segunda-feira, 16 de maio de 2016

A SUPERMÁQUINA



A SUPERMÁQUINA – 14/05/2.016


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

A SUPERMÁQUINA
Suponhamos nos defrontarmos com uma supermáquina capaz de feitos incríveis, beirando o mirabolante, o inconcebível. Se fosse um computador, os que conhecemos seriam tão primitivos quanto o ábaco – aquela máquina de calcular composta por contas (dez) enfileiradas em fieiras (dez), permitindo efetuar operações aritméticas – comparando-a com um notebook.
Esta máquina existe, não é ficção. É você, sou eu, somos todos nós. Desdobremos as potencialidades:
Locomove-se autonomamente; executa tarefas que conhece; aprende outras necessárias, convenientes ou prazerosas; comunica-se com as demais; inventa para progredir; armazena a energia necessária, se recarrega facilmente e o faz espontaneamente; decide entre várias opções pela mais conveniente; trabalha isolada, em conjunto ou com emprego de ferramentas que produziu; etc.
É muito? É só o início.
Quando lesionada tem a capacidade de se autorregenerar.
Quando atacada por agentes patológicos seu sistema imunológico providencia defesas contra o agressor e ao fazê-lo aprende a identificá-los, para numa próxima ocasião reagir com rapidez e eficiência. Chamamos de mitridatismo. Seu processador (o cérebro) descobre maneiras de fabricar medicamentos que auxiliam na cura e cirurgias que substituem, reparam ou descartam; vacinas que previnem doenças e soros que curam. Resumindo, desenvolveu a ciência médica.
Louis Pasteur descobriu a vacina; Joseph Lister a antissepsia para prevenir as infecções pós-cirúrgicas; Ignez Semmelweis dedicou a vida para difundir a ideia de higienizar as mãos a fim de evitar a infecção cruzada em parturientes, a temida e fatal febre puerperal – se hoje as maternidades são uma segurança, naquela época eram a antecâmara da morte; Christian Barnard nos levou aos transplantes do coração. Estes e tantos outros compõem uma plêiade que nos abriu os olhos aos mistérios da vida, sua gênese, conservação e cura.
Tudo isso se referia ao produto final, o ser vivo.
Mendel, Lamark e Darwin incursionaram na genética, a vida antes de ser vida. James D. Watson decifrou o genoma e deu o impulso definitivo ao decodificar o DNA.
O clímax da supermáquina: se reproduz, e com prazer.
A ciência é dinâmica. Até então os estudos se circunscreviam ao ser vivo pós-parto. Agora, a equipe de pesquisa Mercedes Gomez de Aguero, da Universidade de Berna (Suíça), descobriu e publicou na revista científica americana Science:
MICRÓBIOS DA MÃE AJUDAM IMUNIDADE DO BEBÊ NO ÚTERO
“Mães e pais tentam proteger seus filhos de micróbios assim que eles nascem, mas uma nova pesquisa mostra que o cuidado maternal contra os micro-organismos é ainda mais precoce: surge antes do parto, embora seja inconsciente. Os micróbios do corpo da gestante ajudam a moldar o sistema de defesa da futura criança ainda no útero. O estudo foi feito em camundongos.
Mamíferos costumam ter no organismo, especialmente no intestino, comunidades de micróbios variados, chamados microbiótica. São micróbios em geral benéficos que ajudam prevenir infecções.
Bebês logo adquirem sua própria microbiótica. Mas só com esse novo estudo se notou que a microbiota materna já tinha começado a moldar o sistema de defesa do filho bem antes do nascimento.
O principal experimento do estudo envolveu infectar temporariamente fêmeas prenhes de camundongo com uma bactéria modificada geneticamente, uma linhagem da comum “Escherichia coli”, que não permaneceria todo o tempo no intestino.

Demonstrou-se que o sistema de defesa dos filhotes foi afetado pela bactéria, mesmo sem ter tido contato direto com ela. Os autores concluíram que não foram os micróbios, mas sim os anticorpos das mães que os atacaram, e restos das moléculas desses anticorpos ativam o sistema de defesa do feto”.


segunda-feira, 9 de maio de 2016

ACESSO A PESQUISA EM DEBATE



Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 09/05/2.016
http://www.litoralmania.com.br/acesso-a-pesquisa-em-debate-por-jayme-jose-de-oliveira/



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

ACESSO A PESQUISAS EM DEBATE
Sofisma: “Argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da realidade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa” (dicionário Houaiss).
Se considerarmos que a tradição, costumes e propriedade privada podem ser reconhecidos como bens individuais ou comunitários e devem ser respeitados, protegidos, temos que avalizar criteriosamente até que ponto os direitos individuais ou de grupos podem prevalecer sobre os direitos da população como um todo.
A natureza fornece matéria-prima para a manipulação de medicamentos que permitem a cura de inúmeras patologias. A penicilina, descoberta por Alexander Fleming deriva dum fungo do gênero Penicillium e o curare – citado mais adiante – de plantas do gênero Chondrodendron e Strycnhos, usadas por indígenas como veneno para potencializar flechas.
Será razoável impedir que produtos naturais sejam vedados ao uso por decisão de grupos minoritários? EIS A QUESTÃO, EIS O SOFISMA.

A Lei da Biodiversidade, sancionada em 20/05/2.015 com o nº 13.123, prevê que comunidades tradicionais, povos indígenas e agricultores familiares possam negar o acesso de pesquisadores e representantes de indústrias ao conhecimento e a elementos da biodiversidade brasileira. De acordo com o Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, o consentimento prévio informado será o instrumento usado para condicionar os acessos e no documento constarão todas as regras a serem seguidas pelos setores acadêmicos e produtivos. “A LEI RECONHECE QUE QUEM VAI DIZER COMO DETERMINADO CONHECIMENTO VAI SER USADO NÃO É O GOVERNO, NÃO É A UNIVERSIDADE, NÃO É A EMPRESA. A LEI DIZ QUE QUEM VAI DIZER COMO, SEGUNDO USOS, COSTUMES E TRADIÇÕES O CONHECIMENTO PODE OU NÃO SER USADO É O POVO QUE DETÉM AQUELE CONHECIMENTO. É O POVO QUE DÁ O CONSENTIMENTO”. As comunidades tradicionais e povos indígenas precisam ter autonomia e soberania sobre esse conhecimento. “Se ela (a comunidade) não quer abrir, que não sofra nenhum tipo de represália ou pressão, que sejam soberanos nessa decisão. QUE NÃO SEJA O GOVERNO QUE DIGA O QUE A GENTE ABRE OU NÃO, QUE A LEI NÃO DÊ ESSE PRIVILÉGIO ÀS EMPRESAS.”
O índio Alberto Terena, da aldeia Buriti, Mato Grosso do Sul, explica que será um processo muito complexo para seu povo dividir seus conhecimentos de forma comercial, MAS ESPERA QUE POSSAM ASSEGURAR O DIREITO DE NEGAR ESSE ACESSO. “Há algumas coisas para nós que não se mede em valor. Qualquer medicamento não envolve só o remédio em si mas toda uma espiritualidade de um povo, uma crença.
COMENTÁRIO DO COLUNISTA:
Evitando adentrar nos campos religioso e político pretendo destacar que inúmeros medicamentos, só para citar esse ramo de produtos, foram, são e serão originados de produtos naturais que tiveram potencializadas suas propriedades e eliminadas as toxicidades. Não é necessário ressaltar que apenas com equipamentos sofisticados, muito empenho, dispêndio de vultosas verbas e, principalmente, cientistas altamente especializados, tornou-se possível a descoberta, experimentação, produção e comercialização desses medicamentos.
É incontável o número de vidas que foram, são e serão salvas ou têm seus sofrimentos mitigados e mesmo completamente descartados. Não podemos supor que os integrantes dos povos agraciados com o poder de veto tenham o conhecimento e condições indispensáveis para produzir para seu consumo, quanto mais para o restante da humanidade.
Desnecessário dizer que essas drogas virão, logo, logo, beneficiar a todos, inclusive os detentores do poder de veto para as pesquisas de acordo com a lei em questão.
É fácil elaborar leis que obstruam progressos que visam abrir novos horizontes no sentido de melhorar a saúde, o bem-estar e o nível de vida em geral. Qualquer projeto que vise modificar o status quo cristalizado sofre violenta oposição dos arautos da imobilidade. Se dependêssemos desse grupo, minoritário mas atuante, atualmente não disporíamos de vacinas transgênicas (H1N1), medicamentos com tecnologia de ponta como a insulina independente de origem animal (causadora de alergias por intolerância) o futuro da farmacologia seria regulamentado por minorias que não possuem o menor conhecimento do longo, persistente e dispendioso processo de pesquisa indispensável. Possivelmente ainda trataríamos patologias com cataplasmas, chás e exorcismos de pajés. 
CURARE  

O curare, inicialmente, era utilizado apenas com a finalidade de matar, atualmente suas aplicações medicinais são relevantes. Quem poderá afirmar que o Chá de Santo Daime não nos abrirá campos inusitados? ISSO SE AS PESQUISAS FOREM PERMITIDAS PELOS POVOS SILVÍCOLAS.
Curare é um nome comum a vários compostos orgânicos venenosos conhecidos como venenos de flecha. Possuem intensa ação paralisante sendo utilizada medicinalmente como relaxante muscular ou anestésico. É extraído de plantas dos gêneros Chondrodendron e Strychnos da qual um dos subprodutos é a estricnina, que também tem uso medicinal. Utilizado originariamente por indígenas da Amazônia para caçar, molhando as pontas das suas flechas nessa substância para paralisar a sua presa. O curare é capaz de paralisar diversos músculos, entre eles o músculo respiratório causando a morte por asfixia do animal ou da pessoa envenenada em caso de ausência de assistência médica. Na medicina o curare é utilizado no procedimento anestésico pelo fato de ser um bloqueador neuromuscular e levar ao relaxamento dos músculos, para facilitar a intubação no momento de uma intervenção cirúrgica, ou para permitir a manipulação de membros na cirurgia ortopédica como a colocação de próteses. Antes de ser analisado, ter suas potencialidades estudadas, sua produção industrializada e distribuída universalmente, sua única aplicação era a de facilitar a caça. Matar. Na hipótese de já estar vigendo a malfadada lei supracitada alguém acredita que hoje o teríamos à disposição para fins medicinais?
CHÁ DE SANTO DAIME 


"Psycotria viridis" possui em sua composição o alcaloide derivado indólico N, N-dimetiltriptamina (DMT), que atua sobre os receptores da serotonina.
O DMT é um alucinógeno potente, com significativos efeitos comportamentais quando utilizado por via fumada ou injetada. Por via oral, esse alcaloide é inativado, exceto quando utilizado em conjunto com inibidores da MAO (inibidor da monoaminaoxidase). É importante reiterar aqui que no chá existem as duas substâncias: o alucinógeno e os inibidores da MAO.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

TREE OF 40 FRUITS




TREE OF 40 FRUITS- Coluna publicada em 04/05/2.016
http://www.litoralmania.com.br/tree-of-40-fruits-por-jayme-jose-de-oliveira/
PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

TREE OF 40 FRUITS
Permito-me um prefácio. Ante o suceder interminável de fatos que nos induzem a um baixo astral, vem a propósito uma notícia que possa animar. Que tal uma árvore que possa se desenvolver em poucos metros quadrados e proporcione a oportunidade de degustar frutas as mais diversas?
Desde que a humanidade abandonou a vida nômade e, para tanto se dedicou à agricultura, tem aprimorado técnicas no sentido de aumentar a produtividade e qualidade das colheitas. A enxertia se tornou sinônimo de obtenção de linhagens que, além de manter a qualidade, permitem a diversificação. O experimento do professor Sam Van Aken nos assombra e permite sonhos ainda mais audaciosos.
Professor de arte na Universidade de Syracusa, nos Estados Unidos, juntou a arte à conservação e criou a Tree of 40 Fruits, ou Árvore dos 40 Frutos - uma árvore que, quando plantada e enxertada, consegue produzir 40 variedades de frutas diferentes.
O projeto começou em 2008 e, para desenvolver cada árvore são necessários pelo menos cinco anos. Atualmente existem 16 árvores do género nos Estados Unidos.
Com a Tree of 40 Fruits o artista conseguiu que uma só árvore produzisse pêssegos, ameixas, damascos, nectarinas e cerejas.
O que fez foi pegar o bulbo de um ramo de uma das árvores e incorporá-lo num ramo da árvore em teste com a ajuda de fita adesiva. A árvore fica em repouso durante o inverno para que "receba" o bulbo e o processo repete-se num outro ramo, com outra variedade de fruta.
"Vejo a Tree of 40 Fruits como uma obra de arte, um projeto de pesquisa e uma forma de conservação", disse Van Aken numa conferência em 2.014. Para conseguir criar, o professor teve de pesquisar as várias formas de cultivo de cada uma das frutas, saber a sua cronologia para que não entrassem em conflito.
De julho a outubro, a Tree of 40 Fruits dá várias frutas, nunca em demasia. Van Aken mantém um registo de todas as árvores e quais as frutas vão crescer em cada ramo. Uma das experiências recentes é tentar incorporar a amêndoa no processo. 
Em sua encíclica o Papa Francisco dá um aval explícito a experimentos que visem o aprimoramento das espécies que existem no meio ambiente, desde que a finalidade seja  contribuir com a melhoria das condições de vida e sobrevivência humana, animal ou vegetal.
“É justo que nos alegremos com estes progressos e nos entusiasmemos à vista das amplas possibilidades que nos abrem estas novidades incessantes, porque “a ciência e a tecnologia são um produto estupendo da criatividade humana que Deus nos deu”. A transformação da natureza para fins úteis é uma característica do gênero humano desde os seus primórdios e assim a técnica “exprime a tensão do ânimo humano para uma gradual superação de certos condicionamentos materiais”. A tecnologia deu remédio a inúmeros males que afligiam e limitavam o ser humano, não podemos deixar de apreciar e agradecer os progressos alcançados. Como não havemos de reconhecer todos os esforços de tantos cientistas e técnicos que elaboraram alternativas para um desenvolvimento sustentável”?(sic)
Práticas antigas universalmente seguidas podem incluir estas considerações. Mas, na natureza estes processos têm um ritmo lento que não se compara com a velocidade imposta pelos avanços tecnológicos atuais, mesmo quando estes avanços se baseiam num desenvolvimento científico de vários séculos.


Devido à quantidade e variedade de elementos a ter em conta na hora de determinar o impacto ambiental dum empreendimento concreto, torna-se indispensável dar aos pesquisadores um papel preponderante e facilitar a sua interação com uma ampla liberdade acadêmica”. (sic)












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Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A PRIMEIRA VÍTIMA



Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 02/05/2.016
http://www.litoralmania.com.br/a-primeira-vitima-por-jayme-jose-de-oliveira/


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

A PRIMEIRA VÍTIMA
Em coluna anterior citei frei Betto: “Existem três verdades, a sua, a minha e a verdade verdadeira. Nós dois, juntos, devemos procurar a verdade verdadeira”.
Bertrand Russel: “Quando você está estudando um assunto, ou considerando uma filosofia, pergunte a si mesmo, somente. Quais são os fatos? Qual a verdade que os fatos revelam”?
Verdades são eternas e não sofrem a erosão do tempo. Há 25 séculos quando na Grécia florescia a civilização em sua plenitude, Ésquilo (dramaturgo, 525 a.C. – 456 a.C.) afirmou: “Na guerra, a verdade é a primeira vítima”.
SOBRE CONTAS NO EXTERIOR:
Eduardo Cunha, em 12 de março de 2.015, logo após sair de uma reunião na CPI da Petrobras em que se defendeu das suspeitas levantadas:
- “Não tenho nenhum recurso, não sou sócio de nenhuma empresa, tudo o que tenho está no imposto de renda. Se eu não respondi essa pergunta lá ou passou batido eu peço desculpas mas é claro e textual: tudo o que eu tenho está no imposto de renda, declarado na Justiça Eleitoral, não sou sócio numa offshore, não mantenho conta no exterior de nenhuma natureza.

SOBRE A LUTA CONTRA O REGIME MILITAR, A FAVOR DA DEMOCRACIA:
FERNANDO GABEIRA
Era uma luta dos que lutavam pela democracia contra a ditadura como afirmam os ex-guerrilheiros? Acessem o link e acompanhem o depoimento de Fernando Gabeira um deles que, inclusive, foi preso e posteriormente trocado junto com 39 companheiros pelo embaixador alemão Ehrenfried von Holleben.

A ditadura do proletariado – Fernando Gabeira - 1min52seg
Transcrevo parte da entrevista:
- “Os principais ex-guerrilheiros costumam dizer que estavam lutando pela democracia. Eu não tenho condições de dizer isso. Eu estava lutando contra uma ditadura militar, mas se for examinado o programa político que nos movia naquele momento, era voltado para uma ditadura do proletariado. Então você não pode voltar atrás, corrigir o seu passado e dizer: olha, naquele momento eu estava lutando pela democracia. Havia muita gente lutando pela democracia no Brasil, mas não especificamente os grupos armados que tinham como programa esse processo de chegar a uma ditadura do proletariado...
(a entrevista segue por mais um minuto)
SATURNINO BRAGA
Entrevista concedida ao jornalista Geneton Moraes Neto – DOSSIÊ GLOBO NEWS:

O ex-senador e ex-prefeito do Rio de Janeiro Saturnino Braga já atravessou grandes tempestades políticas, não quer parecer alarmista, mas diante da atual crise se confessa profundamente preocupado. Nesta entrevista ele vai dizer porque. Filiado até hoje ao PT, constata uma rejeição aos políticos, mas faz uma defesa apaixonada da política.
 - “A política é a mais nobre ocupação do ser humano”.

Chegou ao senado na esteira da grande vitória que o MDB obteve em 1.974. Saiu do MDB para se aliar a um ex-exilado célebre: Leonel de Moura Brizola. Em 1.985 se elegeu prefeito do Rio de Janeiro. Em1.998 conquistou um 3º mandato como senador pelo PSB. Eleito passou para o PT.
Analisando a situação atual admite que pode haver uma guerra e uma guerra me lembra 52 anos atrás em que as duas partes, convenhamos, NENHUMA DAS PARTES TINHA APREÇO PELA DEMOCRACIA. A esquerda queria, realmente, fazer a revolução brasileira e a direita, os americanos principalmente – porque estava no auge da guerra fria – não poderiam tolerar uma 2ª Cuba no continente.
Houve a intervenção militar e a única figura de bom senso, que tinha percepção da realidade do que aconteceria no Brasil era o presidente João Goulart.    
SOBRE AS TORTURAS NO REGIME MILITAR:
Deputado Federal Rubens Paiva:
 A Comissão Nacional da Verdade apresentou na tarde de 27/01/2.014, relatório preliminar da pesquisa sobre a prisão e morte do ex-deputado federal Rubens Paiva. Segundo o relatório apresentado pela pesquisadora e advogada Rosa Maria Cardoso no auditório do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, Paiva foi preso na manhã do dia 20 de janeiro de 1.971, torturado até o dia seguinte, quando não suportou a violência dos militares e morreu. Os militares ainda foram acusados de ocultação de cadáver.

Considero que que os documentos supra falam por si mesmos, não requerem comentários. Apenas ressalto as palavras milenares de Ésquilo:
-“Na guerra, a verdade é a primeira vítima”.
Oremos para que a situação atual não descambe até um ponto incontrolável.




Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

quinta-feira, 28 de abril de 2016

QUANDO ATÉ A BASE SOLAPA - 2




COLUNA PUBLICADA EM "www.litoralmania.com.br" - 28/04/2.016
http://www.litoralmania.com.br/quando-ate-a-base-solapa-ii-por-jayme-jose-de-oliveira/


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

QUANDO ATÉ A BASE SOLAPA - 2
ROMBO NOS FUNDOS DE PENSÃO
Fundos de pensão são entidades fechadas de previdência organizadas por empresas ou grupos de empresas, com o objetivo de realizar investimentos para garantir uma complementação da aposentadoria aos empregados que aderirem ao plano. Considerando o público alvo, aposentados que merecem usufruir no período em que não mais podem pelas proprias forças alavancar seus rendimentos, considerando que contribuiram, compulsória ou voluntariamente durante o período de atividade – seus anos produtivos – para no ocaso da vida, quando dispêndios se acumulam inerentes ao declínio das forças e aumento das despesas com saúde principalmente, é indigno, inominável, que lhes seja denegado o prometido. Quem direta ou indiretamente, por ação ou omissão, contribuiu para a debacle dos Fundos de Pensão, deveria ser julgado como partícipe de crime hediondo e como tal condenado, se comprovada sua participação.
As três principais agências de classificação de risco mundiais (Moody’s, Fitch e Standard & Spoor’s) já rebaixaram o rating do Brasil. O grau de investimento é um selo de qualidade que assegura aos investidores um menor risco de calotes. A partir da nota de risco que determinado país recebeu os investidores podem avaliar se a possibilidade de ganhos (por exemplo, com juros maiores) compensa o risco de perder o capital investido com a instabilidade econômica local. Alguns fundos de pensão internacionais de países da Europa e dos Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estão classificados com grau de investimento positivo por agências internacionais.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão aprovou requerimentos de informações para a Controladoria Geral da União (CGU), Polícia Federal (PF), Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e Tribunal de Contas da União (TCU) sobre processos contra fundos de pensão.
Dois grandes fundos de pensão do país, o Postalis e a Funcef da Caixa Econômica Federal já divulgaram oficialmente que terão de fazer ajustes. Juntos, eles foram responsáveis por quase metade do déficit das fundações, afetando 150 mil trabalhadores ou aposentados. No fim deste mês o contracheque dos funcionários dos Correios virá com um desconto extra, em torno de 5% do salário médio para compensar as perdas bilionárias que o fundo de aposentadoria da categoria, o Postalis, registra nos últimos anos. Mas a desventura não será só dos carteiros. Ao todo, 43 fundos de pensão no país terão de readequar as contas e apresentar a fatura aos participantes, sejam trabalhadores na ativa ou aposentados, e às empresas patrocinadoras.
O rombo acumulado dos quatrro principais fundos de pensão estatais – Correios (Postalis), Petrobras (Petros), Caixa Econômica (Federal (Funcef) e Banco do Brasil (Previ) – deve ter ultrapassado R$ 46 bilhões em 2.015. A conta considera números prelimimares dos balanços anuais a serem divulgados nos próximos meses e dados dos conselhos fiscais das entidades. O rombo de R$ 46 bilhões é o déficiot atuarial, ou seja, se o fundo fosse obrigado a pagar hoje todos os benefícios atuais e futuros, esse seria o tamanho da fatura.
Com dados das contas do ano passado, Postalis, Petros, Funcef e Previ registraram saldo negativo de R$ 17 bilhões. O rombo sobe para R$ 46,6 bilhões com os números ainda em circulação restrita entre representantes dos trabalhadores nos conselhos fiscais.
Parte da fatura começa a ser repassada aos participantes (ativos e aposentados) em março: no Postalis e na Funcef com saldos negativos desde 2.012, os planos de equacionamento do déficit estão em fase adiantada. Petros e Previ devem fechar uma proposta para cobrir os respectivos rombos ao longo deste ano e implementar medidas a partir de 2.017. A adoção de um plano para tapar os buracos dos fundos de pensão é uma exigência legal.
Não há dúvida que houve má gestão. Documento apresentado pelo Fórum Independente em Defesa dos Fundos de Pensão à CPI dos fundos de pensão em dezembro mostra que as entidades patrocinadas por empresas privadas registraram lucro em 2.014, enquanto o déficit nos fundos das estatais só cresceu. Para o colegiado, a elevada participação dos fundos das empresas públicas em investimentos de maior risco ajuda a explicar o desempenho ruim dessas entidades.
Relator da CPI, o deputado Sérgio Souza (PMDB-PR) disse que os depoimentos à CPI reforçam os indícios de irregularidades na gestão dos fundos de pensão. Ele disse que a comissão encerra o trabalho em março e enviará relatório às autoridades para que sejam apuradas responsabilidades na esfera criminal. Segundo Souza, várias pessoas serão indiciadas:
- Não temos dúvidas que houve má gestão de recursos e a corrupção está nos fundos de pensão.

Fonte: Josete Goulart, S. Paulo - Murilo Rodrigues Alves, Brasília – O ESTADO DE SÃO PAULO


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

terça-feira, 26 de abril de 2016

QUANDO ATÉ A BASE SOLAPA 1



Publicado em "www.litoralmania.com.br" - 26/04/2.016
http://www.litoralmania.com.br/quando-ate-a-base-solapa-por-jayme-jose-de-oliveira/

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

QUANDO ATÉ A BASE SOLAPA 1
Para haver um mínimo de estabilidade e eficiência em qualquer setor diretivo, é indispensável que todos os escalões mantenham um mínimo de harmonia e trabalhem em uníssono. Não é o que acontece no Governo Federal. Enquanto a presidente tenta realinhar o rumo perdido, ajustar a economia em frangalhos, até a base – que deveria ser seu sustentáculo – solapa os esforços.
O Congresso Nacional vai recriar a Frente Parlamentar e de Entidades em Defesa da Previdência Social Pública. A decisão, a partir de sugestão da Anfip - Associação Nacional dos Auditores da Receita Federal do Brasil), foi tomada em reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS).
Nota do colunista: O senador Paulo Paim foi um dos políticos – então deputado federal – que promoveram a campanha de desvinculação dos reajustes isonômicos nas aposentadorias com valor superior a 1 salário mínimo. A justificativa era de que seria impossível elevar o salário mínimo a U$ 100 dólares ou mais enquanto persistisse a vinculação. Nos últimos anos, contrariando toda a luta pregressa, o atual senador vitupera contra a “discriminação” que ajudou a criar. Para avaliar a época da campanha, cito uma entrevista concedida ao saudoso Flávio Alcaraz Gomes, na qual fez uma defesa candente da lei que agride até hoje o Art. 5º da Constituição. É indigno provocar consequências deletérias a parte considerável da população e, posteriormente, mudar radicalmente de postura. Não esqueçam jamais os aposentados que na raíz do fato está o dedo do senador que agora pretende perpetrar mais uma agressão ao Art. 5º da Constituição.
A presidente Dilma Rousseff tenta salvar o futuro da Previdência e, com fins eleitoreiros, o seu partido (PT) solapa esses esforços.
Prosseguindo com a notícia publicada no Correio do Povo, 05/03/2.016:
A intenção é reunir senadores, deputados, representantes dos servidores públicos e dos trabalhadores em geral, entidades representativas da sociedade organizada e centrais sindicais. O presidente da Anfip, Vilson Antônio Romero, elogiou a iniciativa que afeta a todos os brasileiros (???).
“O simples anúncio de que o governo apontava numa reforma já deixou em polvorosa os trabalhadores, centrais sindicais e movimentos sociais”, observa.
Nota do colunista II: A grande massa de aposentados atingidos pela discriminação já está há anos em polvorosa vendo seus direitos espezinhados pela diferenciada reposição dos reajustes anuais e que não tem perspectiva de mudanças.
Repisemos que, como todos os brasileiros, os funcionários públicos dos três poderes que assim o desejarem, podem complementar suas aposentadorias. A Previdência Complementar dos Servidores Públicos, vigorante a partir de 05/02/2.013, foi incentivada e criada pela presidente Dilma Rousseff. O governador José Ivo Sartori também está empenhado em incluir os servidores estaduais nesse benefício legal. Essas leis não têm reflexos imediatos na economia nem no caixa da Previdência. Preservando os direitos adquiridos dos atuais funcionários, apenas serão aplicadas nos que foram ou forem admitidos após as datas de suas promulgações, o escopo pretendido é impedir a implosão de todo o sistema, a longo prazo – quando os novos dependentes atingirem a aposentadoria.  
Como expôs o ministro Jaques Wagner em jantar com empresários, e deles solicitou apoio, a presidente está empenhada em deixar como legado para o país a reforma da Previdência Social para que, a partir de 2.017, todos os brasileiros sejam regidos por lei unificada. ESTE É UM DOS ÍTENS A SEREM CONTESTADOS PELA FRENTE PARLAMENTAR E DE ENTIDADES EM DEFESA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL PÚBLICA. OUTROS, COMO A EXIGÊNCIA DE IDADE MÍNIMA PARA REQUERER O BENEFÍCIO, IGUALMENTE IMPORTANTES, TAMBÉM SÃO INCLUIDOS NO ROL DAS INCONFORMIDADES.

COMO JUSTIFICAR A CONTINUIDADE DOS “MAIS IGUAIS”? 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

CONFRONTOS




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 18/04/2.016
http://www.litoralmania.com.br/confrontos-por-jayme-jose-de-oliveira/

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

CONFRONTOS

Estamos vivendo um período conflituoso como há muito tempo não ocorria. “Coxinhas” e “petralhas” não se miscigenam nem transigem sob nenhuma hipótese. Cada qual se considera detentor da verdade absoluta. Lembro Frei Betto, insuspeito para afirmar:
“Existem três verdades: a sua, a minha e a verdade verdadeira. Nós dois, juntos, devemos procurar a verdade verdadeira”.
Indubitavelmente, onde houver divisões, existirão conflitos. Onde quer que haja ações isoladas, aspirações solitárias essa solidão é um ato de separação. Portanto, quem persegue sua ambição particular cria, inevitavelmente, conflitos. Surge a pergunta: um conflito, seja qual for, pode terminar?
Poderíamos dizer: “bem, toda a natureza está em conflito permanente. Uma árvore numa floresta está lutando para alcançar a luz, está se debatendo, comprimindo as outras. Os seres humanos, nascidos da natureza, estão fazendo a mesma coisa”. Se aceitamos isso, então aceitaremos todas as consequências do conflito... guerras, brutalidade, prepotência, maldade. Então, se você for “coxinha” ou” petralha” vai estar, inevitavelmente, criando conflitos. E não fazemos nada em relação a isso. Terminar o conflito e viver em paz requer tremenda inteligência, compreender a natureza do conflito e reconhecer a importância das palavras do Frei Betto sobre as três verdades.
Em 1.960 a rede de televisão BBC realizou uma entrevista com Bertrand Russel.
... Uma última pergunta: suponha, Lord Russel que esse filme seja assistido por nossos descendentes como os pergaminhos do mar morto daqui a mil anos. O que acha interessante dizer àquela geração sobre a sua vida e lições que você aprendeu?
- “Eu gostaria de dizer duas coisas, uma intelectual e uma moral. O conselho intelectual que gostaria de dizer é esse:
Quando você está estudando um assunto, ou considerando uma filosofia, pergunte a si mesmo, somente. Quais são os fatos? Qual é a verdade que os fatos revelam? Nunca se deixe divergir pelo que você gostaria de acreditar ou pelo que você acha que traria benefícios às causas sociais se fosse acreditado. Olhe apenas e somente quais são os fatos.


O conselho moral que eu gostaria de dar é muito simples. Eu diria: o amor é sábio, o ódio é tolo. Neste mundo que está ficando mais interconectado, nós temos que aprender a tolerar uns aos outros, nós temos que aprender e aceitar o fato que algumas pessoas dizem coisas que não gostamos. Nós só podemos viver dessa forma, para vivermos juntos e não morrermos juntos. Nós precisamos aprender a bondade, a caridade e a tolerância. O que é absolutamente vital para a continuação da vida humana neste planeta.




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