terça-feira, 28 de junho de 2016

A SUPERMÁQUINA




A SUPERMÁQUINA 4 – ENVELHECIMENTO – 25/06/2.016


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

A SUPERMÁQUINA 4 – ENVELHECIMENTO


ENVELHECER É O GRANDE EFEITO COLATERAL DE NASCER. CERTO? TALVEZ NÃO. ENTENDA POR QUE O ORGANISMO DECAI COM O PASSAR DOS ANOS E SAIBA COMO A CIÊNCIA DE PONTA PRETENDE DRIBLAR ESSE PERCALÇO. E BUSCAR A IMORTALIDADE.



À medida que os anos passam, acumulam-se danos no seu organismo derivados de funções absolutamente fundamentais para sua sobrevivência: digerir, respirar, combater doenças. Por enquanto é inevitável. Mesmo que você seja um paciente exemplar, daqueles que não fumam e praticam exercícios, será vítima de suas próprias células no final da vida. Para piorar, muito antes de morrer essa produção contínua de danos celulares pode deixar você enrugado, curvado e fraco. Velhinho.
Como algumas pessoas conseguem diminuir as marcas do envelhecimento? Poderíamos simplificar todo o processo e debitar à genética, mas o DNA é apenas um dos responsáveis pela boa aparência de Pelé e Maria Gabriela na terceira idade.
Vamos explicitar que não se trata apenas de cuidar do corpo para viver um maior número de anos. De pouco adianta viver cem anos ou mais, mas com pouca qualidade de vida nos últimos.
A velhice se aproxima cada vez que você enche os pulmões de ar. Você depende do oxigênio, ele é um combustível essencial para a existência. A vida animal só conseguiu se desenvolver depois que o nível de gás aumentou consideravelmente na Terra, há 600 milhões de anos. Mas, numa jogada cruel da natureza, o gás vira veneno e nos mata, aos pouquinhos. Quando você respira, oxigênio, glicose e água ficam trocando elétrons entre si, num complexo sistema que acaba por liberar a preciosa energia. Se esse sistema fosse perfeito, viveríamos para sempre e não envelheceríamos. Mas não é.
No universo celular há uma constante troca de elétrons entre o oxigênio e moléculas do organismo. Em até 5% dos casos ocorre um desequilíbrio nesse processo e o oxigênio perde elétrons. Na ânsia de recuperá-los ele passa a roubar elétrons de lipídios, proteínas, DNA e RNA, causando estragos por onde passa. Transforma-se num radical livre e só descansa quando recupera seus elétrons, mas o estrago já está feito, gerando um verdadeiro caos nas células e os danos se acumulam no passar dos anos.
Até ao redor dos 20 anos o corpo se regenera substituindo as células danificadas. A partir dessa idade a reposição não consegue equilibrar as perdas e o envelhecimento inicia. Aparecem rugas e a visão começa a falhar. As articulações endurecem e os neurônios se degeneram. Etc.
Até agora a ciência não descobriu uma forma de interromper a degeneração celular causada pelos radicais livres. A boa notícia é que os cientistas evoluíram muito, veremos isso mais adiante.
Como vimos na coluna anterior, o encurtamento dos telômeros é parte essencial do envelhecimento e as pesquisas se orientam para evitar o processo. Por enquanto podemos retardar os efeitos com uma alimentação equilibrada com ingestão de legumes, nozes, frutas grãos e azeite de oliva. Um estudo publicado em 2.014, feito por cientistas de Harvard, acompanhou 121.700 enfermeiras com idades entre 30 e 55 anos durante mais de três décadas comprovou que era eficiente no prolongamento dos telômeros.
A ciência, agora, entrou com todo o empenho de alguns dos mais influentes magnatas do Vale do Silício que estão aportando bilhões de dólares numa ideia ousada: curar a velhice ainda neste século.
Será tema para a próxima coluna.
P.S.: Dados fundamentais para a elaboração desta coluna e das posteriores foram pesquisados na Revista Superinteressante, edição 359-A de maio/2.016 e no Google.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

segunda-feira, 20 de junho de 2016

É TRISTE




Publicada em "www.litoralmania.com.br"- 20/06/2.016

http://www.litoralmania.com.br/triste-por-jayme-jose-de-oliveira/

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

É TRISTE
De quantos idiotas você precisa para bagunçar o mundo? Há idiotas de todos os matizes: idiotas religiosos, ateus, raciais, homofóbicos, de direita e de esquerda... Há idiotas em toda a parte. Nos Estados Unidos, no Brasil, na Venezuela, em Cuba e mesmo ao nosso lado. Às vezes uma frase é considerada idiota – “Os brasileiros não sabem votar”. (Pelé) – e com o tempo, com ligeira modificação: “Os eleitores não sabem votar”, se tornam a palpável constatação da realidade. Não fosse assim, como explicar as eleições de Hitler, Menem, Evo Morales, Maduro, nossos últimos presidentes, Bush e, agora, a ameaça Donald Trump? Haverá coisa pior para o mundo que a eleição de Donald Trump? Haverá castigo maior para o povo brasileiro que o resultado da corrupção, no mínimo acobertada pelos eleitos? É de chorar e a próxima geração verterá sangue, suor e lágrimas como afirmou aos cidadãos ingleses, durante a 2ª Guerra Mundial, Winston Churchil.
A democracia é então ruim? Não! Ainda é a esperança para o futuro, basta podar as excrescências. Ou preferem ditaduras que já sofremos duas vezes e Cuba pena há mais de cinco décadas? Lembrem-se, se não tomarmos cuidado e não apelarmos para o lado positivo do livre-arbítrio, O QUE É RUIM SEMPRE PODE PIORAR. E os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos olharão para o passado e pensarão, com razão: “O que eles fizeram? O que eles nos deixaram de herança?
É triste CONSTATAR que o ódio prevalece sobre o bom-senso.
É triste CONSTATAR que o país mais poderoso do mundo não tenha discernimento que o levaria a elevar esse mundo a níveis espetaculares, e não eleger um... nem tenho palavras para definir.
É triste CONSTATAR que as ideologias excludentes (excludentes porque só admitem o pensamento único) preponderam nos quatro cantos.
É triste CONSTATAR que filósofos, que deveriam ipso facto ser coerentes com a logica bradem: ”Odeio a classe média”. Assistam o vídeo em que a filósofa Marilena Chauí discursa na comemoração dos 10 anos de governo PT. São 2 minutos e 8 segundos.
É triste CONSTATAR que sejam aplaudidos com sorrisos e palmas por quem tem poder e carisma suficientes para, se assim desejasse, unir em vez de semear a discórdia, a ganância e coisas piores ainda.
É triste CONSTATAR que o deputado Marco Feliciano postou em seu twiter sobre o massacre em Orlando: “Triste a tentativa de grupos LGBT de usar esta tragédia para se promover. Como se a razão deste ataque fosse apenas homofobia”.
É triste CONSTATAR que a ESPERANÇA continuará por não sei quanto tempo presa na CAIXA DE PANDORA.
É TRISTE CONSTATAR QUE CONTINUAMOS EM MINORIA, NÓS, OS DE BOA VONTADE E HONESTOS.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A SUPERMÁQUIN 3 - SUPERLONGEVIDADE



Publicada em "www.litoralmania.com.br" - 17/06/2.016


[http://www.litoralmania.com.br/a-supermaquina-3-superlongevidade-por-jayme-jose-de-oliveira/

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

A SUPERMÁQUINA 3 - SUPERLONGEVIDADE
“Eu e minha filha de 3 anos, a Isabel, andávamos de carro quando ela perguntou: “Papai, você vai ficar velhinho”? Eu disse: “Claro, filha”.
Ela desatou a chorar.
O medo de envelhecer está tão presente nas nossas vidas que até uma criança de 3 anos entende rapidinho. É um pânico paralisante. (Alexandre de Santi, editor da Revista Superinteressante)
A velhice é aterradora porque ela contém duas ideias ruins simultâneas: perder o vigor da juventude e, ao mesmo tempo, sofrer com as doenças que chegam com a idade.
ENVELHECER
Viver tem um efeito colateral: envelhecer.
As pessoas não envelhecem todas da mesma maneira, intensidade e com marcas tão evidentes. Carros sofrem desgaste com o uso, mas podemos encontrar alguns que mal parecem ter saído da fábrica. Como explicar? As pessoas são influenciadas pelo DNA e, principalmente, pelo estilo de vida que levam. Exercícios e alimentação balanceada, modo de viver sem excessos e vícios auxiliam. Muito. Um carro bem conduzido, levado a revisões periódicas, abastecido com lubrificantes e combustíveis de alta qualidade, permanece mais tempo em condições de uso.
Lembremo-nos, não basta viver uma vida longa se não for vivida com qualidade. Saibamos que o oxigênio é indispensável a vida, mas numa jogada cruel da natureza, o gás vira veneno e nos mata aos pouquinhos, a partir dos 20 nos. A decadência se deve à ação dos radicais livres que apesar de terem curta existência, provocam estragos por onde passam.
TELÔMEROS, TELOMERASE E SUPERLONGEVIDADE
Nossos cromossomos têm nas extremidades estruturas constituídas por repetidas filas de proteínas e estas, quando ocorre uma divisão celular são levemente reduzidas e, em consequência, a determinada altura do processo os cromossomos não conseguem mais realizar réplicas e a célula perde a capacidade de se dividir. A morte das células ocorre quando os telômeros forem consumidos em sua totalidade. Face a esse acontecimento pode-se observar com precisão o tempo de vida um ser vivo ao analisar a quantidade de telômeros que ainda restam.



     Uma enzima chamada telomerase previne o encurtamento dos telômeros adicionando novas sequências nas extremidades dos cromossomas após as divisões.
     A telomerase está presente principalmente em células embrionárias e tumores (câncer), ativando genes que fazem as células se dividir indefinidamente.
Nas células cancerosas, a telomerase é reativada espontaneamente, mantendo o tamanho dos telômeros e permitindo a proliferação indefinida e caótica destas células, ou seja, iniciando um processo de câncer suas células tornam-se imortais.
Temos diante de nós duas alternativas:
1.  Como a telomerase é indispensável para a divisão celular, se conseguirmos um processo que permita neutralizá-la, poderemos paralisar o desenvolvimento das células cancerosas e, com isso, chegarmos à cura do tumor.
2.  Pelo mesmo raciocínio, se estimularmos a formação de telomerase nas células normais propiciaremos a elas se replicarem, aumentando seu ciclo vital. Nesse sentido, em 1.988 a Geron Corporation começou a desenvolver técnicas e drogas para estender os telômeros. Se o encurtamento dos telômeros é o que leva à velhice, a chave da longevidade e da juventude está em conseguir evitar seu encurtamento.
P.S.: Dados fundamentais para a elaboração desta coluna e das posteriores foram pesquisados na Revista Superinteressante, edição 359-A de maio/2.016 e no Google.







Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

segunda-feira, 13 de junho de 2016

NÃO TEM ANJINHO NA PARADA



Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 13/05/2.016

http://www.litoralmania.com.br/nao-tem-anjinho-na-parada-por-jayme-jose-de-oliveira-2/

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

NÃO TEM ANJINHO NA PARADA
Em 1974 o general Ernesto Geisel assumiu a presidência do Brasil prometendo o retorno à democracia por um processo gradual e seguro. O ambiente político era o pior possível e a oposição pressionava pela anistia, que acabou promulgada pelo presidente general João Batista de Figueiredo com a Lei nº 6.683, em 28 de agosto de 1979. Ficou estabelecido que seria GERAL E IRRESTRITA. Isso significava que a lei abrigava situação, oposição e expatriados sob o mesmo guarda-chuva.
Foi nessa ocasião que durante um dos tantos debates que ocorriam defendi a tese que pode ser resumida em poucas palavras: “Não tem anjinho na parada”. De um lado, torturas, mortes (Vladimir Herzog), cassações, Atos Institucionais. Do outro, sequestros, assaltos, mortes (tenente Alberto Mendes), guerrilhas. Realmente, não havia anjinhos na parada e se pretendêssemos paz, far-se-ia necessário ensarilhar as armas e desarmar os ânimos. DE TODOS.
Tancredo Neves-José Sarney deram o pontapé inicial.
A inflação, dragão monstruoso, inibia investimentos e exauria principalmente os mais pobres.
Itamar-FHC, com o Plano Real conseguiram o considerado impossível após diversas tentativas fracassadas: DOMARAM O FAMIGERADO DRAGÃO.
Lula, com sua eleição consolidou a democracia, a esquerda assumiu o poder. Recebeu uma economia com uma dívida de R$ 852 bilhões (externa+interna), acumulada em 180 anos, desde a proclamação da Independência. Para espanto e inconformidade do PT, manteve a política econômica de FHC nomeando Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central. Seguiu-se uma trajetória de equilíbrio e progresso. Parecia que, finalmente, levantaríamos do berço esplêndido e rumaríamos para “Ordem e Progresso”.
Parecia... Não tardou e a ganância dos corruptores-corruptos mostrou garras afiadas e goela insaciável. Era o início do caos.
Simultaneamente os interesses mais voltados para o futuro da permanência no poder que para a solvência do país exacerbou a demagogia e a distribuição de benesses sem fundos que amparassem a gastança. Os R$ 852 catapultaram para R$ 1,89 trilhão. Em oito anos. Atualmente beiramos os R$ 3 trilhões que, com a taxa Selic em 14,25%, aumenta mais de R$ 1 bilhão/dia. Impagável. É o caos econômico que precipita o social.
Foi mais a economia em frangalhos que qualquer outro fator que levou a presidente Dilma ao impeachment. É a economia em frangalhos aliada à praga da busca à “governabilidade”, nomeando implicados na Lava-Jato que entrava o governo Temer. Acabará também em fracasso, a não ser que... como referi no início, ENSARILHEMOS AS ARMAS, DESARMEMOS OS ESPÍRITOS. TODOS.
Judeus e antissemitas se odeiam e lutam há 4 mil anos e não vislumbramos perspectiva de paz. Nelson Mandela, após 27 anos de cárcere e trabalhos forçados teria sobradas razões para, quando no poder, encetar uma vingança plenamente ao alcance. Sublimou a revolta, o rancor e o desejo de vingança. Não esqueceu, seria impossível. Como resultado, em vez duma pátria em chamas uma África do Sul em paz. Dentro do possível.
Qual o caminho a seguir? Deixo a resposta para cada leitor. Opto pela cooperação, sem abdicar de princípios e convicções.
 






                                                                                Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

segunda-feira, 6 de junho de 2016

PREVIDÊNCIA 2



Publicado em "www.litoralmania.com.br" - 06/06/2.016
http://www.litoralmania.com.br/previdencia-social-por-jayme-jose-de-oliveira-2/



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

PREVIDÊNCIA SOCIAL - 2
Em 1.923 a lei Eloi Chaves criou as Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs), que eram reguladas pelas empresas e empregados.
Em 1.930 Getúlio Vargas suspendeu as aposentadorias das CAPs durante 6 meses substituindo-as pelos Institutos e Aposentadorias e Pensões, autarquias federais. Em 1.964 houve uma fusão de todas dando origem ao INSS e o serviço passou a ser coberto pelo SUS.
O suporte econômico deveria ser sustentado pelo aporte financeiro do governo, empresas e contribuição dos beneficiários. O cálculo atuarial previa o emprego das verbas num fundo específico que garantiria a sobrevivência do sistema, mas...
OS RECURSOS DA SEGURIDADE SOCIAL FORAM DILAPIDADOS DESDE O INÍCIO. CONTINUAM ATÉ HOJE, SEM INTERRUPÇÃO, OCASIONANDO A AMEAÇA DE FALÊNCIA A CURTO PRAZO.
Não existe na história brasileira instituição mais relacionada a fraudes e desvios de verbas públicas do que a Previdência Social. Ao longo da existência foram inúmeras as CPIs instaladas para se contrapor a décadas de má gestão e desvios de conduta de seus dirigentes.
Em 1.948 o Estado acumulava uma dívida com os Institutos que correspondia a 85% das despesas totais do conjunto do sistema no mesmo ano. Também as reservas financeiras do sistema eram repassadas ao Estado através de investimentos em títulos da dívida pública ou ações de empresas estatais. Esses recursos foram utilizados para os projetos do governo, como a construção de rodovias e pontes. Esses desvios fizeram com que a Previdência entrasse em crise financeira, que só repercutiu socialmente entre o final da década de 70 e início dos anos 80, período em que já se apregoava o colapso definitivo do sistema previdenciário.
As políticas sociais mais prejudicadas pelo mecanismo da DRU (Desvinculação de Receitas da União) sempre foram a Seguridade e a Educação. Vejamos alguns números. Em 2005, foram desvinculados R$ 33 bilhões da Seguridade Social, portanto das políticas de Saúde, Previdência e Assistência Social. Em 2006, as receitas desviadas alcançaram de R$ 34,2 bilhões, em 2007 cerca de R$ 38,8 bilhões, em 2008, o equivalente a R$ 39 bilhões. Em apenas quatro anos foram desviados para outras finalidades mais de R$ 145 bilhões. Esses recursos entraram nos cofres públicos para serem aplicados nas políticas de Assistência Social, Previdência e Saúde, mas foram canalizados para o orçamento fiscal, principalmente a composição do superávit primário.
A malversação do patrimônio que deveria ser destinado exclusivamente para a garantia duma velhice tranquila constitui-se num crime de proporções dantescas. Brasileiros que contribuíram a vida inteira veem-se agora às portas duma ameaça tangível: não terem recursos para sobreviver com dignidade seus últimos anos de vida.
A falácia arguida por sindicatos e afins: “não se pode mexer em direitos dos já contribuintes” não se sustenta. Os benefícios superiores 1 salário mínimo foram desvinculados pela lei 8.213 de 24/06/1.991. A regra 85/95 para aposentadorias foi aprovada pelo Senado em 27/05/2.015 com o PLV 4/2.015 (MP 4/2.014), portanto há precedentes para novas mudanças.
Cogita-se a regulamentação da idade mínima e, inclusive, a presidente afastada temporariamente Dilma Rousseff tinha em seus planos a equalização de todo o sistema previdenciário. Servidores públicos e civis, inclusive os rurais, homens, mulheres, todos seriam regulados pelo mesmo critério, sem diferenciação de idade para os sexos.
Pouco palatável? Sim. Porém, não ocorrendo mudanças a curto prazo, em poucos anos a Previdência se tornará inviável e TODOS serão atingidos.
ESTE É O RESULTADO DOS DESMANDOS OCORRIDOS AO LONGO DO TEMPO.
PS: Redigida esta coluna, estruge como uma bomba de efeito devastador a aprovação para aumento do Judiciário, servidores da Câmara, Senado e Executivo Federal, Agências Reguladoras, Banco Central, Tribunal de Contas da União (agreguemos o efeito cascata em estados e municípios). Há muitas razões para a crise do Estado brasileiro, mas uma das principais é o poder das corporações. 
Com a gastança liberada para quem está no topo, o ministro da Fazenda não terá como justificar um eventual pedido de aumento provisório de impostos, nem o corte em áreas essenciais. Se alguém duvida da distorção, que circule por uma emergência do SUS ou por um hospital público para confirmar onde está, de fato, faltando dinheiro.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

terça-feira, 31 de maio de 2016

SONEGAÇÃO




SONEGAÇÃO - coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 31/05/2.016
http://www.litoralmania.com.br/sonegacao-por-jayme-jose-de-oliveira/
PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

SONEGAÇÃO

Os Cavaleiros do Apocalipse trombeteiam nos últimos dias anunciando mais e mais

delitos praticados pelos que deveriam ser os guardiões do nosso presente e  

segurança do futuro. Sobreviveremos incólumes?

“Corrupção e sonegação fiscal são crimes siameses porque sangram os cofres públicos e

mutilam a capacidade do Estado de promover o bem comum.

Se é fora de dúvida afirmar que esses crimes lesam toda a sociedade, somos forçados a

reconhecer que as maiores vítimas são os mais pobres, por serem mais dependentes dos

serviços públicos básicos.

Combater o crime de sonegação fiscal é a missão por excelência do Fisco. Ao fazê-lo, o Fisco

age no estrito cumprimento do dever legal e na defesa da coletividade (Charles Alcântara, diretor

de comunicação do Fenafisco” (Correio do Povo, 23/05/2.016)

A outra face da moeda, crime mais grave que a sonegação é quando os agentes fiscais se

deixam corromper, ou pior, oferecem aos sonegadores anular suas multas em troca de

pagamento de suborno, como ocorreu no Carf. Nesses casos urge cumprir a lei, punir os

sonegadores e dar-se processo para demissão sumária dos funcionários prevaricadores.

O Carf é um organismo subordinado ao Ministério da Fazenda responsável pelos julgamentos dos

recursos administrativos de autuações promovidas pela Receita Federal.

Quando uma empresa é multada ela pode recorrer ao Carf, tentando diminuir ou anular o

pagamento desta multa. Em teoria as empresas recebem uma segunda chance de se

defenderem.

O que foi descoberto por uma investigação da Polícia Federal – a Operação Zelotes – é que

conselheiros e ouvidores do Carf faziam acordos com as empresas “mais enroladas”. O pessoal

do Carf analisava os dados até encontrar empresas com as multas mais altas, então, entravam

em contato com elas e extorquia dinheiro para reverter ou diminuir essas multas. O dinheiro era

repassado também para outros conselheiros e servidores e os registros eram manipulados. O

prejuízo estimado, até o momento, é superior a R$ 19 bilhões.

O pessoal do Carf ficava rico, as empresas não tinham o nome sujo e ainda desembolsavam

muito menos.

Entre as empresas investigadas pela Operação Zelotes e que mais prejuízos causaram estão:

Santander, Bradesco, Safra, Ford, Gerdau, MMC Mitsubishi, JG Rodriques RBS e Cimento

Penha, a empresa que recentemente enrolou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Todo o descalabro que assola a economia brasileira é o clímax duma desastrosa gestão

econômica que vem de longa data, com raros momentos de lucidez (Plano Real). Pensaram que

tinham em mãos a Cornucópia e abriram a Caixa de Pandora. Felizmente, como na mitologia

grega, após a revoada das calamidades ainda resta a Esperança.

As hecatombes, até as naturais como terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas não ocorrem

repentinamente e sem causas determinantes. Essas demandam tempo de maturação e se

desenvolvem paulatinamente, numa escala crescente de evolução. Todas, tanto as naturais como

as econômicas estrugem repentina e ruidosamente, de supetão e, infelizmente, pouco resta para

evitar o cataclismo, apenas minorar as consequências. E isso demanda muito esforço, tempo,

sofrimento, persistência e colaboração de todos. Pode ser trabalho para mais de uma geração.

A Operação Lava-Jato tem, nos últimos meses, vasculhado os recônditos antes indevassáveis da

corrupção, não apenas no Carf mas em toda a parte em que prolifera. Louvemos esses corajosos

e persistentes servidores de diversas procedências e encorajemo-los para continuarem sua nobre

missão até que sejam desratizados os infectos porões. TODOS.


Jayme José de Oliveira

cdjaymejo@gmail.com


Cirurgião-dentista aposentado

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O FUTURO EM JOGO




Coluna publicada em "www.litoralmanai.com.br" - 24/05/2.016

http://www.litoralmania.com.br/o-futuro-em-jogo-por-jayme-jose-de-oliveira/


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

O FUTURO EM JOGO
Tempos conturbados. Demais. O impeachment da presidente Dilma seguido pela posse do vice Temer provocou um mar revolto no qual, precariamente e com todos os riscos navega o país. Ânimos exacerbados, sensibilidade à flor da pele, ódio recíproco, frustração, esperança, opiniões desencontradas partindo de pessoas inteligentes e cultas, mas irreconciliáveis. A coerência fustigada refugiou-se num recôndito seguro, temerosa pela sua sobrevivência.
Zero Hora, 21/05/2.016, sobre a reforma da previdência: “Os benefícios previdenciários e assistenciais seriam corrigidos pela inflação e não mais acompanhariam o salário mínimo. Não se pode negar que a Previdência não suporta mais as regras em vigor, mas este é o melhor momento para realizar a reforma”? (Adriano Santana Pedra – Doutor em Direito Constitucional (PUC-SP e professor da FGV) – Um primor de nonsense: se a Previdência não suporta mais, este é, sim, o momento de realizar a reforma.
“O Brasil já adiou demais o enfrentamento da verdadeira bomba de efeito retardado em que se transformou a Previdência Social” (Editorial Zero Hora, 21/05/2.016)
Pela primeira vez, na voz do ministro da Fazenda, uma autoridade do governo disse claramente que a reforma previdenciária terá de mexer em direitos de pessoas que estão contribuindo, ou seja, as regras terão de ser alteradas durante o jogo. A interpretação de que não se pode mudar as regras do jogo é incompreensível do ponto de vista jurídico, já que o fator previdenciário, aprovado no governo FHC, afetou todos os trabalhadores que estavam na ativa.
Será difícil chegar a um consenso sobre temas como a idade mínima para a aposentadoria, a paridade entre os sexos ou a desvinculação do salário mínimo, – embora este já exista para os aposentados com índice superior a ele – mas nenhum desses pontos deve ser considerado tabu num momento em que o país atravessa uma situação de déficit primário de R$170,5 bilhões e precisa salvar o principal, que é a manutenção do sistema. Se acrescermos os juros da dívida e a caixa preta da Eletrobras a conta vai extrapolar mais, muito mais.
Não resta a menor dúvida que durante o período em que Temer ocupará a presidência de forma provisória será desencadeada uma forte campanha de oposição. Marcos Rolim escreveu em Zero Hora, 21/05/2.016: “Ao contrário do que ocorreu nos governos de Dilma e Lula, Temer terá uma oposição consistente. Os movimentos sociais e boa parte dos intelectuais e ativistas de esquerda que se mantiveram em silêncio, agora serão vigilantes, ativos e implacáveis. Não por acaso, o PT não produzirá uma autocrítica a respeito dos seus erros. Há um inimigo intolerável e uma guerra a ser travada. Neste contexto nossos réus são nomeados “guerreiros do povo brasileiro”.
Incongruente como as mesmas pessoas podem ter interpretações divergentes. Eliseu Padilha, antes de ser cooptado para o ministério da presidente Dilma era considerado um crápula, na mais lídima interpretação do termo. Bastou ser nomeado Ministro da Casa Civil para ser guindado aos píncaros da proficiência no desempenho das funções a ele atribuídas. Agora, com Temer, volta a ser abjeto. Há ministros indiciados e mesmo réus no atual governo? Há. Lamentável. Há proeminentes figuras do governo passado em situação similar e mesmo condenados e cumprindo penas de reclusão? Há. Pobre Brasil. Parece que, como Ló, sobrinho de Abraão, não conseguiu encontrar 10 homens puros para salvar Sodoma e Gomorra, no Brasil não se encontram pessoas que além de capazes e com ficha limpa possuam as qualidades, sejam quais forem, exigidas pelos aliados para garantirem a tal de “governabilidade”.
Outro fator que obstaculiza as intenções dos governantes no sentido de corrigir os desacertos praticados a curto, médio e longo prazos e que levaram à situação caótica atual, é a intransigência em não abrir mão de vantagens, muitas delas incompatíveis com a boa administração e mesmo a justiça.
A presidente Dilma conseguiu editar a Lei da Previdência Complementar dos Funcionários Públicos – equalizando-os com os regidos pela CLT – em 05/02/2.013, corrigindo um desequilíbrio histórico. Até hoje os “prejudicados não digeriram a “afronta”. Não obteve êxito com a Reforma da Previdência Social que desejava implantar. A propósito, o então Ministro-chefe da Casa Civil Jaques Wagner, em jantar com empresários, em 15/02/2.016, afirmou que a presidente estaria realmente empenhada em deixar um legado para o país, a Reforma da Previdência Social para que, a partir de 2.017 seja unificada, quando haverá apenas um modelo para homens, mulheres, funcionários públicos e trabalhadores do setor privado, tanto os urbanos como os rurais. Para isso precisaria do apoio de empresários para que o projeto pudesse passar no Congresso.
A reação dos interessados e, principalmente do PT, impediu a consecução.
Fica aqui meridianamente demonstrada a dificuldade que terão os atuais dirigentes para conseguir sucesso com o objetivo de evitar o desastre que se avista no horizonte.
Quem observa à distância imagina os que ainda lutam por um futuro menos caótico como paladinos, versões atualizadas de D. Quixote.











Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado