sábado, 25 de janeiro de 2020

A GENIALIDADE DE LEONARDO DA VINCI 2






CIÊNCIA E CULTURA
Marília Gerhardt de Oliveira
LEONARDO DA VINCI – 16/12/2019
Na Itália Renascentista, nascer bastardo entre as classes aristocráticas não era problema ou embaraço. Muitos artistas criativos daquela época eram filhos ilegítimos.
Autodidata, o canhoto de escrita espelhada Leonardo da Vinci iniciou a desenvolver sua genialidade na Florença do século XV, de economia próspera e onde havia a maior taxa de alfabetização da Europa (um terço de sua população).
Perfeccionista, obsessivo, distraia-se facilmente, postergava tarefas. Muitos de seus projetos e obras ficaram inacabados. Estudar Anatomia, através de minuciosas dissecações de cadáveres, o levou a conceber movimentos do corpo ao seu desejo de artista genial de retratar emoções intensamente, no que foi pioneiro.
Quando se mudou de Florença para Milão, passou a projetar dispositivos militares engenhosos, além de conjuntos de planos arquitetônicos revolucionários para a cidade, incluindo sistema de esgotos, objetivando reduzir surtos de pestes, o que qualificaria a vida da população local se as  ideias tivessem sido implementadas. Foi também um exímio produtor de espetáculos artísticos e culturais.
Ao contrário de muitos artistas de seu tempo, Leonardo da Vinci era bonito e asseado, de personalidade agradável, divertido e vestia-se de forma surpreendentemente colorida. À medida que envelhecia, foi cultivando longa barba.
O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci simboliza um ideal de Humanismo, dentro do quadrado e do círculo, em que as medidas e as proporções do corpo humano refletem estudos detalhados de Anatomia.
A abordagem empírica de Leonardo da Vinci, que embasava Ciência, principalmente em observações e experiências, o fez, mais uma vez, estar à frente do seu tempo. Mas também se permitiu evoluir, passando a estudar em livros (1490) e complementar as evidências experimentais a partir de estruturas teóricas já publicadas. A partir de então, passou a perceber que a Matemática era a base para transformar suas observações em teorias.
Sempre trabalhou em equipe. Era um observador obsessivo, principalmente no que diz respeito aos efeitos de luz e sombras. O uso inteligente de sombras como técnica para representar objetos tridimensionais significou a ruptura com as práticas de pintores da época, distinguindo inequivocamente as suas obras. Seus profundos estudos de Óptica impactaram sua Arte por sua crença no fato de que a visão dos limites na natureza e nas telas devessem ser borrados, o que o tornou pioneiro do SFUMATO, técnica levada ao seu máximo de perfeição na MONA LISA.
Já a principal contribuição de Leonardo da Vinci no estudo de perspectiva na Arte foi ter incluído, para além da perspectiva linear, técnicas para criar sensação de profundidade através de mudanças em cores e claridade. Para exemplificar, basta admirar a ÚLTIMA CEIA.
Notável e tremendamente humano: Leonardo da Vinci.
Às leitoras e aos leitores do Litoralmania, um NATAL de LUZ e um NOVO ANO DE PAZ!                                                  



A GENIALIDADE DE LEONARDO DA VINCI 1





CIÊNCIA E CULTURA
Marília Gerhardt de Oliveira

A partir de hoje, a cada duas semanas, enviarei um texto para ser publicado no Litoralmania. Inicio esta tarefa com entusiasmo e responsabilidade por ser leitora de excelentes colunistas deste veículo on-line.

A GENIALIDADE  DE  LEONARDO  DA  VINCI  E  O  FUTURO  INCERTO – 27/11/2019
                                                                                                                 
Após dias de árduo trabalho construindo ninhos, um grupo de pardais imaginou que suas vidas seriam bem mais fáceis se conseguissem a ajuda de uma coruja. Conjecturaram que ela poderia cuidar de mais novos e mais velhos, assim como ser muito útil no enfrentamento de gatos... Resolveram, então, procurar um ovo, um filhote ou uma coruja abandonada. Para terem sucesso, acreditaram poder domesticá-la e adestrá-la. Um pequeno grupo de pardais divergiu por considerar haver grave risco neste projeto ambicioso. Mas seus argumentos não foram considerados pela maioria dos pardais. E o futuro poderia vir a provar que os pardais mais prudentes estavam certos... (Fábula de Pardais)
Mary Schelley, em 1818, publicou “Frankenstein, o Prometeu moderno”. A criatura, construída com pedaços de cadáveres, era ciente de ser um monstro. O desejo de ter uma companheira de aparência similar, capaz de compreendê-lo e dividir a vida com ele, não foi atendido por seu criador. O embate entre criador e criatura representa a impossibilidade de seres humanos agirem como se Deus fossem, sem o grave risco de destruírem a espécie humana.
Posto isto, passemos a discorrer sobre um Gênio muito à frente de seu tempo: Leonardo da Vinci.
Como Cirurgiã-dentista, graduada na UFRGS e pós-graduada em Cirurgia e Estomatologia na PUCRS, além de formação em Bioética no Instituto Kennedy (USA) e na Universidade de Barcelona (Espanha), enfocarei, hoje, a relação pioneira de Leonardo da Vinci com a Odontologia.
Em 1482, ao se transferir de Florença para Milão, a Anatomia Humana era estudada principalmente por acadêmicos da área da Medicina. Mas, em pouco tempo, proeminentes Professores de Anatomia passaram a atuar como seus tutores, primeiro emprestando livros e, depois, ensinando a ele dissecação de cadáveres. Nos desenhos de crânios de Leonardo da Vinci estão representados os quatro tipos de dentes humanos, com a informação de serem 32 no total, incluindo os quatro sisos. Desta forma, foi o pioneiro na descrição detalhada de elementos dentárias humanos, incluindo ilustrações quase perfeitas de suas raízes, em que os seis molares superiores possuem três raízes cada, duas do lado externo e uma do lado interno do maxilar, o que comprova que ele dissecou e cortou crânios humanos, expondo seios maxilares para determinar esta posição.
Como já não houvesse muito para honrar este Gênio da Humanidade, ele deveria ser celebrado como um pioneiro na área da Odontologia.
Na próxima quinzena pretendo enfocar outros aspectos da obra de Leonardo da Vinci, o que nos remete à fundamental importância de, para muito além de assimilar conhecimentos, termos a coragem de questioná-los, pesquisar, evoluir, com criatividade e competências técnica, científica e ética, distinguindo, assim, quem verdadeiramente pode construir um mundo mais fraterno, solidário e justo. Sem radicalismos que nos coloquem face a face com o obscurantismo indesejável se nosso objetivo for um futuro melhor. 

Marília Gerhardt de Oliveira
gerhardtoliveira@gmail.com

CONHECIMENTO PERIGOSO





PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

CONHECIMENTO PERIGOSO – 24/01/2020

Um dos perigos de se adotar progressos científicos sem realizar pesquisas minuciosas para comprovar a inexistência de efeitos colaterais catastróficos se consubstanciou no emprego da talidomida em mulheres grávidas. O objetivo era minimizar os enjoos que ocorrem no período. Quando se verificaram teratologias (ausência de membros superiores completos) em bebês, deu-se início a um cuidado redobrado antes de licenciar novos medicamentos e lança-los no mercado, um esforço pertinente para aumentar o bem-estar da humanidade com segurança. Vacinas e soros deram o pontapé inicial e a explosão da biologia molecular não parou mais de fornecer novas e eficazes ferramentas. A descoberta da vacina preventiva para a poliomielite foi um estímulo e os laboratórios investiram altas somas, os resultados foram compensadores. Na oncologia (estudo do câncer), até o momento os progressos são incomensuráveis, inclusive com a utilização de vetores heterodoxos, vírus transportando agentes de combate às células malignas minimamente acompanhados por efeitos colaterais indesejados. O iodo 131, radioativo, para combate ao câncer da tireóide, etc.
O incremento da pesquisa básica, que sempre inicia sem objetivo definido apostando na hipótese de que cedo ou tarde surgirão os resultados que sem esses estudos prévios seriam impossíveis de alcançar. Quando Pièrre e Marie Curie isolaram o rádio em 20 de abril de 1902 longe estavam de saber que futuramente seria usado no combate ao câncer. Foram agraciados com o Prêmio Nobel de Física em 1903. James D. Watson e Francis Crick propuseram, em 1953, o modelo da dupla hélice do DNA e abriram as portas para que se realizassem as mutações dirigidas, os transgênicos foram possibilitados e nunca mais parou a vertiginosa escalada.                                                                                                               O DNA, ao produzir replicações diferentes de si mesmo dá origem às mutações. Algumas são deletérias, inclusive causadas por fatores estranhos, radiações, por exemplo, enquanto outras são propositadamente estimuladas para facilitar a adaptação ao meio ambiente modificado. A cor escura da pele pode se tornar mais evidente na África em razão da insolação acentuada ou mais pálida em zonas frígidas, sempre buscando uma adaptação que facilite a vida e a das gerações futuras. Tem sido assim desde o início e continuará sem interrupções, sempre buscando a adaptação indispensável.

A ciência progride com novas ideias e conceitos numa velocidade acelerada. No último século fomos apresentados a inúmeros serviços, produtos e ideias que nossos avoengos sequer imaginavam possíveis, cito algumas: insulina (1921) que permite a sobrevida aos diabéticos, televisão, fax (já obsoleto), xerox, telefone celular, computador, internet, aviões a jato, satélites artificiais, exploração do espaço sideral, antibióticos, transplantes, órgãos artificiais e muitos mais. Já imaginaram a vida sem isso tudo?  
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

CALBUCO, INFERNO NO CÉU





PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

CALBUCO, INFERNO NO CÉU
Intrínseca na natureza humana é a discordância em todos os campos. Na religião, ou na negação dela, ateus e crentes nunca chegaram a um acordo. Na política, jamais ocorreu nem ocorrerá um consenso, exceto em negociações que beneficiem as partes, nesse caso a corrupção ativa e passiva se mancomunam em detrimento do bem comum. Atualmente inventaram um termo para definir: governabilidade. Não passa dum abjeto toma-lá-dá-cá onde a tranquilidade dos governantes é negociada sem escrúpulos com a troca de benesses, muitos cargos e poucos encargos.
Esses preliminares para entender como e porque absurdos são difundidos e posam como verdades incontestes, por exemplo: A TECNOLOGIA está nos encaminhando a um aquecimento global que derreterá os gelos polares, provocará uma elevação do nível dos oceanos com catastróficas consequências para a vida em geral e a civilização em particular”. Na verdade, contribuímos com a nossa parcela, porém a natureza o faz com intensidade muito maior. O vulcão Calbuco, que em 22 de abril de 2015 entrou em erupção no Chile, expeliu enormes quantidades de dióxido de carbono, ácido sulfúrico, ácido clorídrico e outros gases igualmente tóxicos, além da lava e cinzas que cobriram vastas regiões do Chile e Argentina principalmente, destruiu plantações, dizimou rebanhos e inviabilizou o turismo. Este é apenas um dos que regularmente entram em erupção no planeta e causam efeitos poluidores superiores à soma de todos os emitidos pelo homem.
A comprovação que os “pums” dos rebanhos estão contribuindo decisivamente para a destruição da camada de ozônio que protege o planeta dos raios ultravioleta vindos do espaço não pode ser desconsiderada.  Agora, tente convencer pseudoecologistas que vulcões, terremotos, tsunamis e outras catástrofes naturais do meio ambiente são causadores muito mais danosos que a contribuição de seres vivos e dos efeitos colaterais da civilização na deterioração. “Nem que a vaca tussa”. Argumentarão que os “pums” de gás metano são mais danosos que as emanações do Calbuco.
Isso não quer dizer que descuidemos de diminuir emissões, isso é de vital importância por certo. Os pulmões dos chineses, por exemplo, sofrem, e muito, com o desleixo das indústrias. Em Minamata, Japão, a baía foi de tal modo poluída por efluentes de mercúrio que causou inclusive teratologias (perturbações no desenvolvimento fetal) e deu início à era da utilização de filtros e outros meios para evitar a contaminação, tanto da água como do ar. Graças a essas providências nos encaminhamos para uma exigência internacional de preservação do meio-ambiente.
Nossos netos e descendentes agradecem antecipadamente.
P.S.1: Já houve ao menos seis grandes catástrofes ocasionadas por causas naturais que quase exterminaram a vida na Terra. Há 500 milhões, 466 milhões e 253,8 milhões de anos. Impactante a extinção dos dinossauros há 65,5 milhões de anos, consequência da queda de um meteorito de aproximadamente 20 km de diâmetro, na baía de Yucatán México. Há 55 milhões de anos uma glaciação também quase eliminou os sobreviventes do meteorito. O homo sapiens sobreviveu à última glaciação ocorrida na Terra que começou há 100 mil anos e terminou há 12 mil.
P.S.2: erupção do Monte Tambora em 1815 foi ouvida na ilha de Sumatra (mais de 2000 km  de distância). Uma enorme queda de cinza vulcânica foi observada em locais distantes como nas ilhas de BornéuCelebesJava e arquipélago das Molucas. A atividade começou três anos antes, de uma forma moderada, seguindo-se a enorme explosão que lançou material a uma altura de 33 km, que, no entanto, ainda não foi o ponto culminante da atividade. Cinco dias depois, houve material eruptivo lançado a 44 km de altura, escurecendo o céu num raio de 500 km durante três dias e matando cerca de 60 000 pessoas, havendo ainda estimativas de 71 000 mortos, das quais de 11 a 12 mil mortas diretamente pela erupção.                                                                                       A erupção criou anomalias climáticas globais, pois não houve verão no hemisfério norte em consequência desta erupção, o que provocou a morte de milhares de pessoas devido à falta de alimento, com registros estatísticos confiáveis especialmente na Europa, passando o ano de 1816 a ser conhecido como o ano sem Verão. Culturas agrícolas colapsaram e gado morreu, resultando na pior carestia do século XIX


 Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

NÃO VOU CEDER AO ÓDIO






PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

NÃO VOU CEDER AO ÓDIO
É com fogo que se tempera o aço, as vicissitudes permitem às pessoas demonstrarem seu caráter. Quanto maior a dor, a injustiça, o infortúnio, mais difícil manter o equilíbrio, absorver “sem perder as estribeiras” o impacto de fatos para os quais não demos causa e que nos atingem no âmago dos sentimentos, um comportamento que poucos, muito poucos, conseguem enfrentar como o fez Antoine Leirie após perder a esposa no atentado terrorista ao teatro Bataclan – Paris – em 13 de novembro de 2015.                                                                                                                                      Terroristas patrocinados pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante efetuaram um ataque com tiroteio, ataques suicidas, reféns mutilados sadicamente. Depois de infrutíferas tentativas de negociação a polícia invadiu o local e o que viu é digno de um filme de terror: decapitações, eviscerações, enucleações (remoção de olhos), castrações e tudo o mais horrendo que se possa imaginar.
Antoine Leirie perdeu sua esposa, Helène, no ataque. Seu tributo a ela foi compartilhado milhares de vezes no Facebook.
“Eu não sei quem vocês são e não quero saber – vocês são almas mortas. Se o Deus por quem vocês matam nos fez à Sua imagem e semelhança, cada bala no corpo de minha mulher teria sido uma ferida no coração Dele. Por isso, eu não lhes darei o presente do ódio. Vocês o procuram, mas responder isso com raiva seria ceder à mesma ignorância que fez de vocês o que vocês são.           Vocês querem que eu tenha medo? Que eu não confie nos meus compatriotas? Que eu sacrifique minha liberdade pela segurança?                                                                                                                             VOCÊS PERDERAM!                                                                                                                                                   Eu a vi esta manhã, após dias e noites de espera. Ela estava linda, assim como saiu na sexta. Tão linda como no dia em que me apaixonei por ela, há mais de 12 anos. É claro que estou devastado, em luto – vocês têm esta pequena vitória. Mas será um luto a curto prazo. Ela estará conosco todos os dias. E nós vamos nos encontrar no Paraíso das almas livres.                                                                                                          NO QUAL VOCÊS NUNCA ENTRARÃO.                                                                                                               Meu filho e eu somos apenas dois, mas somos mais poderosos que todos os exércitos do mundo. Eu não tenho mais tempo para gastar com vocês. Eu preciso cuidar do Melvil, que está acordando da soneca da tarde.                                                                                                                                             ELE TEM APENAS 17 MESES DE VIDA.                                                                                                            Ele vai fazer seu lanche como todos os dias e nós vamos brincar como todos os dias. E em todos os dias de sua vida este menino vai insultá-los com sua felicidade e liberdade. Porque vocês não têm o ódio dele também”. Antoine Leiris.

NÃO VOU CEDER AO ÓDIO
Ponha-se no lugar de Antoine Leiris, terias a capacidade de sublimar como ele o fez? Confesso, sinceramente, eu não. Não posso de sã consciência desconsiderar que grupos terroristas realizam os mais torpes atentados – atingindo vítimas inocentes – em nenhuma parte do mundo. É justa a indignação contra o ataque ao elenco de “Porta dos Fundos” (que representa um Cristo homossexual), porém, a liberdade de expressão, mesmo que através da mídia ou espetáculos teatrais não pode ser ABSOLUTA. O Deputado Bibo Nunes, em discurso na Câmara Federal, indignado com o STF – que liberou o vídeo – pergunta se o STF consideraria como obra cultural um vídeo que os apresentasse nominalmente como gays e drogados.
Lembremos os ataques jihadistas que desembocaram no massacre do Bataclan, o corolário das respostas ao jornal satírico “Charlie Hebdo” que publicou charges ofensivas ao profeta Maomé. AMBOS OS FATOS se interligam e AMBOS são execráveis e execrados.                                                                                                                                    Não posso, também, admitir vitupério a crenças, sejam quais forem. O especial da Netfix retrata um Jesus gay (Gregório Duvivier), que se relaciona com o jovem Orlando (Fábio Porchat) e um Deus mentiroso (Antônio Tabet) que vive um triângulo amoroso com Maria e José.   Não posso deixar de perguntar: teriam “coragem” de encenar algo parecido com personagens sagrados ao islamismo ... no Irã?
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A VERDADE






PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

A VERDADE

As promessas que fazemos a nós mesmos no alvorecer de um novo ano costumam ser tão fugazes como a fumaça dos fogos de artifício que se esvai no ar. Raramente ultrapassa o Dia dos Reis, 6 de janeiro. Estimuladas pelos eflúvios etílicos emanados do champanhe da virada do ano são esquecidos junto com a ressaca subsequente. INFELIZMENTE!
Se as boas intenções perdurassem, não fossem efêmeras, poderíamos verificar que, inclusive, o mundo se tornaria mais aprazível e os humanos mais humanos – no sentido mais condizente com a intenção do Criador ao assoprar vida no barro e criar Adão -, buscando um convívio menos conflituoso com a sociedade. Ao fim e ao cabo mais justa com os menos favorecidos. Sim, pois a caridade e a disposição de compartilhar fazem parte da maioria dos propósitos.
Vejamos um detalhe, utópico é verdade, que, como o toque da varinha mágica de uma fada mudaria o curso da História. Para sempre. Nunca mais mentir, a verdade ser alçada ao píncaro das ações, desejos e realizações. Evidentemente, todos os humanos, os políticos inclusive – preferencialmente diria -. E como seria um mundo onde os políticos cumprissem as promessas de campanha e – suprema comoção – não levassem de arrasto o habitual séquito de áulicos e cabos eleitorais (regiamente remunerados pelo erário público)? Ao serem investigados os notórios casos de corrupção que abastecem com generosidade as campanhas eleitorais? Lembrem do “Quero-o-Meu”, o corrupião corrupto, personagem idealizado por Luís Fernando Veríssimo? Sequer teria sido criado.
No decorrer de uma inquirição judicial “Sua Excelência” não poderia afirmar de boca cheia: “Sou o mais honesto dos brasileiros”; ou: “Não privilegiarei meus familiares na indicação para cargos públicos, nepotismo não será uma das minhas metas”; ou: “As obras licitadas serão executadas sem percalços, aditamentos pré-agendados, apenas os destinados para compensar a inflação ou exigidas para o bom funcionamento da empreitada”; ou: “Serão privilegiadas obras que beneficiarão o Brasil e não outros países”; ou: “As licitações não incluirão em seus cálculos de custo os tradicionais X% de suborno”; ou: “As obras iniciadas cumprirão seu cronograma e não serão postergadas ad aeternum”. Etc.
Acabaria o quiproquó da discussão sobre quando um condenado poderá ser preso. Não podendo mentir, o juiz e os jurados decidiriam com clareza e o acusado teria SEMPRE um julgamento baseado na VERDADE DOS FATOS, sem chicanas da defesa ou da acusação, falsos testemunhos, delações premiadas sem cunho verdadeiro, protelações intermináveis. HOSANA! Após a condenação em 1ª instância... presídio para o safardana.
BELISQUEM-ME PARA ACORDAR, JÁ PASSOU O DIA DOS REIS.
P.S. 1 – Às pessoas das minhas relações em certa ocasião afirmei e confirmo agora que, se pudesse realizar um único desejo, este seria impor a VERDADE no convívio humano. No início seria o caos, acreditem. Com o tempo se estabeleceria a primazia dos bons em detrimento dos cafajestes que, atualmente em muitos locais se instalaram e como não têm escrúpulos pouco se importam com as consequências.                                                                                                                                                                                                               P.S. 2 – O mito da Caixa de Pandora, a que ao ser aberta liberou todos os males que afligem a humanidade mas conservou cativa a Esperança, nos permite a crença que um dia a liberará e será o início de uma Nova Era.
Quando tudo parece perdido:

AS QUATRO VELAS – 2min15seg


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

O FUTURO JÁ CHEGOU






PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

O FUTURO JÁ CHEGOU

Precisamos usar a internet para gerar uma inteligência coletiva, para tornar os seres humanos mais inteligentes individual e coletivamente. Isso não quer dizer que devemos estar sempre de acordo, muitas vezes o inteligente é aquele que pensa diferente e o tolo segue o bando sem debater.                 O fato de termos à mão dados, pelo Google ou outras ferramentas não significa que atrofiaremos a memória, pelo contrário, podemos selecionar o que mais interessa. Antes da invenção da escrita os conhecimentos eram compartilhados boca a boca e não se mantinha a fidelidade, erros eram comuns no compartilhamento, muitas vezes intencionalmente. O “Google” da minha juventude era a Enciclopédia Barsa que editava um novo volume anualmente para atualizar, hoje, com um clic no teclado tudo está ao alcance instantaneamente.                                                              E as fake news? Há tantas fontes de consulta para dirimir dúvidas e checar dados que apenas os displicentes se deixam enredar. Antes das redes sociais os(as) fofoqueiros(as) se dedicavam à arte de espalhar intrigas e mexericos. A mentira não começou com a internet, a comunicação e erros coexistem desde que se inventou a linguagem. Julgamentos falhos a partir de informantes mal intencionados condenaram muitos, o Intercept e outras provas ilícitas apenas catapultaram o mau-caratismo e nem por isso se pretende voltar no tempo, ao tempo das fofocas e falsos testemunhos, tanto como mão admitiríamos retornar às carruagens puxadas por cavalos.
Sempre haverá mais progressos que recuos, não esqueçam, mesmo que ocorram dois passos para trás, seguidos ou precedidos por três adiante, o resultado será um de avanço. É o que ocorre na vida diuturna pessoal, familiar ou social. Ao fim e ao cabo seguimos nosso destino: progredir.
Fala-se muito na desigualdade que impera – sempre houve - e a bioética propugna por uma distribuição mais justa do bem-estar proporcionado pela ciência para toda a população. Veja, isso acontece e de tal forma que as classes menos abonadas usufruem atualmente de produtos, facilidades e medicamentos que os ricos nem sonhavam há poucas décadas. Vacinas, antibióticos, transporte seguro e rápido, educação, estão ao alcance da população. Antes de 1921 os diabéticos, todos, morriam por não existir a insulina; um pequeno ferimento matava por infecção, os médicos inclusive; doenças epidêmicas como a varíola fazem parte do passado e outras, como a poliomielite, em vias de sê-lo. A civilização melhora a vida de todos, isto não implica em não batalharmos para aumentar a distribuição e ela virá com certeza. Aos que consideram que estamos numa espiral descendente e a vida dos nossos avoengos mais justa pergunto: o que diriam de um juiz que condenasse, atualmente, um criminoso à crucificação? Um dissidente, uma ”bruxa”, a serem queimados vivos numa fogueira? Um humano à escravidão e seus descendentes também? Sacrifícios humanos aos deuses da ocasião?                                                                                     Repito, estamos, sim, evoluindo e a bioética que levanta a bandeira do ditributivismo está no rumo certo. Aos religiosos que creem incondicionalmente nas Escrituras lembro o Gênesis 1:26 – “Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança.” Nossa consciência comprova, cada vez que um avanço civilizatório ocorre, está comprovando o fato somos feitos à imagem do Criador. O livre arbítrio faz parte dessa herança e precisamos escolher o rumo certo, cada vez que optamos pelo “pecado” em vez da virtude a trajetória terá seu tempo estendido, sempre lembrando que, para um Ser eterno, o tempo não conta.
Os bioéticos têm razão, o futuro da humanidade está umbilicalmente condicionado ao “repartir”, jamais ao “discriminar”. Discriminar pela cor, pela religião, pela política, pela posição social. A humanidade só atingirá seu ápice quando TODOS usufruírem as benesses que a ciência e a confraternização humana podem proporcionar. Poderemos então dizer: O FUTURO JÁ CHEGOU


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DESABROCHAR DE FLORES – 3min16 seg de puro encanto

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado