quinta-feira, 31 de março de 2022

MATAR O CÃO PARA ACABAR COM AS PULGAS

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

MATAR O CÃO PARA ACABAR COM AS PULGAS- 30/03/2022

Agressões a jogadores de futebol das equipes adversárias; brigas de torcedores antes, durante e após os jogos; vandalismo de torcedores às instalações do clube para o qual torcem em represália a resultados desfavoráveis; ameaças via redes sociais ou, pior, agressões a atletas das cores pelas quais afirmamos ter preferência, amor e dedicação; provocar tumultos; etc. São atos criminosos, vis, injustificáveis, estúpidos, para dizer pouco. Os fatos se sucedem em catadupas e a tendência é que recrudesçam.

Jogadores do Bahia, que está na zona de rebaixamento no Brasileirão, são agredidos em protesto no aeroporto, na véspera do jogo com o Vitória.

Clássico Coritiba x Athlético é interrompido pela arbitragem devido a tumulto causado pelas torcidas. A polícia teve de usar bombas de efeito moral.

Villasanti levou pedrada na face, arremessada contra o ônibus do Grêmio. O agressor foi identificado, preso e... solto. Ocorreu antes do Gre-Nal adiado pelo fato. Sofreu traumatismo craniano.

Lucas Silva foi atingido no rosto por um telefone celular durante a comemoração do 3º gol gremista no Gre-Nal 437, em 10/3/2022. O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan lembra a pedrada em Villasanti e deixa a agressão de Lucas Silva nas mãos da FGF e do TJD. “Eles estão com as ações”.

Um dia após o fato o torcedor, já identificado, um processo criminal foi instaurado.

Comentarista estabelecido na Inglaterra, numa declaração à Rádio Gaúcha, sugeriu que para interromper a série de atos criminosos os jogadores, em todo o país, deveriam deflagrar uma greve e interromper os campeonatos. Brilhante ideia, comparável a MATAR O CÃO PARA ELIMINAR AS PULGAS.

Mas, o que poderia ser feito                                                                          CUMPRIR A LEI!                                                                                     Processar os criminosos por dolo eventual, agressão com lesões corporais.

Procedimento com excesso de rigorismo? Querem esperar até que atletas sejam inutilizados, até mortos? Lembremos os hooligans no futebol inglês.

Atualmente a Premier League é uma das cinco melhores do mundo. Muito antes deste patamar, lá na década de 1980, a Inglaterra vivia o seu pior momento no futebol. Violência extrema com grande influência dos hooligans, estádios deteriorados e a queda do nível do futebol marcaram esse momento histórico.

Um grupo brutal apareceu no Reino Unido: os hooligans. Eles marcaram negativamente a história do futebol inglês. Atos de vandalismo severo mataram centenas de pessoas e mancharam a bela história do país que jogou as primeiras partidas deste esporte que tantas pessoas amam.

A violência dos torcedores ingleses mais inconsequentes, conhecidos como hooligans, provocou a exclusão das equipes do país das competições europeias por cinco anos. Os hooligans causavam terror nas ruas e nos campos, promoviam o caos com sessões de pancadaria e invasão de gramados.

A então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, tratou de lidar com os problemas à sua maneira: forte repressão policial e isolamento dos hooligans. Foram instaladas grades pontiagudas eletrificadas e com arame farpado no topo.

Após a morte de 96 pessoas que foram esmagadas nos distúrbios de um jogo pela semifinal da Copa da Inglaterra, o magistrado Murray Taylor foi encarregado de tomar as providências necessárias.

Todos os estádios ingleses tiveram de instalar sistemas de monitoramento por câmeras. Os torcedores brigões eram retirados dos estádios. Na temporada de 2012-2013, houve 2.456 prisões de torcedores. A maioria dessas detenções resultou em Ordens de Banimento do Futebol.

Países que seguiram o exemplo inglês, como a Alemanha e a Espanha também conseguiram controlar os hooligans.

O exemplo inglês foi decisivo para todo o Futebol Europeu.

A violência nos estádios é parte da violência da sociedade. Para que ambas sejam enfrentadas são necessários os mesmos instrumentos:     LEIS DURAS E SEU CUMPRIMENTO EFETIVO. Como fizeram os ingleses.   O resto é blá-blá-blá. Não se resolve interrompendo campeonatos como NÃO SE ELIMINAM PULGAS MATANDO OS CÃES.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


NOVA ROTA DA SEDA?

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

NOVA ROTA DA SEDA? – 23/03/2022

“As guerras dizem que ocorrem por nobres razões: a segurança internacional, a dignidade nacional, a democracia, a liberdade, a ordem, o mandato da civilização ou a vontade de Deus. Ninguém tem a dignidade de confessar: Eu mato para roubar”. (Eduardo Galeano, autor de ‘As Veias Abertas da América Latina’).  O escritor, ao ser entrevistado por Cynara Menezes surpreendeu ao afirmar: “Eu não seria capaz de ler novamente As Veias Abertas da América Latina..., cairia desmaiado”.

Esta declaração, repudiando sua mais impactante obra, pode servir de parâmetro para tentarmos entender as incongruências nas relações internacionais. Aliás, Ramón de Campoamor, autor do famoso poema que diz: “Nada hay de verdad ni mentira, todo es segun el color del cristal com que se mira”, bate na mesma tecla.

Embrenhemo-nos nas nuances mais recônditas desta invasão que a Rússia perpetrou na Ucrânia:                                                                     Quando Putin planejou a agressão que relembra o episódio bíblico de Golias contra Davi, selou um acordo com Xi-Jinping, presidente da República Popular da China, aparentemente com a finalidade subjacente de alterar o sistema internacional da estrutura do PODER. Ledo engano, a China tende a se manter afastada do conflito. Elucubra-se que Taiwan possa ser a Ucrânia de amanhã.

Interesses comerciais falam alto, cada um pensa em auferir vantagens num mundo futuro em que os Estados Unidos não terão o protagonismo atual. Para a China é vantajoso que haja um desfecho pacífico.

As sanções econômicas impostas à Rússia são um alerta vermelho para Xi-Jinping. Por outro lado, uma Rússia em dissonância com o resto do mundo ficará ainda mais dependente da China.

Não devemos esquecer que a China nunca pensou em política internacional a curto ou médio prazo. Como diria o jornalista, professor e deputado federal Jorge Alberto Beck Mendes Ribeiro: “Aponta muito baixo quem mira as estrelas”.

A legendária “Rota da Seda”, milenar, que conectou o mundo antigo, estendia-se de Chang’na, na China, até Antióquia, na Ásia Menor, Coreia e Japão, a maior rede comercial do mundo antigo. Caravanas, embarcações oceânicas faziam ligação entre o Oriente, Coreia, Japão, inúmeros países e regiões, chegando até a Suécia.

No volume “Marco Polo e a Rota da Seda”, da coleção “Descobertas”, Jean-Pierre Drège, especialista em história da China, narra a saga desse personagem numa abordagem original, inspirada no relato da viagem do jovem veneziano em 1271.

Decorridos éculos, alguém duvida que a China tenha os olhos voltados para refazer uma nova rota, não da seda, mas do comércio internacional, em que manejaria os cordéis, tendo o mundo no papel de marionete? Os Estados Unidos aparentemente não dispõem mais do poder que ostentavam, incontestes, nas últimas décadas. O campo está aberto para ser explorado por quem tenha competência para tanto.

Ao longo da História os impérios surgem, chegam ao clímax, estagnam e cedem o lugar aos mais afoitos, impetuosos e perseverantes.

Estará chegando a vez da China?

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


domingo, 13 de março de 2022

CEEE EQUATORIAL

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

CEEE EQUATORIAL

“Milhares de moradores de Porto Alegre e da Região Metropolitana chegaram, na sexta-feira, ao quinto dia sem luz em razão dos temporais que ocorreram no Estado”. (Zero Hora, 11/3/2022)

Uma reunião entre representantes da Defensoria Pública e advogados da CEEE Equatorial ocorreu com a finalidade de, não apenas lavrar um enérgico protesto pela possível inércia dos responsáveis, mas, principalmente, elaborar um plano factível para que não se repitam as morosidades inadmissíveis na resolução dos consertos.

A ocorrência de três temporais consecutivos agravou as dificuldades, porém, devemos convir que a população, não pode ser submetida a tamanho sofrimento. A empresa que venceu a concorrência de privatização sabia das possibilidades de interrupção no fornecimento de energia e tinha a obrigação, inclusive expressa em contrato, de providenciar nos consertos necessários. COM URGÊNCIA.

O dirigente do Núcleo de Defesa do Consumidor, Rafael Magagnin, exigiu a formatação de um plano estruturado – de curto, médio e longo prazos – para atender as legítimas reclamações dos usuários.

Para a Defensoria, a empresa comunicou que, desde julho de 2021, R$ 100 milhões já foram aplicados e R$ 432 milhões estão previstos para 2022, em projetos de novas subestações, expansão e melhoria da rede, manutenção e combate às perdas de energia.

Se bem que a empresa deve se preparar melhor para enfrentar futuras ocorrências, estamos cientes que a privatização da CEEE era de relevante necessidade, a estatal prestava um serviço ruim e tinha uma dívida impagável, superior a R$ 7 bilhões. Dos quais mais de R$ 4 bilhões eram de ICMS que o Estado deixou de receber. Em consequência pairava o risco de a empresa estatal perder a concessão, seu único ativo de valor.

O Grupo Equatorial é uma empresa que possui cabedal de conhecimentos para enfrentar os ônus do serviço e se espera que nas próximas ocorrências as repostas sejam prontas e eficazes, minimizando os prejuízos e transtornos para os consumidores.

O lado mais transparente dos prejuízos se reflete na perda de bens perecíveis, atingem milhões de reais, contudo, esses podem e devem ser ressarcidos monetariamente. Existe um fator mais preponderante, e este não tem como ser compensado: medicamentos de uso contínuo, insulina para diabéticos, por exemplo, necessitam refrigeração permanente para não perderem a eficácia. Milhares de diabéticos insulinadependentes não sobrevivem na falta da medicação. Falo de cadeira, me incluo neste grupo. A pergunta que não pode ser calada: para o consumidor comum, que não tem acesso a placas solares, onde encontrar refrigeração para a sua insulina insubstituível, da qual depende a sua vida? HIPERGLICEMIA é um fator de morte. É fatal. SIM.

Finalmente, o argumento de que muitas falhas ocorrem em locais ermos, quase inacessíveis, não s sustenta. Eram atendidas, bem ou mal e solucionadas pela CEEE Estatal, se exige que a Equatorial assuma as suas responsabilidades como se comprometeu ao assinar o contrato de privatização.

SEM LERO-LERO.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


quinta-feira, 3 de março de 2022

DURMA-SE COM UM BARULHO DESSES

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

DURMA-SE COM UM BARULHO DESSES

A agressão da Rússia à Ucrânia tomou rumos inesperados pelo agressor. A comunidade internacional, quase por unanimidade, reprovou e o Conselho de Segurança da ONU, reunido no dia 25 de fevereiro votou a resolução que condenou a invasão. A Rússia, que tem o poder de veto, votou contra e foi o único país a fazê-lo. O Brasil votou a favor assim como os Estados Unidos e outros nove países. China, Emirados Árabes e Índia se abstiveram. Dos 15 membros, 11 foram votos condenatórios.

“O apoio a russos ou ucranianos provoca debates em meios conservadores, liberais e esquerdistas”. (Zero Hora, 3/2/2022)                                     Blocos aparentemente monolíticos, tanto da direita como da esquerda sofreram rupturas jamais imaginadas.

Quem, antes da infausta agressão poderia supor que elementos da extrema direita, anticomunistas de carteirinha defenderiam o descalabro praticado por um país comunista? Quem, mesmo em seus mais desvairados devaneios poderia admitir que grupos esquerdistas de quatro costados ousariam se insurgir contra o ataque militar russo à Ucrânia e à prisão de pacifistas russos?

Lembro os Demônios da Garoa entoando o “Samba do Crioulo Doido”, letra do jornalista Sérgio Porto (Stanislaw da Ponte Preta). Parecia ser o paroxismo do “non-sense”, do absurdo levado ao extremo. Imaginar a “Princesa Leopoldina casando com Tiradentes, 0h-oh-oh, e que Silva Xavier queria ser o dono do mundo e se elegeu Pedro Segundo” e por aí vai... Absurdos maiores que os desses versos: convictos da esquerda condenando e defensores da extrema direita, nazistas, apoiando o comunista Putin? Pois aconteceu, não estou delirando.

O vice-presidente Hamilton Mourão, no primeiro dia da invasão comentou que sanções econômicas não são o suficiente para punir a Rússia e defendeu uma atuação mais decisiva contra o Kremlin. Ele foi imediatamente desautorizado por Jair Bolsonaro. Em live, no mesmo dia, o presidente retrucou que o art. 84 da Constituição diz que quem fala sobre este assunto é o presidente, E o presidente se chama Jair Bolsonaro. “Queremos paz”. E para não deixar dúvidas: “Fizemos um contato excepcional com o presidente Putin”.

Vira a página, apresentamos uma quase unanimidade das esquerdas defendendo a invasão:

No PCdoB. A Secretária de Relações Internacionais, a cientista política Ana Prestes (neta do legendário comunista Luís Carlos Prestes) repete que “existe um ator que foi fundamental para minar qualquer possibilidade de chegar a um acordo diplomático: os Estados Unidos que preferem instigar e investir na beligerância via expansão da OTAN”.                                                      No mesmo sentido o historiador e professor Jonas Manoel, do PCB, coloca a culpa da invasão da Ucrânia no Ocidente.                                               O PCO, outro partido comunista brasileiro, sentenciou em seu jornal Causa Operária: “A Rússia é a maior vítima. O governo Putin está apenas se defendendo da agressão imperialista e por isso deve ser apoiado em sua ação. A Rússia, ao realizar a invasão à Ucrânia está libertando o país do jugo imperialista”.

Aparentemente, um bloco monolítico defendendo o direito da Rússia em INVADIR a Ucrânia para se DEFENDER da continuada AGRESSÃO ucraniana.

Porém, não há unanimidade no posicionamento das esquerdas brasileiras pró-Putin. Mais uma vez o PSOL – que deve sua existência a divergências com o PT – se rebela contra o bridão que tentaram lhe impor em tempos pretéritos -. O PSOL nunca se sujeitou a ser domado, sempre manteve sua identidade e consciência crítica, sempre, quando a razão indicava que algumas “ordens superiores” eram contrárias ao seu discernimento. Mais uma vez, altaneiro, manteve sua coerência.

A Executiva Nacional do PSOL condenou o ataque russo à Ucrânia e às prisões de pacifistas russos, inclusive em território soviético. “O partido se posiciona pela retirada imediata das tropas russas”.

O dinheiro também fala alto, mesmo dentro da Rússia. Bilionários, vendo se escoarem entre os dedos suas fortunas, esbravejam. Comunistas também apreciam o vil metal.

A bancada do PT no Senado Federal divulgou uma nota oficial em que aponta os Estados Unidos como responsáveis pela crise que culminou com o ataque da Rússia à Ucrânia. Trechos da nota também foram publicados no perfil do Twitter, mas por volta das 13 horas de 24/2/2022 tudo foi apagado ante a repercussão negativa que provocou.

O senador Humberto Costa (PT-PE) defendeu uma proposição mais branda, a solução do conflito deveria se obtida através do diálogo.

E DURMA-SE COM UM BARULHO DESSES!



 Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

INVADEM NOSSO JARDIM

 


PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

INVADEM NOSSO JARDIM

Eduardo Alves Costa, um poeta e dramaturgo carioca, escreveu um poema na década de 60, que se transformou em um hino na luta contra a ditadura militar, no Brasil. O poema chama-se “No Caminho, com Maiakóvski” e é uma verdadeira manifestação de revolta à intolerância e violência daqueles tempos. O poema ressurgiu durante a campanha das Diretas Já, aparecendo em postes, camisetas e outros locais.

 O grande problema foi este: como o título do poema falava de Maikakóvski, nasceu a confusão. Inclusive, alguns dizendo que o verdadeiro autor era o Bertold Brecht. E hoje, tornou-se incrivelmente atual.

 Chama-se “No Caminho, com Maiakóvski”. Eis o trecho mais conhecido:

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

 Eduardo Alves da Costa

Quando tergiversamos ante ações explicitamente criminosas estamos ingressando num caminho sem volta, isso se não forem tomadas providências enérgicas, doa a quem doer.

Ranolfo Vieira Júnior, vice-governador do RS afirmou: “No momento em que não temos condições de realizar um clássico de futebol com as duas torcidas ou com torcida, parece que admitimos termos chegado ao fundo do poço”.

Casos similares têm se sucedido com monocórdia frequência e parecem ser assimilados como “coisas de torcedores exaltados”. NÃO SÃO! No presente caso caracteriza-se uma tentativa de homicídio com dolo eventual. Segundo o Código Penal Brasileiro, ”o dolo eventual ocorre quando alguém assume o risco de produzir um resultado proibido pela lei penal”.

O jogador do Grêmio Villasanti foi atingido por uma pedra de tamanho avantajado e só não teve um resultado trágico, possivelmente fatal, pela conjunção de fatores fortuitos, as possibilidades em contrário, morte de Villasanti, eram preponderantes. Não se alegue que o agressor não pretendia infringir graves danos físicos em jogador(es) do Grêmio. NÃO PODE FICAR IMPUNE! O caso tem de ser tratado, na esfera judicial, como tentativa de homicídio sem dolo e aplicada a pena prevista no Código Penal Brasileiro.

Um caso similar ocorreu na Argentina antes de um confronto entre River Plate e Boca Juniors. A FIFA ordenou a realização da partida no Estádio Santiago Bernabeu, na Espanha.

Sempre haverá quem advogue, no caso presente - o cúmulo do non-sense - a realização do jogo no Beira-Rio.  Beneficiará a equipe que representa os covardes agressores.

Ressalto um fato que deve ter deixado perplexos os que acompanharam o desenrolar dos acontecimentos: Por que o presidente do Grêmio não acompanhou os presidentes da Federação Gaúcha de Futebol e do Internacional nos pronunciamentos finais? Terá intuído uma tendência para a realização do jogo no Beira-Rio, com torcida única, beneficiando o clube acusado de acolher os criminosos?

Relembremos que ofensas racistas proferidas por uma torcedora gremista durante um jogo contra o Santos e dirigidas ao goleiro Aranha resultou na desclassificação do Grêmio na competição. Alega-se que foram pronunciadas DENTRO da Arena e por isso a punição rigorosa. Os agressores de Villasanti agiram nas imediações do Beira-Rio, FORA do estádio, porém, se abrigaram DENTRO dele. Alegar que dois foram identificados e entregues às autoridades equivale ao fato da racista também tê-lo sido. Qual a diferença intrínseca?

Por que o Grêmio foi penalizado a maneira o mais grave possível – exclusão da competição – e cogita-se BENEFICIAR o Internacional, clube do agressor, com torcida única? A torcida do agressor? Para evitar confrontos perigosos? Por que não se procede como no caso dos argentinos, campo neutro?

Perguntas, perguntas, perguntas. Alguém poderá respondê-las com equidade, justiça, imparcialidade e respeito à igualdade de direitos?

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

INSTINTO, TOTALITARISMO, DEMOCRACIA

 

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

INSTINTO, TOTALITARISMO, DEMOCRACIA

Humanos e animais têm as mesmas necessidades básicas: conviver harmoniosamente com seus semelhantes e, também, com as outras espécies, caso contrário as disputas por território e alimentos culminariam numa luta interminável e catastrófica.                                                                        Como as necessidades são díspares, cada espécie traça a sua rota, resta delimitar a convivência entre os indivíduos afins. Nos animais o instinto estabelece as regras.                                                                                       Nas alcateias o lobo alfa elege uma loba também alfa para procriar enquanto os demais componentes são acessórios, com diversas funções. Leões também vivem em grupos, o acasalamento dura de dois a quatro dias e as fêmeas ovulam de duas a três vezes por hora. Nesse período a cópula pode ocorrer diversas vezes e com diferentes machos do bando, o que pode gerar uma ninhada com diferentes pais.                                                                     Outros tipos de comportamento existem e a harmonia se estabelece desde que seja obedecida a hierarquia.

O homo sapiens orbita em outra escala, a sociedade evoluiu do sistema paternal, onde um líder comanda o grupo não muito numeroso, familiar de preferência, para organizações mais complexas e compostas por um número bem mais expressivo, milhares, quiçá milhões. Reis, líderes religiosos, imperadores e outros que tais atravessaram séculos exercendo uma liderança inconteste, autoritária, geralmente com sucessão hereditária.

A Democracia Ateniense foi um regime político criado e adotado na Grécia Antiga.  Ela foi essencial para a organização política das cidades-estados gregas, sendo o primeiro governo democrático da história. O poder não estava mais concentrado nas mãos da aristocracia, todos os cidadãos livres, maiores de 18 anos e nascidos em Atenas, poderiam participar das Assembleias que regiam os destinos das cidades, embriões dos futuros países. Um detalhe: mulheres, estrangeiros e escravos estavam excluídos. Muitos séculos decorreram antes de se consubstanciar uma democracia plena.

Uma luta extenuante para se aperfeiçoar um regime equipolente, onde TODOS têm o direito de votar e de serem eleitos, sem receio de contestações por líderes carismáticos frustrados com o resultado das apurações e que se consideram “mais iguais”. Esses, inconformados com a igualdade de direitos e deveres, amiúde subvertem o regime e dão origem a ditaduras, todas execráveis, imorais e retrógradas. Atualmente cognominadas de ”esquerda” ou de “direita”, devem ser sepultadas a uma profundidade inalcançável.                                                                                              Lenin-Stalin derrubaram o regime czarista e instituíram o regime comunista na Rússia, em1917. Não foi um avanço, foi uma mudança do ruim para o pior.                                                                                                            Hitler, na Alemanha, inconformado com as extorsões protagonizadas pelos aliados da 1ª Guerra Mundial no Tratado de Versalhes, assinado em 28 de junho de 1919, que impôs a “Paz dos Vencedores” se insurgiu.                                                                                                                            Escandalosamente arbitrárias e indigeríveis pela Alemanha os termos duríssimos e draconianos protagonizaram a 2ª Guerra Mundial (1939-1945) que deixou como saldo 40 milhões de civis e 20 milhões de soldados mortos. Deveria ter sido um anátema para execrar as guerras, as tiranias, as ditaduras e todas as coisas que separam os humanos comuns dos que se julgam “mais iguais”.                                                                                                         NÃO FOI!                                                                                                           Até hoje persistem as ditaduras, algumas mascaradas por artifícios ignóbeis. Infelizmente os humanos ainda elegem “ídolos com pés de barro”, relembrando Nabucodonosor e o profeta Daniel.

Um longo caminho já foi percorrido e muito resta a ser trilhado antes de alcançarmos a JUSTIÇA e o equilíbrio de oportunidades para atingir o bem-estar social.

Líderes carismáticos, que podem ser representantes de religiões, do poder econômico, de ideologias e outros mais, ainda encantam multidões, criam adeptos convictos ferrenhos e os aliciam em proveito próprio, prometendo mundos e fundos e retribuindo apenas com sonhos que serão descumpridos. As maiorias assim enganadas se debatem numa subvida enquanto os “mais iguais” e seus áulicos se refestelam no BEM-BOM.

Uma luz insiste em brilhar no fim do túnel e se origina nos países em que a social-democracia tenta se consolidar. O progresso técnico, o bem-estar proporcionado pela riqueza em ascensão nas democracias de fato, aliados ao compartilhamento dos benefícios para toda a população ativa (os que não podem se sustentar por motivos diversos são amparados por fundos específicos que o Estado financia, retirando verbas dos impostos arrecadados da comunidade). Evidentemente, regras devem ser respeitadas, não tem cabimento a comunidade sustentar pessoas que não têm o mínimo interesse em contribuir com sua parte, todos devem participar do esforço conjunto, desde que estejam aptos para tanto.

Nem capitalismo selvagem, que só visa o lucro, nem ditaduras cruéis chefiadas por ditadores, de esquerda ou de direita, ambas detestáveis e desumanas.                                                                                                                Países como a Noruega, a Suécia, a Finlândia, para citar alguns, estão tateando e parecem rumar ao equilíbrio tão almejado. Estão avançando rumo à JUSTIÇA SOCIAL COM PROGRESSO ECONÔMICO E DEMOCRACIA, cada cidadão faz parte de um todo harmônico, onde os dirigentes se comportam como líderes de fato e de direito, eticamente corretos.                                                                                    CHEGAREMOS LÁ                                                                                            QUANDO?                                                                                       QUANDO A JUSTIÇA PREPONDERAR SOBRE A GANÂNCIA.

Para finalizar: inútil o sonho utópico de Thomas Morus, criador da “UTOPIA” que jamais se tornará realidade. Não somos abelhas nem formigas que seguem o instinto e não podem almejar progredir graças ao esforço e talento para tal.                                                                                           Como disse Jesus: Sempre tereis pobres entre vós” (Mc 14,7) ... “Os pobres sempre tendes convosco e podeis fazer-lhes o bem quando quiserdes. Mas a mim não tereis. 

POSFÁCIO:

De repente, não mais que de repente, em 23/02/2022, Vladimir Putin, no alto de sua arrogância e desprezo pela opinião e direito de quem quer que seja, invade a Ucrânia e inicia um confronto que sabemos como iniciou e não podemos imaginar quais serão suas consequências.

IGOR GIELOW (FOLHAPRESS) - O secretário-geral da Otan (aliança militar ocidental), Jens Stoltenberg, concedeu entrevista nesta quinta-feira (24) para falar sobre os ataques da Rússia na Ucrânia.

 

Ele chamou o governo russo de mentiroso e disse que o ataque é um "ato brutal de guerra". Voltou a falar que a agressão é "o novo normal para nossa segurança, e nós temos de responder".

Naturalmente, sem ameaçar nada militarmente, dado que Kiev não é parte da aliança. Isso tende a cair em ouvidos moucos no Kremlin.



 

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

1808 - II

 


 

PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 

1808 – II

A Família Real de Portugal iniciou viagem em 29 de novembro de 1807 e aportou na Bahia antes de se dirigir ao Rio de Janeiro. Na Bahia foi relevante a atuação de D. João VI, inclusive, abriu os portos do Brasil para navios de nações amigas.                                                                  INICIAVA UMA NOVA ERA NA HISTÓRIA DO BRASIL.

A esquadra de D. João VI e da Família Real Portuguesa entrou na Baia da Guanabara na tarde de 7 de março de 1808 para se estabelecer no Rio de Janeiro, uma cidadezinha de casas brancas, alinhadas rente à praia, emolduradas por altas montanhas cobertas por uma floresta luxuriante.

“D. João VI não primava pela elegância, vestia-se mal, repetia a mesma roupa todos os dias e recusava-se a troca-la, mesmo quando já estava suja e puída, conta Pedro Calmon. Na algibeira da casaca o rei levava os famosos franguinhos assados na manteiga, sem ossos, que devorava nos intervalos das refeições”.

Três homens exerceram um papel fundamental na história de João VI:  O primeiro foi D. Rodrigo da Costa Coutinho, o conde de Linhares, promoveu o desenvolvimento dos territórios portugueses na América. Sua morte, em 1814, abriu uma brecha no governo que D. João jamais conseguiu preencher.                                                                                                O segundo foi Antônio de Araújo e Azevedo, o conde da Barca. Não estava à altura do anterior como estadista, mas era considerado um dos intelectuais mais ilustres da corte no Brasil. Foi ele quem trouxe na bagagem, em 1807, as máquinas impressoras inglesas que inauguraram a imprensa no Brasil. Morreu em 1817, um ano antes da coroação de D. João VI.                                                                                                                          O terceiro homem decisivo na vida de D. João foi Thomás Antônio Villa Nova Portugal. Na fase final de seu governo no Brasil, já velho e cansado, D. João confiava cegamente em Villa Nova Portugal, não se dava ao trabalho de pensar, conta Tobias Monteiro, cabia Thomás resolver todas as questões, por mais insignificantes que fossem.            

Foram esses três homens que ajudaram a salvar a biografia de D. João, aparentemente condenada ao fracasso caso dependesse apenas de sua própria personalidade.

A corte chegou ao Brasil empobrecida, já estava falida quando deixou Lisboa, mas a situação se agravou no Rio de Janeiro. Deve-se lembrar que entre 10.000 e 15.000 portugueses atravessaram o Atlântico junto com D. João VI. Onde achar dinheiro para socorrer tanta gente? A primeira solução foi obter um empréstimo da Inglaterra, no valor de 600.000 libras esterlinas. Seria um pedaço da dívida que o Brasil herdaria de Portugal depois da Independência (sempre a dívida a nos apoquentar, aumentou em escalada escandalosa até atingir as cifras trilionárias da atualidade). Outra providência, igualmente insustentável no longo prazo, foi criar um banco estatal para emitir moeda. O “Banco do Brasil” é um exemplo do compadrio que se estabeleceu entre a monarquia e uma casta privilegiada de negociantes e fazendeiros, a partir de 1808.                                                     Qualquer semelhança com os desmandos praticados pelos últimos presidentes do Brasil não é mera coincidência.

Os cariocas, já naquela época, celebrizaram em versos:                          “Quem furta pouco é ladrão,                                                            Quem furta muito é barão                                                                         Quem mais furta e esconde                                                                       Passa de barão a visconde”.

Passados os atropelos da chegada, era hora de por mãos a obra e havia de tudo para fazer no Brasil: estradas escolas, tribunais, fábricas, bancos, comércio, imprensa, hospitais, comunicação... Em especial um governo organizado, escreveu o historiador Pedro Calmon. D. João não perdeu tempo. No dia 10 de março de 1808, quarenta e oito horas depois do desembarque organizou seu novo gabinete. O primeiro Ministério do Brasil ficou assim constituído:

NEGÓCIOS ESTRANGEIROS E DA GUERRA: D. Rodrigo de Souza Coutinho, futuro Conde de Linhares;                                                          NEGÓCIOS DO REINO: D. Fernando José de Portugal, futuro Marquês de Aguiar;                                                                                     NEGÓCIOS DA MARINHA E ULTRAMAR: D. João Rodrigues de Sá e Menezes, Visconde de Anadia.

Caberia a esse ministério criai um país do nada. Melhorar as comunicações entre as províncias, estimular o povoamento e o aproveitamento das riquezas da colônia. Ampliar as fronteiras do Brasil para estabelecer os limites de um país em vias de desenvolvimento.

Entrementes, em Portugal sedições pipocavam e indicavam a necessidade da Família Real retornar. D. João enfrentou um dilema crucial: se voltasse a Portugal, poderia perder o Brasil, que acabaria decretando a independência. Se permanecesse no Rio de Janeiro, perderia Portugal.                                                                                  D. João cogitou a hipótese de enviar o príncipe regente D. Pedro enquanto permanecia no Brasil. D. Pedro recusou a alternativa e decidiu permanecer no Brasil, onde se sentia mais à vontade. Depois e muitas discussões, D. João surpreendeu com a seguinte frase:                                                                                    Pois bem, se o meu filho não quiser ir, eu irei”.  

No dia 26 de abril de 1821, D. João partia do Rio de Janeiro sem saber exatamente o que o esperava em Portugal.

Um rei de natureza tímida e avesso a tomar decisões enfrentou Napoleão em 1807 e conseguiu não apenas preservar os interesses de Portugal como deixar o Brasil maior e melhor do que havia encontrado ao chegar ao Rio de Janeiro, em1808.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado