sexta-feira, 14 de outubro de 2022

UMA PESCARIA INESQUECÍVEL

 

 

 

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura

 

 

UMA PESCARIA INESQUECÍVEL – 16/12/2.015

 

Reproduzo a coluna que publiquei em 16/12/2015. Não tenho o hábito de reprisar, porém, na atualidade brasileira ela se encaixa como uma luva. Preconizar atitudes consentâneas com a ética e o respeito às leis devem ser aplaudidas de pé

 

O autor é James P. Lenfestey, confira e reflita.

Ele tinha onze anos e, a cada oportunidade que surgia ia pescar no cais próximo ao chalé da família numa ilha que ficava em meio a um lago.

A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas pai e filho saíram no fim da tarde para pegar apenas peixes cuja captura estava liberada.

O menino iscou e começou a praticar arremessos provocando ondas coloridas na água, logo elas se tornaram prateadas pelo efeito da lua nascendo sobre o lago. Quando o caniço vergou, soube que havia algo enorme no outro lado da linha.

O pai olhava com admiração enquanto o garoto habilmente e com muito cuidado erguia o peixe exausto da água. Era o maior peixe que já tinha visto, porém a pesca só era permitida na temporada. O garoto e o pai olharam para o peixe, tão bonito, as guelras movendo para trás e para frente.

O pai, então, acendeu um fósforo e olhou para o relógio. Pouco mais de dez da noite... Ainda faltavam quase duas horas para o início da temporada. Em seguida, olhou para o peixe e depois para o menino, dizendo:

- Você tem de devolvê-lo, filho!

- Mas, papai, reclamou o menino.

- Vai aparecer outro, insistiu o pai.

- Não tão grande como este, choramingou a criança.

O garoto olhou à volta do lago. Não havia outros pescadores ou embarcações à vista. Voltou novamente o olhar para o pai. Mesmo sem ninguém por perto sabia, pela firmeza de sua voz, que a decisão era irrevogável. Devagar, tirou o anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água escura. O peixe movimentou rapidamente o corpo e desapareceu. Naquele momento, o menino teve certeza que jamais pescaria um peixe tão grande como aquele.

Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje o garoto é um arquiteto bem sucedido. O chalé continua lá, na ilha em meio ao lago e ele leva os filhos para pescar no mesmo cais. Sua intuição estava correta. Nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite. Porém, sempre vê o mesmo peixe todas as vezes que se depara com uma questão de ética. Porque, como o pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma questão de CERTO e ERRADO.

Agir corretamente, quando se está sendo observado, é uma coisa. A ética, porém, está em agir corretamente quando ninguém nos está observando. Esta conduta só é possível quando, desde criança, se aprende a DEVOLVER O PEIXE À ÁGUA.

 

Ah! Se cada um de nós souber devolver seu peixe na hora da tentação, o mundo em geral, o Brasil em particular e, principalmente, cada um de nós será, não apenas melhor, mas poderá ao fim da noite repousar a cabeça no travesseiro. E ISSO É O MAIS IMPORTANTE NA VIDA!

Cada um de nós tem a oportunidade de, amiúde ver-se na contingência de optar entre devolver ou recolher um peixe fisgado de maneira ilegal. Os que abdicam do proveito imoral e veem os circunlóquios que políticos utilizam para alcançar objetivos a qualquer preço estão estarrecidos com o que se escancara em Brasília. O pior, infelizmente verdadeiro, é que ambos os lados se esmeram em segurar o peixe sem o menor resquício de dúvida, hesitação. Remorso? Honorabilidade? Essas palavras não constam no dicionário deles.

 





sexta-feira, 7 de outubro de 2022

PREPOTÊNCIA VERSUS DIGNIDADE

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

PREPOTÊNCIA VERSUS DIGNIDADE

O homem segue a lógica da natureza: quando em desgraça ou desvantagem é humilde, simpático, risonho, parece boa gente por que tem de despertar a boa vontade alheia da qual depende para sobreviver com um mínimo de dignidade. Quando é ou se torna poderoso, aí sim é que ele mostrará quem é na realidade: por vezes prepotente, impiedoso, egocêntrico e todos os correlatos imagináveis. Todas as facetas que põem a nu os lados ignominiosos, vergonhosos, explodem num frenesi escandaloso. Guia-se pelo lema: “Nós é nós, o resto é o resto”.                                                                                     Os das classes inferiores, quando contaminados por baixos instintos também reagem com a mesma desfaçatez dos egocêntricos na eventualidade de atingirem os píncaros da fama ou da fortuna. Como lembram o quanto foram espezinhados antes, agora que “apitam” também desnudam seus podres que sempre existiram. E, frequentemente, com maior desfaçatez.

“O dinheiro é insípido, inodoro, portátil e fácil de esconder. Às vezes torna-se mortal. Alguns, quando têm dinheiro suficiente, podem até matar qualquer pessoa que tentar tirá-lo de suas mãos.                     Cada vez mais grande parte do dinheiro que flui pelas artérias do sistema financeiro global é sujo, derivado de atividades criminosas ou drenado dos cofres do Estado por autocratas cleptomaníacos. Ele envenena tudo o que toca. Negócios escusos entre autoridades, seus prepostos e empresas têm na corrupção uma ligação promíscua e, havendo interesse das partes, difícil de comprovar”. (Daniel Silva, autor de “A Violoncelista”, pg. 105)

Analisemos o reverso da medalha, almas nobres existem em todas as classes e nos permitem sorrir.

Milionários, muitos, disponibilizam fortunas para prestar assistência a despossuídos. Exemplo dignificante foi proporcionado por Bill Gates, empresário, bilionário, dono da Microsoft, financia investimentos em pesquisas e tecnologias de saneamento básico ao redor do mundo.

Uma máquina, o OmniProcessor transforma fezes, inclusive humanas, em água potável. Exibido na série Netfix, Bill Gates a bebeu para comprovar sua qualidade. Além de proporcionar o precioso líquido em zonas carentes, transforma dejetos em fertilizantes e evita a contaminação do solo e das fontes naturais, inevitável de outra maneira. Este é apenas um exemplo, George Soros, Mark Zuckerberg, Michael Bloomberg, Jeff Bezos e sua ex-esposa Mac Kenzie Scott (doou U$ 5,8 bilhões de dólares para 500 iniciativas). No total, 25 bilionários doaram cerca de U$ 149 bilhões para caridade ao longo de suas vidas.

Não podemos competir com esses, porém pequenas doações feitas por gente comum e alguns inclusive pobres, são de uma significância que nos toca fundo na alma. Um pescador (cujo nome não recordo) usou sua rudimentar balsa para salvar 121 pessoas de uma enchente. Luciano Huck, ao tomar conhecimento apresentou-o no seu programa. Os patrocinadores deram uma recompensa em dinheiro que o pescador repassou para os que haviam sido resgatados. É de aplaudir de pé uma pessoa humilde e também carente, abrir mão do prêmio para minorar os sofrimentos dos atingidos pela enchente.

A TV, anualmente recolhe verba no programa “Criança Esperança”, doações de R$ 7,00 a R$ 40,00 que se acumulam e, enquanto diminuem as agruras dos despossuídos, aumentam nossa esperança e demonstram que existe, SIM, uma parcela da humanidade que tem um “coração de ouro” e se preocupa ao ver que a miséria se espraia.

Mirem o reverso impactante no procedimento de indivíduos que não merecem ser considerados humanos com os que, SIM, dignificam o “homo sapiens” e nos permitem crer num futuro mais justo para o qual, creio firmemente, estamos avançando, lenta e paulatinamente.

Para finalizar, quando nos defrontarmos com os retrocessos advindos de pessoas indignas, não esqueçamos que “dois passos de recuo, seguidos ou precedidos por três de avanço, representam um de progresso”.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

 


quarta-feira, 5 de outubro de 2022

DEMOCRACIA TROPICAL


TROPICAL TROPICAL

Fernando Gabeira, em 2017 publicou “Democracia Tropical”, onde analisou as consequências desastrosas dos últimos governos que o Brasil teve de suportar. Chegou a conclusões que, após o resultado do último pleito, impõem uma nova obra para atualizar e nos por a par do quanto houve em mudanças. O segundo turno consolidará ou trará mais uma reviravolta não prevista nas pesquisas dos órgãos mais destacados: DATAFOLHA e IPEC.

“A decomposição do sistema político em 2016, posta a nu pelas investigações da Lava Jato, gerou um vendaval de surpresas. Graças ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, os aliados da esquerda, cuja experiência fracassou, têm de tocar o barco em plena tempestade”. (Democracia Tropical)

O núcleo desta tormenta é o desastre econômico que demanda um programa de austeridade, difícil de ser aceito pelos políticos que, depois de restabelecida a democracia se habituaram a mamar nas gordas mas não inesgotáveis tetas do erário.

Os candidatos que foram ao segundo turno não admitem, sob nenhuma hipótese, terem seus projetos delimitados pelo teto de gastos. A tentação  de utilizar o dinheiro arrecadado pelos impostos para atender a projetos mirabolantes, mais do interesse próprio e de seus áulicos (puxa-sacos) que para o bem-estar da população é de tal magnitude que nossa economia segue em ritmo alucinante para o abismo.

Em 2002, a dívida acumulada em 180 anos, desde a proclamação da Independência, era de R$ 852 bilhões de reais. Em junho de 2022 catapultou para R$ 5.845 trilhões e continua num crescendo avassalador.

Os juros que oneram nosso orçamento, palatáveis até 2002, transformaram-se num estapafúrdio garrote que nos oprime e ameaça não apenas o nosso futuro, mas o dos nossos filhos e dos filhos dos nossos filhos.

Seja quem for o nosso futuro presidente, caberá a ele redirecionar o “Titanic Brasil” para evitar a fatal colisão com o recife que se avista no horizonte. Oremos para que, após tomar posse, governe pensando nas futuras gerações e não nas próximas eleições. Se assim agir, merecerá a gratidão do povo brasileiro e um lugar de destaque na História.

Argumenta-se que a corrupção é endêmica no Brasil, diz-se que sempre foi assim, mas, no momento atual os smartphones – mais de 170 milhões no Brasil – escancaram e impõem uma transparência aos fatos, impossível no passado. As redes sociais desnudam tudo e, por vezes abusam do seu poder veiculando fakes que deturpam este moderno e poderoso meio de comunicação incoercível. Se por um lado nos informam do que temos direito de saber, por outro nos impingem mentiras grotescas que tentam nos enganar e muitas vezes conseguem.

Há de se separar o joio do trigo... ficar com o trigo e descartar o joio. Aliás, as decisões por demais lenientes da justiça com os que mistificam a população permitem copa-franca para esses delinquentes.

Optemos pela transparência e a transformemos numa poderosa arma nas mãos de um governo honesto, pois ela traz outra bênção: a credibilidade.

Oremos para que o futuro governo nos brinde com aquilo que merecemos: a ESPERANÇA. Não poderá esquecer que os assaltos serão descobertos, não poderá tentar interferir em instituições autônomas, a sociedade não permitirá. Com os atuais meios de controle é impossível a sobrevivência de um governo corrupto. Os futuros governantes precisam refletir sobre este fato.

“Os fins justificam os meios? Mas agora que conhecemos os deputados, cerca de 90 deles são investigados no STF, não seria hora de se questionar o foro privilegiado? Ao longo de 16 anos de Congresso sempre defendi privilégio para voz e  voto, como na Inglaterra. Fora daí, justiça comum”. (pg. 27)

“É longo e espinhoso o caminho de uma renovação política no Brasil”. (Fernando Gabeira – Democracia Tropical, pg. 28)

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com

Cirurgião-dentista aposentado 

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

MORAL SELETIVA

 

MORAL SELETIVA

“Tenho horror a ditaduras, sejam de direita ou de esquerda, impera, nos

dois campos, uma moral seletiva. Ditador sanguinário, insuportável

sempre é o outro, quando pertence ao grupo que militamos, começam as

relativizações”. (Leandro Karnal, professor, historiador, escritor e

palestrante).

Quando critico Pinochet os de esquerda se emocionam, eu estou ao lado

certo, sou o herói do dia, o pensador claro, crítico implacável.

Quando acuso Fidel Castro há protestos, alegam: “acabou com o

analfabetismo e ativou a distribuição de terras”.

Os de direita reagem: “fuzilou adversários no paredón, é uma ditadura

que oprime os cubanos até hoje e atacou diversos países, na África

(UNITA) e na América tentando exportar o comunismo”.

Constatei que para muitos existem malvados favoritos. No contexto, dos

dois lados, cada qual de acordo com sua tendência.

Quando acuso de maneira acre ditaduras de direita e de esquerda, sem

poupar ninguém, estou “em cima do muro”. Não concordo com esta

conotação, tenho valores muito claros: a liberdade e a vida não podem

ser alvos de disputas ideológicas, quem não as respeita merece o meu

mais veemente repúdio. Quem mata uma única pessoa é um assassino,

quando elimina milhares continua sendo um assassino, pior, um

genocida. Seja de direita ou de esquerda.

Lembro um mercenário a quem um entrevistador perguntou:

- Já vendeste teus serviços para ditadores dos mais diferentes matizes,

qual a diferença entre eles?

- Nenhuma. Fui ferido indistintamente, a dor não escolhe ideologia.

Hitler eliminou 6 milhões de judeus em campos de concentração e

crematórios. Stalin provocou mais de 20 milhões de óbitos, a maioria

eram compatriotas, nos Gulags descritos por Alexander Soljenítsin, um

escritor, dramaturgo e historiador russo. Preso político do regime


soviético, suas obras revelaram ao mundo as atrocidades cometidas nos

campos de concentração com trabalhos forçados existentes na antiga

União Soviética.

Não compactuo com nenhum deles, nem com outros que existem em

toda a parte.

Os fanáticos, sejam quais forem, sofrem a “Síndrome de Estocolmo”,

mitridatizam os horrores e acabam se transformando em mais um

“deles”. LAMENTÁVEL!

E qual seria o caminho que devemos seguir para obter um mínimo de

consenso, de justiça legal, social ou de convivência?

A democracia que se alicerça na realização de eleições livres e na

aceitação dos resultados por todos os envolvidos.

Winston Churchill, o grande 1º Ministro da Inglaterra no período crítico da

2ª Guerra Mundial lança uma luz sobre o assunto:

“Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-

se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as

demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.

Democracia e ditadura são dois tipos de regimes de governo que

possuem características antagônicas: na democracia o poder de decisão

emana do povo enquanto na ditadura as decisões são impostas pelo

governo autoritário. Abraham Lincoln define como “o governo do povo,

pelo povo, para o povo”. As responsabilidades são divididas entre o

Poder Executivo, o Poder Legislativo e o Poder Judiciário.

O conceito de democracia, diferente do que se conhece hoje, surgiu na

Grécia Antiga. Nas assembleias, local onde aconteciam as decisões

políticas que regravam a vida dos cidadãos na época - que tinham o

direito de participação - exceto as mulheres, as crianças, os estrangeiros

e os escravos. Todo este arrazoado para concluir que chegamos ao

regime ideal? Na realidade, não! Por mais que seja o mais coerente com

as necessidades da população, tem, no meu conceito, um grave

empecilho para que possa ser considerado perfeito.

Podemos escolher nossos dirigentes. SIM. Com uma ressalva: os

candidatos propostos ao eleitorado são indicados pelos partidos. Nossas

opções se resumem em escolher um dos que o TSE aprova. Não


podemos recusar se forem incompatíveis com nossas convicções. A

possibilidade que poderia tornar a democracia realmente plena – que não

existe em nenhum lugar – aponta para este fulcro: permitir ao eleitor

recusar que nos são impingidos goela abaixo. No dia em que, se a

maioria dos eleitores (50%+1) votarem nulo ou em branco e com isso se

provoque uma nova eleição, com outros candidatos, teremos

DEMOCRACIA DE FATO. Como consequência os partidos políticos se

veriam na contingência de apresentarem candidatos que mereçam esta

honra e honrem seu compromisso. Jamais seríamos instados a escolher

entre o ruim e o péssimo.


SUPERBATERIA

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.


SUPERBATERIA

Todos os seres vivos têm como principal motivo de existir a perpetuação

da espécie. Desde o mais simples vírus ao homo sapiens, a maravilha do

universo conhecido (seu cérebro é o que o eleva a esta posição).

Incontestável. Abstraindo este fulcro podemos referir outros pontos que

permitem uma escala de valores e importância na biodiversidade: instinto

de sobrevivência, gregariedade para os do topo da pirâmide.

Na busca da sobrevivência via alimentação prevalecerão nos valores da

cadeia alimentar os mais fortes, mais capazes.

A Natureza, desde o primórdio – Charles Darwin explicou no se livro “A

Origem das Espécies” que sempre haverá uma evolução via mutações

em cadeia. Até os vírus se adaptam ao meio ambiente e também se

modificam estruturalmente para sobreviverem quando algo ou alguém

ameaça sua sobrevivência.

Vira a página e analisemos um dos componentes que mais influenciaram

(e ainda influenciam) a supremacia do homo sapiens: a busca incessante

da energia em suas diversas formas. Nasce com a possibilidade de usar

seus músculos para a locomoção, busca de alimentos, construção de

abrigos e formalizar a sociedade. Somos gregários.

A utilização de animais domesticados deu partida a uma escalada

ininterrupta e em ritmo cada vez mais rápido e eficiente. Na navegação:

remos, velas, barcos a vapor inventados por Robert Fulton em 1777,

motores de combustão interna, usados também em veículos terrestres e

aéreos. Reatores nucleares já operam.

A eletricidade abriu novos horizontes, inclusive para uso doméstico e

industrial. Sempre esbarrou nos percalços do transporte energético, as

baterias têm seu uso limitado por necessitarem recargas periódicas, o

calcanhar de Aquiles par seu uso.


Na realidade do dia a dia as baterias, pilhas e outras modalidades

facilitam, podemos até dizer que permitem a nossa maneira de viver. Da

lâmpada que ilumina nossos lares aos telefones celulares e

computadores tudo depende de podermos a energia de maneira

contínua.

Os satélites ficam reféns de acumuladores que podem ser abastecidos

utilizando energia solar ou atômica. Esta última tem como vantagem a

possibilidade de uso por longos períodos, o risco representado pela

radiação limita, e muito, seu uso doméstico.

Abracadabra, eis que surge um clarão no fim do túnel que, ao se

concretizar abrirá novos horizontes. A empresa americana Nano

Diamond Battery está desenvolvendo uma bateria que usa isótopos de

urânio e plutônio. Eles emitem calor, que é transformado em eletricidade.

Uma tecnologia similar já é usada em sondas espaciais desde a década

de 1970. A empresa assegura que a tecnologia não apresenta riscos e

poderá ser usada até em celulares

A bateria em foco poderá ter carga com duração de até 28 mil anos.

Será, quando disponibilizada, um novo “ovo de Colombo”.


Jayme José de Oliveira

cdjaymejo@gmail.com

Cirurgião-dentista aposentado

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

VACINAS

 



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

VACINAS – 16/09/2022

O médico britânico Edward Jenner, em 1796, percebeu que as vacas infectadas com a versão bovina da varíola – vaccinus vaca – que provocavam pústulas nas tetas, ao serem ordenhadas infectavam os fazendeiros com a doença. Mas era uma versão atenuada e surpreendentemente gerava uma memória imunológica contra a varíola humana que é altamente letal, matava 30% dos adultos e 50% das crianças pequenas.

Na época os micróbios já eram conhecidos, o holandês Anton van Leeuwanhoek detectava os micróbios através dos microscópios que ele mesmo fabricava. Na época ninguém imaginava que esses seres minúsculos pudessem ser causas de doenças, pensava-se que eram  doenças eram originadas por “miasmas” , ares com cheiro pútrido provindos de zonas pantanosas. Isso mudou no final do século XIX quando cientistas com John Snow, Louis Pasteur e Robert Koch apresentaram a tese que atribuía a origem das infecções aos microorganismos patológicos.

Pasteur criou a segunda vacina – contra a raiva – para prevenir a doença e o soro, obtido através  do soro de sangue de cavalos infectados. Desde então as vacinas são utilizadas para prevenir doenças e os soros para tratamento.                                      Robert Koch estabeleceu pela primeira vez o vínculo de uma doença, a tuberculose , com m agente específico, um bacilo que recebeu a denominação de bacilo de Koch.

 

Um mundo sem vacinas teria menos habitantes pois as doenças endêmicas que afetam durante décadas ou séculos causam um número impressionante de mortes. A varíola, antes de sua erradicação, causou 500 milhões de óbitos. Hoje, graças à vacina, talvez seja a única doença que é considerada pela Wikipedia como extinta, pertence ao passado. Antes de se alegar a existência da “vacina dos macacos” cumpre salientar que esta é causada por outro tipo de vírus. O vírus da varíola humana só existe conservado em estado criogênico (temperaturas abaixo de 150%) e é guardado em dois centros governamentais bem vigiados, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CCDC) de Atlanta, EUA e pelo Instituto Vector em Koltsovo, na Rússia.

O extremo cuidado que se emprega na vigilância desses vírus s justifica plenamente. Um descuido que permitisse a disseminação causaria uma catástrofe de proporções inimagináveis, principalmente nas mãos de terroristas.

 

Raciocinemos a partir do fato  que perder um recém-nascido era corriqueiro na era pré-vacinas, dizia-se a “a criança não vingou”. Sarampo, hepatite B, catapora, meningite, varíola e tantas outras infecções virais ou bacterianas diminuiriam drasticamente a população. Em 1500 havia 461 milhões de habitantes na Terra; em 1860, 989 milhões.  Nesse ritmo estaríamos atualmente com no máximo 2 bilhões de pessoas. Hoje, graças em parte às vacinas somos 7,8 bilhões.

 

Outro ponto a considerar é o conceito do “burden disease”, o “fardo da doença”. Quantos anos de vida saudável seriam perdidos porque não teriam sido evitadas doenças.

 

Vítimas graves de poliomielite (paralisia infantil) ficavam condenados a passar a vida em “pulmões de aço” para conseguir respirar, isso quando tinham acesso a tal maquinário.

 

O mundo sem vacinas é um mundo com menos idosos, a maioria das pessoas que padece com doenças e outras como o câncer e o Alzheimer seria significativamente menor, não viveríamos o suficiente para sermos vítimas delas, é um fato incontestável.

 

O Brasil teve uma das campanhas mais exitosas do mundo no que se refere à campanha de vacinação contra a poliomielite, tanto que o último caso registrado foi em 1989. Em 1994 o país recebeu certificado de erradicação da doença.

 

É um risco a tendência das populações relaxarem quando o perigo diminui, mesmo que temporariamente. A baixa vacinação contra a pólio no Brasil e novos casos no mundo acende um alerta para o risco de uma volta da doença. Nunca foi tão baixa no Brasil, caiu de 96,55% em 2012 para 67,71 em 2021. Está na hora dos pais lembrarem do horror que foi erradicado e levar os filhos para tomar as três doses e eliminar a possibilidade do retorno após mais de 30 anos.

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

 


NAZISMO E COMUNISMO

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

 

NAZISMO E COMUNISMO

Cerca de 90% dos Nazistas que fugiram da Europa continental no Pós 2ª Guerra Mundial o fez pela Itália, através de viagens planejadas e organizadas por pessoas com poder, dedicadas a proteger criminosos de guerra. Destes, cerca de 5 mil foram para a Argentina (ironicamente, o mesmo país que recebeu milhares de Judeus e possui, até hoje, uma das maiores comunidades judaicas do mundo fora de Israel). Para o Sul do Brasil vieram cerca 2 mil e ao Chile, cerca de mil. Isto, cultural e ideologicamente, teve repercussão ao longo de gerações.

No Brasil, a Coluna Prestes foi um movimento que percorreu o interior do país, entre 1925 e 1927, integrado por jovens oficiais liderados por Luís Carlos Prestes, que exigiam o voto secreto, a reforma do ensino público, a obrigatoriedade do ensino primário e a moralização da política, denunciando as condições de vida dos miseráveis e a exploração no trabalho dos pobres. Tinha por objetivo um levante popular contra o governo vigente, mas, após a deposição das armas, em 1927, suas lideranças se exilaram na Bolívia. Portanto, com base histórica inquestionável, pode-se afirmar, peremptoriamente, que nunca houve um governo comunista instalado no Brasil.

Para muito além das ditaduras de Getúlio Vargas e do Golpe Militar de 1964 (cujo regime ditatorial foi mantido até 1985), o povo brasileiro soube eleger, ao longo de décadas, governos democráticos dos mais variados matizes.

A Constituição Brasileira de 1988 não previa reeleições, mas, em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi aprovada a Emenda Constitucional nº 16 que passou a permitir somente uma reeleição, para mandatos subsequentes, mas sem restrições para mandatos não consecutivos de Presidentes, Governadores e Prefeitos. Esta modalidade se revelou, na prática política e administrativa, equivocada, pois, a partir de então, os Executivos eleitos passaram a trabalhar, durante o seu primeiro mandato, com o claro objetivo de obterem sucesso eleitoral para um segundo mandato consecutivo.

Em janeiro de 2018 tomou posse, por decisão democrática legitimada por processo eleitoral com uso de urnas eletrônicas, o Presidente Jair Messias Bolsonaro. Mas, ao longo de seu governo, não conseguiu cumprir uma das promessas mais relevantes de seu governo: o de não vir a se aliar a políticos que criticava duramente a campanha eleitoral e que, outrora, também viabilizaram, no Congresso Nacional, outros governantes, hoje na oposição. Também o tão anunciado combate à corrupção ficou soterrado, incluindo a promulgação de inúmeros decretos de 100 anos de sigilo, a cada impasse surgido em seu entorno familiar, de assessores e apoiadores. Graves problemas gerados por escândalos como as “rachadinhas”, a prescrição cientificamente equivocada da cloroquina, a falta de oxigênio e a demora na aquisição de vacinas durante a Pandemia Covid-19, a prisão de um Ministro da Educação após denúncias de movimentações pouco convencionais de Pastores na liberação de verbas públicas, entre tantas outras excentricidades.

Em manifestações públicas inequívocas, assumiu caráter machista, misógino e homofóbico, tendo fracassado em áreas estratégicas com Educação e Cultura, Combate à Fome e à Pobreza, Meio Ambiente e Relações Internacionais.

Também não se houve bem, desafortunadamente, enquanto Estadista nas efemérides relativas aos 200 Anos da Independência do Brasil.

Muito em breve os eleitores brasileiros irão optar democraticamente por um entre vários modelos propostos por Políticos que buscam se eleger para cargos, no Executivo e no Legislativo, no sentido de definirem, pelo voto em urnas eletrônicas, que projetos aprovarão objetivando concretizar o que acreditarem ser o melhor para as futuras gerações, integradas ao mundo civilizado, em pleno século XXI. Serão estes Cidadãos, os autores responsáveis pela História Brasileira próximo-futura.

Que continuemos sendo um Estado Laico, com respeito irrestrito à diversidade e, principalmente, à Constituição.

 

Marília Gerhardt de Oliveira

gerhardtoliveira@gmail.com                                                                                                                                            

 

Jayme José de Oliveira

cdjaymejo@gmail.com