segunda-feira, 8 de março de 2021
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
FREUD E A LIBERDADE
“Por
mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”
FREUD E A LIBERDADE – 21/02/2021
“Para
quem se agarra à palavra liberdade como um mastro cultural ou um farol, Freud
pode ser uma ducha desagradável. Em “Mal-estar na Civilização” ele foi
contundente: “A liberdade do indivíduo não constitui um dom da civilização.
Liberdade total equivale à ausência da civilização”. A civilização exige
normas regulatórias que limitam a liberdade para superar a barbárie. O
Estado, ao impor leis que permitem a convivência pode se tornar bárbaro e
opressor. Sem ele, porém, a barbárie é certa. Vivemos à volta do embate
entre a liberdade e a segurança, por exemplo. Nem todo o comportamento é
admissível, a liberdade individual não pode ultrapassar os limites impostos
pela coletiva. Cada sociedade adota os freios para enfatizar os limites entre o
válido e o inválido, entre o legal e o ilegal. Esta equação tem a elegância de
uma fórmula de Einstein e a finalidade de reduzir a desigualdade”.
Constituição Federal:
Art. 5º -
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.
Ante a tentação da corrupção, não
há melhor antídoto que a austeridade e a austeridade é praticar com o exemplo.
Peço-lhes que não subestimemos valor do exemplo porque tem mais força que mil
palavras, que mil panfletos, que mil vídeos no YouTube. O exemplo de uma vida
austera a serviço do próximo é a melhor maneira de promover o bem comum. (Papa
Francisco)
Parecem duras as palavras de Sua
santidade. E são.
Considerando que a Política
significa algo relacionado com grupos sociais que integram a Polis (Cidade,
Estado), que tem a ver com a organização, direção e administração das Nações e
Estados, deveria ser o objetivo máximo dos cidadãos fazer parte influente do
seleto grupo que dirige a vida da população.
No início o Patriarca geria o seu
grupo e exercia o poder absoluto, inclusive sobre a vida e a morte (lembremos
Abraão que estava em vias de sacrificar seu filho Isaac).
Gradualmente os aglomerados humanos
foram se expandindo e se tornou impositiva a delegação de poderes a pessoas
indicadas por consenso – na Grécia a Democracia teve o seu alvorecer -, por
herança, nos regimes onde o Rei, Príncipe ou similar era sucedido pelos filhos
(as) e exercia poder absoluto.
“A Democracia é a pior forma de
governo, com exceção de todas as outras”. (Winston Churchill) Subentende-se que
a Democracia necessita ser exercida com probidade ou se degenera e assume os
piores contornos das ditaduras.
É neste conceito que se inserem as
palavras do Papa Francisco.
O Brasil não está “imunizado” de
arroubos detestáveis, inclusive nos períodos mais próximos e o que nos deixa
mais desamparados é o fato de quando uma facção foi substituída pela oposta,
trocamos seis por meia dúzia.
A maioria dos brasileiros não
compactua com a corrupção e comprovou não reelegendo, em 2018, o grupo que
dominava a política nos mandatos anteriores. O maior incentivador para
defenestrar os que estavam assentados no poder foi o descalabro financeiro e
econômico, que catapultou a dívida oficial de R$ 852 bilhões (acumulada em 180
anos, desde a Proclamação da Independência) para R$ 4,25 trilhões (em 16 anos).
E abateu-se sobre o planeta Terra a
Covid-19.
No início não lhe foi dada a
importância devida e a MORTE exibiu sua horrenda face com toda a sua
desfaçatez. No Brasil já ultrapassamos 250 mil vítimas fatais, no planeta já
passou de 2 milhões, segundo balanço da Universidade Johns Hopkins.
Laboratórios de toda a parte
produzem vacinas – não interessa aqui a origem, nacionalidade ou o que mais
seja – e a batalha contra a pandemia está declarada e a Esperança ressurge.
VENCEREMOS.
O que não pode continuar, sob
nenhuma hipótese, é continuarmos a deter a expansão desta peste com fármacos
sabidamente ineficazes. Cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina devem ter
seu destino redirecionado para o tratamento da maláris, amebíase hepática,
lúpus. Sarcaidose, porfiria cutânea...
Chega de usar contra a Covid-19,
onde, além de ser ineficaz tem efeitos colaterais graves, muitas vezes fatais.
VACINA JÁ!
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado
MESSIAS
CIÊNCIA
E CULTURA
Marília Gerhardt de
Oliveira
26
– MESSIAS
Êxodo 20:7 – “Não tomarás
o nome do Senhor
teu Deus em vão.”
No
dia 18 de novembro do ano de 1978, houve um misto de suicídio coletivo e
assassinatos a tiros e facadas de 918 pessoas em Jonestown – Guiana. A maioria
morreu ao beber, por ordem do Pastor Cristão Pentecostal Jim Jones, veneno
misturado a um ponche de frutas.
Investigações
de Agências Federais Estado-unidenses já haviam alertado sobre o caráter
ditatorial e messiânico do tal Pastor.
Esta
tragédia deu fim a um projeto de “curas” milagrosas iniciado em 1956 no estado
de Indiana – USA.
Passadas
quatro décadas, o Brasil elegeu, de forma democrática e com uso consagrado de urnas
eletrônicas, Jair Bolsonaro, cujo histórico, nos tempos da Ditadura Militar,
inclui condenação, por unanimidade, pelo Conselho de Justificação Militar, no
dia 19 de abril do ano de 1988 (“declarada sua incompatibilidade para o
oficialato e consequente perda do posto e da patente, nos termos do artigo 16, inciso
I, da Lei nº 5836/72”).
Seus
apoiadores mantém convicção no acerto de seus atos em plena Pandemia Covid-19
apesar de uma série de fatos incontestáveis.
Prescreveu,
mesmo sem ter Diploma de Médico, Cloroquina e Hjdroxicloroquina (indicados para
Malária, Artrite Reumatoide, Lúpus Eritematoso) e Ivermectina (indicado há mais
de quatro décadas como vermífugo, para piolhos e ácaros).
Desqualificou
a Ciência e a Cultura desde o primeiro dia de seu Governo e não manteve Médicos
experientes como Ministros da Saúde no Brasil.
Jamais
teve a imprescindível estatura de Estadista, não sendo exemplo a ser imitado
numa Pandemia, pois não incentivou o uso de máscaras (sequer as utilizou
rotineiramente) e, irresponsavelmente, promoveu aglomerações.
Inicialmente,
deu pouca importância às Vacinas e, ainda hoje, não tem exigido de sua Equipe
celeridade na aquisição, distribuição e aplicação desta que é a única ferramenta
que o mundo já dispõe no efetivo combate a Covid-19.
Precisamos
de Vacinas!
Precisamos
de Oxigênio!
Precisamos
de respeito aos que trabalham atendendo doentes!
Precisamos
valorizar a vida e as orientações científicas pertinentes!
O
verdadeiro Messias não teve preconceitos ignorantes, nem se utilizou de
evasivas vergonhosas.
É
desafortunadamente trágico um ser humano não demonstrar qualquer empatia, em
momento algum, mesmo com o Brasil atingindo a triste marca de 250 mil mortos e,
num momento tão grave, ter por preocupação egoísta, única e injustificável sua
REELEIÇÃO.
gerhardtoliveira@gmail.com
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
VACINE-SE, SIM!
“Por
mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.
VACINE-SE,
SIM! – 12/02/2021
A luta para sobreviver num mundo povoado por feras,
ambiente hostil e doenças insidiosas foi uma epopeia fenomenal para o homo
sapiens. Nada pode se comparar. NADA!
Fisicamente frágil, lento se comparado com outros
seres, apenas o cérebro – maravilha ímpar – poderia permitir sua sobrevivência.
A
comunicação, principalmente após a descoberta da escrita, permitiu aos nossos
ancestrais transmitir conhecimentos sobre armas, abrigos, cultura, religião e
também formas de enfrentar doenças. Não apenas para os contemporâneos, também
as gerações subsequentes, dando início à medicina.
O
tratamento é essencial, a prevenção representou o atalho ideal. Se conseguirmos
evitar as doenças, desnecessário tratá-las.
Mitridates
(132 a.C. – 63 a.C.), Rei do Ponto, temendo ser envenenado como seu pai o fora,
passou a ingerir doses mínimas de venenos, aumentando gradualmente as doses até
se tornar imune. Na medicina, o processo recebeu a denominação de MITRIDATISMO.
É o princípio básico para a obtenção de vacinas.
O
sistema reticulo-endotelial nos dá capacidade de, entre outras coisas,
reconhecer e combater micro-organismos. As vacinas estimulam esta capacidade e
nos protegem do ataque insidioso por períodos variáveis e, em alguns casos
(varíola, tuberculose...), permanentemente. É A MAIS EFICIENTE ARMA QUE
POSSUÍMOS.
Eduardo
Jenner, naturalista e médico britânico, descobriu em 1796 a primeira vacina:
contra a VARÍOLA. Sua eficácia se comprovou de maneira cabal em 1980, quando
foi erradicada a doença. Atualmente se conhece a existência de frascos de
vírus, lacrados, apenas nos Estados Unidos e Rússia.
O
vírus é conhecido desde 10.000 anos a.C. e, inclusive, o Faraó Ramsés II foi
uma das vítimas. Ao longo da História a raiva ceifou 300 milhões de pessoas, a
letalidade era e aproximadamente 30% dos infectados. A Aids, com 100% de
letalidade quando não tratada (ainda não existe vacina) e o Ebola, 68,4% de
letalidade (há 6 anos existe vacina), são as mais perigosas dos tempos
modernos.
Mais
corriqueiros, os vírus H1N1 e similares são controlados com vacinas aplicadas
anualmente. Sarampo, raiva, hepatite A, hepatite B, tuberculose, febre amarela...
são vacinas de aplicação corrente, algumas obrigatórias para viagens
internacionais.
Por
incrível que possa parecer, há resistências esdrúxulas à aplicação de vacinas e
este fato dificulta o controle de pandemias. E não apenas a partir de pessoas
que ignoram o mecanismo, eficiência e importância das vacinas como, também de
profissionais inconsequentes. Podemos classifica-los como criminosos.
Andrew
Jeremy Wakefield, um pesquisador e ex-cirurgião britânico publicou um estudo
com conclusões equivocadas, em 1998, associando vacinas com o autismo. Perdeu o
registro após ter sido condenado por má conduta profissional. O Conselho Geral
de Medicina (GMC) considerou que agiu de forma “desonesta”, “enganosa” e
“irresponsável”.
A
prestigiosa revista “The Lancet” publicou uma retratação formal após a
comprovação de ter falseado dados sobre a pesquisa. Devido às irregularidades
comprovadas, Wakefield não pode mais praticar a medicina na Grã-Bretanha.
Gente, se até profissionais de ponta como o
médico supracitado publicam fakes escandalosos, não é de se admirar que leigos
“entrem na onda”. Os prejuízos para a saúde mundial são de tal monta que podem
ser considerados genocídios.
Gente,
as vacinas erradicaram a varíola, estão em vias de transformar a poliomielite,
o sarampo e outras doenças em pesadelos do passado. E será em breve o sucesso,
mas atentem: se a população não colaborar, se não se vacinar em massa, todo o
esforço, toda a dedicação que cientistas e profissionais da saúde serão
inúteis. E o resultado? Milhões de mortes devidas a fake-news criminosas e a
divulgações esdrúxulas, criminosas de tratamentos ineficazes, em vez de curar o
que pode ser prevenido, causam efeitos colaterais danosos.
Devemos,
TODOS, nos vacinar quando chegar a nossa vez. Só assim a pandemia poderá ser
controlada.
Jayme José
de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
OS MAIS IGUAIS
“Por
mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.
OS MAIS
IGUAIS – 08/02/2021
“Animal Farm” (A Revolução dos Bichos), romance
satírico do escritor inglês George Orwell, publicado no Reino Unido em 1945 foi
incluído pela revista americana Times na lista dos 100 melhores romances da
língua inglesa e permanece com uma atualidade incrível até hoje. Reedições se
sucedem e são avidamente disputadas por leitores à procura de entendimento do
que se passa.
Os que se consideram “mais iguais” não se cansam de
demonstrar a veracidade do axioma: “Todos são iguais perante a lei, mas alguns
são mais iguais”.
O pedido enviado em 30 de novembro à Fiocruz pelo STF,
para que sejam reservadas 7.000 das vacinas contra o coronavírus aos servidores
do tribunal e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) desencadeou uma série de
pronunciamentos que se sucederam, uns contradizendo outros. O que se depreende
é que foi um episódio beirando o nonsense.
Ao final prevaleceu o bom senso e o presidente do STF,
Luiz Fux, no dia 27/12 encerrou o assunto, porém restaram sequelas.
“Nesses 11 anos no STF, nunca realizei nenhum ato
administrativo sem a ciência e a anuência dos meus superiores hierárquicos”.
(Mário Polo Dias Freitas, agora ex-secretário de Serviços Integrados de Saúde
da Corte, demitido pelo presidente Luiz Fux).
Pode ser agregado como correlato um pronunciamento do
repórter Marcelo Rech (Zero Hora, 2/1/2021):
“Como repórter
esquadrinhei Cuba e União Soviética, duas sociedades socialistas com razoável
equidade social e elevado índice de educação, mas um grau de privilégios e
corrupção impensável até para padrões brasileiros”. Mais adiante:
“Não é exclusividade dos abonados, os pobres
também apresentam sua faceta menos digna quando ignoram o motorista agonizante
na cabina para saquear a carga do caminhão tombado. Completam a cadeia de maus
espíritos que assombram o país há séculos”.
Incompreensível que a Inteligência Artificial (IA) em
vez de ser saudada universalmente como a luz no fim do túnel que nos permite
vislumbrar uma crescente melhoria no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
seja vilipendiada por muitos, inclusive de alto nível intelectual. Intelectuais
“progressistas” despudoradamente afirmam que a História se encaminha para um
aprofundamento que separa as elites da “plebe ignara”. Ignoram (ou fingem
ignorar) que, no início, os melhor aquinhoados usufruem o progresso, porém, ao
longo do tempo os benefícios se capilarizam e permitem aos pobres e distantes
os benefícios inacessíveis sem a ciência.
Exemplos, como a Zipline, empresa americana que
realiza entregas por drones levando vacinas, medicamentos e plasma congelado em
Ruanda, trazendo vida e saúde para 12 milhões de habitantes e muitas empresas
mais mundo afora asseguram que o nível de vida está num crescendo multilateral
onde diversos países regulam trocas de produtos e serviços inexequíveis de
outra forma.
Sim, a ciência melhora a vida de TODOS. Imagine uma
população sem vacinas, medicamentos, transporte, empregos estáveis, lazer
barato ao alcance? No Brasil, sem o acompanhamento médico-hospitalar
proporcionado pelo SUS?
Sim, a sociedade apresenta aspectos diferenciados que
nos permitem observar o quanto ainda nos resta avançar. Ideologias políticas e
interesses eleitorais, porém, desnudam este “calcanhar de Aquiles”. O
“toma-lá-dá-cá” useiro e vezeiro nas confabulações sempre que se tenta ajustar
parâmetros ou distribuir cargos e benesses, deveriam envergonhar os partícipes.
A última eleição para presidente da Câmara e do Senado foram exemplos execráveis
dessa afronta.
Finalizando: o que precisamos, urgentemente, é eliminar
a possibilidade de “os mais iguais” se considerarem merecedores de usufruir o
que deve ser universal enquanto os outros... ora, pensam, os outros que se
danem.
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
ILUMINISMO
“Por
mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.
ILUMINISMO
Alguém pode ser contra a razão, a ciência, o humanismo
ou o progresso? Essas ideias precisam mesmo de defesa?
COM CERTEZA. A segunda década do século XXI viu a
ascensão de movimentos populistas autoritários em vez de democráticos,
desprezam especialistas que abrem os caminhos do conhecimento e têm saudade de
um passado que supõem ter sido idílico (antigamente se vivia melhor) em vez de
lutar por um futuro melhor. Afirmam que o destino da natureza humana não é o
progresso, é o declínio.
“Intelectuais” odeiam o progresso. Intitulam-se
“progressistas”, porém odeiam muito o progresso. NÃO OS FRUTOS DO PROGRESSO,
usam computadores que representam o suprassumo do progresso, por que não
recusam este progresso? Antibióticos, vacinas, anestesia, internet, etc.
representam o progresso e são usados à farta.
Lembro que sapateavam sobre as mesas da Assembleia do RS
contra a encampação da Telefônica. Na época não se conseguia adquirir um
telefone fixo, muito menos um celular sem recorrer a um “pistolão” e pagar
caro, muito caro pela intermediação. Contrassenso: observem fotos da época,
todos exibiam na cintura, celulares. Nunca esquecendo o ágio, ao redor de dois
mil e quinhentos dólares (adquiri um na época por necessidade) mais o preço da
transferênci e, pasmem, era declarado no Imposto e Renda.
As dificuldades e maracutaias necessárias para adquirir
um celular na época podem ser considerados um meio mais fácil, mais barato, que
entrar numa loja e sair com o aparelho habilitado como ocorre na ATUALIDADE?
Respondam os “intelectuais progressistas”.
A “Progressofobia” merece um capítulo especial na obra
de Steven Pinker: O “Novo Iluminismo” de onde recolhi dados.
A pergunta que não quer calar:
- A quem interessa a desqualificação da ciência?
Desconsiderando os parvos, que por sua pequenez em raciocinar regridem séculos
no conhecimento, até o tempo em que o terraplanismo era considerado
indiscutível. As religiões também terçam armas nesta luta perdida. E não deveriam,
a ciência não se antagoniza com a religião, pelo contrário, a complementa.
Em 27/07/2015 escrevi uma coluna cujo título: “Se Deus
não tivesse criado o homem”, na qual afirmo que “o homem se veria compelido a
criar Deus”. Dotado
de curiosidade observava o mundo, para ele incompreensível em muitos quesitos.
Instado pela insatisfação não se conformava com a ignorância.
Curiosidade+insatisfação = inconformidade. Como explicar um raio destruindo em
segundos uma árvore frondosa? Que ser tão potente o conseguia? Sem resposta
intuiu o primeiro deus, superpoderoso. Para cada mistério, um novo deus era
criado e o problema resolvido.
Dan Brown em se livro “Origem” (traduzido para o
português em 2017), na página 80 aborda de forma similar e cita a Grécia como a
culminância do politeísmo. Zeus, Vulcano, Minerva, Eros, Marte... e sobreveio a
ciência. Para cada mistério solucionado desaparecia um deus e, em seu lugar, o
conhecimento resplandecia. E assim continuará até chegarmos ao CONHECIMENTO
ABSOLUTO. A religião nos serve de arrimo, a ciência colabora e se alia. Juntas
nos permitem seguir na trilha que os crentes nos afirmam apontada pelo Criador,
os cientistas desbravam passo a passo e TODOS almejam a chegada ao conúbio
final, quando a criatura se incorporará ao Criador, como Ele planejou desde o
início. Quanto tempo levará? Irrelevante. Para um Ser Eterno o tempo não conta.
A religião quando comete erros os conserta. O Papa
João Paulo II, em 31/10/1992 reconheceu o erro cometido Tribunal Eclesiástico
ao condenar Galileu Galilei em 1633.
Em 13/03/2017 o Papa Francisco fez um dos seus
pronunciamentos que ficarão marcados na sua trajetória já tão impactante:
“Não é necessário crer em Deus para ser uma pessoa
boa.
De certa forma, a ideia
tradicional de Deus não está atualizada. Alguém pode ser espiritual, porém não
necessariamente religioso. Não é necessário ir à igreja e dar
dinheiro.
Para muitos, a natureza pode ser uma
igreja.
Algumas das melhores
pessoas da história não criam em Deus, enquanto que muitos dos piores atos se
praticaram em seu nome”.
Voltaire, pensador iluminista, anticlerical, poderia
ser incluído no contexto do Papa Francisco. É de Voltaire o texto a
seguir:
PRECE PELA TOLERÂNCIA
“Não é
mais aos homens que me dirijo.
É a Você, Deus de
todos os seres, de todos os mundos e de todos os tempos. Que os
erros agarrados à nossa natureza não sejam motivo de nossas calamidades. Você não nos
deu coração para nos odiarmos, nem mãos para nos enforcarmos.
Faça com que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo de uma vida
penosa e passageira. Que as
pequenas diferenças entre as vestimentas que cobrem nossos corpos, entre nossos
costumes ridículos, entre nossas leis imperfeitas e nossas opiniões insensatas
não sejam sinais de ódio e perseguição.
Que aqueles
que acendem velas em pleno dia para Te celebrar, suportem os que se contentam
com a luz do sol.
Que os que
cobrem suas roupas com um manto branco para dizer que é preciso Te amar, não
detestem os que dizem a mesma coisa sob um manto negro.
Que aqueles que dominam uma pequena parte desse mundo, e que possuem
algum dinheiro, desfrutem sem orgulho do que chamam poder e riqueza e que os
outros não os vejam com inveja, mesmo porque Você sabe que não há nessas
vaidades nem o que invejar nem do que se orgulhar. Que eles
tenham horror à tirania exercida sobre as almas, como também execrem os que
exploram a força do trabalho.
Se os
flagelos da guerra são inevitáveis, não nos violentemos em nome da paz.
Que todos os homens possam se lembrar que são irmãos”! (Voltaire)
Abram a cabeça, reflitam, acordem
os que resistem em reconhecer o valor da ciência para a humanidade. Os que
temem a ciência por preconceito, reflitam: “Teria o Criador permitido o
raciocínio humano se fosse contrário aos seus desígnios”?
No começo Deus criou os céus e a
Terra. A Terra era um vazio, sem nenhum ser vivente... Então Deus disse:
- Que a Terra produza todo o tipo de animais, cada um de acordo com a
sua espécie. E Deus viu que o que havia feito era bom. Aí Ele disse:
- Agora vamos fazer os seres humanos, que serão à Nossa Imagem e
Semelhança. Ele os criou homem e mulher e os abençoou dizendo:
- Tenham muitos filhos; espalhem-se por toda a Terra e a dominem. E
tenham poder sobre os peixes do mar, sobre as aves no ar e sobre os animais que
se arrastam no chão. E
assim aconteceu. E Deus viu que tudo o que havia feito era muito bom.
Esse trecho da Bíblia faz parte
do Livro do Gênesis, Capítulo 1, versículos de 1 a 31.
Jayme José
de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado
quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
NAPOLEÃO
“Por mais brilhante que sejas, se não
fores transparente, tua sombra será escura”.
NAPOLEÃO –
19/01/2021
O general Napoleão vencia as coligações europeias da
Prússia, Áustria. Inglaterra e Rússia, ampliando os domínios franceses com seu
exército.
Em 1812 o império de Napoleão atingia a sua extensão
máxima, mas entraria em decadência ao invadir a Rússia e enfrentar o rigoroso
inverno, mas também motivado por uma temida doença: o tifo, transmitido por um
micro-organismo chamado “Rickettsia” através
das picadas de piolhos. As infestações de piolhos não encontravam barreira nos
acampamentos militares. Aglomerados humanos com má higiene são o paraíso desses
insetos e a mortandade não tinha freios.
O exército francês avançava e com ele a epidemia de
tifo se propagava, causando milhares de mortes.
Em 1812 Napoleão invadiu a Rússia com um dos maiores
contingentes militares da história: 600 mil homens.
À medida que os franceses avançavam o exército russo
recuava, porém, a doença matava mais que os combates o fariam.
Após tomar Moscou sem encontrar resistência, para
evitar o rigoroso inverno os franceses bateram em retirada. Napoleão regressou
com menos de 90 mil dos 600 mil homens que partiram. O tifo causou a maior
parte desses óbitos. Um a um, seus homens tombavam vitimados pelas doenças.
Nesse retorno das tropas napoleônicas os militares
disseminaram o tifo pelas cidades europeias ocasionando epidemias por onde
passavam.
As epidemias se propagam quando pessoas
doentes se deslocam para locais até então livres da infecção. A primeira e mais importante providência a ser
tomada para evitar o alastramento é ESTABELECER UMA QUARENTENA. Doentes não
devem ser transportados para zonas distantes, mesmo que faltem recursos nos
locais em que se encontram. É mais racional transportar oxigênio para o local
onde há falta que doentes para onde há oxigênio à disposição. Foi uma temeridade
cujas consequências ainda não podemos avaliar (o transporte de doentes
infectados pelo vírus mutante que estavam circunscritos em Manaus).
Cada infectado se torna um agente propagador da
pandemia, assim como o foram os soldados de Napoleão em 1812.
A guerra contra os micro-organismos vem desde o
primórdio da civilização. Uma guerra em que vencemos uma única batalha: a
varíola, e perdemos todas as outras. Enquanto o Covid-19 vira o mundo de
ponta-cabeça, doenças que nos assolam há muito mais tempo: sarampo, febre
amarela, dengue, ebola, tuberculose, encontram um terreno fértil no caos
econômico e no colapso da saúde pública, principalmente em países
subdesenvolvidos.
E, como vencemos a varíola? Com uma VACINA descoberta
em 1749 por Edward Jenner, na Inglaterra. Inacreditável que, atualmente, ainda
haja pessoas que desdenham a ÚNICA MANEIRA DE EVITAR A PROPAGAÇÃO DE MICRO-ORGANISMOS
PATOGÊNICOS.
POSFÁCIO – O translado dos pacientes contaminados com
o vírus mutante da Covid-19 de Manaus para diversas regiões do país foi um erro
que poderá disseminar o novo vírus. Se havia falta de oxigênio em Manaus, mais
fácil, menos oneroso e, principalmente mais consentâneo com a técnica de
circunscrever com relativa segurança micro-organismos seria enviar oxigênio para
Manaus. O Ebola, mortal, foi dessa enfrentado com isolamento absoluto dos
doentes e não ocorreu uma pandemia, que seria catastrófica. O tempo nos
fornecerá dados sobre as consequências, sabendo que ainda não existe tratamento
adequado. Repito: aborta-se uma epidemia circunscrevendo os primeiros
portadores.
QUARENTENA É ESSENCIAL.
Jayme José
de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado