segunda-feira, 24 de agosto de 2015

CONTROLE BIOLÓGICO DE DOENÇAS E PRAGAS




Coluna publicada em 24/08/2015



PONTO E CONTRAPONTO - por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

CONTROLE BIOLÓGICO DE DOENÇAS E PRAGAS
ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE - X
Desde tempos imemoriais a humanidade, para prover sua subsistência e resistir às doenças, tem se digladiado com micro-organismos, pragas e condições adversas.   Armou-se para se defender das feras e guerrear. A medicina e a agricultura se projetaram como aríetes do desenvolvimento para evitar a extinção que abateu até gigantes como os dinossauros.
Após uma exagerada dependência de agrotóxicos está, paulatinamente, enveredando por procedimentos mais consentâneos com o equilíbrio ecológico e respeito à biodiversidade.
O controle biológico é um fenômeno que acontece espontaneamente na natureza e consiste na regulação do número de plantas e animais por meios naturais. É uma estratégia que vem sendo utilizada há muito tempo para o controle de patógenos, pragas e plantas daninhas. Em comparação ao controle químico apresenta vantagens, muitas, e desvantagens, menos significativas. Entre as vantagens pode-se citar que não é tóxica, não provoca desequilíbrio no ecossistema e não possui contraindicações. Em compensação exige tecnologia de ponta e, eventualmente, é mais cara.
Atualmente quatro procedimentos de controle biológico podem ser usados, isoladamente ou em combinação com outros o que, geralmente, resulta ser mais eficiente e deve ser recomendado sempre que possível.   
1.      CRIAÇÃO DE ESPÉCIES TRANSGÊNICAS
Introduzem-se dois genes em ovos de mosquitos Aedes Egypti. O “DsRED2” faz a larva brilhar quando exposta a uma luz especial permitindo sua visualização para o manuseio. E o “tTAV” que tem por função causar a morte das larvas alguns dias após o nascimento. Os ovos chocam e os mosquitos transgênicos nascem. Sua espécie foi batizada “OX513A”. São mantidos em gaiolas para reprodução, cada fêmea deposita ao redor de 100 ovos que são colocados em bandejas  com tetraciclina que inibe o gene “tTAV” e por esse motivo as larvas não morrem no cativeiro, são colocadas em aparelhos cobertos por tela muito fina. As fêmeas, maiores, não podem fugir, permanecem para reprodução. Os machos, menores são recolhidos e soltos nas regiões infestadas, em grande número (na proporção de dez para cada mosquito nativo). Devido à superioridade numérica fertilizam a maioria das fêmeas. Ao eclodirem os ovos, como na natureza não existe tetraciclina para inibir o gene “tTAV”, morrem antes de transmitirem a doença. Gradativamente a espécie vai sendo erradicada. É RECOMENDADE PARA O COMBATE AO MOSQUITO DA DENGUE (AEDES EGYPTI).
2. ESTERILIZAÇÃO DOS MACHOS COM RADIAÇÃO
Usada com sucesso nos Estados Unidos, México e na América Central, acaba de ser testado em países da América do Sul com vistas a ser adotado em todo o Mercosul para controle da mosca “Cochliomyia hominívora” cuja larva se alimenta de carne viva dos animais, a conhecida “bicheira”, que causa imensos prejuízos à pecuária. A fêmea da mosca copula uma única vez e deposita seus ovos em qualquer ferida dos animais. O processo consiste em criar machos da espécie em grande quantidade, esterilizá-los com Raios-X e soltá-los nas regiões infestadas. Utilizam-se aviões com caixas repletas de reprodutores estéreis que ao copular com as fêmeas nativas tem como resultado a produção de ovos igualmente estéreis. A redução populacional gradual dos insetos leva à extinção da praga. 
            3. EMPREGO DE VÍRUS, FUNGOS E BACTÉRIAS
Na natureza o controle da biodiversidade é executado por predadores e micro-organismos patogênicos, estes são seletivos e atacam exclusivamente espécies determinadas o que torna seguro seu emprego para erradicar pragas. Para alcançar resultados de controle cumpre, preliminarmente, identificar os inimigos naturais da praga-chave. A reprodução do agente controlador em larga escala é um dos maiores desafios a serem transpostos.
Fungos, vírus e bactérias são os principais micro-organismos utilizados para facilitar culturas como a da cana-de-açúcar, cítrus, soja, milho, mandioca, banana entre muitas outras.
O controle biológico, assim como qualquer estratégia dentro de um sistema agroecológico de produção jamais poderá ser “um fim em si mesmo” mas um poderoso auxiliar para um cultivo ecologicamente viável.
            4. PREDADORES NATURAIS
Além de micro-organismos, outros predadores naturais são eficientes no controle de pragas. A lagarta “Helicoverpa” que está causando mais de 1 bilhão de reais de prejuízo anuais pode ser controlada por minúsculas vespas do gênero “Trichogramma spp”.
Ivan Cruz, do Núcleo de Pesquisa em Fitossanidade da Embrapa Milho e Sorgo de Sete Lagoas, Minas Gerais, diz que a vespa é o principal agente para controlar os ovos de diversas espécies quando liberadas no campo e o método mais eficaz é lançá-las de avião em caixas que as liberam no solo. O parasitismo das vespas aos ovos de lagarta é de eficácia retumbante.
Devido aos prejuízos causados pela lagarta nas lavouras do Brasil, o Ministério de Agricultura,  Pecuária e Abastecimento(MAPA) declarou, mediante portaria, emergência fitossanitária no país.
Esta coluna já estava redigida quando me deparei com a seguinte manchete no Correio do Povo (18/08/2.015): “COMBATE ECOLÓGICO ÀS PRAGAS INTERROMPIDO”.
A interdição da biofábrica de produção de vespas da Emater, em Montenegro, poderá prejudicar a adesão de produtores que pretendiam experimentar o controle biológico de lagartas na safra 2.015-2.016. Cada cartela contém cem mil ovos, o suficiente para cobrir uma área de mil metros quadrados. Além dos benefícios ecológicos a economia é relevante: R$ 30,00/hectare contra R$ 300,00 de agrotóxicos que, além do mais, necessita 2 a 3 aplicações. Cumpre salientar que a vespa “Trichogramma spp” ataca EXCLUSIVAMENTE A LAGARTA.
A Fepam providenciou apenas o licenciamento e a lei determina que haja também um registro junto ao Serviço de Fiscalização de Insumos do Mapa/RS. Dez dias depois de notificada a Emater entregou a documentação solicitada. Agora o processo vai entrar em fase de relatoria, etapa em que é distribuído a um fiscal federal. Enquanto isso a biofábrica segue fechada. ATÉ QUANDO?
Atualmente aliam-se vários métodos de controle simultaneamente, incluindo rotação de culturas, manejo racional de agrotóxicos e uso de variedades resistentes, algumas delas obtidas por técnicas de transgenia.


EM ANEXO IMAGEM DA LAGARTA HELICOVERPA


Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado








segunda-feira, 17 de agosto de 2015

HIPERINFLAÇÃO




Hiperinflação – Por Jayme José de Oliveira

Jayme José de Oliveira
Jayme José de Oliveira
- Você tocava “ragtime?” – Perguntou Wally surpreso – nunca ouvi você tocar nada a não ser música clássica.
– Foi o “ragtime” que não nos deixou morrer de fome quando sua mãe era bebê. Depois da Primeira Guerra eu toquei numa boate chamada Nachtleben, aqui mesmo em Berlim. Recebia bilhões de marcos por noite, o que mal dava para comprar pão, mas às vezes eu ganhava gorjetas em moeda estrangeira e com dois dólares dava para viver bem uma semana inteira. (Maud von Ulrich, avó de Wally).
Escolhi este trecho do livro “Eternidade por um fio” de Ken Follet. É o último da “Trilogia do Século” que abrange a história do mundo desde antes da Primeira Guerra Mundial até os episódios da Guerra Fria. São quase 3.ooo páginas de uma leitura romanceada, mas que obedece A História Mundial e os fatos do dia a dia vividos por 5 famílias de diversas nacionalidades, envolvidas nos conflitos.
Quando Maud se refere aos bilhões de marcos estava se reportando à realidade da época. A hiperinflação que arrasou a economia da Alemanha pós Primeira Guerra Mundial. Um carrinho de mão cheio de marcos valia menos que uma cédula de 20 dólares.
Porquê essas reminiscências? Porque a grande maioria dos brasileiros não conhece ou já esqueceu como era a vida no período inflacionário, até 1.994. Os supermercados remarcavam os preços pela manhã e de tarde. Quem vivia de salários ia rapidamente realizar as compras de alimentos para o mês inteiro antes que a desvalorização da moeda corroída fizesse o salário acabar antes do mês. Nesse caso, a solução seria restringir a alimentação ao mínimo esquecendo a carne, frutas, legumes e até, por vezes, o leite. Profissionais liberais e todos que trabalhavam por empreitada ou diaristas depositavam diariamente seus ganhos no overnight, única maneira de defender, precariamente, o valor do ganha-pão.
Porquê essas lembranças no momento? Porque, se não for contida a espiral inflacionária que ameaça ressurgir, os 1.993% da inflação anual, abatida pelo Plano Real, voltará a nos assombrar. E, convenhamos, outro Plano Real dificilmente repetirá a façanha de domar o dragão inflacionário.
Os ricos sempre descobrem meios para navegar em mares revoltos, os governos até se beneficiam postergando – pedalando se diz atualmente – pagamentos. Pagam com dinheiro desvalorizado contas atrasadas oportunisticamente.
NÃO CREIAM NA FALÁCIA DE QUE UM POUCO DE INFLAÇÃO ESTIMULA A ECONOMIA. DESORGANIZA A VIDA FINANCEIRA, PRINCIPALMENTE DOS POBRES.
Jayme José de Oliveira – cdjaymejo@gmail.com

terça-feira, 11 de agosto de 2015

AUTOSSABOTAGEM





AUTOSSABOTAGEM

Por Jayme José de Oliveira

Publicado por Rogério Reinheimer Bernardes em 11/08/2015 as 11:38

Ultrapassamos duas ditaduras, o suicídio dum presidente, a renúncia de outro e a deposição de mais um. No setor econômico, após repetidos fracassos com planos esdrúxulos o Plano Real feriu de morte o dragão inflacionário – considerado imbatível e imortal – e emergimos num país em vias de, se bem dirigido, finalmente, proporcionar uma vida digna aos cidadãos.
Os 851 bilhões da dívida – interna mais externa, acumulados em 180 anos, desde a Proclamação da Independência, ultrapassando 2 guerras mundiais, a construção de Brasília e uma hiperinflação – em escassos 8 anos catapultaram para 1,89 trilhão e, agora, seis anos adiante ruma para 2,5 trilhões. A taxa Selic em 14,25% representa um dispêndio de 365,25 bilhões/ano em juros, 1 bilhão de reais diários, sem amortização do principal. Conseguiremos sobreviver ou nos encaminhamos para uma nova Grécia?
Presenciamos no Brasil atual um pronunciado déficit de lideranças políticas e as que se apresentam, ou demonstram falta de discernimento, leniência e até comprometimento com os malfeitos ou, partindo da oposição, não surgem como indubitavelmente capazes de, ao assumirem as rédeas, corrigir a rota que ruma ao desastre. O iceberg nem está tão oculto pelo nevoeiro e o Titanic ruma inconsequentemente ao seu encontro, que será fatal.
Nações só descem realmente ao inferno quando elites complacentes operam no vácuo da falência múltipla das instituições”. (Marcos Troyjo, diretor do BRIC Lab da Universidade de Colúmbia).
“O inferno são os outros” dizia Sartre, o Brasil não pode afirmar o mesmo. Suas agruras são majoritariamente frutos dos próprios pecados. O Brasil tem de por fim à autossabotagem.
Ocorreram e são do domínio público, malfeitos cuja responsabilização amodorrou-se nos inúmeros recursos disponíveis a quem pode contratar advogados capazes e dispostos a utilizar todos os artifícios pródigos nos meandros da legislação vigente, inclusive a renúncia de cargos eletivos com o intuito de retroagir às primeiras instâncias. Tudo com a finalidade de postergar o julgamento ou caducar por decurso de prazo. O dito “mensalão mineiro” é um exemplo. Outros, quando julgados pelo STF após anos de tramitação, recebem penas de curta duração e logo, logo, estão livres, lépidos e fagueiros. A Ação Penal 470 resultou nisso.
Agora, o Petrolão amalgama dirigentes da estatal, doleiros, empreiteiras – com seus mais altos representantes -, paraísos fiscais e políticos dos mais diversos partidos e graduações.
Já são 17 etapas da Lava-Jato e na última, reincidente volta a ser indiciado e preso. Pasmem! Lucubra-se que não vai parar por aqui e o que se vislumbra causa calafrios.
Ressalto que, desta vez, não restringindo a origem dos indiciados se comprova o quanto está disseminado o despautério.
NÃO HÁ ANJINHOS NA PARADA! RECORDEMOS QUE BELZEBU JÁ FOI LÚCIFER, O PORTADOR DA LUZ.




Jayme José de Oliveira – cdjaymejo@gmail.com





quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O UNIVERSO




Litoralmania
Chile Pneus

Universo – Por Jayme José de Oliveira

Publicado por  em 05/08/2015 as 11:04
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Jayme José de Oliveira
ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE – IX
O homem sempre procurou saber onde vivia, qual era o tamanho, constituição e disposição do que seus olhos percebiam. A Terra, estrelas, o Sol, a Lua, cometas eram mistérios que precisavam ser desvendados e as teorias se sucederam. Algumas consideramos absurdas na atualidade, compreensíveis, se nos posicionarmos no tempo em que foram elaboradas e nos conhecimentos disponíveis. Não podemos deixar de admirar os progressos que foram verificados no decorrer dos tempos. E quem pode assegurar quealgum dia atingiremos o âmago da questão?
A noção de uma Terra plana e não esférica se coadunava com as possibilidades de análise contemporânea. Muitas culturas antigas concebiam seu habitat dessa forma, incluindo a grega até o período clássico. As civilizações do Antigo Oriente Médio, a Índia da Era do Ferroe a China até o século XVII. É típica também nas culturas aborígenes da América, nestas a Terra era concebida coberta por uma redoma, o firmamento.
Terra plana
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Um corolário dessa crença deduzia que as viagens marítimas não poderiam se estender além da borda pois ela delimitava um abismo sem fim no qual cairiam as naves. Os oceanos também estariam repletos de monstros que engoliam as embarcações e sua tripulações. A Europa se localizava no centro geográfico da Terra.
6Monstros do oceano
A teoria do Geocentrismo que já concebia a Terra esférica foi elaborada pelo astrônomo grego Cláudio Ptolomeu no início da era cristã. A Terra estaria no centro do Sistema Solar e os demais astros girariam ao seu redor. O Geocentrismo era defendido pela Igreja Católica que, inclusive, julgou Calileu Galilei defensordo Heliocentrismo. Muitos historiadores classificam este julgamento como um dos mais infames da história, equiparando-o mesmo aos de Sócrates e Jesus.
O Heliocentrismo consiste num modelo teórico de sistema solar desenvolvido pelo astrônomo e matemático polonês Nicolau Copérnico (1.473-1.543). A Terra e os planetas se movem ao redor do Sol, sendo este o verdadeiro centro do sistema. A sucessão de dias e noites é consequência do movimento de rotação da Terra ao redor de seu próprio eixo.
O Helicentrismoque não era aceito pela Igreja Católica foi aperfeiçoado por Galileu Galilei (apesar dos percalços causados pelam Inquisição), Johannes Kepler e Isaac Newton. Atualmente é aceita pela comunidade científica como paradigma dos sistemas que proliferam nas galáxias.
Admite-se que a origem do Universo remonta a 13 bilhões e 700 milhões de anos com o Big Bang, que gerou tudo o que conhecemos. As estrelas com seus sistemas planetários, quando ocorrem, se aglomeram formando galáxias que se afastam em velocidades díspares. O número de estrelas que existem no Universo está calculado entre 30 a 70 bilhões de trilhões, agrupadas em torno de 80 bilhões de galáxias.
Todo o Universo que conhecemos, formado por átomos, corresponde a menos de 5% do que realmente existe. A Energia Escura, 71,6% e a Matéria Escura, 24%, completam o total.
A Energia Escura e a Matéria Escura, embora definitivamente comprovada sua existência, ainda é matéria para estudos que, certamente, nos conduzirão ao conhecimento da constituição integral do Universo.
Jayme José de Oliveira – cdjaymejo@gmail.com
CD Jayme José de Oliveira
Capão da Canoa - RS - Brasil
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segunda-feira, 27 de julho de 2015

SE DEUS NÃO TIVESSE CRIADO O HOMEM




Se Deus não tivesse criado o homem – Por Jayme José de Oliveira


Jayme José de Oliveira
Jayme José de Oliveira
ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE – VIII
Se Deus não tivesse criado o homem, o homem seria compelido a criar Deus!
Por quê?
E disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. (Gênesis, 26)
Qual foi o fator que o diferenciou dos outros seres vivos? A liberdade de agir de acordo com sua vontade e discernimento, o livre-arbítrio, que tanto pode ser usado para o bem como para o mal. No episódio que descrevo adiante, tanto poderia fugir apavorado – não o fez – como usar a potencialidade que lhe fora conferida pelo Criador e se perguntar quem era este Ser tão poderoso – optou pela segunda alternativa – e intuiu Deus.
Na coluna “Comunicação” (27/02/2014) gizei que as duas molas propulsoras da humanidade foram, e são, a curiosidade e a insatisfação. A primeira o impele a procurar respostas para tudo que não compreende e a segunda o instiga a não desistir até alcançar o objetivo.
Há 200.000 anos quando surgiu, vivia num ambiente hostil e, não fora seu cérebro, esta frágil criatura não teria sobrevivido e prosperado. Seria mais uma das inúmeras espécies mal sucedidas da criação que se extinguiram. Graças às suas características singulares inventou e aperfeiçoou armas de defesa e ataque, moldou o meio ambiente à sua vontade, necessidades e conveniências, suplantou todas as demais e é, indubitavelmente, o píncaro da criação.
A jornada foi difícil, áspera e plena de obstáculos. Os animais foram domados ou deles se manteve a salvo pela astúcia, fuga ou construindo abrigos. Aprendeu a cultivar os vegetais ampliando suas fontes alimentares permitindo fixar residência e formar comunidades estáveis. Deixou de ser nômade.
Desde as priscas eras analisava os fatos à sua maneira. Um raio incendiando uma árvore afugentava os animais, por mais fortes e bravios que fossem e isso encerrava o episódio. O homem, não!  Conhecia todos os perigos naturais, feras, precipícios, cataratas… mas aquela luz incandescente seguida dum estrondo que tudo destruíam estava fora de sua compreensão. Que poderia ser? Pela vez primeira não atinava com a resposta e isso o inquietava, constrangia, ele não admitia o desconhecimento.
Não conseguindo explicação plausível, concluiu ser algo acima de tudo que podia captar com seus sentidos. Surgiu a ideia do primeiro Deus, na mente do primeiro homem vivendo num aglomerado de seres da mesma espécie. Foi o primeiro, mas não o único. Todas as tribos, de todas as partes do mundo que se seguiram, mesmo isoladas como as na ilha da Páscoa, nas florestas da África e em outros rincões cultuaram seus deuses e os sacerdotes eram seus porta-vozes.
O inexplicável obtinha explicação e a curiosidade satisfeita. Surgiram as religiões. O politeísmo era a regra. Como muitos eram os mistérios, outros tantos os deuses. Foi na Grécia antiga que a mitologia atingiu seu esplendor, se não elaborou respostas para todas as questões, seguramente é a mais rica, estudada e reverenciada de todas. Deuses, semideuses, heróis, sílfides, nereidas, faunos e tudo o mais que puderam imaginar… nada ficou descuidado. Concomitantemente, a  ciência e a arte floresceram.
O monoteísmo surgiu depois, mas, até mesmo a Igreja Católica sinaliza para a Santíssima Trindade, um Deus em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Judaísmo, o Islamismo, bem como algumas denominações cristãs não aceitam a doutrina trinitária.
Até o presente as perguntas não foram todas respondidas. Jamais o serão a pleno.
“Para cada resposta que obtemos nos surgem dez novas questões, mas o que nunca vai acabar é a procura do ser humano pelo conhecimento”. (Jayme J. de Oliveira)
“Mesmo quando era jovem, não conseguia acreditar que, se o conhecimento humano oferecesse perigo, a solução seria a ignorância. Sempre me pareceu que a solução tinha que ser a sabedoria. Qualquer avanço tecnológico pode ser perigoso, mas, os humanos não seriam humanos sem eles. (Isaac Asimov)
Com a evolução e o tempo o homo sapiens desvendou os segredos do raio e do trovão, dos vulcões, dos terremotos e da maioria dos fenômenos da natureza. O desconhecimento se deslocou para outros campos, mais complexos, mais intrigantes, porém a curiosidade com sua companheira inseparável, a insatisfação, continuam tão incrustados na mente humana como por ocasião da primeira dúvida e não cessarão jamais. É o que impulsiona o homo sapiens cada vez mais para o domínio do desconhecido mas não incognoscível.
Jayme José de Oliveira – cdjaymejo@gmail.com

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