sexta-feira, 16 de setembro de 2022

VACINAS

 



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

VACINAS – 16/09/2022

O médico britânico Edward Jenner, em 1796, percebeu que as vacas infectadas com a versão bovina da varíola – vaccinus vaca – que provocavam pústulas nas tetas, ao serem ordenhadas infectavam os fazendeiros com a doença. Mas era uma versão atenuada e surpreendentemente gerava uma memória imunológica contra a varíola humana que é altamente letal, matava 30% dos adultos e 50% das crianças pequenas.

Na época os micróbios já eram conhecidos, o holandês Anton van Leeuwanhoek detectava os micróbios através dos microscópios que ele mesmo fabricava. Na época ninguém imaginava que esses seres minúsculos pudessem ser causas de doenças, pensava-se que eram  doenças eram originadas por “miasmas” , ares com cheiro pútrido provindos de zonas pantanosas. Isso mudou no final do século XIX quando cientistas com John Snow, Louis Pasteur e Robert Koch apresentaram a tese que atribuía a origem das infecções aos microorganismos patológicos.

Pasteur criou a segunda vacina – contra a raiva – para prevenir a doença e o soro, obtido através  do soro de sangue de cavalos infectados. Desde então as vacinas são utilizadas para prevenir doenças e os soros para tratamento.                                      Robert Koch estabeleceu pela primeira vez o vínculo de uma doença, a tuberculose , com m agente específico, um bacilo que recebeu a denominação de bacilo de Koch.

 

Um mundo sem vacinas teria menos habitantes pois as doenças endêmicas que afetam durante décadas ou séculos causam um número impressionante de mortes. A varíola, antes de sua erradicação, causou 500 milhões de óbitos. Hoje, graças à vacina, talvez seja a única doença que é considerada pela Wikipedia como extinta, pertence ao passado. Antes de se alegar a existência da “vacina dos macacos” cumpre salientar que esta é causada por outro tipo de vírus. O vírus da varíola humana só existe conservado em estado criogênico (temperaturas abaixo de 150%) e é guardado em dois centros governamentais bem vigiados, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CCDC) de Atlanta, EUA e pelo Instituto Vector em Koltsovo, na Rússia.

O extremo cuidado que se emprega na vigilância desses vírus s justifica plenamente. Um descuido que permitisse a disseminação causaria uma catástrofe de proporções inimagináveis, principalmente nas mãos de terroristas.

 

Raciocinemos a partir do fato  que perder um recém-nascido era corriqueiro na era pré-vacinas, dizia-se a “a criança não vingou”. Sarampo, hepatite B, catapora, meningite, varíola e tantas outras infecções virais ou bacterianas diminuiriam drasticamente a população. Em 1500 havia 461 milhões de habitantes na Terra; em 1860, 989 milhões.  Nesse ritmo estaríamos atualmente com no máximo 2 bilhões de pessoas. Hoje, graças em parte às vacinas somos 7,8 bilhões.

 

Outro ponto a considerar é o conceito do “burden disease”, o “fardo da doença”. Quantos anos de vida saudável seriam perdidos porque não teriam sido evitadas doenças.

 

Vítimas graves de poliomielite (paralisia infantil) ficavam condenados a passar a vida em “pulmões de aço” para conseguir respirar, isso quando tinham acesso a tal maquinário.

 

O mundo sem vacinas é um mundo com menos idosos, a maioria das pessoas que padece com doenças e outras como o câncer e o Alzheimer seria significativamente menor, não viveríamos o suficiente para sermos vítimas delas, é um fato incontestável.

 

O Brasil teve uma das campanhas mais exitosas do mundo no que se refere à campanha de vacinação contra a poliomielite, tanto que o último caso registrado foi em 1989. Em 1994 o país recebeu certificado de erradicação da doença.

 

É um risco a tendência das populações relaxarem quando o perigo diminui, mesmo que temporariamente. A baixa vacinação contra a pólio no Brasil e novos casos no mundo acende um alerta para o risco de uma volta da doença. Nunca foi tão baixa no Brasil, caiu de 96,55% em 2012 para 67,71 em 2021. Está na hora dos pais lembrarem do horror que foi erradicado e levar os filhos para tomar as três doses e eliminar a possibilidade do retorno após mais de 30 anos.

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

 


NAZISMO E COMUNISMO

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

 

NAZISMO E COMUNISMO

Cerca de 90% dos Nazistas que fugiram da Europa continental no Pós 2ª Guerra Mundial o fez pela Itália, através de viagens planejadas e organizadas por pessoas com poder, dedicadas a proteger criminosos de guerra. Destes, cerca de 5 mil foram para a Argentina (ironicamente, o mesmo país que recebeu milhares de Judeus e possui, até hoje, uma das maiores comunidades judaicas do mundo fora de Israel). Para o Sul do Brasil vieram cerca 2 mil e ao Chile, cerca de mil. Isto, cultural e ideologicamente, teve repercussão ao longo de gerações.

No Brasil, a Coluna Prestes foi um movimento que percorreu o interior do país, entre 1925 e 1927, integrado por jovens oficiais liderados por Luís Carlos Prestes, que exigiam o voto secreto, a reforma do ensino público, a obrigatoriedade do ensino primário e a moralização da política, denunciando as condições de vida dos miseráveis e a exploração no trabalho dos pobres. Tinha por objetivo um levante popular contra o governo vigente, mas, após a deposição das armas, em 1927, suas lideranças se exilaram na Bolívia. Portanto, com base histórica inquestionável, pode-se afirmar, peremptoriamente, que nunca houve um governo comunista instalado no Brasil.

Para muito além das ditaduras de Getúlio Vargas e do Golpe Militar de 1964 (cujo regime ditatorial foi mantido até 1985), o povo brasileiro soube eleger, ao longo de décadas, governos democráticos dos mais variados matizes.

A Constituição Brasileira de 1988 não previa reeleições, mas, em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi aprovada a Emenda Constitucional nº 16 que passou a permitir somente uma reeleição, para mandatos subsequentes, mas sem restrições para mandatos não consecutivos de Presidentes, Governadores e Prefeitos. Esta modalidade se revelou, na prática política e administrativa, equivocada, pois, a partir de então, os Executivos eleitos passaram a trabalhar, durante o seu primeiro mandato, com o claro objetivo de obterem sucesso eleitoral para um segundo mandato consecutivo.

Em janeiro de 2018 tomou posse, por decisão democrática legitimada por processo eleitoral com uso de urnas eletrônicas, o Presidente Jair Messias Bolsonaro. Mas, ao longo de seu governo, não conseguiu cumprir uma das promessas mais relevantes de seu governo: o de não vir a se aliar a políticos que criticava duramente a campanha eleitoral e que, outrora, também viabilizaram, no Congresso Nacional, outros governantes, hoje na oposição. Também o tão anunciado combate à corrupção ficou soterrado, incluindo a promulgação de inúmeros decretos de 100 anos de sigilo, a cada impasse surgido em seu entorno familiar, de assessores e apoiadores. Graves problemas gerados por escândalos como as “rachadinhas”, a prescrição cientificamente equivocada da cloroquina, a falta de oxigênio e a demora na aquisição de vacinas durante a Pandemia Covid-19, a prisão de um Ministro da Educação após denúncias de movimentações pouco convencionais de Pastores na liberação de verbas públicas, entre tantas outras excentricidades.

Em manifestações públicas inequívocas, assumiu caráter machista, misógino e homofóbico, tendo fracassado em áreas estratégicas com Educação e Cultura, Combate à Fome e à Pobreza, Meio Ambiente e Relações Internacionais.

Também não se houve bem, desafortunadamente, enquanto Estadista nas efemérides relativas aos 200 Anos da Independência do Brasil.

Muito em breve os eleitores brasileiros irão optar democraticamente por um entre vários modelos propostos por Políticos que buscam se eleger para cargos, no Executivo e no Legislativo, no sentido de definirem, pelo voto em urnas eletrônicas, que projetos aprovarão objetivando concretizar o que acreditarem ser o melhor para as futuras gerações, integradas ao mundo civilizado, em pleno século XXI. Serão estes Cidadãos, os autores responsáveis pela História Brasileira próximo-futura.

Que continuemos sendo um Estado Laico, com respeito irrestrito à diversidade e, principalmente, à Constituição.

 

Marília Gerhardt de Oliveira

gerhardtoliveira@gmail.com                                                                                                                                            

 

Jayme José de Oliveira

cdjaymejo@gmail.com

 


sexta-feira, 2 de setembro de 2022

FRONTEIRAS DO PENSAMENTO

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

FRONTEIRAS DO PENSAMENTO – 06/09-2022

Em 2022 Porto Alegre está sediando 12 conferências do “Fronteiras do Pensamento”. Respeitados pensadores nacionais e internacionais nos aproximarão do Conhecimento, o principal capital do mundo de hoje. Arte, sustentabilidade, ciência, internet, redes sociais, economia, ativismo, neurociência e medicina serão alguns dos assuntos abordados. Temas desafiadores, pensamentos transformadores.

O neurocientista americano Stuart Firestein e a microbiologista brasileira Natália Pasternak falaram na abertura da temporada de 2022 realizada na Casa da Ospa, localizada dentro do Centro Administrativo Fernando Ferrari (Av. Borges de Medeiros, 1501). Propõem uma revolução no modo como se ensina a ciência, defendem um formato de ensino que não se restrinja a  respostas prontas – que não levam a avanços, apenas repetem o já sabido – mas instiga a questionar e assim abrir novos caminhos. Foi tema de coluna anterior, que inclusive dedica um espaço à nova modalidade de ensino que recebeu notável impulso na pandemia: “Ensino à Distância” (EAD).

Cristiano Englert, anestesiologista especialista em Inovação na Saúde e estrategista de programas de inovação do Health Plus Innovation Center apresentará palestra na qual estabelece um link entre medicina e IA. Novas empresas estão apostando na tecnologia para oferecer produtos e serviços que tornam a medicina mais acessível e proficiente. As possibilidades de realizar exames e até mesmo intervenções cirúrgicas à distância ampliam seu horizonte com a implantação da rede 5G.  Um cirurgião se posiciona diante de um computador e por meio de robótica via internet pode realizar procedimentos em qualquer parte do globo e elas podem ser acessadas por estudantes, fato já corriqueiro.

É a telemedicina aplicada não apenas em consultas, robôs em qualquer lugar obedecem diretrizes partidas da outra ponta da rede. A internet permite o que há pouco tempo permanecia na elucubração dos ficcionistas.

Apenas as elites endinheiradas estão se beneficiando? Não! O SUS pode contatar empresas privadas com tecnologia avançada e aplicar esses recursos em hospitais e unidades básicas de saúde. É importante que os médicos desde a faculdade aprendam a utilizar essas ferramentas e isto não significa que a IA vai substituí-los, eles continuarão imprescindíveis. A robotização à distância é apenas mais uma arma que a humanidade dispõe para beneficiar ricos e pobres.

Não devemos nem podemos supor que o médico perca suas características fundamentais: a empatia, o tratamento humanizado e individual. Por mais que disponha de tecnologias possibilitadas pela IA, sempre haverá um peso inestimável na interação médico-paciente. É importante salientar que teremos acesso em qualquer parte a especialistas de primeira linha. A telemedicina permite cuidar dos dados do paciente como em qualquer outro serviço de saúde presencial.

Já existe tecnologia disponível para fazer um ultrassom à distância acoplando um celular e cirurgia robótica, permite contar com profissionais distantes. O 5G vai agilizar o que já estamos realizando, os procedimentos serão mais rápidos, seguros e universais,

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


LEI MARIA DA PENHA

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

LEI MARIA DA PENHA – 23/08/2022

Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha.

Art.1º - Esta lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do parágrafo 8 do art. 226 da Constituição Federal.

Art. 2º - Toda a mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades de viver sem violência.

Farmacêutica e natural do Ceará, Maria da Penha sofreu constantes agressões por parte do marido. Em 1.987, seu esposo tentou matá-la com um tiro de revólver, sobreviveu, mas ficou paraplégica.

Em 2002 o Estado Brasileiro foi condenado por omissão e negligência pela Corte dos Direitos Humanos.

A Lei Maria da Penha é uma conquista da defesa dos direitos das mulheres que podem acessar o telefone 180 para efetuar denúncias e pedidos de proteção.

Sem a menor sombra de dúvidas é um dos maiores avanços da jurisprudência brasileira.

Agora, comparar a proteção de mulheres agredidas por seus companheiros com delinquentes presos por policiais e estender aos malfeitores medidas protetivas é um “caso de polícia” permitam-me o desabafo irônico.

Juízes têm proibido policiais de se aproximarem de pessoas que tenham prendido, configurando-se uma espécie de medida protetiva. Determinam que policiais mantenham distância de delinquentes? O trabalho dos PMs é iminentemente de rua, abordando suspeitos. “A atividade policial não pode ser cerceada. Não é porque há casos de abusos que se vai desconfiar do policial só por ser policial” (Gustavo Ronchetti, promotor de justiça).

A ocorrência recente do jovem de 18 anos que foi presumivelmente assassinado por policiais é uma exceção, não regra, deve ser investigado com todo o rigorismo e caso haja comprovação do crime, sejam punidos de acordo com a lei.

O Ministério Público (MP) pediu habeas corpus contra a decisão do magistrado. O Tribunal de Justiça, por liminar, suspendeu a decisão do juiz de 1º grau, mas ainda depende de julgamento do mérito.

Reflita, como pode ser efetivo o policiamento na rua se for proibida a abordagem de suspeitos?

O juiz, no mesmo despacho, determinou que “oficie-se a Polícia Civil para identificação dos policiais que realizaram prisão em flagrante e notifique-os da proibição de contato com o flagrado e sua família”.

Voltaremos aos selvagens tempos do Far-West, em que cada um se defendia como podia e os tiroteios se sucediam a cada “visita” que quadrilheiros faziam às cidades protegidas precariamente pelo xerife? E mesmo isso entre nós seria impossível em vista da li que desarmou os cidadãos, estamos no “mato sem cachorro” e às quadrilhas, bem organizadas, seria o ambiente que mais desejam.

Quanto à possibilidade das pessoas se armarem, na opinião do colunista, o porte de armas deve ser severamente controlado, porém o direito de possuí-las para proteger suas vidas e seu patrimônio deve ser autorizado. Da maneira que vige a legislação somos presas fáceis para os delinquentes. Indefesos.  Os delinquentes não “estão nem aí” para a Lei nº10.826, de 22 de dezembro de 2003 que dispõe sobre o registro, posse e comercialização de armas de fogos e munição.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


segunda-feira, 22 de agosto de 2022

DIREITO

 



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

DIREITO

“O direito é um termo usado indiferentemente tanto para indicar uma norma jurídica particular quanto um determinado complexo de normas jurídicas”. (Norberto Bobbio – filósofo, político, historiador, escritor e senador vitalício italiano).

Em outras palavras, temos que respeitar NORMAS, sejam elas particulares, sejam visando a sociedade. Este sistema é base de todo o ordenamento jurídico.

Outra versão da palavra “direito” abrange a liberdade, mas a liberdade não pode se confundir com licenciosidade. Em suma, a minha liberdade tem como limite a liberdade de qualquer outra pessoa. Um exemplo fácil de compreender, não posso em nome da minha liberdade, roubar, ferir, prejudicar de qualquer forma outra(s) pessoa(s).                                        A licenciosidade não pressupõe limites e acaba se tornando egoísta por não respeitar as vontades, os desejos e os direitos de outras pessoas. O respeito à liberdade não pode se confundir com licenciosidade.

Aqui abro um parêntese que vai provocar muitas contestações: o uso indevido do direito de ir e vir que as manifestações de rua – SEJAM QUAIS FOREM – quando provocam a impossibilidade de circulação de pessoas ou veículos não são admissíveis perante a Constituição de 1988.  As manifestações que se verificaram em todo o país defendendo a Democracia eram consentâneas com os desejos da população, eu mesmo assinei, defendem o respeito ao estado de direito, porém, não encontram guarida na Constituição de 1988.                                                                                               Este direito encontra-se acolhido no art. 5, XV, CF, no qual menciona ser livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens.                                                                                     Manifestações públicas são um direito inalienável, desde que deixem um espaço livre para a circulação dos que não participam.

A História é dinâmica em todos os sentidos, inclusive na forma como convivemos em sociedade.

Inicialmente, no patriarcado, o decano decidia tudo a seu bel-prazer. Evoluiu para o tribalismo em que os seres humanos viviam em sociedades pequenas. Paulatinamente esses grupamentos foram se agigantando e surgiram países e conglomerados como a Comunidade Comum Europeia.

As leis também evoluíram e estamos nos encaminhando para um regime onde todos têm direitos e deveres regrados pela legislação e esta, submetida à Constituição vigente. Tiranias, de qualquer jaez, estão com seus das contados. O que mais se aproxima da democracia real é um sistema que agregue a evolução técnico-científica-econômica do capitalismo com o humanismo do socialismo.

O sistema educacional, inicialmente como educação familiar com sua dificuldade em abranger toda a população às escolas, universidades, recentemente a Educação à Distância EAD mostra sua cara.

Pandemias como a Covid-19 impulsionaram este método que prescinde a reunião presencial. Em muitos países é empregado de forma complementar, não exclusiva. Nem tudo pode ser transmitido via internet, ensinar um estudante de medicina a realizar cirurgias desta maneira, um fato que exige o acompanhamento presencial de mestres é impossível. Os alunos, inicialmente como assistentes e instrumentadores, apenas em um último estágio atuarão como operadores de fato.

A oferta de cursos EAD na última década cresceu 486% enquanto a dos cursos presenciais somente 23%.

A formação de professores em algumas especialidades saltou 110% na modalidade EAD enquanto a presencial diminuiu. Hoje, seis em cada dez docentes que chegam ao mercado foram preparados de maneira virtual.

A EAD pode ser a única opção para alunos que encontram dificuldades em frequentar aulas presenciais, no Brasil há uma supervisão deficiente do Ministério da Educação (MEC).

Muitas graduações têm maior carga teórica, passível de ser obtida via internet, mas, repetindo, cursos na área da saúde e outros exigem experiência prática presencial.

Ao fim e ao cabo, como soe acontecer quando dificuldades operacionais aparecem, acaba-se encontrando um meio termo aceitável. Universalizem os ensinamentos sem descurar os indispensáveis acompanhamentos de mestres, laboratórios, locais para a prática do que se está aprendendo. É indispensável a cooperação do confiável processo tradicional.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


sexta-feira, 12 de agosto de 2022

JUSTIÇA LENIENTE

 

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

JUSTIÇA LENIENTE

Já me referi repetidas vezes à leniência com que são tratados os delinquentes no Brasil. As percentagens de prisões são incompatíveis com o número de ocorrências e sua gravidade. Mesmo as efetuadas não têm um tempo de aprisionamento que sirva de desestímulo, em curtos prazos os facínoras estão em liberdade e continuam agindo sem temor, sabem que o entra-e-sai dos presídios compensa. Advogados entram com recursos, juízes não relutam em fornecer habeas corpus e, mesmo quando condenam as penas são de pequena monta.

Lembro quatro episódios revoltantes que já caíram no esquecimento.

1.    Em 2/4/22, a policial Ladine Almeida Larratea, 36 anos, atingida por um tiro na cabeça, está em estado de coma. O autor do disparo, cujo nome não foi divulgado (???) foi preso. O criminoso já fora detido em flagrante há quatro meses e estava em liberdade. Possui diversos antecedentes, incluindo ocorrências por tráfico de drogas, furto e receptação. Era liderado por um detento na penitenciária de Rio Grande. Com ele foram apreendidas duas pistolas, quatro carregadores, munição e 172 picos de cocaína.

Policiais, como os gladiadores da Roma antiga, diariamente são postos à prova correndo risco extremo de vida (Ricardo de Souza Salomon, Comissário de Polícia.

A policial foi vítima do contexto da guerra entre quadrilhas que traficam em Rio Grande. Desde 2021 uma facção oriunda da região metropolitana busca espraiar sua atuação na cidade. Três integrantes estão presos na Penitenciária de Rio Grande de onde buscam controlar a região. Convenhamos, é um acinte que presidiários tenham a possibilidade de usar telefones celulares para exercerem seu comando sobre  quadrilheiros em liberdade.

As forças de segurança labutam, inutilmente até o momento, para transferi-los para presídios federais.

2.    Eventualmente os criminosos levam a pior. Em 7 de abril de 2022 um policial militar matou um assaltante na hamburgueria Griô Burger, a Polícia Civil concluiu que agiu em legítima defesa de terceiros. Dois homens entraram armados e anunciaram um assalto. Mesmo após anunciar que era policial, os assaltantes não se renderam e, de acordo com testemunhas, atiraram contra o policial que revidou e matou Bruno Herbon Lima de Oliveira, 18 anos, o comparsa e um terceiro homem fugiram. As câmeras de segurança flagraram as ocorrências.

3.    As crianças que foram até a sede da ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz no Bairro São José, em Porto Alegre, tiveram a aula de informática substituída por um filme. Foi a forma que a equipe encontrou para driblar um episódio ocorrido no local que atende 55 alunos. Seis notebooks doados para o projeto foram levados após o imóvel ser invadido. Nira Pereira, vice-presidente da ONG assegura que a pessoa que furtou os notebooks não deve conhecer o nosso trabalho, que é mostrar às crianças um mundo melhor.

Não vamos fechar as nossas portas, encontraremos formas de prosseguir com o projeto que visa um futuro melhor para crianças que não possuem recursos nem possibilidade de adquirirem conhecimentos em informática, condição “sine qua non” para no futuro ingressarem num mundo mais compatível com seus anseios de uma vida mais confortável, para si e para todos que compartilham o seu meio.

É de estarrecer que, na eventualidade da prisão desses delinquentes, suas penas jamais serão compatíveis com a gravidade dos seus atos. Os notebooks poderão ser recuperados ou substituídos, a dor e o desestímulo provocados pelo ato criminoso vão além do que se possa avaliar. Truncar o caminho dessas crianças é um crime inominável e não pode se perdoado, muito menos os seres abjetos que causaram o episódio.

4.    A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) e a Prefeitura de Porto Alegre realizaram, em 8 de junho, a primeira operação conjunta após a criação de uma força-tarefa para combater o furto de fios e de cabos da cidade, houve um aumento de 86% neste tipo de crime em 2022. Participaram mais de 230 agentes que contaram com cerca de cem viaturas na fiscalização de 15 estabelecimentos. Três foragidos foram capturados, um suspeito preso e dois ferros-velhos interditados.

A CEEE Equatorial acompanhou a ação. Segundo a SSP, houve 405 registros de furtos na capital no primeiro quadrimestre do ano. O que estarrece é o fato de, corriqueiramente as prisões efetuadas não desestimulam os crimes e os ladrões, em pouco tempo estão soltos e novamente nem ação.

PODE?

Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, tipifica alguns crimes que atentam de maneira solerte contra a sociedade com a tipificação de CRIMES HEDIONDOS.

Art. 1º.  São considerados hediondos os crimes de latrocínio (art. 157, § 3º, in fine), extorsão qualificada pela morte, (art. 158, § 2º), extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput e seus §§ 1º, 2º e 3º), estupro (art. 213, caput e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo único).

 

Na opinião do colunista e, certamente, de parte considerável da população ordeira, o roubo de fios que transmitem a energia elétrica poderia ser também enquadrado na Lei nº 8.072, considerando a gravidade dos malefícios que provoca. Além do transtorno indiscutível:    prejuízos à rede de comércio de bens perecíveis e, muito mais grave, a perda de medicamentos que exigem refrigeração. A insulina, cuja não aplicação acarretará, sem a menor sombra de duvida, a morte da pessoa diabética. Outros medicamentos também se enquadram no mesmo patamar, tratamentos contra a osteoporose e tantos mais que não caberiam numa coluna citar.

Ao tornar inafiançáveis os crimes hediondos e equiparados, a Constituição proibiu, em tais crimes, que a autoridade policial coloque o autuado em liberdade em virtude da prestação de fiança.

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

 


A BUCA DO CONHECIMENTO

 

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

A BUSCA DO CONHECIMENTO

Stuart Firestein, neurocientista da Universidade de Colúmbia afirma, para espanto de muitos: “As lacunas do conhecimento fazem a ciência avançar. A ignorância de alta qualidade, ou seja, a consciência de que não se sabe algo é capaz de gerar boas perguntas”.

Numa das minhas colunas abordei algo similar: “Para cada resposta que obtemos nos surgem dez novas questões, mas o que nunca vai acabar é a busca do homem pelo conhecimento”.

Isaac Asimov, escritor e bioquímico norte-americano, um dos maiores escritores de ficção científica: “Mesmo quando era jovem, não conseguia acreditar que, se o conhecimento oferecesse perigo, a solução seria a ignorância. Sempre me pareceu que a solução tinha que ser a sabedoria. Qualquer avanço tecnológico pode ser perigoso, mas, os humanos não seriam humanos sem eles”.

Stephen Hawking, físico e cosmólogo britânico, um dos maiores cientistas de todos os tempos: “Inteligência é a capacidade de se adaptar às mudanças”.

Natália Pasternak, microbiologista e pesquisadora da Universidade de Colúmbia integra o rol dos que admitem o progresso da ciência a partir do que desconhecemos: A “verdade” para a ciência é uma verdade provisória, não absoluta. O que nos leva avante é a nossa capacidade de mudar de ideia diante de novas evidências e da crítica que recebemos e nos estimula a prosseguir mais um passo. À medida que temos acesso a novas ferramentas o processo se acelera e é um caminho sem volta. A era dos dogmas incontestáveis que levou à morte nas fogueiras os que os contestavam – Idade Média – pertence ao passado, embora alguns resquícios teimem em persistir. Os negacionistas teimam em desafiar a ciência e esta maneira de encarar as situações acaba causando mortes, o “Kit-Covid” é um exemplo escandalosamente trágico.

As críticas, quando bem fundamentadas podem apontar erros, levando-nos a rever nossos dados e mudar as conclusões.

Enquanto a ciência admite suas incertezas, os dogmas e a pseudociência nos apresentam certezas que encantam e conduzem a becos sem saída, a resultados falaciosos. Entravam o progresso e se não mudarmos nossa maneira de encarar os fatos admitiremos as falsas certezas tão atraentes, vendidas por charlatães, que farão mais adeptos que as dúvidas comunicadas com honestidade. Apresentar as nossas incertezas sem medo é continuar sem descanso na procura de respostas verdadeiras – que virão cedo ou tarde, como as vacinas contra a Covid – admitir as dúvidas será sempre a melhor estratégia para formar cidadãos mais racionais e eles não se deixarão enganar pelas ditas “verdades absolutas”.

O tempo é o melhor julgador, lembremos que houve uma época em que o geocentrismo era um dogma absoluto e indiscutível. Giordano Bruno, que apoiava a tese do heliocentrismo de Copérnico foi queimado vivo por não admitir uma retratação. Galileu Galilei cedeu e foi anistiado pelo Papa Urbano VIII. Em 1992, 350 anos após a sua morte, Galileu Galilei foi reabilitado pelo Papa João Paulo II.

Charles Darwin, pressionado pela Igreja Católica que, apenas admitia a vida com origem divina no Criacionismo, postergou por mais de 20 anos a publicação de sua teoria “A Origem das Espécies” na qual afirmava ser a seleção natural o caminho da evolução da vida na Terra.

Finalizando: Galileu, Darwin e milhares de cientistas sérios tiveram suas teorias confirmadas. A ciência triunfou.

A verdadeira ciência é aquela que pesquisa duvidando e acaba encontrando os atalhos que conduzem à VERDADE. O futuro da humanidade depende dela. Quando admitimos dúvidas abrimos novas perspectivas, quando brandimos certezas absolutas chegamos ao “fim da picada” e nos atolamos irremediavelmente.

 

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado