sexta-feira, 11 de novembro de 2016

SIMILARIDADES SIGNIFICATIVAS




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 11/11/2.016

http://www.litoralmania.com.br/similaridades-significativas-por-jayme-jose-de-oliveira/



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

SIMILARIDADES SIGNIFICATIVAS

Se confrontarmos leis aprovadas e projetos apresentados no período da presidente Dilma Rousseff com os planos de reformas do presidente Michel Temer, constataremos uma similaridade significativa. São urgentes e necessárias, tanto as já aprovadas como as que tramitam e serão objeto de discussão na Câmara de Deputados Federais e Senado.
Disputas partidárias e “motivações políticas” comumente se sobrepõem aos interesses do país, devemos repudiá-las e elogiar, apoiar as medidas proativas. Elas podem auxiliar na dura jornada para sair do atoleiro em que nos encontramos. É inominável que no Congresso se torpedeie sistematicamente projetos só por terem origem na facção adversária. E quando muda o lado do balcão, é inconcebível que se fustigue o que antes era proposto... não tem justificativa.
“Cada dia que passa me convenço mais de que, sobretudo quando se trata de política, as pessoas, em geral, têm dificuldade de aceitar a realidade se ela contraria suas convicções”. (Ferreira Gullar, poeta e ensaísta)

O tempo, melhor conselheiro, modificou substancialmente a essência da concepção econômica de Dilma Rousseff. Em 2.005 - era Ministra da Casa Civil - torpedeou uma tentativa de ajuste que, se consumada teria evitado o caos subsequente. Transcrevo:
“Em 2.005, no primeiro governo de Lula, os ministros da Fazenda, Antônio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo, dois poderosos ministros do governo, prepararam um PAF (Plano de Ajuste Fiscal), um projeto de ajuste fiscal realista, fixando o limite de gastos públicos por dez anos, impedindo seu crescimento acima do PIB (Produto Interno Bruto).
Quando o PAF chegou à Casa Civil, a ministra Dilma Rousseff liquidou o projeto, fundamental para o equilíbrio das finanças públicas, com uma frase de quatro palavras:
– “É um ajuste rudimentar”.
Realmente, o tempo amadureceu Dilma Rousseff, tanto que durante seu governo, apoiou as seguintes proposições:
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DOS SERVIDORES PÚBLICOS

Em 28/03/2.011 a presidente Dilma Rousseff manifestou disposição de se empenhar para que o projeto de lei que cria a Previdência Complementar dos Servidores Públicos fosse finalmente votada no Congresso. A razão foi a desigualdade gritante que se tipifica nos déficits cobertos pelo Tesouro Nacional:
Enquanto pouco mais de 970 mil aposentados do serviço público federal alcançam o valor   (na época) de R$ 51 bilhões, 24 milhões de aposentados do setor privado, número 25 vezes maior, acarretam um déficit de R$ 47 bilhões, bem inferior.
Como resultado, foi incentivada pela presidente a criação da Previdência Complementar dos Servidores Públicos, vigorante a partir de 15/02/2.013, opcional para os que desejam complementar a oficial, essa limitada ao teto da previdência privada.
O ministro Jaques Wagner, em jantar com empresários paulistas (05/02/2.016), solicitou apoio para a presidente, empenhada em deixar como legado para o país a reforma da Previdência Social para que, a partir de 2.017, todos os brasileiros sejam regidos por lei unificada, incluindo a isonomia entre os sexos.

LEI DE REPATRIAÇÃO DE RECURSOS NO EXTERIOR

A presidente Dilma Rousseff sancionou em 13/01/2.016 lei que prevê a repatriação de dinheiro mantido por brasileiros no exterior e não declarado à Receita Federal. A proposta é uma das prioridades do Executivo para tentar equilibrar as finanças públicas. A Lei foi publicada no Diário Oficial da União em 15/01/2.016.
O texto foi publicado com vetos a 12 dispositivos. Um desses vetos exclui do regresso ao Brasil o retorno de bens como joias e obras de arte. Também foi excluído o trecho que permitia o regresso ao Brasil de recursos no exterior que estão em nome de laranjas.
Quem quiser regularizar os recursos não declarados no exterior pagará 15% de imposto e 15% de multa, com base na base da cotação do dólar de 13/12/2.014 (R$ 2,66).

O TETO QUE O BRASIL PRECISA

Os principais temas para o estabelecimento do teto dos gastos públicos podem ser os abaixo-relacionados: são proposta do governo Dilma Rousseff, apresentados pelo seu Ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, em 19/02/2.016, em cerimônia no Palácio do Planalto.
1.    Um limite nos gastos públicos exige a concentração da discussão orçamentária na composição dos gastos;
2.    Evitar pressão recorrente por aumento da carga tributária;
3.    Diminuir a rigidez do gasto para possibilitar ações de estabilização quando necessário;
4.    Experiência internacional mostra que regras de gasto contribuem para o melhor desempenho fiscal;
5.    Para controlar o gasto obrigatório, é necessário reformar a Previdência Social, controlar gasto público com pessoal e adotar um limite global para com o gasto primário da União.
Sobre a Previdência Social, alguns pontos que precisam ser reformados para a própria sobrevivência do sistema atual.
1.    Diferença de regras entre homens e mulheres;
2.    Demografia e idade média das aposentadorias;
3.    Regimes próprios de previdência;
4.    Convergência dos sistemas previdenciários.
Sobre o limite de gastos do governo, outros ítens precisam ser adotados.
1.    A Lei de Diretrizes Orçamentárias fixará o valor nominal do limite de gasto a cada ano;
2.     A elaboração e execução da Lei Orçamentária Anual deverá observar o limite de gasto;
3.    Se houver previsão que o limite de gasto pode ser descumprido, serão acionadas imediatamente medidas de redução da despesa do ano seguinte.
Os gastos com os servidores públicos também serão controlados, de acordo com uma pauta estabelecida que prevê a suspenção de algumas “conquistas”.
1.    Redução de despesa de benefícios aos servidores;
2.    Redução de despesa com servidores não estáveis;
3.    Suspensão do aumento real do salário mínimo.

Leis sancionadas e projetos alvitrados durante o período de governo da presidente Dilma Rousseff que merecem nosso apoio integral. Urge que sejam respeitados e que outros continuem o aperfeiçoamento de nossas instituições, só assim poderemos vislumbrar um futuro menos espinhoso. O que não pode ocorrer, sob nenhuma hipótese, que haja contestação após o episódio do impeachment, seria um retrocesso lamentável.


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

domingo, 6 de novembro de 2016

PEC 241




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br 05/11/2.016

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PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

PEC 241

Bastaria cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e a PEC 241 do teto para os órgãos públicos não seria necessária, porém acabou acontecendo uma desordem nas contas púbicas de dimensões oceânicas levando o país a ingressar num quadrante de total perversidade econômica, lançando-o numa espiral inflacionária, numa economia em recessão. O resultado foi que não se conseguiu gerar mais riquezas e o desemprego atingiu níveis insuportáveis. Se houvesse uma gestão eficaz tudo isso seria evitado e desnecessária a PEC 241 que limita os gastos públicos à inflação do ano anterior, sem crescimento real. Isso vale para todos os poderes da república.
A PEC 241, conhecida como Teto dos Gastos Públicos é o primeiro passo para superar a crise econômica e financeira do país. O texto limita por 20 anos os gastos federais ao orçamento do ano anterior, corrigido pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor).
A regra vale tanto para os gastos do Executivo como para as despesas do Senado, Câmara, Tribunal de Contas da União, Ministério Público da União (MPU), Conselho do MPU, Defensoria Pública, Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, Conselho Nacional de Justiça e justiças do Trabalho Federal, Militar, Eleitoral e do Distrito Federal e Territórios.
O Diretor da Consultoria do Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara, Ricardo Volpe, afirmou que “Hoje estamos com o maior histórico de despesa pública, atingindo 20% do PIB”. A gente quer que continue crescendo ou estabilize e diminua?
Se não frearmos, a União terá de recorrer ao aumento de juros para conseguir rolar a dívida que já ultrapassa os R$ 4 trilhões e isso representa mais que R$ 500 bilhões/ano, sem amortização do principal. A PEC permitirá um aporte gradual para reduzir o peso do Estado e evitará uma inflação desenfreada que, sabidamente, atingirá primordialmente as classes menos favorecidas. Como o governo gasta muito e gasta mal, cumpre procurar uma maior eficiência. Economias fortes como Canadá, Holanda e Noruega assim procedem.
A Constituição de 1.988 criou a ilusão que o Estado tem condições para dar tudo à sociedade, o que é uma falácia. Temos que priorizar. Se educação e saúde são primordiais, temos que gastar menos em outras áreas para compensar o aporte nelas. Cabe aos governantes apontar as áreas a terem suas verbas diminuídas.
Ricardo Volpe afirmou que Judiciário e Legislativo tem “gordura para queimar” e estão em situação confortável. O Executivo, sem a Reforma da Previdência terá extrema dificuldade para pagar aposentados e servidores dentro de poucos anos. Nem se descarta a medida extrema de redução como ocorreu em países como a Grécia.
Os gastos desenfreados levaram à situação de uma família perdulária que chegou ao ponto de ter de restringir gastos ditos “supérfluos” para manter os essenciais.
Turismo, bebidas caras, roupas de grife, happy-hour, carros de luxo e outros deram prioridade à alimentação, moradia, saúde, educação e outros itens essenciais. Mutatis mutandis o Estado precisa priorizar seus gastos.
Dói? Dói! Mas é essencial para a sobrevivência.
À alegação de que Temer não teria coonestação para executar reformas a se estenderem por 20 anos e impactarem governos futuros, cito o economista Darcy Francisco Carvalho dos Santos: “Não interessa quem está propondo as reformas, o que interessa é se elas são necessárias”.
Quando Margareth Thatcher aplicou seu plano econômico na Inglaterra, 364 economistas lançaram um manifesto repudiando-o. A Inglaterra de hoje comprova que Thatcher estava certa ontem.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

MEA CULPA




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 02/11/2.016

http://www.blogcdjayme.blogspot.com.br

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

MEA CULPA

Em 10/11/2.015 escrevi, contestando o Secretário Estadual da Saúde, João Gabbardo dos Reis, que não recomendava o exame preventivo da próstata e PSA como rotina:
“Lembremos que a possibilidade de cura do câncer da próstata depende, fundamentalmente, do tratamento precoce e a sintomatologia geralmente só aparece em estágio avançado, quando as chances de êxito diminuem de maneira assustadora”.
Hoje (02/11/2.016), Zero Hora publica um “mea culpa” do secretário:
“Faz um ano que nos posicionamos contrários a uma política do Novembro Azul que quase obrigas os homens a fazer um rastreamento para prevenção do câncer de próstata. Felizmente isso foi entendido melhor pelos profissionais da área. Vamos afirmar que o rastreamento à toda a população é contraindicado e não é uma estratégia a ser implementada na saúde pública. – Agora o mais significativo: - Durante a reunião, foi assinalado em nota conjunta, elaborada pela secretaria e pelas três entidades sobre o rastreamento do câncer de próstata, que incluirá os casos em que os exames de sangue (PSA) e que o toque retal são recomendados. A nova orientação é de que os  homens a partir dos 50 anos que não tenham nenhum sintoma da doença discutam com seus médicos a necessidade de fazer os exames. Homens negros e quem tem histórico familiar da doença devem procurar o médico depois dos 45 anos, pois a incidência do câncer de próstata nesses grupos é maior.
FICA EVIDENTE QUE O SECRETÁRIO RECONHECE A NECESSIDADE DE EXAMES, SEMPRE QUE O MÉDICO OS RECOMENDE.
A pergunta que não quer calar:
“Sendo o câncer de próstata uma doença de consequência fatal, incapacitante, extremamente dolorida, causa metástases infiltrativas generalizadas (se espalha por todo o organismo) e quando instalada e disseminada de escassas possibilidades de remissão, será razoável optar por não realizar exames que nortearão seu médico para um tratamento exitoso?
Em tempo, realizo anualmente a precaução preventiva, evidentemente com a orientação do meu médico. Aliás, os laboratórios EXIGEM a requisição para efetuar os exames.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

OSONHO DE ÍCARO 5 - A ÚLTIMA FRONTEIRA , O ESPAÇO




Coluna publicadda em "www.litoralmania.co.br"" - 26/10/2.016
O SONHO DE ÍCARO 5 - O ESPAÇO, A ÚLTIMA FRONTEIRA, O ESPAÇO

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

O SONHO DE ÍCARO 5 – A ÚLTIMA FRONTEIRA, O ESPAÇO
Falar em viagens espaciais é uma utopia? Recordemos que, em 1.906, Santos Dumont realizou o primeiro voo sem auxílio de catapulta com seu 14-bis e, em 1.957, o Sputnik entrou em órbita. O que nos reservam os próximos 100 anos?
O que se projeta é de uma magnificência tal que, mesmo atualmente se considere um sonho utópico, podemos vislumbrar a última fronteira: o espaço sideral.
Projetistas trabalham afanosamente em aviões ainda mais seguros e menos poluentes. O motor a jato é conceitualmente muito simples. Ele opera seguindo a lei de Newton, ação e reação. O ar entra, passa por um compressor até atingir o núcleo do motor onde o combustível é queimado e produz exaustão de gases por trás, propelindo a turbina e acelerando o avião. Projetistas tiveram a ideia de  incluir uma ventoinha à frente do moto para fazer que parte do ar contornasse o motor  e vazasse pelos lados. Aumenta a potência e diminui o consumo em 15%, além de ser mais silencioso. A General Electric e Rolls-Royce propõem alterar a parte frontal do motor e usar materiais compostos e cerâmica. Mais 15% de potência.
Para 2.050 a Airbus prevê parte da fuselagem transparente permitindo aos passageiros uma sensação de voo diferente de tudo que temos hoje. Isso será possível lançando mão do grafeno, material feito de carbono que é centenas de vezes mais resistente que o aço.
A VOLTA DOS SUPERSÔNICOS         
Em 21 de janeiro de 1.976 decolou o primeiro avião supersônico de passageiros, o Concorde. Ele fazia o trecho Londres-Nova York em três horas, a metade dum jato convencional. Atingia 2.179 km/h numa altitude de 16 a 17 mil metros. O Concorde, apesar do glamour do voo supersônico acabou virando peça de museu devido a problemas técnicos e de rentabilidade.
Mais de 10 anos após, várias empresas apostam em poder encontrar a fórmula bem-sucedida para um avião supersônico.
O N+2 da Loockheed Martin foi desenhado para 80 passageiros. Dotado de três motores  turbojatos e desenvolve velocidade 70% maior que o som (834,13 km/h a 10ºC), com um boom sônico cem vezes menor que o Concorde.
A Boom Technoligy dos EUA aposta num design ousado, que poderia atingir 2,2 vezes a velocidade do som (2.612 km/h a 10ºC) com 40 passageiro; O projeto ainda esta na fase inicial de planejamento.


O ESPAÇO, FRONTEIRA FINAL
A aviação foi possivelmente a maior conquista tecnológica da aviação, um passo para aproximar as pessoas no planeta como Phileas  Fogg, personagem da “A volta ao mundo em 80 dias”, romance de Júlio Verne. Baseado em fatos reais, jamais poderia imaginar. Hoje, em poucas horas se pode atingir qualquer ponto da Terra.
A história da aviação prova que o impossível hoje é a realidade de amanhã. Ainda é cedo para falar em viagens interplanetárias. É só uma questão de tempo. A partir de 2.017 e 2.018, quando devem voar as cápsulas Dragon 2, da Space X, e CST-100 Spaceliner, da Boeing ir ao espaço em viagens suborbitais será como comprar uma passagem intercontinental, custará US$ 250 mil.
OI Spaceport América, localizado no Novo México (EUA), deve ser a principal base de operações da Virgin Galac tic, empresa que promete realizar voos espaciais de turismo nos próximos anos.
Em 2.004 a administração dos Estados Unidos anunciou que nova “Vision for Space Exploration” apresentou a missão tripulada a Marte como uma de suas maiores apostas. Em 2.010. uma nova proposta de lei foi assinada permitindo uma missão tripulada por volta de 2.030.
DEPOIS, O COSMO É O LIMITE.

Os dados para esta coluna foram recolhidos na revista “Superinteressante”, edição 363-A e  no Google.    











quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O SONHO DE ÍCARO 4 - A AVIAÇÃO DOSÉCULO XXI




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br"

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PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

O SONHO DE ÍCARO 4 – A AVIAÇÃO NO SÉCULO XXI

A aviação civil se tornou um dos ramos mais volumosos e rentáveis do mundo, representa bilhões de dólares e passageiros por ano. A American Airlines é a maior companhia em atividade, com quase 1.500 aviões, transporta 500 mil passageiros diariamente, com  faturamento de US$ 40 bilhões.
O processo de fusões tornou-se universal e assim se formaram as que dominam o céu na atualidade.
Apostando em luxo e alta tecnologia companhias do Oriente Médio batalham com sucesso para ganhar espaço. As três mais importantes, Emirates, Qatar Airwais e Etihal Airlines Airwais dão preferência a gigantes como o Airbus A380, o maior avião do mundo, que pode decolar com 575 toneladas de peso e com um índice 50% menor de ruído, também é o mais silencioso internamente. Equipado com 4 motores, dois GP7200 e dois Rolls-Royce, tem sobra de potência podendo operar com apenas dois dos quatro motores. Começou a operar em 2.005 e custa US$ 432 milhões a unidade. A capacidade máxima é de 853 passageiros. O Boeing 787 Dreamliner, que entrou em linha em 2.009, reduziu drasticamente o peso ao introduzir a fibra de carbono na fuselagem. É um bimotor que pode operar tanto com motores Rolls-Royce Trent 1000 como com General Eletric GEnx. Seu preço varia entre US$ 224,6 milhões, o 787-8 e US$ 306,1 milhões, o 787-10. 










Para quem pode arcar com preços diferenciados a classe executiva evoluiu tanto que extinguiu a primeira classe em muitas companhias. Refeições de chefs premiados, vinhos selecionados e poltronas que viram camas (full flat bed).
Em aeronaves de grande porte são disponibilizados espaços coletivos com sofás para os que não conseguem dormir a bordo ou preferem se socializar.

A Embraer se imiscuiu no mercado de aviões de pequeno porte, com capacidade de 70 a 124 passageiros. Lançou em 1.999, no Paris Show, sua família E-jet com quatro modelos: E170, E175, E190 e E195, o mais notório membro do grupo a um preço de US$ 45 milhões. A venda desses aviões bimotores, ideais para viagens de curto e médio alcance se deram inicialmente para companhias estrangeiras e já alcançaram 1.421 unidades. Equipados com motores CF34-19 da General Eletric, de manutenção econômica.
À primeira vista o bimotor turboélice ATR 72 parece uma involução para o passado. Fabricado pela franco-italiana Avion de Transport  Régional, equipado com motores Pratt&Whitney PW127M, tem uma série de características que o recomendam para aviação regional, tanto de carga como para até 78 passageiros. Consegue decolar em pistas mais curtas, com mais carga que os de porte similar equipados com turbinas.


A aviação, na maior parte de sua curta história, teve seu uso restringido às classes abonadas. A partir de 1.970, nos Estados Unidos, companhias perceberam um filão a ser explorado: tarifas baixas. Depois de comprovarem ser lucrativas passou a ser explorado no resto do mundo. O segredo consiste em serviços simples, voos sem refeições, com direito de despachar apenas uma mala e voos sem escalas. Filas duplas de três poltronas, com espaço mínimo entre elas. A possibilidade do parcelamento das passagens proporcionou um crescimento notável. As passagens baratas ganharam o mercado brasileiro nos últimos anos.




Os dados para esta coluna foram recolhidos na revista “Superinteressante”  edição 363-A e  no Google.    


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O SONHO DE ÍCARO 3




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" 12/10/2.016

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PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

O SONHO DE ÍCARO 3 – AVIAÇÃO COMERCIAL

Podemos considerar que o voo solo de Charles Lindberg em maio de 1.927, foi o nascedouro da aviação civil. Ao atravessar o Atlântico sem escalas deixou patente que o avião tinha potencial para se tornar rentável para uso civil, da noite para o dia passou a atrair milhões de dólares em investimentos.
A companhia aérea mais antiga, que até hoje atua, é a KLM holandesa.
O impulso inicial, contudo, veio do governo dos Estados Unidos que em l.917 alocou     US$ 1,9 milhão para desenvolver uma linha postal experimental.
Henry Ford, em 1.927, lançou seu próprio avião, o Ford trimotor feito de duralumínio. Tinha 12 assentos e uma cabine suficientemente alta para se andar no corredor.
 Os primitivos voos causavam enjoos por não serem as aeronaves pressurizadas, a primeira que usou essa técnica foi a Boeing, em 1.940.
Os anos 1.930 são tidos como os de maiores avanços na história da aviação. A refrigeração a ar dos motores (até então se usava água) reduziu o peso abrindo caminho para os grandes e velozes aviões com instrumentos sofisticados e comunicação por radiofrequência.
Foi nessa década que a Boeing lançou o que é considerado o primeiro avião moderno, o Boeing 247 com capacidade para 10 passageiros. Três anos depois a Douglas Aircraft Corporation lançou o DC-3, bem mais lucrativo, com capacidade para 21 passageiros e motores mais potentes. Por permitir decolagens em pistas menores e ser uma aeronave extremamente segura, foi amplamente comercializada em todo o mundo.
O De Haviland Comet, ou simplesmente Comet de origem inglesa foi o primeiro avião comercial propulsionado por motores a jato fabricado no mundo. Inesperadamente, em 1.954 um Comet se desintegrou em pleno ar, matando seus 35 ocupantes. Os voos foram suspensos por algum tempo. Ao reiniciarem, uma segunda aeronave teve o mesmo destino. Cabe aqui uma explicação: até então os aviões voavam a baixas altitudes e onde a pressão atmosférica era semelhante à da superfície da terra e não se exigia pressurização. Como os jatos necessitam voar a grandes altitudes, a pressurização interna era imperativa, as consequências da diferença entre o exterior e interior não tinham sido previstas no projeto dos Comet e os aviões se transformaram em verdadeiras bombas voadoras. Bastava surgir uma rachadura para que se desintegrassem em pleno voo. Descobriram também que as janelas retangulares causavam pontos frágeis. A partir de então os aviões passaram a ter janelas redondas com propósito de aliviar a tensão e, consequentemente, diminuír o risco de fadiga metálica.
O Comet serviu de lição para que os projetistas planejassem aviões a jato mais confiáveis.
O que iniciara como um sonho desvairado na cabeça de Charles Lindberg se tornou um negócio capaz de movimentar US$ 700 bilhões por ano, transportando 3,5 bilhões de passageiros em 2.015, prevendo-se 3.7 bilhões em 2.016. A aviação civil gera 32 milhões de empregos.
Na próxima coluna abordaremos a aviação comercial moderna.
Dados para esta coluna foram pesquisados na revista Superinteressante, edição 363-A e no Google.






Ford trimoto                                                          


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

DESSALINIZAÇÃO DA ÁGUA - O FUTURO




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 05/0/2.016

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PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

DESSALINIZAÇÃO DA ÁGUA – O FUTURO

Um problema que aflige a humanidade e causa preocupações quanto à qualidade de vida no futuro: o abastecimento de agua potável, não só para o consumo, mas, pensando na agricultura e outros usos, está sendo solucionado com o aperfeiçoamento de técnicas de dessalinização da água do mar. Israel já a utiliza com sucesso e exporta para o mundo.
Até recentemente ameaçado pela seca, Israel enfrenta agora a perspectiva de ter incrível excesso de água, graças à sua inovação tecnológica.
Isso também pode representar uma esperança para a crise da água que afeta os seus vizinhos.
VISTA AÉREA DA NOVA USINA DE DESSALINIZAÇÃO EM SOREK, SUL DE TEL- AVIV




A cerca de 15 quilômetros ao sul de Tel- Aviv estou de pé em uma passagem entre dois tanques de concreto do tamanho de campos de futebol, assisto a água entrando a partir de um tubo enorme emergindo da areia. É tão grande que eu poderia andar nele. É preenchido com água do Mar Mediterrâneo bombeada de uma saída localizada a um quilômetro e meio da costa.
"Isso é o que é uma bomba!" Grita Edo Bar-Zeev acima do barulho dos motores, sorrindo com nosso espanto indisfarçável. Os depósitos contém areia com vários metros de altura através do qual a água do mar é filtrada, antes de atingir um enorme hangar de metal onde é convertida em água potável, suficiente para um milhão e meio de pessoas.
Estamos na nova usina de dessalinização Sorek, a maior instalação de osmose reversa no mundo e vendo a salvação de Israel. Alguns anos atrás, no auge de sua pior seca em pelo menos nove séculos, Israel estava ficando sem água. Agora têm excedentes. Esta reviravolta foi conseguida através de campanhas nacionais para conservar e reutilizar recursos hídricos escassos no país, mas o maior impacto veio de uma nova série de usinas de dessalinização.
Bar-Zeev, que recentemente se juntou ao Instituto Zuckerberg (criado por alguns dos empreendedores mais inspirados da nossa geração, como Steve Jobs, Bill Gates e Mark Zuckerberg) investiga os problemas da escassez de água. Depois de terminar seu doutorado na Universidade de Yale tornou-se um especialista em "biofouling", estuda o calcanhar de Aquiles da dessalinização, uma das razões para aqueles que sempre a tinham considerado como última alternativa. A dessalinização opera passando a água salgada por membranas contendo poros microscópicos, enquanto a água passa através as moléculas de sal, maiores, ficam retidas, mas micro-organismos marinhos se colonizam rapidamente e bloqueiam os poros. O controle requer limpeza periódica e utilização de produtos químicos intensivos, o que é caro.
Mas Bar-Zeev e seus colegas desenvolveram um sistema livre de produtos químicos usando rocha de lava porosa, que capta os micro-organismos antes que eles atinjam as membranas. Este é apenas um dos muitos avanços na tecnologia de membrana que fizeram a dessalinização muito mais eficiente. Israel agora utiliza esta água para 55% de seu uso doméstico e tem ajudado a transformar um dos países mais secos do mundo no mais improvável dos gigantes de água.
Motivados pela necessidade Israel está aprendendo a "espremer" mais cada gota de água que qualquer outro país e muito da aprendizagem  ocorre no Instituto Zuckerberg, onde os pesquisadores são pioneiros em novas técnicas de irrigação por gotejamento. Eles têm  desenvolvido poços  para aldeias africanas e digestores biológicos que podem reduzir pela metade o consumo de água na maioria dos lares.
A missão original do instituto era melhorar a vida no deserto Negev e as lições aprendidas são cada vez mais aplicáveis a todo o Crescente Fértil. "O Oriente Médio está secando", diz Osnat Gillor, professor do Instituto de Zuckerberg, que estuda o uso de águas residuais para o cultivo. "O único país que não está sofrendo um estresse hídrico agudo é Israel." O estresse de água tem sido um fator importante para exacerbar o tumulto que está conturbando o Oriente Médio. As soluções israelenses podem ajudar seus vizinhos e agregar os antigos inimigos numa causa comum.
Bar-Zeev reconhece que a água provavelmente será uma fonte de conflito no Oriente Médio no futuro. "Mas eu acredito que pode ser uma ponte de união através de projetos conjuntos de dessalinização."
Tal como nas outras instalações de osmose inversa, um processo de pré-filtragem remove os resíduos sólidos antes que a água entre em uma série de filtros menores, que removem a maior parte do sal. Depois de passar através de outros filtros que removem o boro, a água passa através de pedra calcária que adiciona minerais. É, então, está apta para se juntar ao aqueduto.
Em 2.008, Israel estava à beira de uma catástrofe. A seca em uma década havia devastado o Crescente Fértil e a principal fonte de água doce no país, o Mar da Galileia (Lago Kinneret), havia caído a alguns centímetros da "linha negra", em que a infiltração de sais inunda e destrói as colheitas, muitos agricultores perderam suas safras anuais.
Na Síria foi muito pior. Como a seca intensificou e o lençol freático caiu, os agricultores sírios perfuraram poços de 100, 200 e até 500 metros. Eventualmente os poços secaram e mais de um milhão de agricultores juntaram-se aos marginais dos subúrbios de Aleppo, Homs, Damasco e outras cidades, numa tentativa para encontrar trabalho. "O rápido crescimento da periferia urbana da Síria, caracterizado por assentamentos ilegais, superlotação, falta de infraestrutura, desemprego e crime, negligenciada pelo governo de Assad, tornou-se o núcleo de um desconforto crescente".
Histórias semelhantes ocorrem em todo o Oriente Médio onde a seca e o colapso da agricultura criaram uma geração perdida, que não tem perspectivas futuras e ferve de ressentimento. Irã, Iraque e Jordânia enfrentam a falta de água que estimula toda a região para ações desesperadas.

A irrigação por gotejamento, desenvolvida há várias décadas em Israel, é amplamente utilizada na agricultura. Ela pode ser muito simples, como nesta foto, ou altamente sofisticada, informatizada, em estufas.

INSTALAÇÃO DE DESSALINIZAÇÃO DE HADERA CIDADE LOCALIZADA ENTRE TEL- AVIV E HAIFA
. Surpreendentemente, Israel agora tem mais água do que precisa. A mudança começou em 2.007 quando foram instalados em todo o país chuveiros e banheiros de baixo consumo. As autoridades construíram sistemas inovadores de tratamento que capturam 86% do esgoto para uso na irrigação.
Israel requer 1,9 bilhão de m3 de água potável por ano e tem apenas 1,4 bilhão de fontes naturais disponíveis. Este déficit de 500 milhões de m3 foi o motivo para que o Mar da Galileia estivesse com seu nível baixando e o país prestes a perder suas fazendas.
Então veio a nova era de dessalinização. A planta Ashkelon começou a produzir 127 milhões de m3 em 2005; Hadera , 140 milhões de m3 em 2009 e agora Sorek adiciona 150 milhões de m3. Ao todo, usinas de dessalinização de Israel podem fornecer cerca de 600 milhões de m3 por ano, e mais estão a caminho.
O Mar da Galileia agora tem mais água, fazendas israelenses prosperam e o país enfrenta uma situação inesperada: o que fazer com o excesso de água? "Se não tivéssemos construído os filtros de dessalinização de Sorek, estaríamos sentados em nossas casas reclamando que não temos água", diz Rafael Semiat, membro do Israel Dessalinização Society e professor da Technion. Agora não somos mais dependentes da chuva para uso doméstico, isso vai dar oportunidade para os aquíferos se recuperarem, o que ajudou a tornar um dos países mais secos do mundo no mais improvável dos gigantes de água.
DIPLOMACIA DA ÁGUA
Em Sorek 50.000 membranas estão contidas em cilindros verticais brancos, cada um com mais de um metro de altura e 40 centímetros de diâmetro, emitindo um zumbido como motores a jato. O dispositivo inteiro parece uma nave espacial latejante, prestes a decolar. Os cilindros contêm folhas de plástico, membranas enroladas em torno de um tubo central. As membranas são perfuradas com poros de menos do que um centésimo de milímetro, a água entra nos cilindros com uma pressão de 70 atmosferas e passa através das membranas, enquanto a solução salina recua.
Dessalinização costumava ser um consumidor de energia caro, mas as tecnologias avançadas utilizadas em Sorek mudaram as regras. A água produzida pelos custos de dessalinização é apenas um terço do que na década de 1.990, Sorek pode produzir mil litros de água potável para 58 centavos.
Os consumidores israelenses pagam US$ 30 por mês para a água, similar à da maioria das cidades americanas, muito menos do que em Las Vegas (US$ 47) ou Los Angeles (US$ 58).
A Associação Internacional de Dessalinização diz que 300 milhões de pessoas em todo o mundo recebem água por dessalinização e esse número está aumentando rapidamente. IDE Technologies, a empresa israelita que construiu as instalações de Ashkelon, Hadera e Sorek, completou recentemente uma em Carslbad, sul da Califórnia, muito semelhante à dos seus homólogos israelenses e tem muitas outras projetadas. Globalmente Sorek abre seis estações de dessalinização por ano. A era da dessalinização chegou.
O que mais excita Bar-Zeev é a oportunidade de fazer a "diplomacia da água". Israel fornece água para a Margem Ocidental, estabelecida com os acordos de Oslo II, em 1.995, mas os palestinos ainda recebem muito menos do que  precisam.
A água tem sido envolvida em processos de paz enquanto outras negociações estão paralisadas, mas agora, como a quantidade disponível cresce, muitos observadores veem uma oportunidade de despolitizar. Bar-Zeev tem planos ambiciosos para uma conferência chamada "água não tem fronteiras" a ser realizada em 2.018 e reunir especialistas do Egito, Turquia, Jordânia, Israel, a Cisjordânia e Gaza.
AS CINCO USINAS DE DESSALINIZAÇÃO DE ISRAEL (FONTE: BRIDGESFORPEACE.COM)
Ainda mais ambicioso é o projeto de US$ 900 milhões a partir de um canal entre o Mar Vermelho e o Mar Morto, um projeto conjunto entre Israel e Jordânia para construir uma usina de dessalinização no Mar Vermelho, onde eles compartilham uma fronteira e distribuir a água entre israelenses, jordanianos e palestinos.
A salmoura produzida na fábrica será bombeada para 150 quilômetros ao norte através da Jordânia. Para repor a água perdida do Mar Morto, cujo nível está caindo um metro a cada ano desde a década de 1.960, quando os dois países começaram a desviar o único rio que o alimenta. Em 2.020, esses antigos inimigos estarão bebendo a mesma torneira.









Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado