segunda-feira, 23 de julho de 2018





Justiça - publicado em "www.litoralmania.com.br", em 23/07/2018

http://www.litoralmania.com.br/justica-jayme-jose-de-oliveira/



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 LUZ NO FIM DO TÚNEL
Após os lamentáveis acontecimentos decorrentes do habeas corpus concedido pelo desembargador Rogério Favreto do TRF-4 ordenando a libertação de Lula e as reações advindas, somos tentados a descrer na JUSTIÇA como instituição acima de qualquer suspeita. Quando grenaliza uma questão de tal magnitude e, ao final, chega-se à conclusão que ambos os lados deixaram de agir de acordo de maneira consentânea às suas posições – deveriam (DEVERIAM) permanecer inequivocamente alheias a partidarismos e brilhaturas. Somos levados a descrer dela, talvez a última trincheira a nos defender do caos.
A manifestação de Luís Roberto Barroso, ministro do STF indicado pela presidente Dilma Rousseff, NOS PERMITE VISLUMBRAR UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL.
“É um erro achar que o direito penal deve ter o papel de fazer um processo durar 5, 10, 20, 30 anos. Em nenhum lugar do mundo subsiste e não deveria ser o papel da advocacia. O segundo impacto extremamente negativo é a seletividade do sistema penal brasileiro que tornou muito mais fácil prender um jovem com 100 gramas de maconha do que um agente público ou privado que desvia R$10, 20, 50 milhões. Esta é a realidade do sistema penal brasileiro. Este desvio, esta corrupção, mata pessoas, gente nas filas do SUS, nas estradas que não recebem manutenção adequada, desilude quem não recebe educação, quem anda em ônibus mal conservados e insuficientes. Tudo por falta do dinheiro desviado para a corrupção.                                                                                                                                            A maioria dos encarcerados não está presa pelos dois motivos que mais afligem a sociedade brasileira: violência e corrupção. Nós não prendemos os verdadeiros bandidos do Brasil.
Possibilitar a prisão após a condenação no 2º grau, regime que implantamos em 2016, demonstrou ser um recurso eficiente. Só na operação Lava-Jato 77 decisões já foram confirmadas em uma única vara, onde as coisas andam. Se voltarmos atrás, essas transformações que finalmente estamos conseguindo no Brasil com atraso, mas não tarde demais, vão se efetivar. Sem o risco da prisão após condenação no 2º grau acabam os incentivos para delação premiada que foram decisivos para o desbaratamento dessa corrupção sistêmica que se instalou no país. Nós criamos um país de ricos delinquentes, pela incapacidade do direito penal de indiciar qualquer pessoa que ganhe mais de cinco salários mínimos e este quadro só começou a se alterar pela mudança de atitude na sociedade, na imprensa, nas redes sociais, nas instituições e na própria jurisprudência no STF.                                                                                                                                                                                          E esses crimes são considerados não violentos. Após roubarem R$100 milhões frequentam livremente os mesmos restaurantes de quem passou o dia inteiro trabalhando. Se alguém acha que não viola o sentimento mínimo de justiça uma situação como esta pode ter uma noção diferente do que seja justiça.                      Essas pessoas não têm medo de nada, tanto que três anos depois da operação Lava-Jato continuam atuando da mesma forma. Nesta operação imensa de abafar a Lava-Jato existem dois lotes no Brasil: a dos que não querem ser punidos e um lote ainda pior: os que não querem ficar honestos nem daqui para a frente.                                                   Uma interpretação que produz ilações absurdas e frustra os sentimentos mínimos de justiça da sociedade não pode ser a adequada do texto constitucional. Este não é o país que gostaria de deixar para os meus filhos. Eu me recuso a participar, sem reagir, de um sistema de justiça que não funciona e quando funciona é para prender menino pobre e, geralmente, primário e com bons antecedentes”. (Luís Roberto Barroso – ministro do STJ)
Em Zero Hora (14/07/2018), Flávio Tavares, jornalista, preso político trocado pelo embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick, escreveu em sua coluna quinzenal: “Meditemos antes que a esperteza domine a Justiça e a vergonha nos cegue como agora. O plantonista de fim de semana pode continuar fazendo das leis um brinquedo que a fantasia torce e distorce em busca de algo inexistente?                                        Se o juiz arma o próprio erro, quem o controla? E quando o erro vem de uma provocação preparada por três deputados para anarquizar e demonizar a Justiça”?
ASSINO EMBAIXO!



Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

sábado, 14 de julho de 2018

NUDIBRÂNQUIOS, PEQUENAS MARAVILHAS DA NATUREZA




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 14/07/2018

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PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.


NUDIBRÂNQUIOS, PEQUENAS MARAVILHAS DA NATUREZA

A vida no ambiente marinho, entre suas maravilhas nos surpreende com a colorida exibição dos nudibrânquios.  A natureza não se cansa de encher nossos olhos com inúmeras criaturas que ela esparge a mãos-cheias, entre elas eles ocupam, sem sombra de dúvida, um lugar de destaque. São talvez os mais coloridos e belos seres marinhos, subdivididos em mais de 3.000 espécies. Seu tamanho varia de 2 a 6 centímetros e as cores exuberantes ocultam toxinas mortais que desestimulam os predadores. Proliferam em todos os mares e, no Brasil, abundam nas águas rasas e de temperatura amena. Seu nome deriva de serem suas brânquias respiratórias expostas em formato de ramalhete.

Os nudibrânquios são hermafroditas - possuem órgãos sexuais de ambos os sexos - mas, devido ao seu posicionamento são incapazes de se autofecundar e por isso formam pares que trocam espermatozoides, que são armazenados no interior do organismo até que ocorre a maturação dos óvulos. Os ovos são expelidos aos milhares e não recebem os cuidados dos progenitores.
Todas as espécies são carnívoras. A maioria, predadores especializados. Alguns, como o dragão azul,  inclusive  se alimentam de anêmonas urticantes, são imunes ao veneno e, inclusive, o utilizam para reforçar suas defesas.

Podem ser criados em aquários, porém exigem cuidados especiais com a alimentação e na escolha dos coabitantes. Quando devorados ocasionam a morte dos predadores e, inclusive, quando morrem por causas naturais contaminam o ambiente com substâncias tóxicas que podem exterminar os demais ocupantes.

A partir deles podemos desenvolver temas educacionais que demonstram como as aparências são, por vezes, um indicativo enganoso do todo de um ser ou substância. Por exemplo, a beleza não garante apenas o embevecimento dos olhos, mas pode, de modo subjacente, encobrir verdades menos atraentes. O veneno que se incorpora aos nudibrânquios e é sua defesa principal contra predadores não pode ser descartado. Por analogia podemos ensinar, principalmente às crianças, que na vida nem tudo o que reluz é ouro. E não apenas nas cores, em tudo. Drogas, álcool, períodos tresnoitados podem momentaneamente incutir sensações prazerosas, mas, cedo ou tarde cobram um preço amargo. A flor da papoula também é linda... dela se extrai a codeína, o ópio, a heroína a morfina, etc... Apesar de terem aplicações medicinais pertencem ao grupo dos opiáceos, drogas da mais alta periculosidade por induzirem os consumidores a se tornarem dependentes.  
Os vídeos anexos merecem serem vistos em tela cheia:


NUDIBRÂNQUIOS, VARIEDADES – 7min42seg
NUDIBRÂNQUIOS E PLANÁRIAS DO MEDITERRÂNEO – 5min58seg
NUDIBRÂNQUIOS DE ÁGUAS FRIAS – 3min52seg
NUDIBRÂNQUIOS, 50 TONALIDADES – 4min47seg










sábado, 7 de julho de 2018

A CRIAÇÃO DO MUNDO




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 07/07/2018

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PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

A CRIAÇÃO DO MUNDO
Uma anedota depreciativa, gestada por quem não aguenta mais a situação que nosso país atravessa, relata um diálogo entre Deus e Lúcifer, anjo querubim, quando foi criado o universo.
Lúcifer: - O Senhor colocou nos países do mundo terremotos, desertos, geleiras, vulcões... no Brasil, matas verdejantes, águas límpidas, praias maravilhosas, clima temperado e tudo do bom e do melhor.                                                                                                                               Deus reconheceu: - É verdade.                                                                                Lúcifer indignado: - E o Senhor acha justo?                                                                      Ao que o Senhor argumentou: - Você tem que ver os políticos que colocarei lá.

A crise que enfrentamos na atualidade é fruto resultante da má gestão, descontrole do gasto público (onde o déficit só se agiganta). A previdência continua intocada e segue sendo a grande incógnita. Não é resolvida pelo temor das pressões exercidas pelas corporações e tudo isso conspira contra o equilíbrio fiscal, fundamental para o equilíbrio orçamentário.                                                                                                                    Sem condições políticas para propor quaisquer medidas que requeiram remédios amargos, porém indispensáveis e inadiáveis, o sonho do governo para um ajuste a longo prazo continua sendo apenas um sonho e as expectativas de soluções deterioram.                                                                                                      Catapultando o desequilíbrio a níveis insuportáveis, o déficit do setor público é responsável importante pelo estrago. Más gestões – federais, estaduais e municipais – atingem a economia, afetando a vida de todos. Lembremos também que o regime político multipartidário remete a um presidencialismo de coalisão onde o executivo depende do legislativo e este apoio só é conseguido com uma farta distribuição de cargos e verbas, muitas vezes espúrias e alocadas para projetos de interesse dos que delas se servem para proveito próprio, raramente visando o bem público e as necessidades da população.                                                                                                 O judiciário, que deveria ser o poder moderador entrou na “dança” e o que se vê mais parece uma disputa de malabarismos verbais e brilhantismos, quando não o resultado de posições de cunho político em vez da justa e correta interpretação das leis, o que seria o seu dever.
Nas eleições que se aproximam, direcionar os votos a candidatos que se proponham  quebrar o paradigma do toma-lá-dá-cá será não apenas uma medida inteligente como, talvez, uma das últimas oportunidades de corrigir a rota que, atualmente, nos conduz em direção a um iceberg. Caso não redirecionarmos o rumo nosso destino será o mesmo do Titanic. Não adianta bradarmos contra os políticos que não nos representam condignamente se nós mesmos não agirmos com correção e nos empenharmos em escolher os futuros representantes visando eleger pessoas que mereçam nossos sufrágios. Será inútil vociferar contra desmandos e continuar elegendo os mesmos de sempre.


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado



segunda-feira, 2 de julho de 2018

GESTÃO PÚBLICA




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 30/06/2018

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PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.



GESTÃO PÚBLICA – 30/06/2018

Unanimidade rara entre os brasileiros: “O país precisa renovar urgente e profundamente seus métodos de gestão pública”. Dispersas e diminutas, há por certo ilhas de eficiência de modernidade. São bons exemplos que podem acelerar a transformação indispensável. É um tema fundamental para a sociedade a discussão: para que servem os governos, como se apresentam, atuam e como revolucionar a reconhecida ineficiência em todas as esferas.
O grande diferenciador entre sociedades avançadas e subdesenvolvidas é a forma como representam os indivíduos e devolvem os impostos arrecadados. Na forma de obras de interesse coletivo, segurança, saúde e educação? No Brasil, antes de enxergar o bem comum, as corporações enquistadas no poder procuram, acima de tudo servirem-se, manter e ampliar seus privilégios, mesmo à custa do sacrifício imposto à sociedade, uma maioria que só tem vez e voz quando convocada para eleger os líderes que supostamente deveriam defender os interesses dos eleitores. Não o fazem.

Utopia? Ao contrário do regime idealizado por Thomas Morus onde os componentes duma sociedade estratificada, sem possibilidade de alçar a níveis superiores graças a esforço e competência, via-se constrangida, geração após geração, a seguir os passos dos progenitores. Um regime onde as castas eram impositivas como numa colmeia, desconsiderando quaisquer veleidades de progresso e ascensão social, profissional, de qualidade de vida.
Se nos tempos pré-computador e da WEB se tornavam indispensáveis procedimentos burocráticos (ou BURROcráticos) pela absoluta falta de alternativas, o mundo informatizado criou atalhos que agilizam, de maneira estonteante até, os procedimentos antes morosos, passíveis de falhas e facilitadores da famigerada corrupção.
Utopia? Ao contrário, esforço, dedicação e conhecimento abrem portas a posições proeminentes que não apenas elevam pelo status como beneficiam a sociedade em geral pela agilidade e economia gestadas.
Utopia apenas viável para países com orçamentos gigantescos? A Estônia, por exemplo, pequeno país do leste europeu, auxiliado por algoritmos economiza montanhas de papéis em relatórios, proposições, debates bizantinos, etc., resultando no direcionamento de investimentos para a saúde, educação e segurança, minimizando problemas do dia a dia da população.
Estamos no limiar dum salto como o ocorrido com o advento da era industrial. Diziam os críticos da época que empregos seriam detonados quando, na realidade, houve uma valorização e criação duma mão de obra de maior qualidade e melhor remunerada. Consequência correlata, os produtos se tornaram mais acessíveis. A produção em série permitiu que os preços diminuíssem paulatinamente a ponto de se tornarem acessíveis à população em geral.
O que tem isso a ver com a gestão pública? TUDO! Quando CCs, FGs, e outras excrescências forem extirpadas e a “governabilidade” não mais ficar dependente do famigerado toma-lá-dá-cá aos setores produtivos será dado o devido valor e os “parasitas”, cuja “produtividade” se resume em servirem de áulicos aos sátrapas de ocasião, terão o destino merecido: a extinção. E, SÓ ELES E SEUS MENTORES SENTIRÃO A FALTA.






Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

sábado, 23 de junho de 2018

A MEDICINA ATRAVÉS DO TEMPO




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 23/06/2018

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PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.


MEDICINA ATRAVÉS DO TEMPO

A medicina já foi definida como “um conjunto de verdades provisórias”. Por isso mesmo ela se presta a mudanças de conceitos e condutas, na dependência do seu estágio de desenvolvimento e do embasamento teórico de que dispõe para fundamentar a prática médica. Por outro lado, por mais científica e técnica que seja jamais consegue desvencilhar-se do seu componente de subjetivismo.  
Quando as doenças eram consideradas um castigo que os deuses impunham à humanidade pelos seus pecados, os sacerdotes, curandeiros e charlatães se arrogavam o poder de curá-las ou interceder perante as divindades. Em todas as civilizações, mesmo as mais incultas. O curandeirismo é tão antigo como as doenças. O homem sempre acreditou numa força invisível capaz de curar com um simples gesto ou toque de mãos. O grego Hipócrates, o pai da medicina, considerava a cura pelas mãos prática natural. Os primeiros cristãos achavam que era manifestação do Espírito Santo. Durante séculos tal prática sobreviveu e 43 praticantes chegaram a ser considerados santos.                                                  Na Idade Média caíram em desgraça e seus poderes atribuídos ao diabo. A partir de 1136 os monges foram impedidos de exercer atividades médicas e quem tentou driblar a proibição foi parar na fogueira, assim como as feiticeiras.                                                                                                                                                                Nos tempos modernos o princípio do magnetismo, teoria surgida no século XVIII tornou conhecido o médico alemão Franz Anton Mesmer. Na Rússia Rasputin influenciou os czares e seu poder era incalculável. Médiuns espíritas alegam que incorporam espíritos de médicos já falecidos e, em todos os países, têm seu séquito de seguidores. A medicina atual proclama o valor da psicologia no tratamento e os fatores psicossomáticos são considerados de fundamental importância. A ciência não destruiu os fatores psicológicos, incorporou-os e os resultados são alvissareiros.
Práticas atualmente descartadas tiveram seu uso consagrado por largos períodos. Povos de todas as latitudes e civilizações utilizaram-se da SANGRIA como terapêutica polivalente em quase todas as doenças. Inicialmente como um ritual impregnado de conteúdo místico e posteriormente sob o fundamento de doutrinas que justificavam tal prática, ou que foram elaboradas para que a coonestassem (Seigworth, 1980, pp. 2022-208).                                                                                                                                                                                                                  Barbeiro-cirurgião era uma das profissões mais comuns na área médica durante a Idade Média, eram geralmente incumbidos do tratamento de soldados durante ou após batalhas. Nesta época, cirurgias em geral não eram realizadas por médicos, mas por barbeiros que também faziam pequenas cirurgias nos ferimentos dos camponeses e sangrias. Os babeiros-cirurgiões fixavam residência próxima a castelos, onde também forneciam serviços para os abastados.
 Uma variante da sangria consistia na aplicação de sanguessugas. As sanguessugas (Hirudo medicinalis) são anelídeos que vivem em águas estagnadas, represas e lagos, e que se alimentam de sangue de animais que penetram nessas águas. São dotadas de uma ventosa na extremidade proximal, por onde sugam o sangue; cada exemplar pode sugar entre 10 e 15 ml de sangue.
Entre os tratamentos milenares que subsistem até a atualidade não podemos esquecer a FITOTERAPIA, baseada na nossa flora. Até hoje inesgotável fonte de matéria-prima para os laboratórios farmacêuticos.
A ALOPATIA, sistema ou método de tratamento em que se empregam remédios que, no organismo, provocam efeitos contrários aos da doença em causa é o oposto da HOMEOPATIA, método terapêutico que consiste em prescrever a um doente, sob uma forma diluída e em pequeníssimas doses, uma substância que, em doses elevadas, é capaz de produzir num indivíduo sadio sinais e sintomas semelhantes aos da doença que se pretende combater (este método foi criado, no fim do século XVIII pelo médico alemão Samuel Hahnemann 1755-1843). É uma luta de princípios, com primazia para o primeiro.

A SÍFILIS durante séculos foi um flagelo da humanidade. Doença crônica, sexualmente transmissível, sua evolução transcorre em décadas e tem como desfecho uma alienação mental ou paralisia (quando ataca a coluna vertebral).
Durante a virada do século XIX para o XX a comunidade médica tentava lidar com o crescente número de pacientes acometidos pela sífilis e as técnicas até então disponíveis para o tratamento eram pouquíssimo promissoras.                                                                             

Ao longo da história, a FEBRE se mostrou benéfica no tratamento de diversas doenças e remonta a Hipócrates (século IV a.C.). A utilização dos acessos febris provocados pela malária no tratamento da paralisia geral progressiva foi proposta, em 1917, pelo médico austríaco Julius Wagner-Jauregg. A técnica, batizada de malarioterapia, consistia na inoculação de sangue contendo um dos agentes etiológicos da malária, o protozoário da espécie Plasmodium vivax em doentes portadores desta forma de sífilis nervosa. A técnica passou a ser conhecida, utilizada e estudada em diferentes países do mundo, inclusive no Brasil.                                                                                                                                 O arsenito de potássio (KAsO2) em solução aquosa – Licor de Fowler – também foi usado até época recente, antes da penicilina se tornar a terapêutica definitiva.  As duas técnicas acima descritas ainda eram utilizadas no decorrer da década de 1950, conheci dois casos pessoalmente.
Após este retrospecto histórico ingressamos no presente, com pés no futuro de terapias já em uso e outras prestes a nos beneficiar.
VÍRUS ZIKA ATACA E DESTRÓI CÂNCER EM EXPERIMENTO CIENTÍFICO BRASILEIRO

Estudo feito por cientistas da Universidade de São Paulo sugere que, no futuro, o vírus zika poderá ser usado para tratar tumores no cérebro. O vírus é conhecido por sua preferência por infectar células tumorais do cérebro e matá-las com grande eficiência, sem causar danos às células saudáveis. (Alvin Baez/Reuters).      Segundo Keith Okamoto, autor principal da pesquisa, estudos anteriores já haviam mostrado que o vírus da zika tem uma grande afinidade por células do sistema nervoso central, em especial as células-tronco neurais, que dão origem aos neurônios. Assim, quando um feto é infectado, o vírus ataca seu sistema nervoso e reduz drasticamente a quantidade de células-tronco neurais, gerando problemas como a microcefalia. Estudos feitos pelo grupo da USP sobre tumores do sistema nervoso central mostravam que as células que compõem esses tumores têm características semelhantes às das células-tronco neurais e estão ligadas ao processo de disseminação do câncer – a metástase. “Essas células tumorais são especialmente resistentes aos tratamentos convencionais como quimioterapia e radioterapia. Por isso decidimos investigar se o vírus da zika, que infecta células-tronco normais, poderia também infectar e matar as células tumorais que têm características de células-tronco”, disse Okamoto.                                                           Para realizar a pesquisa, os cientistas infectaram com zika células humanas derivadas de dois tipos de tumores cerebrais que afetam especialmente crianças de até cinco anos de idade: meduloblastoma e tumor teratóide rabdóico atípico.                                                                                                                           Em um dos experimentos, os pesquisadores utilizaram essas células tumorais humanas para induzir o crescimento de tumores cerebrais “humanos” em camundongos. Depois de desenvolver o câncer em estágio avançado, os animais receberam uma injeção com o vírus da zika. Os tumores regrediram em 20 dos 29 animais tratados com o vírus – em sete deles, a remissão foi completa e o tumor desapareceu. O vírus também bloqueou e reverteu metástases.                                                                                                                                                                 Segundo o cientista, o fato do vírus da zika não afetar os neurônios maduros é crucial do ponto de vista da segurança, já que a destruição de neurônios saudáveis seria uma barreira para o uso do vírus em uma futura terapia contra o câncer cerebral. Okamoto conta que essas propriedades já haviam sido observadas em outros vírus e a estratégia do uso de vírus como “arma” contra o câncer já é uma realidade. Como foram utilizadas células de tumores humanos nos camundongos, o estudo brasileiro conseguiu demonstrar não apenas que o vírus da zika consegue reduzir os tumores, mas também inibir a metástase. No caso do glioblastoma, a metástase é rara, já que o paciente costuma morrer antes que o tumor se alastre.                                                                                                   O estudo brasileiro também mostrou que depois de atacar as células-tronco tumorais, o vírus da zika não consegue se reproduzir com eficiência – o que evitaria que os pacientes tratados contra o câncer ficassem doentes com a infecção viral. “Normalmente, quando um vírus infecta uma célula, ele sequestra sua maquinaria para se replicar e depois libera uma quantidade imensa de partículas virais que irão infectar outras células. Mas descobrimos que, por algum motivo, o vírus não consegue se replicar de forma eficiente na célula de câncer, porque as partículas virais produzidas são defeituosas, com pouca capacidade para destruir células normais.”
VACINAS ANTICÂNCER
As células tumorais enganam o sistema imunológico inibindo as reações responsáveis para ativar as células de defesa - as células dendríticas.                        Células tumorais e dendríticas são fundidas em laboratório para formar uma célula híbrida, que é injetada no organismo e avisa o sistema imunológico que o tumor é um corpo estranho e deve ser destruído.                                                          Há dois tipos de vacinas sendo pesquisadas, uma delas, já em uso, PREVINE a hepatite B – enfermidade virótica que pode se tornar cancerígena.                            Vacinas CURATIVAS atuam quando o câncer já se instalou. Elas estimulam o sistema imunológico a reconhecer e eliminar as células malignas que simplesmente não são atacadas por fazerem parte do organismo.
Centenas de milhões de dólares são gastos anualmente na busca de terapias para destruir células tumorais e poupar as normais, minimizando os efeitos secundários do tratamento. São as “target therapies”. São muitas as opções e a escolha depende do tipo do tumor. As células tumorais não limitam sua reprodução por apoptose (apoptose é uma ordem para células se “suicidarem”. As células sadias a recebem quando devem morrer ao completar o ciclo para o qual foram criadas).
Um promissor tipo de terapia se baseia na preferência que os vírus têm por determinados órgãos, o que permite que os usemos para transportar substâncias anticancerígenas, sem afetar as células sadias. Nanopartículas também estão em estágios avançados de pesquisa.
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

quinta-feira, 14 de junho de 2018

A ÁGUA E SUAS REBELDIAS




Coluna publicada em "www.litoralmania.com.br" - 14/06/2018

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PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

A ÁGUA E SUAS REBELDIAS

DILATAÇÃO DOS LÍQUIDOS

Os sólidos têm forma própria e volume definido, mas os líquidos têm somente volume definido. Assim o estudo da dilatação térmica dos líquidos (aumento de volume quando aquecidos) é feita somente em relação à dilatação volumétrica. Esta obedece a uma lei idêntica à dilatação volumétrica de um sólido, ou seja, poderá ser calculada pelas mesmas fórmulas.

DILATAÇÃO ANÔMALA DA ÁGUA                                                                                                                 A água tem um coeficiente de dilatação anômalo em relação aos demais líquidos:

 

Gráfico demonstrando o comportamento anômalo da água, quanto às suas propriedades de dilatação volumétrica.                                                                 
                 Em regra geral, ao se elevar a temperatura de uma substância, verifica-se uma dilatação térmica. Entretanto, a água ao ser aquecida de 0°C a 4°C, contrai-se, constituindo-se uma exceção à regra geral. Esta anomalia é responsável, em ultima análise, pela existência da VIDA no nosso planeta. Sem este comportamento anômalo a água dos lagos congelaria de cima para baixo. Quando a água é resfriada entre 0º C e 4°C, ela fica menos densa que a água que está abaixo dela, isso faz com que ela permaneça na superfície até se solidificar e esta camada de gelo isola termicamente o restante da água. Se isso não ocorresse, o gelo formado durante o inverno não descongelaria totalmente durante o verão. Depois de algum tempo os lagos ficariam congelados o ano inteiro tornando a vida aquática impossível.
UMA ADOLESCENTE REBELDE
Esta é uma das leis da natureza que nossa “adolescente rebelde” desconsidera e todas são responsáveis pela VIDA no nosso planeta. Em próximas colunas esmiuçarei as demais.                                                                                                               A seguir, algumas formas como a água se apresenta em estado sólido na natureza.
ÁGUA SALGADA CONGELADA NA NATUREZA
Quando a água do mar congela, os blocos que se formam quase não contém sal porque ele é ejetado no processo de congelamento. Raramente este fenômeno é observado por seres humanos, que tendem a viver em regiões onde as temperaturas não caem abaixo de zero. Expedições exploratórias para o Ártico e a Antártida têm permitido pessoas observarem a existência de gelo formado a partir de água salgada. Ernest Shackleton e a tripulação da expedição Endurance para a Antártida em 1912 sobreviveu quando seu navio ficou preso por blocos de gelo que flutua água acima da água salgada mais densa.
As imagens que apresentamos são raríssimas e foram obtidas no mar na região da Sibéria, onde foi registrada uma temperatura de -62ºC. As ondas congelam ao quebrarem na praia. A água salgada, instantaneamente, congela e proporciona o espetáculo que poderá ser apreciado abrindo o link. Mágica? Não.  Uma lei da física determina o comportamento. Lembra o cuidado que precisas tomar ao retirar uma cerveja de dentro do freezer? A cerveja está lá, paradinha, perfeita para saciar a sede. Na pressa, você pega a garrafa de qualquer jeito, esquecendo aquela aula em que o professor disse que, ao serem estimuladas por fatores como calor ou movimento, as moléculas de uma substância reagem. No caso da cerveja, elas reagem muito mal, passando de líquidas para sólidas, agitadas pela mão de quem vai servir. O mesmo ocorre com a água do mar, com um acréscimo: o gelo não é mais salgado como a água originária, ao congelar, o sal é ejetado para ser dissolvido na água ainda líquida do mar:

GRANIZO
As gotas de água que se evaporam dos rios, mares e da superfície terrestre, quando chegam às nuvens e encontram temperaturas abaixo de -0°C, viram gelo. Congelado, o vapor de água fica com mais peso do que a nuvem pode aguentar e cai, em forma de pedra de gelo, que chamamos de granizo.          Como se forma o granizo:                                                 https://www.youtube.com/watch?v=hq5LLe-_kJ8
NEVE
A neve é um fenômeno meteorológico que acontece quando as nuvens se encontram com temperatura inferior a 0°C, desse modo, o vapor de água se condensa formando cristais de gelo, que podem apresentar diversas formas. A incidência de neve se dá em regiões do planeta cujo clima é frio (zonas polares) ou temperado.                                                                            Como se forma a neve. Cristais de gelo se formam nas nuvens em que a temperatura está entre -20°C e -40°C. Para formar flocos de neve, os cristais se juntam enquanto caem e se tornam úmidos; então, congelam novamente. Só chegarão ao solo como neve se o ar estiver gelado em todo o percurso atmosfera abaixo.
Neve em gramado:                                                      https://www.youtube.com/watch?v=zgIAsaTNkL8

ICEBERGS
Pareceria óbvio que estas montanhas flutuantes fossem feitas de água do mar congelada. Na verdade, icebergs são grandes pedaços de água doce solidificada, que se desprendem das geleiras polares e viajam a deriva pelos mares. Até derreterem ou evaporarem completamente, eles podem durar mais de 10 anos – dependendo da incidência dos raios solares, da temperatura da água e das correntes marítimas.
Geleira dando origem a iceberg.
Glaciar Perito Moreno (Argentina) se rompe e dá origem a iceberg:

ANTÁRTIDA

O continente antártico é formado em toda sua totalidade por gelo e possui características singulares. Essa região detém cerca de 10% das terras emersas do planeta.  
O coração da Antártida é composto por um grande planalto de gelo. Dessa forma, ele apresenta altitudes que variam entre 1500 e 4000 metros acima do nível do mar.                                                                                                                                  Essa região corresponde a uma área de calota polar. Ocupando um território com tamanho semelhante ao do Brasil, é considerado o maior dos desertos, isso porque apresenta as condições mais adversas para manutenção e proliferação de vida.
Foi no coração da Antártida que foi registrada a menor temperatura do planeta, cerca de -89,2ºC, em Vostok, uma base russa. Além disso, apresenta a escuridão da noite polar que tem duração de 4 a 6 meses. Na região, a ocorrência de ventos constantes provoca uma série de erosões sobre o gelo.
Houve época em que o geocentrismo (a Terra seria o centro do Universo), era a teoria defendida pela Igreja Católica e quem discordasse, condenado à fogueira. O primeiro a apresentar escritos sobre o heliocentrismo (o sol seria o centro) foi Nicolau Copérnico (1473-1543). Vários cientistas deram prosseguimento aos estudos e foi Galileu Galilei (1564-1642) quem deu formato definitivo, inclusive descobrindo satélites em planetas como Júpiter. Foi obrigado a se retratar pela Inquisição Romana para não acabar seus dias numa fogueira. Em 1980 o papa João Paulo II ordenou a revisão do processo e, em 1992 foi perdoado, 350 anos após a sua morte.
Por inverossímil que possa parecer, subsistem crentes na antiga teoria, inclusive considerando a Terra plana. A título de curiosidade apresento um desses convictos, o blogueiro José Márcio Castro Alves. Abram o link no qual ele sustenta a teoria de que a Antártida... NÃO EXISTE. Em vez do Polo Sul, uma barreira de gelo circunda todo o planeta e contém as águas do oceano. https://www.youtube.com/watch?v=YE1xy3QuMIM

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado