro divino" também.
Esse "sopro de Deus", essa liberdade nos traz muitas possibilidades. E mesmo que o ambiente onde vivemos possa nos moldar, nós temos condições de influenciar este mesmo ambiente, em retorno. Sim, nós fomos criados por Deus, mas recebemos a capacidade de sermos criativos.
Nós podemos escolher como agimos e reagimos, mais do que qualquer outro ser criado. Isso é algo bom mas pode ser ruim ao mesmo tempo se não agirmos com responsabilidade. A própria narrativa bíblica nos mostra isso. Podemos obedecer ou desobedecer, causar harmonia ou discórdia.

A liberdade para fazer o bem vem de mãos dadas com a possibilidade de causar o mal. O nosso destino não está escrito nas estrelas, nem no genoma humano, nem em qualquer outro modo de determinismo. Nós nos tornamos aquilo que escolhemos ser.

Preciso estar em paz com a minha consciência. Em outras palavras: temos o dever de olhar para dentro de nós, bem fundo, e dirigirmos nossas condutas iluminados pela luz dessa introspecção. Ninguém pode fugir da sua consciência, isso quer dizer que ninguém pode ignorar Deus.                                                                                                                                  E é muito claro pela teoria do livre arbítrio que o homem é que escolhe o seu caminho, Deus deu-lhe a liberdade para trilhar o bem ou o mal a seu talante. O livre arbítrio é uma das principais diferenças entre os homens e os animais. Os animais não tem consciência para discernir entre o bem e o mal.

Nirvana é uma palavra do contexto do budismo que significa estado de libertação atingido pelo ser humano ao percorrer sua busca espiritual de aperfeiçoamento. É utilizado num sentido mais geral para designar alguém que está em plenitude de paz interior, sem se deixar influenciar negativamente pelas contingências externas, mas podendo interagir em prol do aperfeiçoamento e proteção dos que a necessitam para sobreviver.

Altruísmo pode ser observado nas ações dos Médicos sem Fronteiras (MSF).                                   A organização foi criada em 1971, na França por jovens médicos e jornalistas que atuaram como voluntários no fim dos anos 60 na Biafra, Nigéria. Enquanto socorriam vítimas em meio a uma guerra civil brutal os profissionais perceberam as limitações da ajuda humanitária internacional: a dificuldade de acesso ao local e os entraves burocráticos e políticos que faziam com que muitos se calassem, ainda que diante situações gritantes. O MSF surge, então, como uma organização humanitária que associa ajuda médica à sensibilização do público sobre o sofrimento de seus pacientes, dando visibilidade a realidades que não podem permanecer negligenciadas.  Em 1999 recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

A solidariedade e assistência também podem ser estendidas a animais em risco de extinção. O TAMAR é um projeto conservacionista brasileiro que revolucionou a luta pela preservação de espécies ameaçadas. Iniciou atuando na busca pela preservação das tartarugas-marinhas, atualmente se expandiu e também protege tubarões e outras espécies de vida marinha.
A ideia do projeto TAMAR surgiu nos anos 70 através de um grupo de estudantes de oceanografia que viajavam pelas praias desertas para realizar pesquisas. Naquela época, no Atol das Rocas, os pesquisadores documentaram pescadores matando tartarugas-marinhas. Fotos e alguns relatórios foram enviados às autoridades que estavam querendo iniciar um programa de conservação marinha dando início ao programa, fundado em 1980.
O Tamar surgiu com um objetivo de proteger tartarugas-marinhas que estão ameaçadas de extinção no litoral brasileiro. Com o tempo, porém, percebeu-se que os trabalhos não poderiam ficar restritos às tartarugas, pois uma das chaves para o sucesso desta missão seria o apoio ao desenvolvimento das comunidades costeiras, de forma a oferecer alternativas econômicas que amenizassem a questão social, diminuindo assim a caça das tartarugas-marinhas para a sua sobrevivência.

Comparem este tratamento ao dado aos ursos famintos do zoológico e ao absurdo do arrastar uma cachorrinha até que perdesse as forças. Um detalhe que não pode ser desconsiderado: o passageiro do carro que acompanhou e filmou toda a cena não se dignou a interferir enquanto era possível evitar maiores ferimentos.
Realmente, nosso livre-arbítrio pode ser direcionado parea o bem ou para o mal. Esperamos que, no futuro, a segunda opção prepondere.


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

sábado, 11 de julho de 2020

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL LIBERA





PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL LIBERA

Num mundo cada vez mais complexo, não há mais espaço para discussão polarizada. É possível compatibilizar saúde e economia desde que se tenha o discernimento necessário para manter em vigor os princípios essenciais para a sobrevivência e se abra mão de alguns privilégios que se caracterizem nitidamente corporativistas.
A informalidade, as micro e pequenas empresas apresentam resiliência e saúde financeira mais sensível e devem receber atenção especial na distribuição de recursos, liberação de algumas exigências fiscais e mesmo de adimplência. O mundo passa atualmente por um período de transição e marcha inevitavelmente para um equilíbrio ancorado em regras, costumes e compartilhamentos diferentes dos que estamos habituados. O que dizer da autorização para aumento das tarifas de pedágios em meio da pandemia que sufoca?
O corporativismo existente, desde o que representa classes menos influentes até os componentes da macroeconomia tem dado pouca importância ao humanismo e impondo táticas que visam o deus-lucro acima de tudo.
Difícil acreditar que houve época mais discriminadora? Thomas Morus, em 1516, escreveu “Utopia”. A elite econômica representada pela aristocracia, detentores de grandes fortunas e poder político, tudo podia e tudo exigia. À plebe... 16 horas de trabalho diuturno; sem sábados e domingos para descanso; sem férias; sem aposentadoria; sem direitos. A Justiça aparelhada para garantir “direitos” dessa elite onipotente e a plebe sem direitos, apenas deveres.
Isso é passado, atualmente está consolidada, por exemplo, a CLT garantindo os direitos trabalhistas, a aposentadoria, a assistência médica universal entre outros. Natural para nós, impensável num passado nem tão distante. O que dirão nossos descendentes sobre a indiferença com os menos abonados?
Leis esdrúxulas, incompreensíveis, como a admissibilidade de cartões de crédito a cobrarem juros de 319,5% ao ano como atualmente no Brasil? Nem como piada de mau gosto! Em países nos quais o sistema bancário funcione racionalmente, inadmissível!
Chegaremos, sim, a prestigiar e proteger mais o trabalho que o capital. Mesmo considerando que sem capital financiador não existem empresas, sem empresas não existem empregos, temos que convir também, que sem empregos preenchidos não existem empresas. Ainda não alcançamos o estágio em que a Inteligência Artificial (IA) pode substituir o labor humano por robôs em tarefas repetitivas. Os humanos se reservarão o privilégio de se aterem a tarefas nobres, o cérebro será o alvo das atenções, às máquinas os labores exaustivos. Consideram uma miragem? Remontem a um passado nem tão longínquo, à época em que o transporte de mercadorias e mesmo de pessoas era dependente da força muscular, de pessoas ou animais amestrados. Escravos locomoviam liteiras e transportavam mercadorias.
A invenção da roda e da alavanca alavancaram (perdoem o trocadilho) e o resultado: alívio aos músculos e possibilidade de transportar cargas mais pesadas. As velas dos barcos substituíram os remos, a máquina a vapor de Robert Fulton, em 1803, superou o velame e os mastros. O progresso continuou de maneira alucinante. Santos Dumont e os irmãos Wright abriram as postas do céu, Werner von Braun, a partir dos foguetes V2 da II Guerra Mundial, nos levou a orbitar o planeta, já atingimos a Lua com voos tripulados e estamos no limiar de invadir-colonizar o espaço sideral.
Não há limites para aquilo que o homem almeja. Júlio Verne vaticinou: “tudo o que um homem pode imaginar, outro homem realizará”.
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

sábado, 4 de julho de 2020

A OITAVA PRAGA






PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

A OITAVA PRAGA – 04/07/2020

Citados na Bíblia como a OITAVA PRAGA que assolou o Egito, as nuvens de gafanhotos não são muito recorrentes, quando acontecem se tornam marcos históricos.

Não há uma única explicação que comprove as dez pragas do Egito, no livro “Êxodo” um relato:
Dirigiu-se o Senhor a Moisés:
- “Vai novamente fazer o teu pedido ao Faraó e obter permissão para os hebreus saírem do Egito e diga: deixa seguir o meu povo para que me adore. Se recusares, amanhã cobrirei toda a nação com um espesso bando de gafanhotos”.

Quarenta anos foi o tempo que o povo de Israel esteve no deserto após sair do Egito até tomar posse da Terra Prometida, chamada Canaã. Esta história está relatada na Bíblia, no livro do Êxodo. O Senhor fez o povo dar a volta pelo deserto seguindo o caminho que leva ao Mar Vermelho em vez de atravessar a península do Sinai de apenas 200 quilômetros de largura.

Os gafanhotos que assolam a Terra em períodos diversos pertencem à espécie Schistocerca Cancellatta e teve a primeira referência na América do Sul em 1700. Argentina, Brasil, Uruguai, Bolívia e Paraguai sofreram infestações entre 1872 e 1952, a partir de 1950 foram controlados com a utilização de produtos químicos aspergidos de avião. Devido ao impacto ambiental que este procedimento causa foi questionado dois anos após.

A atual nuvem se formou no Paraguai, atravessou regiões da Argentina rumo à fronteira com o Brasil. Percorre até 150 quilômetros por dia com vento favorável, frio e chuva obstaculizam em parte o deslocamento. Podem atingir o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Uma nuvem pode conter 40 milhões e os integrantes por quilômetro quadrado, se alimentam de qualquer tipo de vegetal deixando na sua passagem um solo completamente devastado, incluindo pastagens, cana de açúcar, árvores frutíferas, o que houver de verde. Cada inseto pode devorar até seu peso diariamente.

Além do clima, predadores (sapos, pássaros, fungos, bactérias) e agrotóxicos vão os dizimando até que o avanço seja detido. O período de vida é de até três meses, fato que também contribui para o gradativo rareamento das nuvens.

A Secretaria do Rio Grande do Sul e o Ministério firmaram (24/6/2020) uma parceria com o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) para a utilização de 426 aviões, a frota aeroagrícola do Estado no combate aos insetos. Ações deste tipo foram desenvolvidas, por exemplo, pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para atuação na África.

Tenho lembranças vívidas da nuvem de gafanhotos que, em 1948, devastou o Rio Grande do Sul. Na época, estudante em regime de internato no Ginásio São José, Lajeado, dirigido pelos Irmãos Maristas, convivemos com insetos que literalmente cobriam todos os espaços, inclusive os pátios onde realizávamos nossos lazeres em períodos sem aula. Adolescentes, sempre prontos a aprontar... aprontamos. Enchemos saquinhos de papel – me incluo entre os partícipes – e, à noite, no dormitório (era coletivo, as camas enfileiradas), os libertamos. Podeis imaginar como e quanto os gafanhotos infernizaram os que pretendiam dormir. Quanto a nós, responsáveis pelo “sucesso” da folia, assistimos tudo de camarote. A façanha foi motivo de comentários por largo tempo. Maravilhosos tempos em que o máximo de traquinagem era um espalhar “inocente” de famintos gafanhotos.
Em tempo, devoram tudo o que lembre, mesmo remotamente, vegetais. São completamente inofensivos para humanos e animais socializados.

Núvem de gafanhotos destrói plantações – 59 segundos




Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado