domingo, 4 de outubro de 2020

CONFISCO DE BENS DOS CRIMINOSOS



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

CONFISCO DE BENS DE CRIMINOSOS – 03/10/2020

Um tema recorrente no judiciário brasileiro é o que aborda a possibilidade-legalidade do confisco de bens adquiridos por meio de atos criminosos. Propriedades de traficantes, por exemplo, têm sido leiloados e o resultado destinado a ser utilizado nas campanhas de combate a esta modalidade de atos delituosos.                                                                                                                            

O Art. 91-A da Lei 13.964, sancionada em 24 de dezembro de 2019 diz: Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima superior a seis anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto em proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito”.

A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim) ajuizou ação direta de inconstitucionalidade no STF contra o dispositivo do pacote anticrime que prevê o confisco amplo do patrimônio do condenado. O documento acusa a regra de “criar uma pena de confisco de bens travestida de efeito de condenação”.

Interesses gigantescos orbitam ao redor da decisão que o STF terá de tomar. Um espectro tão amplo de possibilidades abrangerá com certeza e profundamente os bens auferidos através de atos de corrupção tão aventados nos últimos anos – não se diga que anteriormente fossem desconhecidos – catapultaram inclusive a dívida brasileira para R$ 4,25 trilhões (Zero Hora, 28/02/2020).  As partes ameaçadas, como ocorreu nas ações da Lava-Jato, usarão de todos os artifícios, legais ou nem tanto, para torpedear mais essa “ameaça” de repercussões inimagináveis. Fechar as torneiras pelas quais jorram quantidades astronômicas de dinheiro mal havido não será uma tarefa fácil, talvez mais difícil que os “12 trabalhos de Hércules” da Mitologia Grega. É evidente que advogados se oponham a leis que dificultem sua atuação quando abalam as disponibilidades financeiras dos que lhes compete defender, inclusive o pagamento dos honorários é posta em xeque.

A Lava-Jato aprofundou as investidas no setor que abrange inclusive políticos que lutam pela sobrevivência política, financeira e pela liberdade ameaçada. Não admira que tenha sido alvo de pertinaz combate.

Cabe aqui refletirmos sobre o que na realidade ocorre. Como se dizia na apresentação de lutadores no ringue:                                                                                                                                                “À minha direita o Ministério Público representando a população ordeira do país, à minha esquerda os advogados que defendem os acusados de infrações penais. Arbitrando o litígio, o Poder Judiciário”. Inicia o processo judicial, a comunidade na expectativa que se faça justiça. Que se condenem os culpados, que se absolvam os inocentes. Sem expedientes espúrios de nenhum lado.

 Querem saber a opinião pública? Realizem um plebiscito (prática de propor à votação do eleitorado, para aprovação ou rejeição de medidas a serem propostas por um órgão legislativo). Alguém acredita que o resultado seria favorável aos meliantes? Alguém duvida que o referendo aprovaria o confisco dos bens mal havidos? Este o motivo do alarido contra o Art. 91-A da Lei nº 13.964.

Figuras proeminentes dos mais altos escalões tremerão nas bases se for implementada – SEM EXCEÇÕES – a lei.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

  

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

DROGAS PSICOATIVAS

 



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

DROGAS PSICOATIVAS

Drogas psicoativas entram em ação com efeitos positivos extraordinários para corrigir ou amenizar situações que precisam ser normalizadas. São substâncias químicas que agem principalmente no sistema nervoso central, onde alteram as funções cerebrais e temporariamente mudam a percepção, o humor, o comportamento e a consciência.

Em meados da década de 1970, o laboratório Elli Lilly desenvolveu um antidepressivo que conhecemos com o nome de PROZAC, tinha poucos efeitos colaterais indesejados. Em pouco tempo passou a ser usado por alguns com o objetivo de melhorar o humor e a disposição mental. Essa forma de emprego, que não visa tratar qualquer doença ou desordem mental, visa elevar os padrões da vida normal, teve seu destino desvirtuado, infelizmente.                                                                                                                                 A RITALINA foi sintetizada em 1944 para controlar a Hipotensão Ortostática (vulgarmente conhecida como “pressão baixa”). Na década de 60 passou a ser utilizada para a Perturbação por Déficit de Atenção (PDA). Como se mostrou eficiente para melhorar a atenção e a memória começou a ser utilizada como estimulante mesmo em pessoas que não sofrem de PDA.

O Prozac e a Ritalina são exemplos de medicamentos originariamente desenvolvidos para fins médicos e passaram a ser utilizados para fins não médicos. Alguns psicoestimulantes como o MODAFIL inclusive já foram utilizados com a intenção de aumentar o desempenho físico e podem ser rotulados como dopping. Nesses casos é evidente que não são indicações estritamente médicas.

Num ponto conflitam os defensores do “imperativo moral para o melhoramento humano” com os que temem que a proliferação dessas práticas possa colidir com valores que prezamos como seres dotados de humanidade, não seriam moralmente admissíveis. Inclusive – os que não admitem freios ao desenvolvimento técnico - entram em rota de colisão com lideranças religiosas. Lembremos que no dia 22 de junho de 1633, o cientista italiano Galileu Galilei, cujos conceitos científicos mudaram a Física, Matemática e Astronomia, foi condenado pela Igreja Católica. A condenação foi motivada pelas descobertas que fizera e, segundo o Tribunal da Santa Inquisição, contrariavam as crenças filosóficas e religiosas da época baseadas nos ensinamentos de Aristóteles. Devemos ter um cuidado extremado para não seguir conceitos que não se sustentam quando analisados em profundidade. Lembremos os postulados do nazismo que tentou implantar a supremacia ariana e acabou deflagrando a II Guerra Mundial.

Como vemos, os fundamentos filosóficos propugnam convicções antagônicas. Uns resistem a inovações revolucionárias nos conceitos tradicionais e outros almejam melhorar a sociedade com conceitos até então desconhecidos que, literalmente, pretendem avançar por caminhos não convencionais e de imprevisível resultado. Um debate que não tem data para acabar, ao menos no horizonte visível atualmente.

Crescendo na escalada, a possibilidade de modificar a estrutura dos seres vivos com a manipulação dos genes do DNA acerbou o debate a um nível extremo.                                    Se, por um lado podemos criar drogas transgênicas que evitam doenças ou facilitam a cura, vacinas como a H1N1, contra a gripe e a Insulina, por exemplo, também está aberta a perspectiva para a manipulação de inexistentes agentes patológicos que não possuem antídotos e dos quais se desconhecem processos de cura. Um passo para a guerra biológica, um alento para terroristas e um pesadelo para a humanidade.

Se o arianismo se revelou uma quimera, transgênicos estão sendo elaborados diuturnamente nos laboratórios. Para o bem ou para o mal, como sempre ocorreu. Novos cultivares aditivados como vitaminas e nutrientes – o arroz dourado é um exemplo – podem no futuro próximo amenizar a fome endêmica no mundo e debelar doenças atualmente de difícil ou mesmo impossível cura (lembremos a AIDS). Por outro lado, manipular micro-organismos de modo a transformá-los numa “Espada de Dâmocles” suspensa sobre nós, um pesadelo possível e aterrorizante. Como possuímos o livre arbítrio, cabe a nós a escolha entre utilizar a ciência para elevar o padrão de vida ou degradá-lo a níveis inadmissíveis.

Oxalá Pandora abra pela derradeira vez sua caixa e liberte a Esperança nela aprisionada. Será o início de novos e alvissareiros tempos.

 


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

 


segunda-feira, 14 de setembro de 2020

O CANTO DAS SEREIAS

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

CANTO DAS SEREIAS

Benjamim Franklin, inventor, cientista, diplomata, entre outros atributos que o alçaram à condição de um dos mais ilustres cidadãos estadunidenses foi autor de fases lapidares que perseveram no tempo. Para nos alertar dos perigos de nos deixarmos induzir por conceitos incorretos usou uma metáfora: “Quem dorme com cães acorda com pulgas”.

A Bíblia também dedica um espaço para prevenir os cristãos alertando que devemos evitar, além do pecado, a proximidade das oportunidades. Quantas almas lá no inferno se lastimam: “Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria aqui agora!”

Muitas vezes caímos no “canto das sereias” relatado na Odisseia. Ulisses, retornando da Guerra de Troia rumo à Ilha de Ítaca onde o aguardava sua fiel esposa Penélope, para resistir ao canto das sereias ordenou aos marinheiros que o amarrassem ao mastro do navio, sem esta providência não resistiria.

O metafórico “canto das sereias” na atualidade pode ser representado pelas palavras de pessoas nas quais depositamos irrestrita confiança, imerecida em muitos casos. Líderes religiosos, políticos influentes, companheiros chegados, influenciam nossas atitudes e conceitos. Cuidado! Separemos o joio do trigo e nos mantenhamos distantes das aleivosias, podem nos levar a “acordar com pulgas”.

A Covid-19 causou não apenas dor, sofrimento e mortes, confusão generalizada também. Em meio a tantas maneiras de preservar a vida, resistir ao uso de máscaras e insistir em aglomerações são, com certeza, atitudes nada recomendáveis.

John Stuart Mill, filósofo inglês, foi um dos mais influentes pensadores do século XIX. Em seus escritos políticos defende que cada um é guardião e si mesmo e, portanto, para viver do jeito que bem quiser. O limite dessa liberdade é a liberdade do outro quando vivemos em sociedade. “Ainda que as circunstâncias influam muito sobre o nosso caráter, a vontade pode modificar as circunstâncias a nosso favor”. Trocando em miúdos: somos influenciados a todo o instante por pessoas com as quais convivemos e quanto mais ascendência possuem sobre a comunidade maior o impacto de suas palavras e atos. Isso não impede de tirarmos nossas próprias conclusões e tomarmos decisões pessoais. O livre arbítrio nos permite optar e ao fazermos estabelecemos limites do quanto e quando devemos seguir o curso que pretendem nos determinar. Podemos e devemos nos insurgir contra aquilo que nos pretendem impingir apesar de as circunstâncias, os fatos e a ciência nos indicarem um rumo oposto. Sabemos que para evitar contágio o uso de máscaras e o distanciamento social são providências fundamentais? Então, não demos ouvidos aos que nos tentam induzir caminho oposto. Lembrando mais uma vez John Stuart Mill: “O único propósito pelo qual o poder pode ser exercido com razão sobre qualquer membro da comunidade, é evitar dano a outros”.

E não é só no Brasil que se pretende induzir à desobediência a população, a fazê-la se insurgir contra a lógica e a ciência, o bom-senso. Milhares de pessoas protestaram no dia 5 de setembro de 2020, no centro de Roma contra a vacinação preventiva ao coronavírus em crianças na idade escolar e pelo uso de máscaras em público. Segundo a ONG Avaaz, 25% dos brasileiros desdenham essas medidas simples, fundamentais para nosso bem estar e proteção aos cidadãos.

 


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


quinta-feira, 3 de setembro de 2020

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO

 



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO – 03/09/2020

Profissionais da Saúde costumam combater vírus com vacinas e antivirais. Mas haverá o dia em que, por um tempo, os vírus vencerão esta batalha e muitos seres humanos morrerão numa pandemia”. (Prof. May Pereira em palestra a alunos de Odontologia da UFRGS na década de 80 do século passado).

O homo sapiens jamais se dá por vencido. JAMAIS!

Na antiguidade as doenças eram consideradas castigo dos deuses pelos nossos “pecados”, se suplicava seu perdão para receber a cura. Sacerdotes, pajés, xamãs eram os intermediários.

E o tempo rolou...

A Natureza forneceu os primeiros medicamentos e a ciência os depurou, atualmente os sintetiza. Não paramos de evoluir.

A Louis Pasteur devemos o soro e a vacina contra a hidrofobia mortal. Outras vieram. A Covid-19 nos desafia e também será vencida. Lembremos que a vacina é o ÚNICO recurso para prevenir e evitar que a hecatombe prossiga ceifando vidas aos milhares... dezenas de milhares... centenas de milhares mundo afora.

Há um mas, sempre há um mas... a ignorância é um obstáculo imenso a ser vencido. Paulo Coelho adverte: “Nunca discuta com pessoas que acreditam nas próprias mentiras”.

Surgiu uma diretriz nefanda para nos assombrar e partiu de onde deveríamos encontrar socorro, esperança. Em 31/08/2020, em resposta a uma apoiadora, o Presidente Jair Messias Bolsonaro disse: “Ninguém pode ser obrigado a tomar vacina”. O Vírus sorriu e a Morte afiou sua foice antevendo o trabalho que teria pela frente.

Liberar da vacina é multiplicar as sepulturas. LITERALMENTE! As pessoas responsáveis serão  levadas de roldão pelos inconsequentes que só esperavam esta brecha para continuar em seu insano modo de viver.

Liberar o uso de máscaras, permitir aglomerações, etc. e agora dar as costas à solução que todo o mundo afanosamente procura?

OREMOS!

E não é de hoje, não só aqui e não apenas leigos no assunto defenderam teses absurdas e tratamentos inócuos. Inócuos? Muito pior, com efeitos colaterais avassaladores.

Em 26 de fevereiro de 1998 o médico britânico Andrew Wakefield apesentou, na conceituada revista “The Lancet”, uma tese que debitava à vacina conjunta contra rubéola, caxumba e sarampo, conhecida como tríplice viral (MMR) uma das causas do autismo. O caso teve grande repercussão, aliás repercute até hoje no mundo.

Ao ser comprovada pela comunidade científica que a metodologia usara má conduta, conduzido a um resultado fraudulento, a licença do médico foi cassada e ele foi impedido de exercer a profissão.

Tarde demais, o estrago foi grande. Como consequência, o sarampo, doença praticamente erradicada ressurgiu e as taxas e vacinação nunca mais voltaram a atingir os índices anteriores. Muitos ainda acreditam nessa informação apesar de não ter nenhum embasamento para ser levada a sério.  Repito, infelizmente o mal continua a produzir efeitos deletérios

Pensem, pensem, apenas pensem. A poliomielite, a varíola, o tifo, a hepatite, o tétano, a gripe, a tuberculose e um sem número de outras doenças estariam sob controle sem a vacinação em massa?

Incongruência total: o Presidente Jair Messias Bolsonaro sancionou a Lei nº 13.979/20, chamada Lei do Coronavírus, diz que, na situação atual de pandemia, as autoridades podem obrigar a população a ser vacinada.

A lei, publicada em 6 de fevereiro, vem do PL 23/2020 de iniciativa do próprio Governo Bolsonaro quando Luiz Henrique Mandetta, que assina a peça, era Ministro da Saúde. A proposta, no seu artigo 3º colocou a vacinação como uma das possibilidades a serem determinadas compulsoriamente pelas autoridades.

Posfácio – Entre a identificação de uma doença e a descoberta da vacina que a previna, o tempo decorrido diminuiu no decorrer da História, A vacina da Poliomielite, após 3.348 anos. Estamos prestes a estabelecer um recorde para a vacina Covid-19 se materializada ainda este ano.

ESPERAMOS!



 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


domingo, 30 de agosto de 2020

ADMIRÁVEL GADO NOVO

 



 

CIÊNCIA E CULTURA

Marília Gerhardt de Oliveira

 

19 – “ADMIRÁVEL GADO NOVO” (Zé Ramalho)

 

Vocês que fazem parte dessa massa                                                                                                   Que passa nos projetos do futuro                                                                                                  É duro tanto ter que caminhar                                                                                                       E dar muito mais do que receber                                                                                                          E ter que demonstrar sua coragem                                                                                                   À margem do que possa parecer                                                                                                     E ver que toda esta engrenagem                                                                                                Já sente a ferrugem lhe comer

 

Lá fora faz um tempo confortável                                                                                             A vigilância cuida do normal                                                                                                         Os automóveis ouvem a notícia                                                                                                         Os homens a publicam no jornal                                                                                   E correm através da madrugada                                                                                                        A única velhice que chegou                                                                                         Demoram-se na beira da estrada                                                                                                     E passam a contar o que sobrou

 

O povo foge da ignorância                                                                                                               Apesar de viver tão perto dela                                                                                                       E sonham com melhores tempos idos                                                                                                 Contemplam esta vida numa cela                                                                                      Esperam nova possibilidade                                                                                                        De verem este mundo se acabar                                                                                               A Arca de Noé, o Dirigível                                                                                                         Não voam, nem se pode flutuar

ZÉ RAMALHO

 

Inacreditável!

O Ministro da Saúde do nosso Brasil acaba de editar uma Portaria constrangedora, monstruosa, abjeta.

Se for operacionalizada, uma mulher (seja ela criança, adolescente, adulta ou idosa) violentada por estupro só poderá ter seus Direitos garantidos (atendimento de Saúde de qualidade que necessita e merece) se o for sob mira de autoridade policial, o que configura, inequivocamente, uma forma adicional de tortura.

No que se refere às crianças, este absurdo tem agravantes psicossociais que beiram a ato criminoso de autoridades recentemente eleitas (mas que devem, minimamente, respeitar nossa Constituição).

Nauseabundo saber que o Ministério deste mesmo Governo, que deveria zelar pelos vulneráveis e pelos Direitos Humanos, sem preconceitos odiosos, nada diz nem faz oficialmente a respeito, omitindo-se de forma irresponsável de sua nobre Missão.

Em países verdadeiramente democráticos em sua gestão pública, onde a Política se exerce com maturidade, seriedade e competências científica, técnica e ética, esta normativa que desejam impor seria impensável.

Mas, nestes países, Ministras têm perfil de Estadistas e são científica e culturalmente grandiosas, como, em passado recente, a hoje Chanceler da Alemanha, PhD Angela Merkel, quando foi Ministra da Família, Pessoas Idosas, Mulheres e Jovens (1991-1994) e, a seguir, Ministra do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear (1991-1998).

Infelizmente, em termos de Meio Ambiente, o atual Governo Federal também tem desempenho constrangedor e irresponsável face às futuras gerações.

Que a Sociedade Civil Organizada, apoiada pelo Poder Judiciário e, se possível, pela maioria dos Legisladores, também eleitos pelo povo Brasileiro, possam atuar, urgente e efetivamente, no repúdio e não viabilização de mais esta decisão truculenta e despropositada.

Mulheres e homens com um mínimo de humanismo e civilidade e que, em pleno século XXI, valorizam Ciência e Cultura, continuarão a luta cidadã para que, o que ainda resta de bom em nosso amado Brasil, possa sobreviver, mantendo-se a dignidade e o respeito indispensáveis ao convívio dos justos.

 

VIDA DE GADO,                                                                                                                                    POVO MARCADO,                                                                                                                  POVO FELIZ   

Zé Ramalho                                                                                                                                           

 

 Marília Gerhardt de Oliveira

gerhardtoliveira@gmail.com


sexta-feira, 28 de agosto de 2020

EU VOU ME CUIDAR PORQUE TE AMO

 



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

EU VOU ME CUIDAR PORQUE TE AMO

Seres vivos instintivamente protegem suas crias, mesmo sacrificando a própria vida para tanto.        O homo sapiens ultrapassa este parâmetro – a descendência -, criou a ética, um sentimento de solidariedade que estende este proceder a todos da espécie, mesmo a estranhos que jamais irá conhecer.

O livre arbítrio – uma característica exclusiva nossa – permite agirmos mesmo contra o senso comum e esta idiossincrasia explica as atitudes irresponsáveis típicas de pessoas que seguem a conhecida “Lei de Gerson”: levar vantagem em tudo, mesmo que ocasione adversidades à comunidade. Egoístas não levam em consideração o próximo e, por vezes, esta atitude tem efeito bumerangue e acaba atingindo o próprio irresponsável.

A Covid-19 nos permite analisar o fato supracitado de maneira inequívoca. Manter distanciamento social representa um sacrifício que muitos não aceitam: “danem-se os outros, não vou permitir que a ameaça de uma “gripezinha” (SIC) me force a usar máscara, impeça que socialize minha vida, admita prejuízos econômicos ao restringir atividades, em suma, prejudique meus interesses pessoais imediatos.

Sou atleta, passarei incólume pela pandemia, no máximo um desconforto passageiro. Será? Muitas vezes a UTI de um hospital responde à provocação e até um cemitério poderá ser o endereço final. Milhares, principalmente jovens, descobrem tarde demais o engano fatal.

“Eu vou me cuidar porque eu te amo” é um texto que recebi de um anônimo e aqui reproduzo.

Vale refletir.

EU VOU ME CUIDAR PORQUE EU TE AMO.

 

Essa é a frase que resume o momento que vivemos. 

É agora que a gente vai saber o que fala mais alto em uma comunidade. 

O meu problema ou a nossa proteção.

Já ficou mais que provado que para cerca de 80% dos pacientes de coronavírus, a doença nada mais é que uma gripe que nós, ranhentos do sul que passamos o inverno todo gripados tiramos de letra. 

Mas não é o momento de pensar nos 80%. 

É hora de pensar nos 20% não inclusos nessa turma resistente. Na sua avó que neste momento está com a saúde fragilizada por diabetes. 

Na sua amiga que neste momento passa por uma quimioterapia. 

No seu pai que tem problemas respiratórios.                                                                                Para estes e outros pertencentes aos grupos de risco não é uma gripezinha, é uma ameaça séria de morte.

Porque eu te amo, vou cuidar de nós. 

Se hipoteticamente duas mil pessoas se contaminarem em minha cidade e, dessas duas mil, cem precisarem de atendimento hospitalar ao mesmo tempo, vão faltar leitos. 

Vai atingir pessoas frágeis nas filas de atendimento médico. Vai virar um caos.

Pelos outros, eu vou me cuidar. Pelos outros eu vou procurar o sistema de saúde somente se apresentar sintomas e ter circulado por áreas de risco. Pelos outros eu vou ficar em casa, isolado se eu for um caso suspeito. 

Pelos outros eu vou me privar de sair pelas ruas onde houver livre circulação do vírus. 

Vou evitar festas e grandes eventos. 

Vou lavar minhas mãos, vou evitar compartilhar o chimarrão, vou evitar abraços e até mesmo os apertos de mão.

Pelos outros eu vou fazer minha parte. 

E quando cada um faz sua parte, todos ganham.

O coronavírus  estimula um exercício real de empatia. 

E empatia é igual a leito de UTI, não é em todo o lugar que a gente encontra.

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

NÃO PODEMOS ARREFECER

 



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

NÃO PODEMOS ARREFECER – 21/08/2020

De repente, não mais que de repente irrompeu este vírus terrível, com abrangência global, com capacidade de contágio fulminante, com possibilidade de se expandir sem controle, sem vacina e tratamento, com potencial de apavorar multidões.                                                                                   Tem, também, a capacidade de arregimentar cérebros privilegiados que utilizam laboratórios especializados disponíveis e verbas angariadas na busca frenética de soluções possíveis, primordialmente medicamentos para tratamento e cura, simultaneamente vacina para a prevenção de novos surtos.

Enquanto a solução é gestada providências emergenciais têm de ser obedecidas, entre elas a mais eficaz é a quarentena para as pessoas mais vulneráveis e às que não exercem funções indispensáveis. Profissionais da saúde, transporte, comércio de gêneros alimentícios e medicamentos, etc., abnegados arriscam sua segurança e a própria vida e permitem que continue a girar a roda da convivência. Existe também, infelizmente, quem não se peja em afirmar: “Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou este monstro chamado coronavírus. Porque este monstro está permitindo que os cegos comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises. Essa crise do coronavírus, somente o Estado é que pode resolver isso” (Luiz Inácio Lula da Silva).                                                                                                              Pessoas responsáveis descartam essa ignomínia pronunciada por quem tem ascendência sobre parcela significativa d popupação.

Espelhemo-nos no que escreveu Alexandre Garcia. “Nasci em 1940, sou, portanto, um coroa entrando no nível mais alto do grupo de risco, no ano o meu octogésimo aniversário. Já estou em casa há duas semanas, e muito feliz, porque a casa da gente é o melhor lugar do mundo”. Combater o tédio? Trabalho muito em casa e quando sobra tempo, é hora de espairecer e de leitura.

Ficar parado enferruja os músculos, desleixar o cérebro envia convite para a visita do Dr. Alzheimer. Não esqueçamos de valorizar os que estão trabalhando por nós, eles não podem parar senão nós, os em quarentena, não poderíamos sobreviver, morreríamos de fome, de isolamento, por contágio ao nos deslocarmos para finalidades impossíveis de postergar ou não executar. Cuidemo-nos, mas sem medo. O medo nos apequena, enfraquece nossa imunidade e nos lança na desesperança, no desespero inconsequente.

O coronavírus serviu para mais uma vez dicotomizar a população. No lado positivo, pessoas abonadas como Messi, Cristiano Ronaldo, Giorgio Armani, Justin Bieber, Donatella, Versage e muitos mais, donos de fortunas abriram os corações e as bolsas para doar vultosas somas. Hospitais receberam equipamentos e puderam ampliar instalações “a toque de caixa”.       HOSANA!

Toda a personalidade tem seu antípoda, no outro extremo do pensamento e ação surgem os aproveitadores da desgraça, os que se espojam – deitam e rolam – nas dificuldades alheias e se locupletam aproveitando o desespero alheio para auferirem lucros abusivos, escandalosos. Aumentam o preço de alimentos, medicamentos, prestação de serviços, tudo o que os afetados pela hecatombe necessitam e não podem regatear.                                                                    IGNOMÍNIA!

É nesta hora que o Estado tem de intervir. Tem de usar a força, se necessário, para coibir esses abjetos pescadores de águas turvas,

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado