domingo, 14 de junho de 2020

IMUNIDADE CRUZADA




PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

IMUNIDADE CRUZADA
O que é a imunidade cruzada e porque ela pode ser a chave para o combate ao COVID-19.
Algumas pessoas apresentam sintomas leves ou são assintomáticas quando infectadas pelo coronavírus. Cientistas estão estudando a possibilidade de, após ter superado alguns vírus o sistema imunológico possa aprender a se defender de outros, é a imunidade cruzada.
Imunidade é o conjunto de mecanismos que nos protegem das infecções e substâncias tóxicas. Existem dois tipos de imunidade: inata, que possuímos de nascença e que serve para nos defender de vários agentes agressores aos quais somos constantemente expostos. Depois de vencermos uma doença o organismo aprende e conserva esta memória para futuros ataques, chama-se isso de imunidade adaptativa que é específica para um agente agressor apenas.                                                                                                   Pode ser originada pela reação do próprio organismo ou ser adquirida através de vacinas, quando apenas se torna efetiva após alguns dias, o organismo precisa aprender a reagir e, após, mantém essa capacidade por períodos variáveis – a H1N1 (gripe) precisa se reaplicada anualmente, a BCG (tuberculose) pode ter eficácia por toda a vida.
Existem sete tipos de coronavírus conhecidos e destes a população é exposta anualmente a quatro, normalmente eles apenas provocam resfriados, ativam os linfócitos que possuímos (foram originados anteriormente) e o organismo adquire uma maior capacidade de enfrentar outas cepas que compartilham fragmentos comuns e este fato explica porque vírus diferentes podem ativar o sistema imunológico cruzado.
Pesquisadores do Instituto de Imunologia La Jolia, na Califórnia, usaram amostras de sangue coletadas em 2015 e 2018 de pessoas que haviam superado coronavírus sazonais que, pelas datas, não poderiam ter sido expostas ao SARS CoV-2 e eles verificaram que havia uma reação. Os pesquisadores constataram que existem linfócitos capazes de reconhecer os vírus antigos e isto significa que eles têm imunidade cruzada.
Um detalhe importante a ser analisado: “A comprovação da existência de imunidade cruzada nos incentiva a não abandonar resultados obtidos em surtos anteriores, eles podem servir para acelerar a obtenção de vacinas para vírus atuais”.
Louis Pasteur iniciou os estudos sobre a raiva em 1880 e, em 1885, aplicou pela primeira vez em um ser humano. Foi o início dos estudos numa técnica fundamental para prevenir doenças de origem microbiana.
                                                                                                                                                   A ciência pode ter intervalos de séculos entre o primeiro vislumbre de solução até um prosseguimento, este contínuo e sempre aperfeiçoado.

Voltemos o tempo para o ano 120 a.C., quando Mitridates VI, rei do Ponto, que ascendeu ao trono após seu pai ter sido envenenado num banquete. Receoso de ter fim similar passou a ingerir diariamente doses mínimas de venenos comuns na época e aumentar paulatinamente a quantidade até atingir a letal, conseguiu acostumar o organismo e se tornou imune aos venenos.  A medicina a partir de Pasteur usa a mesma técnica para fabricar vacinas e soros e denominou a técnica de mitridarismo.

Não apenas para micro-organismos se verifica a tolerância, como no caso de Mitridates VI, qualquer substância tóxica pode ser mitridatizada, um ébrio contumaz pode ingerir, sem efeitos maiores visíveis, quantidades de bebida alcoólica que levariam ao coma pessoas não viciadas. Nossa resistência aos poluentes mais diversos deriva dessa mesma adaptabilidade.

Em suma, a ciência, após encontrar o caminho, prossegue em ritmo cada vez mais vertiginoso e não dá sinais de arrefecer.                                                                                      Qual o limite? A erradicação de toda e qualquer doença existente ou que venha a surgir.
Não há limite na realidade. “Tudo o que um homem pode imaginar outro homem realizará”. (Júlio Verne)

Nos últimos vite anos tivemos seis ameaças significativas: Sars, Mers, Ebola, gripe aviária, gripe suína e Covid-19. Escapamos de cinco, mas a sexta nos atingiu, em cheio.
Esta não é a última epidemia que vamos enfrentar, precisamos dar maior atenção às doenças em animais selvagens.

Entre milhares de bactérias, parasitas e vírus conhecidos pela ciência, temos de encontrar os que mais representam ameaça aos seres humanos e tomar precauções antes de sermos atingidos. Como estamos cada vez mais invadindo os ambientes naturais dos animais que podem se tornar vetores e não vemos perspectiva de mudar esta escalada... esperamos que os cientistas consigam vencer esta corrida rumo à prevenção, para não ser necessário “correr atrás da máquina” como ocorre nesta pandemia.                                                                                                                                                    O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou, na manhã desta quinta-feira (11), que o Instituto Butantan vai produzir uma vacina contra o novo coronavírus, em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech.

PREVENIR É SEMPRE MELHOR, MAIS RACIONAL QUE INTERROMPER.


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

quarta-feira, 10 de junho de 2020

FASCISMO ETERNO (Umberto Eco)







CIÊNCIA E CULTURA
Marília Gerhardt de Oliveira e Jayme José de Oliveira

15 – FASCISMO ETERNO (Umberto Eco)

Se o navio está à deriva, o caos significaria seu Capitão jogar a única bússola remanescente ao mar.
Abdicar de Ciência e Cultura significa, historicamente, conduzir um Povo, onde o fosso entre as classes sócio econômicas já é escandaloso, os direitos dos Cidadãos são prioritariamente atendidos para os “mais iguais” (George Orwell – a Revolução dos Bichos), graça o crescente analfabetismo, o desrespeito criminoso ao Meio Ambiente, os preconceitos de toda ordem, a violência (nos lares com abuso nauseante de menores e feminicídios; no trânsito; no dia a dia face ao Crime Organizado).
A falta de compromisso com a Verdade agrava a marginalização de uma Nação na  relação com o Mundo Globalizado e de Inovações Tecnológicas em ritmo galopante .
Mister apoiar os que ainda lutam por manter vigente a Constituição e a valorização da Vida em tempos de COVID-19  em que um Governo foge de todos os padrões a que nos acostumamos (para o bem ou para o mal).
Enquanto “os cães ladram...”, “crimes de colarinho branco” e relações promíscuas de Poder se repetem a exaustão, ante o olhar atônito da maioria
de Eleitores que já não mais sabe em quem depositar confiança para ser eticamente respeitada.
Há que planejar, desde já, um futuro luminoso como o fizeram exitosamente, por exemplo, Finlândia e Coréia do Sul, com base sólida em investimentos prioritários na Educação de qualidade.
Há que preservar os Centros de excelêcia do pensamento plural como Universidades
e Institutos de Pesquisa, pela segunda vez, somente neste ano de 2020, submetidos a
ataques friamente calculados, à margem da legalidade vigente, no sentido de calar quem
tem capacidade de refletir, analisar, ponderar, sugerir alternativas, com base na realidade,
sem maquiagens ou omissões.
Necessário dar-se a devida importância sobre o sentido da História como instrumento vital
da memória.

Segundo Humberto Eco, entre as possíveis características do “Fascismo Eterno” que se espraia
Mundo afora, estão o medo do diferente, a oposição à análise crítica (vista como se fosse
traição), o racismo; o machismo, a repressão e o controle da sexualidade, a censura da Arte,
a exaltação de uma liderança (pai, padrinho, mito), um constante estado de ameaça pela força,
uma confusão estruturada, o culto teatral midiático da tradição, a recusa da Modernidade via
Revisionismo Histórico; o apelo à classe média frustrada; uma constante atitude obsessiva por
teorias da conspiração; o desprezo pelos fracos; o culto a heroísmo/morte (perseguição aos
opositores e tolerância à tortura); Populismo com base em mídias sociais alimentadas por
robôs (com fontes de financiamento público e/ou privado a serem investigados e tornados
transparentes ) na expectativa da reação emocional de parcela da população como parte de
um projeto de ascensão e perpetuação no poder.
Queremos crer (e trabalhar construtivamente por este valioso objetivo) que por ação (ou
reação) de uma maioria consciente da sociedade este projeto de atraso e autoritarismo não
prospere.
Que a Democracia fale mais alto.
Mas estejamos atentos às contradições e ao comportamento falacioso de quem não pode
nos vencer (nem convencer).


Marília Gerhardt de Oliveira
gerhardtoliveira@gmail.com

sexta-feira, 5 de junho de 2020

CONVICTOS






PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

CONVICTOS

Livre arbítrio – “Possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento”.
Convicção – “Crença ou opinião firme, inarredável, a respeito de algo com base em provas, razões íntimas ou como resultado da influência ou persuasão de outrem”.
O livre arbítrio permitiu à humanidade escolher seus caminhos e disso resultou em última análise a civilização. Chegamos ao que somos porque assim o decidimos. Houve percalços no caminho, enveredamos por vezes – e ainda o fazemos – por caminhos tortuosos que envergonham os que com isenção estudam a História.
Escravidão, a “Santa Inquisição”, guerras fratricidas, crime organizado, terrorismo e outros que tais se incluem no contexto do passado, alguns subsistem.
A convicção pode ser a antítese do livre arbítrio, é o resultado da influência persuasiva de outrem ou de um contexto predominante. Conduz frequentemente a crenças dissociadas do bom senso e podem nos levar a cometer atos destituídos de racionalidade. Acreditar nas aleivosias incutidas por quem tem influência suficiente para tal. Pode ser uma autoridade ou uma crença entranhada ao extremo. Um homem-bomba, por exemplo, tem de ser convicto. Quem acredita nas “Guerras Santas” também. Ouvir um alto dirigente dizer que é o homem mais honesto do Brasil e acreditar nisso só um convicto, quem afirma que seu líder é o Messias redivivo é também um convicto.
Outra maneira de espraiar as convicções é a “grenalização” que campeia solta, bolsomínions e petralhas são convictos antípodas.
O perigo é que essa dicotomia nos direciona para um comportamento mais próximo do ódio que da solidariedade, anos-luz afastado da razão. Uma forma autodestrutiva de agir, de se comportar, de votar. Não elege um candidato pelo que ele é, opta pelo que ele não é! Elegeu Bolsonaro porque é a antítese de Lula e elegeu Lula porque não suportava os Sarneys e Collors da vida.  Era tão arraigada essa aversão que nem levaram em conta Itamar-FHC, representantes do meio termo, que inclusive domaram a inflação (2.477,15% ao ano em dezembro de 1993 – IPC).
A Síndrome de Estocolmo explica como uma pessoa sequestrada, torturada e mantida cativa, em vez de execrar seus captores passa a se considerar parte do bando, se apaixona por elemento componente do mesmo, algo completamente incompreensível para alguém normal. Patrícia Hearst, milionária, em 1974 foi vítima do mais famoso episódio da Síndrome de Estocolmo. Aderiu ao Exército Simbionês de Libertação e, inclusive, participou ativamente de assaltos a bancos até ser presa, julgada e condenada a sete anos de prisão. Jimmy Carter, presidente dos Estados Unidos mandou suspender a pena de reclusão.
Instigante um estudo sobre uma Síndrome de Estocolmo, que afeta pessoas, muitas, a ponto de se comportarem como admiradoras incondicionais de Governantes não merecedores de estima, muito ao contrário.
O então presidente Collor anunciou, em 16 de março de 1990, que as poupanças seriam confiscadas. Na prática só seria permitido sacar até 50 mil cruzados novos. Qualquer quantia acima desse limite ficaria retido por 18 meses. Os bancos permaneceram fechados por três dias e a medida agravou ainda mais uma crise econômica já existente. O país enfrentava uma inflação fora de controle. Os bancos ficaram fechados por três dias e a medida agravou mais ainda uma crise econômica já existente, o país enfrentava uma inflação fora de controle. 
Apesar de ter perdido os direitos políticos por oito ano, o eleitorado de Alagoas, convicto, o elegeu como senador em 2007, 2015 e 2019.                                                                                                                                                                                                                               O ex-presidente Fernando Collor usou o seu Twitter nesta segunda-feira (18/05/2020) para pedir desculpas pelo confisco da poupança realizado no seu governo.
Ante o temor da repetição de atos dessa natureza, em 2001 foi votada a Emenda Constitucional 32/2011, que em seu Art. 62 estipula que é vedada edição de medidas provisórias sobre a matéria. Medidas extremas que visem detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer ativo financeiro dependem de aprovação do Congresso Nacional.
Mas, e há sempre um mas, em 2012 o Banco Central alterou a remuneração das poupanças brasileiras durante o governo da presidente Dilma Rousseff... e perpetrou-se mais um ataque aos planos de poupança dos que pretendiam um futuro mais confortável após a aposentadoria. Vamos aos fatos:                                                                                                                                                      Os rendimentos da Caderneta de Poupança até 03 de maio de 2012 eram de 0,5% ao mês (6,12% ao ano), mais Taxa Referencial, livre de Imposto de Renda.                                                                                                                                                                                                                                            Era um porto seguro para você e milhões de brasileiros.                                                                                                                                                                                                             O que mudou com a MP 567, de 03 de maio de 2012? Apenas um detalhe, que faz toda a diferença.                                                                                                                                                                                                                                                                                     A regra agora é condicional.                                                                                                                                                                                                                                                    Com a taxa de juros da economia (Selic) aci 17% + TR.                                                        Com a Selic de 8,5% para menos, a rentabilidade cai para 70% da Selic + TR (= a zero).                                                                                                                                    Com a Taxa Selic atualizada em 3%, o rendimento da caderneta de poupança anual se reduz a 2,1%, abaixo da inflação. Perda de 4,O7% anual + a TR não zerada. Tem de ser muito convicto para suportar sem ressentimento.
Ante uma situação tão desfavorável aos pequenos poupadores, apenas a eles, visto que os juros cobrados pelos bancos continuam estratosféricos, só resta dizer:                                                                                                                                                                                 “Que o universo se cale e me ouça falar” (Jean-Jacques Rousseau).

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

quinta-feira, 4 de junho de 2020

BARACK OBAMA





14 – CIÊNCIA E CULTURA

Marília Gerhardt de Oliveira


BARACK OBAMA
Foram suficientes pouco mais de 15 minutos (a partir de um texto-base muito bem elaborado) para o brilhantismo de verdadeiro Estadista de Barack Obama se diferenciar anos luz do atual Presidente USA/EUA, ao se pronunciar sobre as manifestações espontâneas a partir do assassinato brutal e injustificável de George Floyd.
Aliás, causa perplexidade ao mundo civilizado o atual Presidente USA/EUA ser modelo para quem, eleito, tem a responsabilidade de honrar a Presidência no Brasil, assim como o dever irremovível de respeitar nossa Constituição Cidadã de 1988.
Evidencia-se inda maior a importância do Estadista Barack Obama por ter inspirado e transformado uma geração de estado-unidenses, de todas as etnias e credos, a marcharem irmanados pelas ruas de USA/EUA exigindo mudanças na Justiça e na Segurança Pública, objetivando qualificar a vida em sociedade.
Com destemor, face ao risco em pleno auge do COVID-19, na sua maioria jovens cidadãos caminham e reivindicam pacificamente pelo fim da violência alicerçada em preconceitos odiosos que datam dos tempos da escravatura.
Os passos positivos da administração Barack Obama, em oito anos, levando USA/EUA a indiscutível melhor patamar em Saúde Pública na tentativa de se aproximar dos sistemas de acesso de países verdadeiramente desenvolvidos neste importante quesito da vida em comunidade, foram parcialmente inviabilizados pelo ser midiático eleito a seguir. Trágico!
Não há como nem porque tergiversar: estamos trilhando uma rota preocupante no Brasil dos dias de hoje. E sobrevivendo, em dias de pandemia, face à lucidez do STF em garantir que Governadores e Prefeitos gerenciem, minimamente e com escassos recursos, o caos a que nos pode remeter o estilo de lidar, pelo governo federal brasileiro, com o grave problema que afeta Saúde e Economia mundo afora.
Nosso Presidente parece ter abdicado de governar o Brasil para manter cativos seus seguidores fanatizados, inclusive recorrendo, mais recentemente, a velhas práticas condenáveis eticamente ao longo de décadas, aparentemente por estar preocupado com a blindagem de sua própria família e viabilizar a possibilidade de concorrer a eventual reeleição.
Um verdadeiro Estadista torna TODO o Povo sua Família ao longo de um mandato (e até de sua Vida), provê Educação com norteamento gerencial através de mulheres e homens verdadeiramente notáveis, enriquecimento cultural multifacetado, evolução científica com investimento substancial à Pesquisa e à Inovação, prega tolerância com respeito às divergências e objetiva Segurança Pública sem violência.
Chega a ser estarrecedor o argumento de uma parcela de convictos em Redes Sociais: “deixem o Presidente governar”, se é exatamente isto o que a maioria dos brasileiros espera minimamente dele desde que tomou posse.
Cada vez mais atônitos, convivemos com seus descaminhos: terraplanismo, preconceitos de toda ordem, obsessão por armar a todos (e eliminar inexplicavelmente o rastreamento indispensável para coibir e punir organizações criminosas), além do revisionismo histórico que nos constrange mundo afora.
Há quem não mais veja luz no fim do túnel escuro em que mergulhou nosso maravilhoso e amado Brasil. Que este país não mais seria o lugar para a inteligência, a criatividade e, principalmente, a Democracia. Que somente os que se cumpliciarem ou se adaptarem pragmaticamente sobreviverão ao caos.
BASTA!
Quero crer, em nome da maioria ainda muito silenciosa em tempos de COVID-19 e que merece respeito, no porvir colorido e belo da Humanidade.


Marília Gerhardt de Oliveira
gerhardtoliveira@gmail.com

domingo, 31 de maio de 2020

SOLIDARIEDADE ÀS FAMÍLIAS






PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

SOLIDARIEDADE ÀS FAMÍLIAS
Ao prestar solidariedade às famílias que perderam entes queridos para o COVID-19, Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) avaliou o impacto negativo de discussões políticas em meio à epidemia.                                                                                                       “A situação do país torna-se ainda mais grave diante de posturas autoritárias que afrontam as determinações científicas e negam a autenticidade de pesquisas sérias organizadas por organismos responsáveis”.
O resultado de um estudo publicado pela revista científica do Reino Unido “The Lancet” sobre o uso da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento do COVID-19 deve ser considerado importante para dirimir dúvidas. Dados coletados em 671 hospitais de seis continentes, em 96.032 pacientes, entre 20 de dezembro de 2019 e 14 de abril de 2020 revelam índices perturbadores:            
81.144 do grupo de controle não receberam esses medicamentos, houve 9,3% de mortes;     1.868 receberam apenas cloroquina: 16,4% de mortes;                                                            3.783 receberam cloroquina com macrolídio (azitromicina): 22,2% de mortes;                        3.016 receberam hidroxicloroquina: 18% de mortes;                                                                6.221 receberam hidroxicloroquina com macrolídio (azitromicina): 23,8% de mortes.

O risco de arritmia ventricular com o grupo de controle foi de 0,3%;                                          com cloroquina sozinha: 4,3%;                                                                                                    com cloroquina associada à azitromicina: 6,5%;                                                                  com hidroxicloroquina sozinha: 6,1%;                                                                                          com hidroxicloroquina associada à azitromicina: 8,1%.

Eduardo Sprinz, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre considera este tratamento uma miragem.                                                                                  Para o professor de Epidemiologia da UFRGS, Jair Ferreira, o uso dos medicamentos faz mal a pacientes já hospitalizados, porém não é conclusivo quanto ao seu uso precoce.              O professor de Infectologia da UFRGS, Alexandre Zavascki, acredita que o estudo é forte o suficiente para que o uso se restrinja a ambientes de pesquisas, com ressalvas. Com o que dispomos hoje já temos embasamento para não indicar a cloroquina para nenhum paciente. Com o medicamento o número de pacientes com arritmia foi muito maior, só que eles estavam internados e as arritmias foram controladas. Se eles não estivessem dentro de um hospital, morreriam.
A restrição de locomoção para dificultar a expansão do coronavírus decretada por alguns prefeitos e governadores não fere preceitos constitucionais. É inegável que a própria Constituição autoriza, seja administrativamente ou do ponto de vista mais radical, se houver necessidade, restrições ao direito de ir e vir.                                                                              “As pessoas não estão sendo tolhidas do direito de ir e vir. As pessoas devem respeitar a saúde de toda a coletividade. Se você for colocar em risco a saúde de toa a coletividade, é você quem está infringindo a lei” (Alexandre Moraes, Ministro do STF).
Apesar de estudos realizados em ambientes cientificamente controlados, o presidente Jair Bolsonaro insiste enfaticamente em exigir que o Ministério da Saúde determine o uso indiscriminado dos dois fármacos, tendo inclusive demitido os Ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich que resistiam a esta determinação.
O presidente 
Jair Bolsonaro usou o Twitter para informar sobre a nova orientação do Ministério da Saúde para incluir o uso da cloroquina no tratamento de casos leves da COVID-19, mas admitiu que o uso do medicamento ainda não tem comprovação científica.
"Ainda não existe comprovação científica, mas [está] sendo monitorada e usada no Brasil e no mundo. Contudo, estamos em guerra: 'Pior do que ser derrotado é a vergonha de não ter lutado', escreveu o presidente.
Nosso reconhecimento e gratidão aos brasileiros conscientes que permanecem em quarentena para não se contaminarem e, por conseguinte, servirem de vetores para a propagação da pandemia para os heróis anônimos que enfrentam estoicamente o vírus em seus locais de trabalho e arriscam suas vidas exercendo atividades que não podem ser descuradas.  
O impacto das declarações do ex-presidente Lula, que aconteceram durante uma entrevista por videoconferência ao jornalista Mino Carta, da revista "Carta Capital", exorbitam o concebível.                                                                                                                                      O ex-presidente celebrou a aparição do novo coronavírus para mostrar a necessidade de uma maior presença do Estado. "Quando vejo essas pessoas acharem bonito que 'tem que vender tudo o que é público', que o 'público não presta nada', ainda bem que a natureza contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises. Essa crise do coronavírus, somente o Estado é que pode resolver isso", disse Lula... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2020/05/20/ainda-bem-que-o-monstro-do-coronavirus-apareceu-diz-lula.htm?cmpid=copiaecola.
Para atacar, e nisso tem razão, as aleivosias do seu inimigo político, Lula não tem pejo de se regozijar com uma pandemia mundial que já sacrificou, até o momento que redijo esta coluna, 360.860 pessoas no mundo (28.077 no Brasil). As famílias dessas vítimas não compartilham a alegria do ex-presidente. O pedido de desculpas feito após se dar conta da enormidade do absurdo não servirá jamais de consolo.
Repiso, líderes não têm o direito de agir de maneira tão estapafúrdia, insensata.




Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

segunda-feira, 18 de maio de 2020

CORRESPONDENTES






PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

CORRESPONDENTES
Uma das mais gratas constatações para um colunista é receber correspondência comentando, sugerindo assuntos, pedindo esclarecimentos ou mesmo criticando. Tudo auxilia nossa faina sequencial.
Recebi um questionamento à coluna “Acelerando a cura” sobre o porquê algumas doenças ainda não têm solução satisfatória e a possibilidade de haver sonegação por motivos econômicos. Vamos aos fatos.
É um assunto tão vasto, complexo e instigante que os maiores cientistas passam a vida no estudo, e isto há séculos. Passo a passo desbravam a selva desconhecida e há muito a percorrer ainda. É como o horizonte, a cada passo que damos se distancia junto, contudo, apesar disso continuamos e já percorremos parte considerável do caminho.
Entre as doenças que nos causam um misto de pânico e desesperança vou me fixar na asma, no diabetes, no câncer e no Alzheimer.
ASMA – Fatores ambientais e genéticos estão na origem e seu agravamento. Os fatores genéticos – por enquanto – não podemos eliminar, porém os ambientais: pó, mofo, pólen, ácaros, são alérgenos (causadores) que podem e devem ser evitados, este procedimento diminui consideravelmente as crises e está ao nosso alcance. Obedecidos os cuidados recomendados, tratamentos entram em ação e com real eficácia. São utilizados medicamentos para alívio rápido (as conhecidas bombinhas) e para uso contínuo temos à disposição controladores com ação anti-inflamatória e bronco-dilatadores.
Cumpre ressaltar que o controle da asma exige tratamento efetivo contínuo e obediência rigorosa de regras de procedimento. A não observância induz ao agravamento e, inclusive, há risco de morte.
Resumindo: não é possível evitar os fatores genéticos, porém uma vida em condições aceitáveis é possível com o uso das drogas disponíveis.
DIABETES – É uma doença causada pela falta ou má absorção de insulina, hormônio que promove o aproveitamento da glicose como energia para o nosso organismo. O pâncreas é o órgão responsável pela produção de insulina. Podemos dividir em dois grupos o diabetes.
Diabetes tipo 1 – O pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina. É própria da infância e adolescência e exige aplicação diária de insulina injetável.
Diabetes tipo 2 – As células são resistentes à insulina. Pode ser controlado com exercícios, dieta e medicamentos via oral em muitos casos. Em estágio adiantado exige, também, injeções de insulina. Acomete adultos acima dos 40 anos e tem como causas o relaxamento nas atividades físicas, dieta desregulada (excesso no consumo de açúcar principalmente) e hereditariedade. Pode-se levar uma vida com qualidade, desde que se sigam os preceitos recomendados pela medicina, exercícios físicos e, isso é de vital importância, uma dieta equilibrada que inclui abstenção total da ingestão de açúcar e congêneres. 
A descoberta da insulina, em 1921, por Frederik Bantin e equipe teve como primeira paciente Elizabeth Hughes, 14 anos. No dia 16 de agosto iniciou o tratamento com injeções de insulina e se recuperou. Parecia um milagre porque até então o único tratamento era uma dieta tão rigorosa que muitas vezes levava à morte por inanição. Elizabeth, de 4 pés 11,5 polegadas (1,51m) pesava 75 libras (34 kg) quando desenvolveu diabetes. Sob dietas de, em média 800 calorias por dia, seu peso caiu para 45 libras (20 kg) em agosto 1922.
A FDA (Food and Drug Administration) aprovou um avançado sistema de infusão de insulina, acoplado a um sistema de monitorização de glicose, em palavras simples: o pâncreas artificial. O sistema passou a ser disponibilizado na segunda semana de 2020. A ferramenta foi desenhada para uso em crianças acima de seis anos e adultos.
MAIS UM PASSO, OUTROS VIRÃO MINIATURIZADOS.
CÂNCER – É o nome dado a mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos.
Dividindo-se rápida e incontrolavelmente, determinam a formação de tumores que podem evoluir em metástases, invadindo tecidos e órgãos vizinhos ou distantes.
As células do câncer não perdem seus telômeros nas divisões celulares por mitose, eles são repostos por uma enzima, a telomerase e, por isso, tornam-se imortais. As células de uma mulher norte-americana que morreu de câncer uterino em 1951, Henrietta Lacks (foto) - células HeLa - continuam vivas, são cultivadas em laboratórios de todo o mundo e utilizadas para experimentos científicos. A partir elas foi descoberta a vacina Salk para o controle da poliomielite.


Sendo o câncer múltiplo, várias são as terapias utilizadas: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia, terapia alvo, imunoterapia, medicina personalizada, transplante de medula óssea. 
Promissores e alguns já em prática, procedimentos utilizam vetores específicos – vírus por exemplo – para atacar células afetadas. Cientistas norte-americanos estão estudando o vírus da Zica para tratar câncer do cérebro. O micro-organismo pode ser direcionado para infectar apenas as células cancerosas, deixando as células normais intactas.
O assunto é tão vasto e fascinante que uma biblioteca inteira não esgotaria. A trajetória até aqui percorrida nos anima a esperar que todos os cânceres poderão ser tratados e curados num futuro próximo ou remoto.
ALZHEIMER – Uma doença progressiva que destrói a memória e outras funções mentais importantes. As conexões das células cerebrais e as próprias células degeneram e morrem (entram em apoptose, suicídio programado).
Não existe cura, os medicamentos e as estratégias de controle podem melhorar os sintomas temporariamente.
A causa é desconhecida, mas acredita-se que seja geneticamente determinada.
Nos estágios finais o paciente perde a capacidade de executar as mais elementares capacidades tarefas, não reconhece nem s familiares, exige cuidados, vigilância permanente.
O Alzheimer não tem cura nem remissão. Um estudo feito pela Universidade de Southanpton, publicado na revista Brain, no início de 2016, sugere que é preciso enfrentar a inflamação no cérebro para cortar o avanço da doença.
De tudo o que até aqui abordamos é o que menor probabilidade de solução apresenta. Poderíamos, para ter uma ideia aproximada, considerar como o resultado da degenerescência decorrente da velhice. Alguém poderia pensar em evitar o surgimento de rugas com a idade?
As Fake News são execradas por não contribuírem em nada para nada. O tema “doenças sem tratamento” fornece material para elucubrações constrangedoras. Difícil entender que alguém possa se rebaixar ao nível de manipular o desespero.
O dia 26 de fevereiro de 1988marcou o início de uma desconfiança internacional sobre vacinas que reverbera até hoje. O médico Andrew Wakefield apresentou uma pesquisa publicada na conceituada revista Lancet descrevendo 12 crianças que desenvolveram comportamentos autistas. Em comum, dizia o estudo, as crianças tinham vestígios do vírus do sarampo no corpo. Wakefield e seus colegas levantaram a possibilidade de “um vínculo casual” desses problemas com a vacina MMR, que protege do sarampo, rubéola e caxumba e que havia sido aplicada em 11 das crianças estudadas.  Foi o suficiente para que as vacinas MMR começassem a cair no Reino Unido e, mais tarde, ao redor do mundo.
Em 2010, o Conselho Geral de Medicina do Reino Unido julgou Wakefield inapto para o exercício da profissão, qualificando seu comportamento como irresponsável, antiético e enganoso. O Lancet se retratou dizendo que suas conclusões eram totalmente falsas.
A Austin Spears, dedicada a estudos e debates sobre o autismo, escreveu no seu site em 2015: “Pedimos encarecidamente que todas as crianças sejam vacinadas”.
“O mal já se espalhara, incontáveis crianças sofreram e sofrem as consequências”.
Outra Fake News calhorda e irresponsável:
“Os laboratórios já descobriram a cura do câncer, porém, como o tratamento traz melhores resultados financeiros, é mantido em sigilo”.  
Não tenho palavras publicáveis para comentar esta aleivosia. CARAMBA! Quem descobrir a cura do câncer ficará tão rico que ele e sua descendência, até o final dos tempos estarão providos de recursos fartos e inesgotáveis.
P.S.: O esforço de cooperação global para ultrapassar a crise causada pelo COVID-19 é possivelmente o maior da história da humanidade. Passa de 14 mil o número de pesquisas engajadas, resta saber se, quando descoberta a vacina ela será disponibilizada para todos, indistintamente de sua capacidade monetária. Com mais de 300 mil mortos já pranteados o planeta testemunhará uma corrida por vacina. Dinheiro e poder não poderão ser elencados como razão para discriminar nações e pessoas menos afortunadas.
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado