quinta-feira, 2 de abril de 2020

TRIPÉ, ESPERANÇA, FÉ E CIÊNCIA





PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

0 TRIPÉ ESPERANÇA, FÉ E CIÊNCIA
“Os maiores – em periculosidade – inimigos do homem são os menores: os vírus”. (Jayme José de Oliveira)                                                                                                                                                             A batalha para vencê-los é árdua, sem quartel e deixa um rasto de vítimas antes da vitória final. Como em todas as guerras.
A humanidade nunca se deixou abater, nem o fará desta vez.                                                                              
A ESPERANÇA sinaliza na fímbria do horizonte.                                                                                                                                  Há um tripé sobre o qual se assenta a tática que usaremos.                                                                     O Papa Francisco aponta a FÉ: “À pandemia do vírus responderemos com a universalidade da FÉ”. O terceiro ponto de apoio é a CIÊNCIA. Desde tempos imemoriais o cérebro humano pesquisou e encontrou soluções para os mais intrigantes problemas. Venceremos mais uma vez. 
Há um plano de ação a ser seguido e todas as etapas, todos os procedimentos, têm de ter um encadeamento sinérgico e a nossa trincheira será o lar. Permaneçamos em quarentena, evitar o contato com o adversário não é covardia, ninguém em seu juízo perfeito enfrentaria um pitbull agressivo, estando desarmado.                                                                                                        Combatentes corpo a corpo, profissionais da saúde, transportes, produção e distribuição de artigos indispensáveis, da segurança, etc. merecem a nossa admiração, incentivo e respeito. Arriscam suas vidas para proteger as nossas. Façamos a nossa parte, evitando contatos desnecessários interrompemos a cadeia de transmissão. Os que, por teimosia e irresponsabilidade não cooperarem serão responsáveis pelas mortes que poderiam ser evitadas. Assassinos indiretos e igualmente torpes. Podem ser incluídos os cidadãos irresponsáveis participantes de carreatas em apoio ao fim da quarentena. Em tempo, “corajosos e indômitos” circulam em carros fechados e se refugiam em condomínios, isolados da plebe ignara.  Lembro o escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura de 1988: “Somos cegos que veem? Cegos, que vendo não veem?”  Fabrício Carpinejar, poeta e jornalista: “Para conservar a esperança temos que defender nossos ouvidos, não somente escutar os grasnados dos urubus e dos corvos. Há outros pássaros cantando lá fora e dentro da nossa memória”.
O diálogo que transcrevo ocorreu na Austrália, mas poderia ser aqui:                                                               - No ano passado ocorreram 249 mortes nas ruas, é muito, qual o número que considerarias aceitável?                                                         - Umas 70.                                                                                                                                 – Ele disse 70? Isso são 70 pessoas.                                                                                  Pausa no vídeo, pessoas transitam.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            – Isso são 70 pessoas.                                                                                                               – É a minha família.                                                                                                                      – Agora, o que seria um número razoável?                                                                              - ZERO.                                                                                                                                                              Toda a pessoa faz falta para alguém. Dinheiro, temos toda a vida para ganhar. Uma vida não tem preço.  Fique em isolamento, eu quero você vivo(a).
A “gripezinha” do Bolsonaro lembra a “marolinha” do Lula. Fingindo-se cegos, ambos se destacam pelo exótico, pelo ridículo.
A ignorância pode virar crime se propalada por quem tem poder de mando. (Ronaldo Caiado - governador de Goiás - e FHC realçaram isso). O óbvio é que quem não tem conhecimentos técnicos sobre um assunto não deve impor regras, principalmente se possui ascendência e credibilidade sobre parte ponderável da população. Instiga a divisão do povo em alas inconciliáveis, que rumam para o irreconciliável.
O médico húngaro Ignaz Semmelweis, em meados do século XIX, reconhecido como a primeira pessoa a descobrir os benefícios médicos da lavagem das mãos para evitar a propagação de vírus, recebeu uma homenagem do Google no dia 20/03. Em formato de vídeo, que permaneceu 24 horas em disponibilidade na página inicial do buscador Doodle, mostra a forma ideal de lavar as mãos.  Doutor pela Universidade de Viena, em março de 1847 demonstrou que exigir dos médicos a higienização das mãos diminuiu radicalmente a ocorrência de morte de parturientes por febre puerperal.                                                                                                                                                     Apesar de várias publicações de resultados onde lavar as mãos reduziu a mortalidade para menos de 1%, as observações de Semmelweis entraram em conflito com as opiniões científicas e médicas estabelecidas na época. Apenas anos depois de sua morte obteve reconhecimento, quando Louis Pasteur, descobridor da vacina antirrábica confirmou a teoria microbiana das doenças. Em 1860, Joseph Lister ampliou os estudos de Pasteur e auxiliou para a aceitação no mundo científico e médico. Incompreensível que, 160 anos após, ainda haja discussões sobre as técnicas corretas para evitar a difusão de doenças virais. Incompreensível que haja rejeição à quarentena, principalmente quando defendida por autoridades que não possuem embasamentos científicos para emitir opiniões.
Na contramão de qualquer resquício de racionalidade a Justiça do RS liberou 3.400 presidiários, alegando perigo de contágio nas celas. Eles estão livres... nós em quarentena. Ficarão em suas residências ou assaltarão “pelaí”, arriscando-se ao contágio que a soltura pretendia evitar e auxiliando a propagar ainda mais o coronavírus?                                                                                     Pensem, senhores juízes. Pensem, não apenas com o viés de pensar nos detentos. Pensem no que pensam os pensantes em quarentena voluntária. Pensem nas possibilidades de propagação do COVID-19 por pessoas – detentos são pessoas, sim – que já demonstraram não terem o menor escrúpulo com as consequências de seus atos delituosos.                                                                               “Não podemos soltar presos e pôr em risco a população. Alguns fazem a proposta de soltar todos os presos que não tenham sido condenados por violência ou grave ameaça. Grandes traficantes foram condenados só por tráfico, vamos soltar todos os traficantes do país? Não faz sentido”. (Sérgio Moro – Ministro da Justiça)
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

domingo, 29 de março de 2020

UM DESEJO DE VIDA







10 – CIÊNCIA E CULTURA
Marília Gerhardt de Oliveira

UM DESEJO DE VIDA
Quando uma minoria inconsequente e irresponsável faz passeatas dentro de carros de luxo com suas famílias pelas ruas de algumas cidades, iludida por uma falsa premissa de derrocada econômica face ao isolamento social, meu sentimento é de pena. E convicção de que muito ainda precisa feito pela Educação, Ciência e Cultura no nosso amado Brasil.
Exemplos mundo afora já demonstram claramente que a crise econômica será ainda mais grave se a crise sanitária assumir maiores proporções.
Quando um Ministro da Saúde e sua Equipe agem com tecnicismo e qualidade, objetivando preservar VIDAS, atônitos, certamente, face à ignorância de um grupo ideológico no Poder, meu sentimento é de júbilo. E a convicção de que, nas graves crises, pode-se diferenciar claramente as mulheres e os homens com estatura patriótica de “meninas que vestem rosa e meninos que vestem azul”.
A OMS reúne Especialistas em Saúde Pública, Cientistas e, certamente, divulga orientações pertinentes. Há que escutar a voz da razão!
A COVID-19 não escolhe ideologia, religião, classe social, gênero e sequer idade (já há crianças mortas), embora acometa de forma mais letal os idosos.
Quando se propõe isolamento social, mantendo serviços de Saúde, Segurança e Transporte (de pessoas, medicamentos, vacinas, alimentos, combustíveis, gêneros de higiene e limpeza...), produção de alimentos no campo e nas empresas deste ramo de atividade, cabe ao Estado dar condições de Biossegurança aos que precisam seguir trabalhando (educação para higiene e desinfecção, acesso a máscaras e luvas, água e sabão...), reduzindo riscos e valorizando suas VIDAS; assim como provendo aos afastados das suas atividades laborais, condições mínimas de acesso aos bens indispensáveis a sua sobrevivência neste período (mantendo Aposentadorias, Pensões e Bolsa Família, investindo percentual do PIB em renda mínima aos demais, principalmente aos informais, autônomos e microempreendedores); e indispensável apoio a Empresas (empréstimos com prazos de início de retorno a partir de 6 meses e sem juros, mas com a exigência de garantia dos empregos pelo dobro do tempo do investimento público).
É tempo de refletir e não agir por impulso, mas sim com base na realidade. Haverá um período de dor (ainda não chegamos ao pico no Brasil), seguido (em 4 a 6 meses) de um período de reconstrução.
Não há como nem por quê nos dividirmos enquanto Nação devido a ambições politiqueiras de quem quer que seja.
Façamos POLÍTICA! Na acepção grandiosa do termo! Sejamos Patriotas! Aprendamos com a crise! Cresçamos! Honremos as Vidas dos Brasileiros (pacientes e profissionais da Saúde) que ficarão pelo caminho, infelizmente.
Tenhamos GRANDEZA, CORAGEM e FÉ!
Tenhamos AMOR pelo NOSSO BRASIL!

Marília Gerhardt de Oliveira
gerhardtoliveira@gmail.com

sexta-feira, 27 de março de 2020

A LUZ NO FIM DO TÚNEL






PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

LUZ NO FIM DO TÚNEL
“É em momentos de severidade, como os atuais, que se distingue quem coloca acima de seus interesses ideológicos e eleitoreiros os valores maiores da democracia e da civilização – liberdade, fraternidade e igualdade, legados pela Revolução Francesa”. (Zero Hora, 25/03/2020 – Editorial) Acrescento: Além dos ideológicos e eleitoreiros, interesses pessoais também devem se submeter à circunstâncias.                                                                                                                                                 Aos que alegam o direito constitucional de ir e vir - art. 5º, XV, CF - para descumprir a quarentena, respondo que acima dos direitos individuais preponderam os da sociedade. O mesmo se aplica às manifestações que interrompem o trânsito, marchas do MST, greves (de caminhoneiros, por exemplo), que originam desabastecimento, etc.. Acima do direito individual e de corporações, repito, prepondera o coletivo.                                                                                                                                           É de Barack Obama a frase: “Na política e na vida a ignorância não é uma virtude”. Líderes não têm o direito de conduzir o povo a trajetórias catastróficas. O chargista Iotti enviou corretamente o recado citando o flautista de Hamelin.                                                                                                                          Os irmãos Grimm escreveram o conto folclórico:                                                                                Em 1284, a cidade de Hamelin sofria com uma infestação de ratos. Chegou à cidade um flautista que hipnotizou os ratos com sua música e os afogou no Rio Weser. Ao ver recusado o pagamento combinado tocou novamente sua flauta mágica, enfeitiçou as crianças e as trancou numa caverna. Até hoje, na cidade vazia, não se encontra nem um rato, nem uma criança.
A História vai julgar os homens e mulheres de hoje pelas suas atitudes.
Não esqueçamos, “onde há vida há esperança”. (Cervantes)
Complementando, “tudo passa ainda que algumas coisas passem mais lentamente”.                       Napoleão, Hitler, Gengis Khan, foram poderosos. Passaram. O mundo aprendeu a lição?
Lembremos que, ao nos protegermos num isolamento voluntário não estamos apenas afastando de nós o perigo como, e isto é de vital importância, não contaminamos os circundantes. Não apenas os nossos entes queridos, também pessoas que não conhecemos, nem sabemos que existem. O mais grave: aqueles que contaminarmos por não sermos racionais e por insistirmos em desrespeitar a quarentena se transformam em vetores de proliferação descontrolada. Por nossa desídia somos, sim, responsáveis pela morte daqueles que perecerão devido à nossa irresponsabilidade.
Portanto sejamos responsáveis, ao fim e ao cabo teremos não apenas contribuído para abreviar a duração da “peste” como evoluído como seres humanos e sairemos melhores do que éramos antes do horror planetário.
Enquanto a solidariedade se destaca nas pessoas conscientes, deixando evidente quem serão os que iluminarão as trevas do medo e da ignorância, outros exacerbam seu egoísmo e desnudam suas caras.
Uma luz no fim do túnel.
Líderes religiosos criticam decreto de Bolsonaro que torna as atividades religiosas essenciais em meio ao coronavírus. O texto dessas autoridades religiosas estabelece que essas atividades deverão obedecer às determinações do Ministério da Saúde.
Comentaram nesta quinta-feira (26/03) o decreto do presidente Jair Bolsonaro, que inclui na lista de atividades e serviços essenciais durante a pandemia do novo coronavírus, as que são de fundo religioso. Na prática, a medida pode viabilizar que ocorram, por exemplo, missas e cultos com a presença física de fiéis, contrariando a quarentena social recomendada pelo Ministério da Saúde.
Os líderes das seguintes religiões tomaram a decisão de não abrir para o público as cerimônias:
CNBB, Confederação Nacional dos Bispos do Brasil;
Pastor Henrique Vieira, Igreja Batista do Caminho no Rio de Janeiro;
Miguel Schlesinger, rabino da Congregação Israelita e representante da Confederação Israelita e representante da Confederação Israelita do Brasil;
Federação Espírita Brasileira;
Monja Coen, missionária oficial da tradição Zen Budista Soto Shu;
Babalorixá Adailton Moreira, do terreiro de candomblé Ilê Omijuarô;
Sheik Rodrigo Rodrigues, do Centro Islâmico do Paraná;
Sociedade Budista do Brasil, Ali Zoghbi, vice-presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil.
Bruxelas: O isolamento apenas de idosos e pessoas com doenças prévias foi tentado em países europeus como Reino Unido e Holanda e abandonado quando o crescimento rápido de doentes e mortos passou a ameaçar de colapso o sistema de saúde.
Acima do direito individual e de corporações, repito, prepondera o coletivo.                                                                                                                                          
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

quarta-feira, 25 de março de 2020

MEDO






08 – CIÊNCIA E CULTURA
Marília Gerhardt de Oliveira

MEDO?

“Que nada nos defina.  Que nada nos sujeite.  Que a liberdade seja a nossa própria substância”.
(Simone de Beauvoir)

Em 24 de dezembro de 2018, houve a primeira das quatro fraturas por stress (etiologia por osteoporose) que me afastaram do trabalho (depois de 36 anos). Quinze meses após, apoiada por minha tia materna de (86-87) anos de idade, por meu pai (82-83) anos de idade, por Médicos e Fisioterapeutas dedicados, estava finalmente sem muletas e com a perspectiva de retorno ao trabalho em 90 dias.
Em janeiro de 2020, as primeiras notícias da Epidemia (hoje Pandemia) de Coronavírus (COVID-19), na China, deram o primeiro sinal de ALERTA para quem quisesse enxergar. Estive, de dezembro de 2018 a março de 2019, assim como, de dezembro de 2019 a março de 2020, instalada confortavelmente no apartamento de Capão da Canoa (RS). O interregno passei no apartamento de Porto Alegre. Sempre em companhia de meu pai (diabético), que tem limitações de deslocamento, e de minha tia materna (que foi nossas pernas em todos estes meses).  
Saí de casa apenas (e de muletas) para exames, consultas médicas e fisioterapia. Um agradecimento aos taxistas Amadeu (Porto Alegre) e Milton (Capão da Canoa), incansáveis e dedicados.
As perspectivas nada alentadoras, para os próximos 4 a 6 meses, no Brasil, fizeram-nos optar por ficar em Capão da Canoa até o final desta Crise Sanitária.
Agora, sem a tia materna andando pela cidade, entre compras e passeios, mas tornada nossa companheira na “internação domiciliar”, tele-entregas nos manterão, assim como o apoio inestimável de amigos de longa data e da Zeladoria do prédio.
15 meses (para mim) se tornarão 18 ou 21. Há que se ter disciplina, determinação, senso de realidade e fortaleza emocional.
Estou lendo o livro de número 53 da nossa biblioteca familiar. Obras de autores como Thomas Mann, Ken Follett, Virgínia Woolf, Agatha Christie, Isabel Allende, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Juremir Machado da Silva, Chico Buarque de Holanda, entre outros.
“Mens sana in corpore sano”.
Importante RESPEITAR os que estão atendendo pacientes (incluindo colegas de Universidades e Hospitais), minha família, vizinhos e, principalmente, desconhecidos que estejam adotando medidas preventivas (e que constróem, portanto, mérito para VIVER).
Depende de nós! Força e Fé!
“Realize um ato de bondade, sem expectativa de recompensa, com a certeza de que algum dia alguém fará o mesmo por ti”.
(Princesa DIANA de Gales)

Medo?  Só do MAU EXEMPLO que vem de quem deveria liderar esta luta e que deveria primar por veracidade, estatura política e dignidade no cargo, sem medir patrioticamente as consequências trágicas de sua postura EQUIVOCADA.
Já EXEMPLOS MAGNÍFICOS como o do Papa Francisco, que sustou Missas com a presença de coletivos humanos, reiterando a onipresença de DEUS e considerando a comunicação de Sacerdotes com os fiéis com base na Tecnologia e nos Meios de Comunicação do Século XXI, deveriam vicejar entre os que, tragicamente, privilegiam a ignorância em detrimento da CIÊNCIA e da CULTURA.

Marília Gerhardt de Oliveira
gerhardtoliveira@gmail.com

DICOTOMIA NADA SAUDÁVEL





07 – CIÊNCIA E CULTURA
Marília Gerhardt de Oliveira

DICOTOMIA NADA SAUDÁVEL
Tempos difíceis estes que estamos vivendo. Há que refletir com serenidade e optar por evoluir democraticamente.
No Brasil, ao haver críticas a Lula, seus autores são alcunhados BOLSOMÍNIONS. E ao haver críticas a Bolsonaro, seus autores são alcunhados PETRALHAS.
Trágico!
Como se críticas fundamentadas em fatos REAIS, desprezando a ignorância truculenta de FAKE NEWS não fossem o melhor caminho para conduzir o Brasil a um futuro melhor, onde radicalismos deem lugar à inteligência emocional e à valorização da Ciência e Cultura.
Em tempo: já em 1940 (época de bombardeios alemães sobre Londres, durante  a 2ª Guerra Mundial), a espetacular autora britânica Virgínia Woolf – escrevia sobre a estreita conexão entre o patriarcado e o militarismo, assim como as dificuldades de mulheres a frente do seu tempo para ter acesso a profissões liberais. 
Cito-a:
 “Certamente somos mantidas sob sujeição; somos igualmente prisioneiros esta noite – os homens ingleses em seus aeroplanos e as mulheres inglesas em suas camas; mas, se pararmos para pensar, eles podem ser mortos; e nós também; tentemos fazer subir à consciência o hitlerismo subconsciente que nos subjuga; é o desejo de agressão; o desejo de dominar e escravizar; mesmo na obscuridade podemos ver isto se tornar possível; podemos ver vitrines resplandecentes; e mulheres olhando, admiradas; mulheres maquiadas, bem vestidas, de lábios e unhas carmesins; são escravas e tentam escravizar; se pudermos nos libertar da escravidão, libertaremos os homens da tirania; os hitlers são gerados por escravos”.


Mudou essencialmente este panorama?
Estamos nos esforçando verdadeiramente para atingir um elevado patamar ético em pleno século XXI?
Oremos!


Marília Gerhardt de Oliveira
gerhardtoliveira@gmail.com

DO BRASIL À RÚSSIA, REFLEXÕES






06 – CIÊNCIA E CULTURA
Marília Gerhardt de Oliveira

DO BRASIL À RÚSSIA – REFLEXÕES

Desde muito jovem, um alerta do meu pai, Cirurgião-dentista Jayme José de Oliveira, ecoa em minha mente: “se quiseres verdadeiramente muita segurança, terás que ser privada de parte da tua liberdade”.                                                                         Explico!                                                                                                                               Não deixar de ser livre, mas sim aceitar haver regras impostas a cumprir, acima de individualidades, priorizando o respeito ao bem-estar da maioria dos cidadãos.
Exemplos recentes são as reações da polícia britânica aos ataques com facas nas ruas de Londres. As forças de segurança, bem treinadas e equipadas, acorrem com presteza aos locais dos crimes e executam sumariamente os terroristas em ação delituosa contra vida de cidadãos e turistas.
Nada a ver com os elogios descabidos e eticamente injustificáveis de alguns governantes a psicopatas que utilizaram tortura como método de violação a adversários ideológicos de qualquer natureza.
Mas como se entende SEGURANÇA – do Brasil à Rússia?
Há três anos viajei pela Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia, exemplos de bem sucedida política social-democrática em benefício da qualidade de vida no mundo de hoje.
No interior da Noruega, entre Oslo e Bergen, encontrei, na margem de estradas vicinais, abrigos de madeira para venda de frutas colhidas nos pomares vizinhos. Era só parar, desembarcar do veículo, escolher as frutas e pagá-las, pois havia preço e uma caixinha com dinheiro e moedas para o troco.                                  Lembrei do interior de Estrela (RS), na minha infância, com o leite ordenhado pelos meus avós maternos, nas madrugadas, podendo ser coletado e pago com segurança e confiança, inclusive na qualidade do produto in natura fornecido.
Em tempo: no interior da Noruega, visualizei, ao longo do caminho, veículos abordados por policiais locais que, portando radares móveis e posicionados em lugares estratégicos e surpreendentes, controlavam com rigor o cumprimento de velocidade e leis de trânsito.
Já na Finlândia, desde Helsinque, viajei de trem até São Petersburgo, cruzando a fronteira seca com a Rússia.  A partir desta fronteira, passa-se a perceber com muita clareza o que significa segurança para o povo e o governo russos: pessoal atento a cada detalhe, método e disciplina, regras a serem cumpridas (prévia e detalhadamente esclarecidas).
São Petersburgo (no verão) é um lugar magnífico, com sua história, arquitetura, igrejas e museus (onde se destaca o Hermitage).
De lá, também de trem, fui a Moscou, cidade totalmente diversa, com seu povo aparentemente distante e silencioso.   
Imponente o Metrô moscovita, onde cada estação é uma obra e arte, além de ser bem arejado, limpo, seguro e funcional, transportando milhões de pessoas com qualidade.
Imperdível uma visita guiada ao Kremlin e observar a cidade do alto, desde a área do Campus da Universidade.
À noite, um episódio me fez compreender definitivamente o alerta do meu pai.
Sendo Moscou uma cidade de largas avenidas, com amplas passagens subterrâneas para pedestres (que devem obrigatoriamente utilizá-las para atravessar de uma calçada a outra) e querendo ir a um restaurante próximo para jantar, preocupada com minha segurança, solicitei informações sobre este necessário modo de deslocamento ao funcionário da Portaria do Hotel.
Inesquecível o seu olhar de estupefação! O que escancarou, na prática, o abismo cultural entre Brasil e Rússia no que se refere ao item SEGURANÇA.

Marília Gerhardt de Oliveira
gerhardtoliveira@gmail.com

ESTERTORES





PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

ESTERTORES
É indiscutível que atividades essenciais: hospitais, supermercados, serviços de segurança, transporte, etc., não podem parar. Eventos esportivos, desfiles de moda, exposições, casamentos, formaturas e até velórios devem se compatibilizar com a situação excepcional pela qual passamos.
No seu devido tempo o pesadelo será passado. Esperamos e torcemos por isso, mas ninguém pode vaticinar quando a pandemia estará controlada. O essencial, no momento, é a saúde das pessoas, vamos cerrar fileiras no que importa.
Um exemplo de nonsense, falta de sentimento, de responsabilidade, está sendo protagonizado pelo Comité Olímpico Internacional (COI). Reafirmaram que, apesar da pandemia, a Olimpíada de Tóquio vai prosseguir em sua programação e os jogos serão realizados entre 24 de julho e 9 de agosto de 2020. Como explicar uma atitude tão fora da realidade que nos assola? Como admitir que a decisão parta de pessoas ilustres, de elevado índice cultural, de padrão moral ilibado? Afinal de contas citam sempre Pierre de Frédy, mais conhecido pelo título nobiliárquico de Barão de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna – “O IMPORTANTE NÃO É COMPETIR, MAS COMPETIR COM DIGNIDADE” – e desdenham toda a angústia que assola o mundo? Será que os patrocínios, as verbas já empenhadas e os lucros que deixarão de abarrotar suas contas bancárias são mais importantes que a DIGNIDADE tão apregoada? Para que báratro relegam o ESPÍRITO OLÍMPICO?
O futebol profissional, esporte mais popular e mais caro do mundo tem seus campeonatos, torneios e exibições em geral adiados para as calendas gregas (kalendas graecas), uma expressão latina que indica algo que nunca acontecerá pois o calendário grego não comportava dia análogo e se referia a datas em que o fato não poderia ocorrer. Se o futebol profissional pode se dar “ao luxo” de postergar, por que a Olimpíada de Tóquio deverá ser realizada a custo de, possivelmente, inúmeras vítimas fatais não apenas entre os turistas e habitantes locais, inclusive de atletas.          OS MELHORES DO MUNDO!
Não seria mais racional e humano – no sentido de solidário, consciente – postergar, não para as calendas gregas, para outra data? Por que não 2021?
Voltaremos à arena do Coliseu, lembrando a sentença em língua latina citada em Suetônio, de Vita Caesarum – “Ave Caesar, morituri te salutant” (Ave César, aqueles que estão prestes a morrer te saúdam) – Palavras dirigidas pelos gladiadores ao Imperador, antes de entrarem em luta?
O ESPÍRITO OLÍMPICO NÃO RESPIRARÁ DURANTE A OLIMPÍADA DE TÓQUIO EM 2020, OUVIREMOS SEUS ESTERTORES.
P.S.: Parece que estão acordando, a imprensa estampa notícia de que países estão pressionando para adiar a Olimpíada de Tóquio.
P.S.: 2 – Nas últimas 24 horas o bom senso deu as caras, a Olimpíada de Tóquio foi adiada para 2021. HOSANA!
Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado