domingo, 17 de março de 2019

UTOPIA 1






PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

UTOPIA – 1

Thomas Morus (ou More) viveu num período em que a Europa tinha como conteúdo social uma nobreza que possuía todo o poder para se perpetuar na prosperidade faustosa, autoridade absoluta, prepotência extrema e nem sonhava em distribuir com justiça o existente – inclusive alimentos – à plebe que vivia em regime de semiescravidão.                                                                                                                                          Fome, miséria, peste, regime de trabalho (16 horas por dia sem férias, domingos livres, aposentadoria e que tais), intolerância e, de justiça, nem simulacro.                                 A revolta que sentia levou-o a escrever “UTOPIA” (do grego u-topos, não lugar), uma ilha imaginária onde vivia uma sociedade ideal, onde tudo era perfeito, harmônico e feliz.


Publicado em 1516, “UTOPIA” tinha por objetivo – e de certa forma o conseguiu – embasar o conceito humanista fundamental para explicar uma sociedade baseada em leis igualitárias, na qual não se admite a propriedade particular, não existe o dinheiro, tudo é comum e as pessoas vivem em harmonia, livres da violência e da intolerância.   
Com o passar do tempo tornou-se a teoria que consubstanciou o desejo dos adeptos em propiciar a todos os elementos que compõem a sociedade uma vida digna em que não prosperam os demasiadamente ricos, poderosos vivendo no fausto, no desperdício, enquanto a maioria é submetida a um regime de penúria.                                                                                                                       É um plano que se constata irrealizável porque exige para a sua existência que TODOS os humanos sejam honestos e trabalhem sem remuneração para o bem-estar da comunidade. Não admite, na realidade, que os indivíduos possam atingir posições de maior destaque graças a seus esforços e capacidade. Este fato inibe a mais entranhada característica humana: proporcionar a si e aos descendentes um padrão de vida progressivamente superior. Numa sociedade utópica perpassam gerações, séculos e milênios E TUDO PERMANECE IMUTÁVEL! Quem nasceu plebeu, assim vive, bem como seus filhos e os filhos dos seus filhos... Os “brâmanes” se eternizam sem sustos. E, suprema ironia – sem graça nenhuma – admitem escravos numa sociedade que pretende ser igualitária!!!

Sócrates, filósofo grego do século IV a.C. já ensinava a seus discípulos: “O sábio precisa escolher entre duas “cidades”: a real e a ideal, esta não se encontra em lugar nenhum na terra”.                                                                                                                        A utopia, para funcionar exige um mundo perfeito, como admit e o próprio Morus. “À falta de um mundo perfeito, é preciso adaptar às circunstâncias e evitar choques frontais, do contrário se corre o risco de cair no ridículo, ou coisa pior”.                                         Para os utopianos não pode haver propriedade privada, porque tudo em Utopia é comum. O único caminho para o bem-estar social é a IGUALDADE DE POSSES. Ora, isso retira a alavanca que soergue o progresso: o estímulo a progredir.

A educação utopiana visa, em primeiro lugar, criar bons cidadãos. Ela é supervisionada por sacerdotes, vale lembrar que são poucos, nunca mais de quatrocentos, que se dedicam a instilar na mente dos jovens “princípios que beneficiam a vida da comunidade”, para tanto os mestres têm o dever de exortar, advertir, conter os transgressores e excluir dos ritos sagrados os que reconhecem como incorrigíveis. Esses terão sua impiedade punida pelo Senado, para os recalcitrantes a punição poderá, inclusive, ser a escravidão, pois a condição de perpetuidade duma república precisa ser diretamente absorvida e esta atitude é incutida desde a mais tenra idade – Alguém relaciona com a “escola COM partido”?
A utopia sugere uma ordem social alternativa que às vezes parece atraentemente próxima, mas que, ao fim e ao cabo, é inacessível. Incongruência que chega a ser brutal: em Utopia, que se diz uma sociedade igualitária, existem escravos. Alguns condenados judicialmente e também inimigos derrotados. Ninguém aventa que seja uma forma de instituir uma força de mão de obra suplementar. Pode ser um paradoxo que após a sua acolhida inicial, em 1516, tivesse que esperar quatro séculos para assumir a importância atual. Marx e Engels incluíram o nome de Morus entre as figuras fundadoras do comunismo na Inglaterra. 

Os dados que embasam esta coluna e as que se sucederem fora extraídos do livro “UTOPIA” escrito por Dominic Baker-Smith, com tradução de Denise Bottmann.
Nesta primeira coluna garimpei na “Introdução” assinada pelo autor, nas demais serão priorizadas informações constantes na obra em si.

Comentário do colunista: Como o próprio autor admite, para existir uma sociedade utopiana faz-se necessária a existência de seres perfeitos e dispostos a seguir as regras vigentes. Ora os humanos são caracterizados por possuírem o livre-arbítrio e cada um é singular, diferente de qualquer outro da espécie. Uma sociedade descrita em Utopia floresce em nosso planeta apenas em alguns animais gregários, como as abelhas e formigas. Nas colmeias, por exemplo, existem apenas a abelha-rainha, as operárias e os zangões. Cumprem suas funções sem tergiversar há milhares de anos e assim continuarão. Eventuais mudanças são ocasionadas por alterações no meio-ambiente, quando se fazem necessárias adaptações. Fora disso, o instinto é o único fator que rege as comunidades.                                                                                                                                             “É a geração de riquezas que permitirá aprofundar valores democráticos de liberdade e justiça. Necessária, assim a contenção de sofismas sobre a perfeição humana. A vida corre num campo social desarmônico, repleto de virtudes e vícios. Requer-se estabelecer a autoridade “moral” pelo mérito e esforço individual da conquista de conhecimento e prudência”. (Alex Pipkin, professor, doutor e consultor empresarial – Zero Hora, 05/12/2018) 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

domingo, 10 de março de 2019

O FUTURO JÁ CHEGOU 3




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 09/03/2019


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira                                   
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura.

O FUTURO QUE JÁ CHEGOU (3)

Terapia genética
Engenharia Genética é o ramo da ciência que consegue reunir diversas técnicas para fins de manipulação dos genes de qualquer organismo a partir de experimentos artificiais. Esse processo de manipulação faz com que tais elementos sejam duplicados, transferidos ou mesmo isolados dos genes originais. Pode ser utilizada para modificar as características genéticas de qualquer ser vivo.    Organismos geneticamente modificados são conhecidos e utilizados tanto para a agricultura, pecuária, alimentação, como para a obtenção de vacinas e drogas farmacêuticas, amplamente usadas e com resultados extremamente eficazes. Vacinas como a H1N1, nossa conhecida e a insulina, indispensável para a sobrevida de diabéticos prescindem de quaisquer comentários quanto à sua eficácia e imprescindibilidade.
Um organismo é chamado de transgênico quando é feita uma alteração no seu DNA - que contém as características de um ser vivo. Por meio da engenharia genética genes são retirados de uma espécie animal ou vegetal e transferidos para outra. Esses novos genes introduzidos quebram a sequência de DNA que sofre uma espécie de reprogramação sendo capaz, por exemplo, de produzir um novo tipo de substância diferente da que era produzida pelo organismo original.

É importante saber que um dos grandes feitos da engenharia genética é a manipulação dos genes com o objetivo de curar doenças genéticas, conhecida como terapia gênica ou geneterapia. Essa terapia consiste no uso da engenharia genética para tratar as pessoas portadoras de doenças, deficiências ou danos, com o desejo de restaurá-las para o estado normal de saúde.
A terapia genética, ou gênica, é um tratamento inovador que utiliza modificações dos genes para tratar uma doença e pode, no futuro, ser a cura de diversas doenças genéticas e, até mesmo do câncer.
Este tipo de terapia consiste, principalmente, em provocar mudanças no DNA nas células afetadas pela doença e ativar as defesas do corpo para reconhecerem os tecidos danificados e conseguirem eliminá-los, o que é feito com a injeção, no organismo do paciente, de tecidos ou vírus geneticamente modificados.
As doenças que podem vir a ser tratadas desta forma são aquelas que envolvem alguma alteração no DNA, como o câncer, doenças autoimunes, diabetes, epilepsia, dentre outras doenças degenerativas ou genéticas, entretanto, em muitos casos ainda estão em fase de testes. 




A terapia genética consiste no uso de genes em vez de medicamentos para tratar doenças. Ela é feita alterando-se o material genético do tecido comprometido pela doença por outro que seja normal. A forma mais comum de se conseguir realizar esta alteração é através de um método chamado ex-vivo, que é feita seguindo os seguintes passos:
1.     Coleta-se uma amostra do tumor ou tecido do órgão afetado;
2.     Localiza-se o local do DNA que está alterado na doença;
3.     São obtidos fragmentos de DNA que contém a informação correta e são colocados dentro do material genético de um vetor, que pode ser um vírus;
4.     Injeta-se o novo vírus geneticamente modificado na amostra de tecido doente (o vírus também é alterado para não provocar doenças);
5.     O tecido com o novo material genético é introduzido no organismo, para que assim as células passem a se comportar de forma saudável, corrigindo o defeito genético.
Além disso, outra forma de terapia gênica, menos utilizada, é chamada de método in-vivo, é feita injetando-se o tecido com material genético modificado diretamente no organismo, sem necessidade de passar por uma amostra fora do corpo.
Doenças que a terapia gênica pode tratar
A terapia gênica é promissora para o tratamento de qualquer doença genética, entretanto, somente para algumas já pode ser realizada ou está em fase de testes. Alguns tratamentos disponíveis incluem:
·         Tratamento do câncer, principalmente leucemias, linfomas, melanomas e sarcomas.
·         Doenças causadas por mutações genéticas, como deficiência de adenosina deaminase, leucodistrofia metacromática ou síndrome de Wiskoff-Aldrich, por exemplo.
Este tipo de terapia também é promissora ao tratamento de outras doenças, como HIV, hemofilia, doença de Parkinson, além de diversas doenças auditivas ou visuais, entretanto, ainda não está disponível nos centros médicos do Brasil, pois é cara e necessita de uma tecnologia avançada.
Terapia genética contra o câncer
A terapia genética para tratamento do câncer já é realizada em alguns países, e pretende ser iniciada no Brasil. É particularmente indicada para casos específicos de leucemias, linfomas, melanomas ou sarcomas, por exemplo. 
Este tipo de terapia consiste, principalmente, em ativar as células de defesa do corpo para reconhecerem as células tumorais e conseguirem eliminá-las, o que é feito com a injeção de tecidos ou vírus geneticamente modificados no organismo do paciente.
Acredita-se que, futuramente, a terapia gênica se torne mais eficiente e substitua os tratamentos atuais para o câncer, entretanto, como ainda é cara e necessita de uma tecnologia avançada, é preferencialmente indicada em casos que não respondem ao tratamento com quimioterapia, radioterapia e cirurgia. 

Em três colunas me propus apresentar algumas das últimas descobertas da ciência médica utilizadas no abrandamento dos sofrimentos causados por moléstias que sempre existiram e outras derivadas do nosso modo de viver, dinâmico, agitado e, por vezes, descontrolado. Como complemento, a cura com retorno ao estado sadio. Algumas dessas terapias ainda estão em fase experimental enquanto outras, mais ousadas e complexas, pertencem ao futuro. Esperamos que próximo.
                                                           
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

O FUTURO JÁ CHEGOU 2




Publicado em "www.litoralmania..com.br" -


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

0 FUTURO QUE JÁ CHEGOU (2)
Tireoide
A tireoide é uma glândula que regula a função de órgãos importantes como o coração, o cérebro, o fígado e os rins. Ela produz os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Dessa forma, garante o equilíbrio do organismo. A glândula possui forma de borboleta  e se localiza na parte anterior do pescoço, logo abaixo do Pomo de Adão. Ela atua diretamente no crescimento e desenvolvimento de crianças e de adolescentes, na regulação dos ciclos menstruais, na fertilidade, no peso, na memória, na concentração, no humor e no controle emocional.                                                                                                                                   Quando a tireoide não funciona corretamente, pode liberar hormônios em quantidade insuficiente (hipotireoidismo) ou em excesso (hipertireoidismo). Nos dois casos aumenta o volume da glândula, o que é conhecido como bócio. Esses problemas podem ocorrer em qualquer etapa da vida e são simples de se diagnosticar. Ter um bócio não significa necessariamente que sua glândula tireoide não está funcionando normalmente. Mesmo quando está ampliada, sua tireoide pode produzir quantidades normais de hormônios.
O iodo é indispensável para que a glândula tireoide possa sintetizar e liberar na circulação os seus hormônios. O consumo de sal iodado, instituído em 1995, através de um decreto-lei obrigou empresas que acrescentassem iodo ao sal para ajudar a evitar os males da tireoide. O Programa Nacional de sal iodado passou a funcionar muito bem, suprindo toda a população brasileira e praticamente erradicou o bócio” informa o médico Geraldo Medeiros, professor do Departamento de Clínica Médica (Endocrinologia) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e presidente do Instituto da Tireoide. "Sem o iodo a população pode passar a apresentar distúrbios como o bócio; o nascimento de crianças com deficiência de tireoide, que podem levar a surdo-mudez, e debilidade mental", explica.  




       
A introdução compulsória de iodo no sal comercializado teve um êxito que suplantou as mais otimistas expectativas. Pessoas portadoras de bócio, como a da fotografia, eram corriqueiras. No Brasil, a taxa de prevalência era de 20,7% em 1955, passou para 1,4% em 2000 e continua em franco declínio.                                                                                               No Brasil o sal de cozinha apresenta uma quantidade entre 15mg/kg e 45mg/kg, não deve ser aumentada porque em excesso o iodo causa danos à saúde.                                                                                                                 

Iodoterapia para Câncer de Tireoide


Parti
A glândula tireoide absorve praticamente todo o iodo presente no sangue. Quando uma dose de iodo radioativo, conhecida como I-131, é administrada, pode destruir células cancerígenas da tireoide, com pouco ou nenhum efeito colateral para o corpo. Este tratamento pode ser utilizado para a ablação de qualquer tecido de tireoide remanescente da cirurgia ou para tratar o câncer que se disseminou para os gânglios linfáticos ou outros órgãos.
A maioria dos médicos também recomenda que o paciente siga uma dieta pobre em iodo durante 1 ou 2 semanas antes do tratamento. Isso significa evitar os alimentos que contêm sal iodado e corante vermelho, assim como produtos lácteos, ovos, marisco, e soja.
Vírus no tratamento do câncer
Uma cepa de vírus da herpes modificado é inofensivo para células normais mas, quando injetado em tumores se replica e libera substâncias que ajudam a combater o câncer. Uma versão geneticamente modificada do vírus que causa herpes pode curar câncer de pele, de acordo com pesquisadores. "Quando o vírus da herpes infecta uma célula ele cresce dentro dela e a faz explodir, infectando as células ao redor. Por isso sobrevém uma ferida, são as células do câncer morrendo na sua pele", explica Richard Marais, do Cancer Research UK.
"Os vírus foram modificados de três maneiras: Primeiro, fizeram com que parasse de causar herpes. Segundo, fizeram com que crescesse apenas nas células cancerígenas. Por último, fizeram eles serrem atraentes para o sistema imunológico. Por isso, quando injetados em um tumor, eles matam o tumor e ativam o sistema imunológico, que caça outros tumores para matá-los", conclui.                                                                                                                                                A técnica poderá ser usada, no futuro, para combater outros tipos de câncer.                                                                                    O estudo é o maior teste aleatório de um vírus anticâncer e envolveu 436 pacientes de 64 centros nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e África do Sul em melanomas malignos inoperáveis.                                                                                        "Há um crescente entusiasmo com o uso de tratamentos virais como T-Vec para o câncer, porque eles podem lançar um ataque duplo nos tumores - matando células cancerígenas diretamente e colocando o sistema imunológico contra elas", diz o coordenador dos testes no Reino Unido, Kevin Harrington, do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres.
CIENTISTAS DA USP MOSTRAM QUE VÍRUS DA ZIKA PODE SER USADO PARA ELIMINAR CÂNCER CEREBRAL                                                                                                                      Conhecido por destruir células-tronco do cérebro em formação, provocando problemas neurológicos como a microcefalia, o vírus da zika também tem a capacidade de destruir de forma seletiva as células de tumores do sistema nervoso central.                                                                                                         Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) mostra que o vírus da zika é capaz de infectar e matar as células de tumores cerebrais com grande eficácia, sem causar danos às células saudáveis. De acordo com os autores da pesquisa, os resultados sugerem que, no futuro, vários tipos de tumores agressivos do sistema nervoso central poderiam ser tratados com algum tipo de abordagem envolvendo o uso do vírus da zika, conhecido por sua preferência por atacar células do cérebro em formação. Segundo eles, os mesmos mecanismos que dão ao vírus a capacidade de causar problemas neurológicos graves como a microcefalia também permitem que ele ataque seletivamente as células de câncer no cérebro.                                                                                           Realizada por cientistas do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP, sob coordenação da geneticista Mayana Zatz, a pesquisa teve seus resultados publicados nesta quinta-feira, 26, na revista científica Cancer Research, da Associação Americana para a Pesquisa do Câncer.


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

REFORMA DA PREVIDÊNCIA




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 22/02/2019
http://www.litoralmania.com.br/reforma-previdencia-jayme-jose-de-oliveira/


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA
A previdência social no Brasil deu seus primeiros passos com a lei Eloi Chaves, de 1923, que criou as Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs), eram geralmente organizadas por empresas e empregados.
Em 1930 o presidente do Brasil, Getúlio Vargas, suspendeu as aposentadorias das CAPs durante seis meses e promoveu uma reestruturação que acabou por substituí-las por Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs), autarquias federais que eram ligadas a categorias federais (IAPM, IAPC, IAPB, IAPI, IPASE, IAPTEC, etc.).                                                                                               Em 1964 houve uma fusão de todos os IAPs no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social). Em 1990, ao INPS juntou-se o Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (IAPAS) para formar o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e o serviço passou a ser coberto pelo SUS.
Com o incentivo da presidente Dilma Rousseff, a partir de 05/02/2013 passou a vigorar a Previdência Complementar dos Servidores Públicos. Os servidores públicos federais que até então se aposentavam com o valor integral do último salário, passaram a ter como limite o equivalente ao teto de contribuição e benefício do INSS. Se desejarem uma aposentadoria de valor superior, poderão aderir à Previdência Complementar.
O governador José Ivo Sartori enviou, em 2.015, um projeto semelhante ao federal no qual apenas os novos servidores serão atingidos, preservando-se os direitos adquiridos dos atuais.
Em 20/02/2019 o presidente Jair Bolsonaro enviou ao Congresso um projeto de reforma para a Previdência Social. Para possibilitar que no futuro os direitos dos aposentados possam ser honrados é necessário estancar os monumentais déficits ora apresentados.
Haverá choro e ranger de dentes dos “prejudicados”, principalmente daqueles que atualmente desfrutam aposentadorias extra-teto. Campanhas patrocinadas por sindicatos vem alardeando que será mais um ônus aos mais pobres e manutenção dos benefícios aos inseridos no topo da pirâmide. É um vergonhoso fake new porque, como podemos comprovar no exame detalhado do projeto, a guilhotina decepará as escandalosas aposentadorias dos nossos “marajás” encastelados principalmente no Judiciário e no Legislativo. É imperioso não se deixar influenciar. Combater privilégios espúrios sempre foi difícil e poucos têm ou tiveram coragem para enfrentar. Elogios à ex-presidente Dilma e ao ex-governador Sartori que não se intimidaram.

Seguindo as “regras do jogo”, sabendo que a Câmara Federal e o Senado têm por hábito não aprovar nada sem apor emendas, “bodes na sala” foram incluídos no projeto e,  ao serem exorcizados satisfarão os ilustres parlamentares e teremos, finalmente, uma Previdência autossustentável, escoimada dos assaltos que iniciaram já no governo Vargas com a criação de Vilas IAPI com recursos subtraídos do Fundo Previdenciário e, atualmente, pela DRU (Desvinculação de Receitas da União) que permite ao governo remanejar até 30% das receitas previdenciárias. As alterações que serão introduzidas não podem descaracterizar o espírito da Reforma Previdenciária, que garante a sustentabilidade do sistema.
Políticos têm medo mórbido de humoristas. Ferinos e certeiros, em poucas palavras ou em charges mordazes atingem o âmago da questão, expondo as facetas mais escabrosas do toma-lá-dá-cá.
“Acabar com a corrupção é o supremo objetivo de quem não atingiu o poder” (Millor Fernandes). “Queres conhecer o Inácio? Instala-o no palácio” (Barão do Itararé).
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

TELEMEDICINA






PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

TELEMEDICINA – 15/02/2019

O Conselho Federal de Medicina aprovou a autorização de consultas online, telediagnósticos e TELECIRURGIAS.

Como toda a inovação que revoluciona o já consagrado por largo tempo, a telemedicina provoca reações pró e contra, em profusão.                                                   Lembremos que isso sói ocorrer sempre. Os TRANSGÊNICOS até hoje são combatidos ferozmente, inclusive por organizações internacionais como o Greenpeace. Contudo, apesar dos percalços, a farmacologia, por exemplo, produz a vacina H1N1 contra gripe a partir deste processo. O diabetes era uma doença mortal até 1921, em 27 de julho desse ano, pesquisadores da Universidade de Toronto isolaram pela primeira vez o hormônio fabricado pelo pâncreas, a insulina. Esta descoberta, aprimorada, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina/Fisiologia em 1923. A produzida a partir de pâncreas de boi ou porcos não pode ser utilizada por pessoas que desenvolverem alergia ao fármaco... desenvolveu-se a insulina TRANSGÊNICA. Atualmente é possível a obtenção a partir de bactérias nas quais se introduz segmentos de DNA humano. Em estudos, insulina em comprimidos, liberando os pacientes das incômodas injeções.                                                                                            Agricultura e pecuária também sofrem contestações, porém, os proveitos, muito superiores aos alegados perigos consolidaram o uso desses produtos. O mesmo ocorrerá com a telemedicina, desde que empregada com critério e nos procedimentos recomendados.
A partir de 1999, quando foi criado o robô Da Vinci que utiliza a internet para funcionar, a cirurgia robótica, uma evolução da cirurgia laparoscópica minimamente invasiva permite ao cirurgião estabelecer acessos, introduzir câmeras e instrumentos de trabalho no interior do corpo do paciente por meio de pequenas incisões (de meio a um centímetro) feitas pelo robô.                                                                                                                                                          Esta maravilha tecnológica permite cirurgias com absoluta segurança, em qualquer parte do mundo, por um médico operando através do robô, confortavelmente instalado frente a um console com visão tridimensional. Com a notória deficiência numérica – os profissionais têm excelente capacidade – o fato de poderem ser requisitados em qualquer parte do território nacional permite uma multiplicidade de procedimentos.                                                                                                                                   As faculdades de medicina também podem se beneficiar, os professores podem ministrar aulas com exibição de imagens transoperatórias, inclusive para diversos grupos de alunos simultaneamente. Usando a telemedicina, profissionais do Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, vão treinar equipes de UTIs pediátricas em Sobral e Palmas, no Tocantins. Nenhum vídeo, por mais preciso que seja, poderá transmitir a sensação de participação que ocorre nestas transmissões em tempo real.

Cirurgia robótica numa uva – 1 min48sg

Vantagens em relação à cirurgia convencional (aberta):                        Menos invasiva – incisões menores.                                                              Reduz sangramentos, dores e risco de infecção                                              Recuperação mais rápida do paciente.                                                         Menor tempo de internação.

                                                                                                             Vantagens em relação à cirurgia laparoscópica:              Mais precisão nas cirurgias em locais de difícil acesso.                                    Melhor ergonomia – o cirurgião fica sentado em posição confortável, o que ajuda nas cirurgias longas.                                                                                                     O robô reproduz movimentos similares aos do cirurgião.                                                                                                                                        Visão tridimensional para os cirurgiões.                                                        Segurança. O robô não faz nada sozinho. Qualquer movimento realizado por ele foi feito pelo cirurgião no console. No entanto, diante de situações imprevistas pelo cirurgião, aciona um comando de segurança que trava provisoriamente a máquina, evitando danos ao paciente. Se o médico tirar o rosto da tela de controle, o robô também para automaticamente.                                                                                                                                     Por serem mais complexas, as cirurgias robóticas seguem também um protocolo de checagem de todos os itens de segurança a cada hora de cirurgia.                                                                                           Apesar de um braço robótico ser responsável por segurar as pinças que são introduzidas no paciente, quem controla todo o aparelho é um ser humano.

Sistema de saúde público:

O Instituto do Câncer de São Paulo (Incesp), o Inca (Instituto Nacional do Câncer), no Rio de Janeiro, e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre foram os primeiros a operar com a tecnologia pelo Sistema Único de Saúde.
Apesar do custo da cirurgia com robô ser maior do que os outros tipos de procedimentos, estudos feitos na Suíça que avaliaram todo o processo, desde o pré-operatório até o tempo de recuperações pós-cirurgia, indicam que o custo geral é até menor quando utilizado o robô.

Por serem mais complexas, as cirurgias robóticas seguem também um protocolo de checagem de todos os itens de segurança a cada hora de cirurgia.                                                                                           Apesar de um braço robótico ser responsável por segurar as pinças que são introduzidas no paciente, quem controla todo o aparelho é um ser humano.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado